Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

domingo, 27 de julho de 2008

Terceirização

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Este é um recurso utilizado há alguns anos já pelas empresas, que na busca sem limites por menores gastos e maiores ganhos, e com a concorrência sendo feita por empresas do mundo toda (inclusive daquelas que usam mão de obra quase escrava, sem direitos trabalhistas, com subsídios dos governos, etc) precisam de alternativas para continuarem sobrevivendo.

E a busca da sobrevivência é algo muito bom, afinal, de nada adianta uma empresa falida. Além de diminuir a economia, empregos serão perdidos, impostos deixarão de ser arrecadados, enfim, muita gente sairá perdendo. E então veio a terceirização, que nada mais é do que usar outras empresas para fazerem parte dos serviços necessários para que uma empresa sobreviva. O mais usual é para aqueles serviços que são identificados como não sendo o objetivo de uma empresa. Por exemplo, a minha empresa produz máquinas de lavar, então o pessoal da limpeza, da alimentação, dos recursos humanos, que são necessários para o funcionamento, porém não participam diretamente do objetivo da empresa são terceirizados. Além do benefício óbvio, que é o de diminuição do custo, pode-se ter também o benefício de uma qualidade maior, afinal, a empresa que presta o serviço faz somente isso, e, portanto é uma especialista. E se alguma pessoa sai outra já entra, não dando ‘preocupação’ para o contratante em ver pessoas, essas coisas.

E como as empresas somente podem terceirizar aquilo que não é seu objetivo, o que elas fazem quando mesmo assim querem – ou precisam – diminuir seus gastos? Simples, se eu não posso terceirizar o que é meu objetivo, eu mudo o meu objetivo. Como assim? Hoje em dia, as empresas que produzem automóveis são chamadas de montadoras, já repararam? E por quê? Porque elas não mais constroem os carros, elas somente os montam. Tudo o que é preciso para se fazer um carro é terceirizado. São empresas que fazem as peças necessárias para o carro, algumas existindo somente para uma montadora e obedecendo todas as normas impostas pelas montadoras. Bom, lei é lei né? E então as montadoras somente pegam as peças e as juntam. Na verdade ela é uma ‘resolvedora’ de quebra-cabeças.

Mas tudo na vida tem seu lado bom e ruim. E o que falei é o lado divulgado, o financeiro. O quanto isso torna as empresas mais competitivas no mercado mundial. Sei disso, mas me questiono qual é o custo desta economia. E não é custo financeiro não, mas sim o humano.

As pessoas que trabalham para uma empresa que presta serviço para as demais são comprometidas com o resultado? São comprometidas com a empresa para a qual estão prestando serviço?
E as empresas que contratam as terceiras, estão preocupadas com a empresa que contratou, as pessoas que lá trabalham?

É esse o ponto. A terceirização acabou com o comprometimento, já que as pessoas não mais são da empresa, mas somente estão na empresa, e como estar é algo temporário, para que me importar se o serviço é bom ou ruim, se uma ação minha pode melhorar muito a empresa? Eu estou lá fazendo meu serviço, se bem ou mal não fará diferença nenhuma pra mim, funcionário terceirizado, já que eu não ganharei nada a mais com isso (nem financeiramente nem oportunidades ou reconhecimento). Então somente se faz o que se pagou, e nada mais. E as empresas que contratam, se há algum problema com a contratada, como por exemplo uma dificuldade financeira, já descartam e pegam outra. Ou se a empresa começar a mandar profissionais melhores, e por isso com um valor maior, será que esta empresa continuará a prestar os serviços, ou será substituída por uma mais barata, através do nivelamento por baixo?

Infelizmente vejo o nivelamento por baixo, o não compromisso das pessoas. E a imediata substituição das pessoas ou empresas assim que qualquer problema ocorra. Mas o maior problema não é esse, mas sim a mentalidade que se cria.

Quem convive neste meio percebe tudo isso, e vê o quanto as coisas ficam descartáveis, com pessoas e empresas sendo trocadas assim que não mais interessarem. Eu pago, você faz o que eu quero. Você tem algum problema, problema seu. E vão, dia a dia, vendo tais posturas. E isso enraíza, e as pessoas, na sua maioria, começam a achar normal tal postura, e a adotam como postura de vida. As pessoas também começam a ser tratadas assim. Se eu conheço uma menina, enquanto ela me for 'útil' eu fico com ela, a partir do momento em que tiver algum problema eu troco por outra, sem problema. As relações ficam superficiais, sem cumplicidade, sem o desejo de fazerem algo melhor, de serem melhores, afinal, estão sendo ‘domesticadas’ deste modo.

Será que a terceirização é tão boa assim? Será que os prejuízos que a sociedade tem são menores que os benefícios financeiros? Vejo os centavos economizados na produção de mais e mais produtos gerando famílias (força de expressão) desestruturadas, com pais e mães com filhos de 3 casamentos, irmãos tendo que fazer árvore genealógica para entenderem qual a relação entre eles, pessoas se internando por estarem sempre só, mesmo cercada de pessoas, pessoas cometendo erros crassos com grandes prejuízos, grandes idéias perdidas por não ter motivo para serem ditas. Isso para mim gera muito prejuízo, afinal uma sociedade desestruturada aumenta os gastos pessoais e públicos com segurança.

Terceirização:
- Wikipedia
- Sebrae

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Efeitos da sobriedade

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A tão falada "Lei seca", a qual já escrevi a respeito, continua sendo muito falada na mídia, e agora, após um pequeno período de vigência já se pode apurar alguns números. Os acidentes e vítimas diminuíram 40%, na média. É um número muito significativo, visto que somente foi trabalhado em um ponto, que é o de não beber alcoolizado. E mesmo ainda tendo motoristas bebendo e dirigindo, excedendo o limite de velocidade, dirigindo perigosamente, com carros em péssimas condições o índice de acidentes diminuiu este tanto, não vejo como podem ter pessoas contrárias a isso.

Vi um artigo (artigo completo) informando quem "ganha" e quem "perde" com esta lei. Coloquei entre aspas os termos pois este ganho refere-se somente ao aspecto financeiro. Não estão levando em consideração os ganhos para a sociedade, com a diminuição de acidentes, gastos com atendimento, menos inocentes mortos ou com seqüelas.

Vi que os bares e restaurantes estão perdendo dinheiro, bares na ordem de 40% e restaurantes na ordem de 20%, e que por causa disso entrarão no STF com uma ação de inconstitucionalidade. É aí que não entendo. O que é inconstitucional? Beber? Isso a lei não proíbe. Ela apenas proíbe beberem e sair dirigindo, o que é uma exposição da própria pessoa e de outros à riscos. Duvido que o motivo que eles alegam (vejam o artigo) seja realmente o motivo que os levaram a entrar no STF. E as empresas de Valet (aquele tipo de serviço onde se paga um absurdo para o cara deixar o teu carro na rua) também estão reclamando.
A argumentação é que com esta lei irá diminuir o faturamento destes setores, e conseqüentemente haverá demissões. E onde se viu uma lei promover o desemprego? Usam este subterfúgio para tentarem dizer que a lei é inconstitucional.

Vamos ver se eu entendi. Como o faturamento de um setor diminuirá então a lei é inconstitucional, e portanto deve ser revogada. Se milhares de pessoas (muitas inocentes) morrerem por causa disso, de famílias sofrerem por isso, se o custo da sociedade com tratamentos, custos, socorro aumentar, isso não importa, afinal, meia dúzia de pessoas estarão ganhando dinheiro com isso. Estou delirando? É isso que eles querem?

Bom, se for assim então não entendo porque o governo luta contra o tráfico, afinal, o tráfico dá muito dinheiro, emprega muitas pessoas. Se o tráfico acabar, certamente haverá milhares de novos desempregados. E então por que acabar com a corrupção, os falsificadores de documentos? Afinal, isso também movimenta muita grana, emprega muita gente. Se a questão é evitar desemprego e que algumas pessoas percam emprego, independente do custo social disso ser altíssimo, então vamos parar com essa besteira de querermos um país sério.

Eis um belo exemplo de egoísmo na argumentação. Para defender somente o seu, independente do quanto de estrago isso provoca, acionam a justiça. Quem sabe se essas pessoas estivessem imbuídas do espírito mundiota as coisas não seriam melhores.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

De grão em grão....

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....a galinha enche o papo. Eis um ditado bem popular, e que normalmente ouvimos muito de nossos pais - ao menos fui felizardo ao ouvir isso - para que nós aprendamos a ser mais ponderamos, menos impulsivos, imediatistas, e que percebamos que com o tempo, e um trabalho contínuo conseguiremos muitas coisas. Afinal, qualquer grande obra começa com o primeiro tijolo.

E aprender o que este singelo ditado ensina pode ser muito útil em nossa vida. Não somente para diminuir o anseio, o ímpeto, mas também para percebermos as pequenas coisas que ocorrem e já tentarmos agir logo no começo (tratar a causa), antes que aquela pequena coisa cresça e vire algo muito grande (tratar o efeito), o qual não teremos condições nem forças para derrotar.

Um exemplo bem comum a todos nós são os buracos nas estradas. Começam com pequenas fendas, as quais nem percebemos, mas o tempo passa e a fenda aumenta de tamanho, até virar um pequeno buraco. Mas o carro ainda passa bem por este buraco. Então ainda não nos preocupamos. Até que o buraco aumenta, fica grande e quebra o eixo, ou fura o pneu. Aí xingamos quem foi que não consertou o buraco, mas nos esquecemos que passamos por todas as etapas da vida do 'buraco', o vimos crescendo, e ignoramos, preferimos o silêncio. Depois quando ele age ficamos 'surpresos'.

Este é um exemplo concreto, digamos assim, no entanto tem outras coisas que ocorrem e que não percebemos. Governo aumenta impostos aos poucos, e como nós não aprendemos que é 'de grão em grão que a galinha enche o papo' achamos que aquele grãozinho não nos matará, então deixamos pra lá, afinal, por que me preocupar? É só um grãozinho!!! Então eles colocam outro grãozinho, e como esquecemos do anterior, caímos no mesmo caso, por que me preocupar? É só um grãozinho!!! E vão fazendo isso, até que não tenhamos mais um grãozinho para lhes dar, aí a ficha cai e ficamos com cara de ......... bom, deixa pra lá.

E além de não percebermos isso, é muito comum atirarmos pedra nos que observam as coisas desde o começo. Se um cara reclama do grãozinho já é motivo o suficiente para que ele seja tachado de 'chato' e cara que pensa pequeno, afinal, é só um grão. O ópio da maioria os impedem de verem que o motivo do 'chato' reclamar não é o momento presente, mas sim a cultura que se começa, e principalmente onde vai dar.

Deixo com vocês uma apresentação.



domingo, 20 de julho de 2008

A tigela de madeira

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Nonsenselândia

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A Nonsenselândia é um país imenso, gigante pela própria natureza, cortado pelo trópico e a abençoado por Deus. Certamente um lugar onde todos os que não lá moram gostariam muito de morar. No entanto naquele país ocorrem algumas coisas muito particulares. Creio que somente os moradores daquele país é que conseguem entender.

Fazer as coisas certas naquele país é motivo para ser ridicularizado, é motivo de deboche.

Tudo é feito para os errados. Pagar em dia é coisa de imbecil. Melhor dar calote e pagar muito tempo depois com muito desconto. E há do credor de divulgar a dívida do devedor. Se fizer isso certamente ele será processado, pois estará ferindo a ‘honra’ do devedor.
Chegar no horário pra que? Pra ficar esperando? Não, isso não se aplica naquele país. Quem chega no horário é tonto e merece ficar esperando para ver se aprende como as coisas funcionam.

Educar os filhos? Pra que me preocupar com isso? O meu filho sempre é bem educado, os outros é que são mal educados. E há de você caso indignar-se com o meu filho. No meu filho ninguém rela. Meu filho somente é muito ativo e precisa liberar as energias. Li, não sei se é verdade, que alguns desses filhos, em momentos de liberação de energia batiam em pessoas, colocavam fogo em outras.

E também naquele país é proibido roubar pouco e vestir-se mal. Fiquei sabendo que é uma grande idiotice isso. Lá eles incentivam as pessoas a roubarem bastante, pois estes sim serão respeitados, tratados como doutor e certamente não ficarão presos, afinal de contas, quem se veste bem não pode ficar num lugar daqueles. Só não pode cometer erros de uns amadores que roubaram uma caixa de leite, ou então que arrancaram um pedaço de uma casca de uma árvore. Esses sim são extremamente danosos, e são tratados com o maior rigor possível.

Mas uma coisa que me intriga muito naquele país é que a verdade não é verdade, o que ocorreu não ocorreu,a assinatura não foi assinada, tudo por causa das excelentes leis que por lá eles têm. Se uma pessoa for filmada, fotografada, tiver documentos assinados, e mais um monte de coisa, e isso demonstrar que ela está envolvida em um monte de maracutaias, de nada valerá se as provas não foram obtidas do modo legal como eles lá profetizaram. E com um pouco de dinheiro é fácil fácil declarar que as provas – que são comprovações de fatos – não são legais, portanto não provam nada. Realmente aquele país deve ser único.
Imagino uma situação hipotética, numa tentativa de futurologia, uma possível conversa entre um policial e um estelionatário.

“Caro senhor estelionatário, sabemos que você faz coisas ilícitas, desvia verbas e tudo mais, no entanto preciso que o senhor assine este documento dando-me autorização para que eu possa produzir as provas contra você, via movimentação bancária monitoramento telefônico, imagens, etc, pois sem isso tudo o que for descoberto e registrado não será valido contra o senhor, e isso prejudicará muito o meu trabalho.
Peço encarecidamente então que me autorize, mas fique tranqüilo pois irei no cartório reconhecer firma, farei as 10 cópias necessárias - cada uma na sua cor, tudo dentro da lei. E se der tudo certo, em breve poderei ferrar com o senhor”


Esta é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Senado Fede

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O título deste artigo é em função da imagem abaixo, que deve ter sido tirado por um fotógrafo apressado, que não deixou o pessoal estender até o final.


Nestes últimos dias foi muito divulgado na mídia (oficial e não oficial – leia-se internet, via blogs) a liberação de quase R$ 10.000,00 para que cada senador pudesse contratar um outro (ou outros) assessores (sem concurso público, via QI), o que geraria gastos mensais na faixa de R$ 900.000,00. Não choverei no molhado para dizer o que eles tentaram aprovar. E leio hoje que eles (o Senado) cancelaram isso.

Vi comentários de pessoas dizendo o quão bom foi isso, e realmente foi. A sociedade agradece a este ato de não desperdício do nosso dinheiro (ao menos não no Senado), no entanto fico pensando algumas coisas sobre esse fato.

Até onde eu sei nada lá em Brasília é aprovado assim rapidamente, vejo itens levando até décadas para se chegar a um consenso ou acordo, então se havia sido aprovado isso é porque a maioria aprovou tal proposta após discussões. Ao menos é o que imagino e espero. Então, se eles levaram tanto tempo para decidir isso e depois mudaram de idéia após poucos dias de pressão pública, será que eles estavam convictos de que isso era o certo? Eu, quando creio em algo, defendo meu ponto de vista. E não vi isso da parte do Senado. Somente vi uma rápida mudança no plano após o ‘vazamento’ destas informações à população. E se eles mudam tão repentinamente de idéias (deixo claro que esta mudança repentina me agradou), qual a garantia que eu tenho que eles não podem mudar repentinamente de idéia em assuntos mais importantes? Ou então qual a garantia que tenho que realmente os assuntos são debatidos o suficiente para que eles estejam convictos de que a decisão deles é a melhor? Fico inseguro com relação a isso.

Vi também que baixou o bom senso lá, a razão. Mas só depois da opinião pública se manifestar contra? Nós temos que mandar o bom senso para lá para eles usarem? Será que eles não têm? Ou será que o bom senso que tem é somente quando estão iluminados pelos olhos da sociedade? Lembro a todos que é muito fácil ser honesto na frente de todos, mas é muito mais difícil (porém é nesse momento que se vê a verdadeira honestidade) ser honesto quando não tem ninguém por perto para nos delatar ou verificar a infração. Não vejo muita vantagem em ser honesto após ser alertado pelos outros.

Mas independente disso, se o motivo pelo cancelamento disso foi nobre ou não, quem sabe este não é um pequeno passo para um país mais junto, honesto, de bons exemplos? Que nossos ilustres representantes permaneçam iluminados (de preferência por luz própria) e que nós, os cidadãos deste país passemos a sermos cada vez mais politizados, conscientes de nosso papel, atentos ao que fazem, e que usemos a mídia não oficial (enquanto um projeto deles não colocarem censura na internet) para levarmos informação ao maior número de pessoas possível.


Parabéns aos que indignaram com tal ato, postaram seus comentários, difundiram a informação a ajudaram a mandar ‘luz’ para nossos representantes.

domingo, 13 de julho de 2008

Lei eleitoral

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Este país é farto em termos de leis, temos leis para tudo o que se possa imaginar, algumas inclusive no lugar errado, como lei que define a idade para se aposentar, e que está na constituição, e que exige mover céus e terras para mudar. Mas não estou aqui para falar de qualquer lei, mas sim da eleitoral, onde vejo algumas coisas que não consigo ver o menor traço de racionalidade.

Segundo a lei, não se pode fazer propaganda faltando n dias para a eleição para evitar que o eleitor seja influenciado no momento final da eleição. E agora, com a internet sendo algo da vida das pessoas, certamente ela será usada nas campanhas políticas, pelos candidatos, através de sites oficiais deles ou por cidadãos comuns, que através de blogs, fóruns poderão emitir suas opiniões a respeito dos políticos, seu passado, suas propostas, suas ações. E certamente isso tornará mais democrática a informação, pois não teremos somente a ‘verdade’ vinda dos rádios ou emissoras de TV, que são meios de comunicação particulares. A informação também virá do próprio povo, de qualquer pessoa que queira participar da política deste país, que conheça o candidato, suas ações já efetuadas, suas promessas cumpridas e não cumpridas. Tudo isso poderá chegar até os outros eleitores, ajudando-os a tomarem suas decisões de modo mais consciente.

Pois bem, pelo visto há pessoas que não pensam assim. A lei eleitoral adora regular absolutamente tudo, se um candidato teve 1 minuto de tempo, todos os outros (mesmo os que estão com candidatura somente para aparecer) necessitam ter exatamente os mesmo tempo. Se um programa conversar sobre o tempo com um candidato, será obrigado a dar o mesmo tempo para todos os outros. Isso para não ‘favorecer’ ninguém (tratar diferentes de modo igual é algo tremendamente injusto). E neste ano a lei abrange também a internet. Os candidatos poderão fazer suas divulgações somente pela página oficial disponibilizada para eles. Não poderão fazer campanha de outro modo. E neste ponto eu uso um argumento usado por um participante do programa Opinião Nacional, da TV Cultura. “Mas qual é o limite da página do candidato, já que hoje é possível colocar vídeos do Youtube, fotos do Flickr, agenda do Google Calendar, o trajeto do candidato pelo Google Maps, enfim, um monte de recursos de outros sites, mas que podem ser acoplados em uma página. Ou seja, posso fazer uma página onde nada seja feito na minha página. Como bloquear isso? Ou melhor, por que criar uma lei para tentar promover esta restrição?



Mas o pior ainda nem é isso. Essa lei pode afetar os cidadãos comuns, que utilizam os blogs como meio para expressarem suas opiniões. Certamente milhares de posts serão publicados a favor e contra candidatos, alguns por pura imaturidade, alguns com muita consciência. No entanto isso será encarado pela justiça como propaganda eleitoral, e tanto o cidadão quanto o candidato poderão sofrer punições por esta propaganda indevida.

A justiça eleitoral quer monitorar toda a internet. Será que eles têm a mínima idéia do que é internet? Será que eles sabem que não há como controlar isso? Será que eles não sabem que a internet é um espaço público? Receio que não.

Ouvi argumento de outra pessoa que estava no programa, defendendo o sistema eleitoral, que estas postagens poderão influenciar a decisão das outras pessoas. Não me diga!!!! Sério? Fiquei pasmo com a descoberta. E então como um site ou blog poderá influenciar uma pessoa, então a sábia decisão é proibir e gerenciar toda a internet. Gênios.
Então me deixe alertá-los que além do blog, o meu vizinho poderá me influenciar antes da eleição, em uma conversa. Ou então meu colega de trabalho, o caixa de um mercado, o cobrador do ônibus. Será que eles não pararam para pensar nisso? Creio que assim que eles pensarem certamente proibirão todas as pessoas de conversarem, sob pena de prisão. E dá-lhe concurso público para contratar tanta gente para monitorar as pessoas, gente para construir cadeias, gente para tomar conta dos novos presos.

Estou sendo altamente sarcástico, mas infelizmente não estou sendo incoerente. Quem quer proibir divulgação de informação via internet, amanhã pode querer proibir a conversa entre pessoas.

Se ao invés de criarem mecanismos e leis proibindo tal ‘influências’, não seria muito mais efetivo se investissem para que a população ganhasse discernimento? Se tiverem discernimento, não será TV, blog, amigos, o Papa que as influenciará. Ahhhhhh, mas população com discernimento talvez não mantenha o esquema atual, como pude me esquecer disso? Como diria o Robin, Santa Ingenuidade!!!!!!!!!!!!!!

E termino com uma frase que achei muito de acordo com este texto: “Os políticos não tem que governar o povo, tem que governar para o povo”