Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Quem tem medo do mesmo?

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Você tem medo do mesmo? Já o encontrou em algum lugar? O que fez quando o encontrou?

Se você não está entendendo nada do que estou escrevendo, estou usando uma frase que certamente já conhece. Eis a frase “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”.

Pois bem, aí está o mesmo a quem me referia. Fico imaginando como deve ser mau este mesmo, já que eu preciso olhar no elevador para ver se este tal de mesmo já está no andar. Pô Carlos, mas você está de brincadeira né? Mesmo é um pronome reflexivo, que na supracitada frase refere-se ao elevador. A frase pede para eu me certificar se o elevador está parado no andar em que eu estou, e somente depois desta certificação me deslocar em direção a ele.

Sei disso, mas isso não preocupa você? A existência desta frase, ou melhor, da lei que obriga a afixação desta frase em todos os elevadores não o preocupa? A mim me preocupa em muito.

Você já parou para pensar no que originou esta lei? Por que há esta obrigação? Afinal, toda pessoa sabe que é necessário ter o elevador para que possa se deslocar em direção a ele. E se toda pessoa sabe disso, então por que afixar algo deste porte? O que eu imagino é que fazem isso para evitar processos por parte de familiares de pessoas que eventualmente queiram descer de um modo mais rápido. Pois se quiserem processar não teriam argumentos legais já que a pessoa foi avisada da necessidade.

E é este o ponto que me preocupa. A ‘desobrigação’ das pessoas se serem responsáveis por seus atos. Toda pessoa, com o mínimo de instrução, noção de altura, de perigo, de força de gravidade, de conhecimento dos limites do próprio corpo sabe que possivelmente uma queda de uma altura razoável pode ser o suficiente para a morte. Não consigo imaginar uma pessoa sem estas noções. E se a pessoa não tem a noção, tem que aprender. Tirar a responsabilidade das pessoas somente piora as coisas.

Mas Carlos, isso é somente um aviso, que mal tem? O mal não é este aviso, mas sim a criação desta idéia, sua possível propagação. E não preciso de muito esforço para mostrar outros exemplos. Você já leu a instrução que está dentro da parte dobrada de um pacote de pipoca para microondas? Está escrito que é necessário retirar a embalagem plástica que o envolve. Agora use um pouco de raciocínio lógico. Como é possível eu ler algo que está do lado interno de uma embalagem, onde pede para eu retirar a embalagem, sem retirar a embalagem? Aceito sugestões....

Então por que tem esta mensagem? Será que é para ninguém processar a empresa por ter colocado a pipoca junto com a embalagem e não ter dado certo?

Será que eu não tenho que ser responsável por saber como funciona?

Outro caso. Quantos casos você já viu de fumantes recebendo grandes indenizações das empresas tabagistas por causa dos estragos que o cigarro fez? O que eu acredito é que nenhuma empresa colocou uma arma na cabeça de ninguém obrigando a fumar a vida toda. As pessoas são livres para tomarem suas decisões, e neste caso elas optaram por fumar, por acabarem, lentamente, com sua saúde. Tomaram sua decisão. Então por que requerer indenização? Vejo o pagamento de indenizações a estas pessoas como um incentivo à irresponsabilidade. Já que se sou irresponsável e alguém pagará por isso, por que ser responsável?

E façamos um exercício de futurologia nesta área de retirada de responsabilidades. Imagino as seguintes frases nos produtos:

- Porta: “antes de atravessá-la, verifique se a mesma encontra-se aberta”
- Faca: “antes de cortar, verifique se seus dedos não estão embaixo”
- Janela: “não saia por ela caso ela esteja a mais de 1.5m do chão”
- Fogão: “não coloque nenhuma parte do corpo sobre a chama, pode queimar”

E por aí vai.

Infelizmente isso que escrevi pode ser verdade amanhã, se nossa sociedade continuar a passar a mão na cabeça das pessoas que tiveram atos irresponsáveis, enquanto buscarem a culpa ou responsabilidade em outras pessoas, e não nas suas próprias decisões.

Com esta mentalidade cada vez mais culparemos o governo por nossos fracassos, a escola pela má educação de nossos filhos, nossos vizinhos pela bagunça no condomínio. Não que eles jamais tenham nenhuma parcela de responsabilidade, mas nós, certamente, temos muita, e fugir delas não traz benefícios a ninguém.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sou uma pessoa comum

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Sou uma pessoa comum

Sara Maria Binatti dos Anjos

Fui criada com princípios morais comuns.

Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.

Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto.

Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais/mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.

Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.

Ouvindo hoje o Jornal da noite, deu-me uma tristeza infinita por tudo que perdemos. Por tudo o que meu filho precisa temer.

Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar jovens, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidades de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.

Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz é abuso de autoridade.

Regalias em presídios é matéria votada em reuniões. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.

Não levar vantagem é ser otário.

Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão.

Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.

O que aconteceu conosco?

Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas.

Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte.

Que valores são esses?

Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano.

Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas.

TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho?

Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais vale dois vinténs do que um gosto.

Que lares são esses?

Bom dia, boa noite, até mais.

Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga.

O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela.

Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?

Quando foi que senti amor pela última vez?

Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?

Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?

Quando foi que fechei a janela do meu carro? Quando foi que me fechei?

Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal são contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem infringe, de quem rouba e mata.

Quero de volta a lei e a ordem.

Quero liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores. Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.

Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.

Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro. Quero a esperança, a alegria.

Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo.

Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação do arroz.

Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio, os jovens divertindo-se, os velhinhos contando histórias.

Eu quero um emprego decente, um salário condizente, uma oportunidade a mais.

Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.

Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa. Não quero listas de animais em extinção. Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.

Eu quero voltar a ser feliz! Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.

Quero mandar calar a boca de quem diz “a nível de”, “neste país”, “enquanto pessoa”, “eles tem que”, “é preciso que”.

Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba um lápis, quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não paga as suas contas, quem não dignifica meu voto.

Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, implante, dieta, cirurgia plástica, carro zero e quem sabe até um importado, laptop, bolsa XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser “normal”.

Abaixo a ditadura do “tem que”, as receitas de bolo para viver melhor, as técnicas para pensar, falar, sentir! Abaixo o especialista, o sabe-tudo rodeado de microfones e câmeras!

Abaixo o “TER”, viva o “SER”! E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O que vi em Interlagos

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Neste final de semana fui pela primeira vez ver uma corrida de F1, uma antiga vontade minha. Foi no autódromo de Interlagos/SP.
E nos dois dias que fique lá vi muita coisa, as quais quero partilhar com vocês.

Vi taxistas explorando pessoas, cobrando preços abusivos e muito acima do que realmente ficaria, aproveitando a grande procura. Sei que uma grande procura promove aumento de preços, mas somente quando o preço não é tabelado, como nos taxis. Eles promoviam barganhas entre os possíveis passageiros, e quem desse mais conseguiria o taxi. E quando estavam conversando somente com uma pessoa o preço era extremamente salgado e fora do valor correto. Para se ter uma idéia, fechamos um valor com um taxista em R$ 60,00, sendo que muitos estavam cobrando R$ 80,00 para o mesmo trajeto. E ele deixou o taxímetro funcionando durante todo o trajeto, e o valor que o taxímetro registrou foi de R$ 45,00. Ou seja, ele já ganhou 35% a mais conosco, e os outros então chegariam a quase 100% de ganho extra.

Vi também 'donos' de pedaços de rua, conhecidos popularmente como flanelinhas. Eles cobravam altos valores para que pudéssemos deixar nossos carros na rua, e quando eles preenchiam todos os espaços disponíveis iam embora, sem nenhuma responsabilidade pelo cuidado oferecido por ele e pago por nós.

Vi dezenas de cambistas, comprando e vendendo ingressos próximos aos policiais (que devo ressaltar que eram um bom número), sem a menor preocupação.

Vi centenas de ambulantes vendendo de bebidas e bonés, camisetas, protetores auriculares, binóculos, enfim, tudo relacionado ao evento. Era impossível andar 5 metros sem ser abordado por ao menos um. E obviamente estes produtos eram todos pirateados (exceto bebidas), a compra não recolhia nenhum imposto ao governo. Tudo isso na frente dos policiais, e também sem nenhum constrangimento ou preocupação. Sei que estas pessoas fazem isso para poder ganhar algum dinheiro, para tentar sobreviver. Não as estou questionando ou condenando, mas fico pensando onde foi que o país errou (e nós também) ao não darmos chances para estas pessoas. Por que algumas tiveram chance, e conseguem ver a corrida, e outras não tiveram chance, e tem que vender produtos para sobreviver?

Vi a felicidade embalada em latas de cerveja, pois muitas pessoas só ficavam felizes quando compravam a felicidade embalada, e quanta felicidade embalada eles precisavam comprar para se tornarem felizes.

Vi pessoas sem a menor noção de perigo e respeito pelas vidas alheias ao balancarem uma passarela que dava acesso as pessoas de um lado para o outro, parecendo a ponte do rio que cai (olimpíadas do Faustão), mexendo com a estrutura e colocando a vida de centenas de pessoas em risco. Tudo em nome da felicidade. Era legal!!!

Vi um preço abusivo em tudo o que era vendido. Um simples espetinho (de 5 ou 6 pedaços) sendo vendido a R$ 6,00. Vi um copo de refrigerante sendo vendido a R$ 5,00. Sem contar a desvalorização cambial que faziam com os estrangeiros.

Vi uma excepcional escola de palavrões, ofensas, intolerâncias. Realmente o curso é intensivo e quem se dedicar um pouquinho só ficaria expert nestas 'qualidades'.

Vi brincadeiras de mal gosto, desrespeito às pessoas, principalmente as mulheres. Não fisicamente, mas verbalmente.

Vi pessoas fazendo bolinhas de papel e atirando em quem estava mais em baixo. Sei que isso não machuca ninguém, no entanto isso demonstra o desrespeito de quem atira, pois esta pessoa deve se achar melhor do que a outra e detentora do direito de tentar atingi-la.

Vi omissão de pais, que vendo filhos pequenos, de 8 ou 9 anos, fazerem bolinhas de papel e atirando nos outros não falavam nem faziam nada, afinal, 'todo mundo' estava jogando.

Vi a demora que era para as pessoas venderem a cerveja, pois elas tinham que abrir a lata e despejar o conteúdo em copos descartáveis, tornando o processo mais lento. Mas por que isso? Ora, se o pessoal atira bolinhas de papel, será que não atirariam latas de cerveja? Isso só foi adotado por culpa das próprias pessoas, que não se dão conta de quanto estão perdendo com cada atitude dessa.

Vi pessoas sem noção, pois com todo mundo sentado todos veriam a corrida do mesmo modo, mas quando um 'espertinho' levanta, todos os outros que estão atrás e ao lado também precisam levantar, então todos ficavam em pé o tempo todo, vendo exatamente a mesma coisa se estivéssemos sentados.

Vi uma imensa vontade das pessoas de se comportarem mal, pois tenho certeza que todas sabem se comportar bem, pois se estiverem em alguma reunião com o dono de uma empresa, futuro sócio, autoridade policial certamente as pessoas saberiam como se portar. Então o que faltava não era conhecimento de como se comportar bem, mas sim desejo de se comportarem mal.


Mas Carlos, e a corrida? Ah sim, ia me esquecendo.... Tinham alguns carros, muito barulho, e teve um vencedor. Mas isso vocês conseguem ver nos sites especializados.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A aula

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Esta semana eu recebi meu primeiro presente pelo dia dos professores, pelo Senac (Bauru), onde dou alguns cursos, todos voltados na área técnica de informática. Além de ter ficado contente com a lembrança também comecei a pensar em o que é ser professor.
Devido a natureza do curso as pessoas que têm aula comigo são já maiores, muitos já profissionais, que estão buscando algum complemento para sua profissão atual ou futura profissão, e devido a isso o foco em formar cidadãos é menor do que outros professores, que lidam com crianças.
E estes professores eu considero que são as pessoas com uma das maiores responsabilidades do mundo: a de formar pessoas, cidadãos, com bons valores, honestas, íntegras, sociáveis, humanas. É tanta responsabilidade que hoje tenho certeza que esta é uma função divina, e realmente precisamos agradecer a todos os bons professores que passam em nossas vidas, pois eles são de uma importância vital e eterna.

E para ilustrar o poder que um professor pode ter na vida de um aluno segue um texto com uma estória entre uma professora e um aluno, onde ambos aprenderam uma grande lição.

"Relata Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula, parou em frente aos seus alunos da quinta série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isso era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheirando mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra. Thompson deixou a ficha de Teddy por último. Mas quando a leu foi grande sua surpresa.

A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.

A professora do segundo ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito querido pelos seus colegas, mas tem estado preocupado com a mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muito difícil.

Da professora do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.

A professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.

A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de supermercado.

Lembra-se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco do perfume sobre a mão. Naquela ocasião Teddy ficou um pouco mais tempo na escola do que o de costume.

Lembrou-se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como a mãe. Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo tempo.... Em seguida, decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.

Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava, e quando mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.

Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy, contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Teddy.

Mas a história não terminou aqui. A Sra. Thompson recebeu outra carta, em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes, e também o perfume.

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido:
- Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer diferença.

Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho:
- Você está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci."


Aí está amigos o valor da atenção... o quanto é importante darmos um pouco mais de atenção as pessoas a quem amamos ou que se encontram do nosso lado, sem no entanto esquecer do outro... A atenção, carinho e cuidado devem ser somados e nunca dividido.
É preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma da pessoa.


Aproveito para deixar aqui meu grande carinho por todos os professores que tive.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

120 razões para NÃO ser um cliente bancário

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Sei que este espaço foi criado para promover idéias, valores, opiniões. Enfim, um espaço para textos com o objetivo de promover um pouco de reflexão nos leitores. No entanto peço licença a vocês para publicar um outro conteúdo.
E o motivo desta publicação é que o banco no qual sou correntista resolveu me 'presentear' este mês, dando-me duas tarifas novinhas, totalizando R$ 25,00, as quais não solicitei tampouco fui informado. Simplesmente acharam legal e fizeram.
Após ligar no atendimento do banco uma tarifa foi estornada, enquanto que a outra (a maior) exige que eu tenha que ir até o banco, explicar para o meu gerente o que houve para que ele estorne. O engraçado é que para cobrarem isso nenhuma dessas burocracias foi necessária. Agora serei obrigado a sair do meu serviço, perder meu tempo, dinheiro para que simplesmente devolvam o que me tiraram sem o menor consentimento.

Então resolvi criar um pequeno protesto. Acho que como eu, muitas pessoas não devem ser muito fãs dos serviços bancários, então quero criar esta área para que possamos criar um pequeno livro, de nome "120 razões para NÃO ser um cliente bancário". Como tudo na vida, existe o lado bom e o ruim. As pessoas são assim, as empresas, entidades, vida, enfim, qualquer coisa. Certamente os bancos não estariam imunes a isso.

Peço então a colaboração de vocês para criarmos estas 120 razões. Peço que não especifiquem o nome do banco, pois isso não é importante, mas sim especifiquem o que houve e a razão para não ser cliente bancário.

E conto com a colaboração de vocês para divulgarem para seus amigos para que possamos chegar neste objetivo. Coloquem suas razões nos comentários, assim outras pessoas também poderão ver as já registradas.

Enviem um email para seus amigos convidando-os. Os comentários são abertos a qualquer pessoa.

Obrigado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Regulamentação da profissão

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Como disse em meu perfil eu estou um profissional da área de informática, área na qual já estou há pelo menos 15 anos, e pude presenciar inúmeras mudanças. É uma área onde mudanças ocorrem a todo momento, mudanças pequenas e mudanças imensas, mudando tudo o que conhecemos e sabemos para outra forma totalmente diferente.

É em função dessas mudanças todas, dessa rapidez, velocidade é uma área altamente desgastante e exigente, pois todos os dias precisamos nos atentar ao que está acontecendo. Claro que todas as profissões têm suas dificuldades, porém creio que são poucas as que têm tantas mudanças e em tão pouco tempo quanto essa.

E para se trabalhar nesta área é preciso ser um profissional com grande conhecimento técnico, com grande adaptabilidade e flexibilidade, capacidade de aprender rapidamente. E certamente experiência ajuda muito também. E com tantos requisitos importantes é de se imaginar que estes profissionais sejam bem remunerados. Ledo engano. Não me refiro aqui a nenhuma empresa em especial, mas sim a este segmento profissional. Se formos analisar tudo o que um profissional desta área precisa estudar, aprender, se comprometer, e compararmos com a faixa salarial, que é baixa, vemos um desvio.

E por que deste desvio? Sei que neste país o salário mínimo é irrisório, que o poder de compra das pessoas também, mas não creio ser este o motivo principal. O que vejo como grande fator é o fato de qualquer pessoa poder ser um profissional desta área. Qualquer adolescente com 14, 15 anos, que estude pela internet pode disputar mercado com qualquer empresa, qualquer profissional que tenha investido muito tempo, dinheiro e estudo em seu aprimoramento. E se o profissional cobrar x, por exemplo, um adolescente pode cobrar x/5, ou x/4, e muito possivelmente ficará com o serviço. E este profissional, qualificado, o que fará? Possivelmente tenha que diminuir o seu real valor para que ele possa ter alguma possibilidade de ganho. E com isso desqualifica todo o seu estudo.

E há solução para isso? Já pensei muito se nossa profissão deveria ou não ser regulamentada, como advogados, médicos, dentistas, arquitetos, engenheiros. Para todas estas profissões existe uma entidade que regulamenta, e ninguém pode exercer a profissão se não for regulamentado. Isso protege os profissionais contra outras pessoas que não fizeram o estudo formal.

Então esta é a solução? Talvez a mais cômoda e fácil, e paternalista. No entanto não é a que creio. Se adotarmos esta política acontecerá o que acontece com as acima mencionadas. Muitas vezes, para qualquer pergunta, esclarecimento o valor cobrado será absurdo, mesmo que seja uma mera informação. E como não temos a quem recorrer, somos obrigado a nos sujeitar. Isso pode criar a mentalidade de classe, de corporativismo, que é muito ruim.

E qual outra solução então? Imagino que seria cobrar responsabilidade de quem presta o serviço, independente de ser um adolescente ou empresa. Qualquer pessoa pode prestar o serviço, para isso basta o conhecimento necessário, que pode ser adquirido por outros meios fora os formais, no entanto todas precisam ser responsabilizadas por suas decisões. Se prometer entregar um sistema, e não entregar, isso deverá gerar uma responsabilização, de aspecto civil, financeiro, ainda não sei. Mas creio que assim poderemos ter realmente os profissionais sérios e competentes atuando no setor, se responsabilizando pelo serviço, dando uma maior certeza da qualidade do que se está sendo comprado. E deste modo também evitaríamos a criação desta ‘casta’ de profissionais, que poderiam inflacionar preços, promover acordos para evitar concorrência, enfim, as práticas já conhecidas por nós.

Voltamos à palavra responsabilidade. Enquanto as pessoas não forem responsabilizadas por suas atitudes e decisões continuaremos a mercê de aventureiros, que tentam a sorte. Se der certo, ótimo, caso contrário, também ótimo, já que ‘não perderam nada’. No entanto quem perde como um todo é a sociedade que fica sujeita a profissionais não qualificados e os profissionais qualificados também, que perdem muitos clientes e ganhos.


Por acaso você já foi prejudicado por algum profissional nada profissional? Foi bom? Pagaria mais por alguém com qualidade e responsabilidade atrelada?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Empatia

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Empatia é uma palavra que recentemente tenho tido muito contato com ela, muito em função da minha pós.
Temos uma postura muito egoísta que faz com que pensemos somente como nós nos sentimos, nos nossos motivos, nos nossos pontos de vistas, nas nossas convicções. E julgamos as atitudes tomadas por outras pessoas segundo nossa própria realidade, ignorando por completo que a outra pessoa também tem a sua história, seus motivos. E se a atitude da pessoa for fora do que julgamos corretos temos o hábito de caçoar, ironizar, ignorar, enfim, inúmeras atitudes que em nada colaboram, nem para resolver possíveis conflitos nem para ajudar a pessoa.
Abaixo colocarei um texto que retrata bem isso. O exemplo pode até ser forçado, mas é válido para destacar o que é empatia, e o que a falta dela pode ocasionar.

Certa vez, trabalhei em uma pequena empresa de Engenharia.

Foi lá que fiquei conhecendo um rapaz chamado Mauro. Ele era grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças.

Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo. Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num canto da sala. Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante.

Devido a esse seu comportamento, Ernani era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo. Ora ele encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu. E o que achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo.

Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal. Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado da pesca para cada um de nós.

No seu retorno, ficamos todos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes. Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani. Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós. Mas, a ‘peça’ programada era que ele havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte.

- “Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse presente’ e encontrar espinhas, peles e vísceras!”, disse-nos Mauro, que já estava se divertindo com aquilo.

Mauro então distribuiu os pacotes no horário do almoço. Cada um de nós, que ia abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia:

- “Obrigado!”.

Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último.

Era para o Ernani.

Todos nós já estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de grande satisfação. Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa. Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa do que estava para acontecer.

Ernani não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que, muitas vezes, nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras ao todo. Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa.

Ele pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no rosto. Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando. Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua emoção.

- “Eu sabia que você não ia se esquecer de mim”, disse com a voz embargada.

- “Eu sabia, você é grandalhão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem um bom coração”. Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós:

- “Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção. Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama. E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar. Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os remédios. As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa. Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto... Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, eu tinha somente uma batata na minha marmita. Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa,realmente, muito para mim. Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos...”, ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos.

- “Hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...” e ele começou a abrir o pacote...

Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro. Mas agora, todos percebemos a sua aflição quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani. Mas era tarde demais. Ernani já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando cada pedaço de espinha, cada porção de pele e de vísceras, levantando cada rabo de peixe.

Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu. Todos nós ficamos olhando para baixo. E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós havíamos dito anteriormente:

- “Obrigado!”.

Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido quem era realmente o Ernani.

Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu. Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças. Graças ao grande espírito de luta que elas possuíam, todas progrediram muito:

Carlinhos, o mais novo, tornou-se um importante médico. Fernanda, Paula e Luisa montaram o seu próprio e bem-sucedido negócio: elas produzem e vendem doces e salgados para padarias e supermercados. O mais velho, Ernani Júnior, formou-se em Engenharia; sendo que, hoje, é o Diretor Geral da mesma empresa em que eu, Ernani e os nossos colegas trabalhávamos.

Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo muito diferente:

Ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.

Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então percebermos que mal a conhecemos.

Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas coisas dela; ignoramos as suas ansiedades ou os seus problemas.


Quantos Ernani's não passam na nossa vida diariamente? Quantas possibilidade nos são dadas para ajudarmos as pessoas? Quantas chances temos diariamente de fazermos a diferença para as pessoas?
Certamente são inúmeras estas ocorrências. Somente precisamos estar atentos à elas, e praticarmos diariamente o exercício da empatia. E mais feliz do que a pessoa que foi ajudada estaremos nós, certamente!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Fazer a diferença: relato

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Após ter lido a postagem que o Carlos fez falando sobre as diferenças, nós tivemos uma longa conversa onde eu disse que o que ele escreveu me fez refletir muito, principalmente no que está relacionado ao papel do professor perante seus alunos.
Eu, enquanto professora que sou, por escolha de ser e não apenas para ocupar espaço ou simplesmente não ficar sem profissão, me vejo na obrigação de fazer o melhor e me preocupar com o respeito pelas diferenças que existem. E não é uma preocupação apenas de saber como os meus alunos estão se relacionando entre eles, mas também um grande questionamento de como são as minhas atitudes com eles.
No decorrer da nossa conversa citei uma palestra que eu assisti poucos dias atrás sobre Filosofia na Educação Infantil, onde a palestrante sugeriu que fizéssemos a seguinte reflexão: “Você gostaria que seu filho tivesse a aula que você oferece aos seus alunos? Você gostaria que seu filho tivesse como professor alguém como você?” . Eu me senti satisfeita com a resposta que obtive. Sei que não sou perfeita e que tenho muito para aprender, porém, acredito que nesse caso minha resposta é SIM e mais, agora, quando tenho alguma atitude que julgo ruim, penso: “isso eu não gostaria que a professora do meu filho fizesse”.
Penso que tenho que dar o melhor de mim nas coisas que faço e isso acaba fazendo a diferença.
Então, falei pro Carlos que é por tudo isso que devemos começar a fazer a diferença com as crianças, porque são sinceras, porque o amor e a confiança que elas depositam em nós não têm preço. E diante disso relatei um fato que ocorreu no mês de agosto desse ano, onde eu ganhei um dente de uma garotinha que foi minha aluna no ano passado. Muitas pessoas poderiam rir ou não dar a mínima importância para o fato, mas eu fiquei o dia todo me questionando porque ela tinha feito aquilo. Dar um dente, na minha maneira de pensar, é entregar a alguém um pedaço do seu próprio corpo, e não é para qualquer um que fazemos esse tipo de coisa. Então, comecei a analisar toda a história que tive com essa garota.
Ela ingressou na escola no maternal, com três anos de idade. Já penso que ser a primeira professora na vida de uma pessoa tem lá seu significado especial. Mas ela veio com sua própria história, o que é um fato que acompanha cada um dos alunos (e aí está mais uma vez a tal da diferença), porém, a história dela me balançou; uma garotinha tão pequena, com pouca idade, já vivenciava algo muito difícil da gente aceitar, que foi a perda da mãe. A mãe dela faleceu quando ela tinha pouco menos de dois anos e a partir daí passou a viver com o pai (que deve ser citado como uma pessoa extraordinária) e com os avós paternos. Algumas semanas antes do dia das mães, a garota ficou doente e faltou uma semana inteira, então, quando deveria retornar para a escola, começou a dar trabalho para ficar. Em um dia que aceitou ficar, me pedia para ir ao banheiro o tempo todo e eu comecei a ficar preocupada e tentando entender o porquê. Depois de muita observação pude perceber que isso acontecia sempre que eu falava do dia das mães ou de alguma coisa relacionada ao assunto. Então, conversei com ela e disse que não precisava participar da apresentação que teria na escola para as mães caso não quisesse, e ela realmente ela quis. Nesse dia, conversei com a avó e o pai para dizer o que houve e quais foram as minhas conclusões, e a avó me relatou que ela estava mesmo tristonha, que naqueles dias espalhava as fotos da mãe sobre a cama e ficava olhando. Como não foi possível resolver o problema naturalmente, a melhor opção foi procurar auxilio psicológico, o qual fez muito bem a ela.
Contei tudo isso para poder explicar melhor os meus sentimentos em relação ao presente que ganhei: o dente. Como já disse anteriormente, não é para qualquer um que se dá um pedaço do que é seu, então, por que ela fez isso? Cheguei à conclusão de que assim como ela é uma garota muito especial para mim, eu também sou alguém muito importante na vida dela, talvez até uma forte referência feminina, já que ela convive com a ausência da mãe. E quando somos crianças queremos compartilhar esses momentos de mudanças com pessoas queridas.
Para confirmar se ela não estava fazendo isso escondida do pai (há famílias que costumam guardar todos os dentes do filho/a) conversei com ele para saber se estava ciente, ele me confirmou que sim e acrescentou que há muitas pessoas querendo os dentes dela, mas que estão muito bem guardados, o que só me deu a certeza que realmente, aos olhos dela e da família, eu merecia ganhar um.
Tem coisas que são inexplicáveis e só quem sente pode saber. Portanto, a qualquer outra pessoa que não tenha vivido isso, o meu presente pode ser apenas um dente, mas para mim ele é muito mais que isso, e talvez seja um dos melhores presentes que já ganhei até hoje. Acabei dando a ele a importância que meu pensamento e meu coração sentem que ele merece.
Para mim, isso é fazer a diferença. E assim, espero continuar e desejo que de alguma forma eu permaneça presente na vida dessa garota para sempre, porque ela já está gravada na minha.

A pior invenção do mundo

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O ser humano possui uma capacidade incrível de inventar coisas, capacidade esta que o distingue de todos os outros animais. E usamos esta capacidade para criar coisas que nos facilitam a vida, tornam-a mais fácil, mais gostosa, menos desgastante.
Se perguntarem para mim qual é a melhor invenção até hoje criada eu certamente não saberei dizer. No mundo mais atual, certamente o computador e a internet estariam bem cotados. O automóvel, o vaso sanitário, a rede de esgoto e de água, a imprensa, o fogo. Poderia citar inúmeras outras, e todos certamente veriam os benefícios que estes inventos trouxeram.

Mas o título do meu artigo é outro. É sobre a pior invenção do mundo. Vocês já pararam para pensar qual seria? Arriscam algo?
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Imagino que algumas respostas poderiam ser: a arma, a bomba atômica, o cigarro, a bebida, as outras drogas, o automóvel (também pode figurar entre as más). Realmente são coisas muito ruins, que promovem muita morte, destruição, infelicidade, dependência. Promovem destruição de famílias, de lares, de vidas.

Mas estas são as piores? Não há nada pior? Eu considero uma outra invenção como sendo a pior até hoje: o copo descartável.

Você está louco? Como um simples copo descartável, que serve para saciar nossa sede pode ser a pior? Tentarei explicar.
O problema não é o copo em si, pois ele tem uma função muito prática. O problema está no descartável. Não me refiro aqui ao prejuízo ambiental que ele proporciona, que realmente é grande e precisa ser minimizado para termos um planeta onde a vida possa existir. Me refiro a outro aspecto.

Qual é o aspecto? É o fato de ser jogado fora quando não mais precisamos dele. Utilizamos o copo para saciar um desejo algumas vezes ou uma necessidade. Após este desejo ou necessidade serem sanados ignoramos o que nos proporcionou isso, e o descartamos, como se ele não tivesse tido importância nenhuma. Ora Carlos, mas a finalidade é essa mesmo. Qual o problema disso?
Com o copo nenhum, no entanto este ato que aprendemos inconscientemente com o copo pode fazer com que aprendamos a descartar tudo na vida, após termos utilizado o recurso para saciar alguma necessidade ou desejo nosso. Eis o problema. Começamos a fazer isso com as pessoas, utilizando-as conforme o nosso interesse e depois as esquecendo, afinal, já serviram para o nosso propósito.
  • Os políticos usam as pessoas para se elegerem.
  • Chefes usam as pessoas para 'se promoverem'.
  • Empregados usam empresas para também 'se promoverem'.
  • Burros usam inteligentes para passarem de ano.
  • TV usam pessoas para obter IBOPE.
  • E mais uma infinidade de usos.
E tem um outro uso que considero muito ruim, e isso pode afetar a vida das pessoas por muito, muito tempo. Tem a ver com um termo comum atualmente, e que a TV e a sociedade adoram achar normal. O termo é o ficar. Hoje muitas pessoas querem ficar, ou seja, utilizar da pessoa para saciar algum desejo e depois descartá-la, já que compromisso não é algo que estas pessoas procuram. Vão lá, se saciam, extraem das pessoas os recursos que lhes são convenientes naquele momento e depois viram as costas. Vão procurar outras pessoas que poderão lhe promover nova sensação de saciedade.

Em suma, tornam descartáveis a coisa mais única e especial que existe: o ser humano.


Quem sabe agora com esta 'onda verde', de preocupação ambiental as pessoas comecem a abandonar os copos plásticos e voltem aos bons e velhos copos, aqueles que sempre estiveram presentes conosco, muitas vezes por uma vida inteira. E quem sabe as pessoas comecem a ver a beleza disso, o do companheirismo, o pela vida toda.

domingo, 7 de outubro de 2007

A alma dos diferentes

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Este texto me foi enviado por um amigo há muitos anos atrás, e me serviu como inspiração para minha publicação anterior.

A Alma dos Diferentes
Arthur da Távola


Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.

Esse é um imitador do que
ainda não foi imitado,
nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado
de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros.

Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar,
caso um dia venham a ser.

O diferente é um ser sempre
mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido
por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato
onde está um diferente,
talentos são rechaçados;
vitórias, adiadas;
esperanças, mortas.

Um diferente medroso, este sim,
acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes
percebem porque os outros
não os entendem.
Os diferentes raivosos
acabam tendo razão sozinhos,
contra o mundo inteiro.

Diferente que se preza entende
o porquê de quem o agride.

Se o diferente se mediocrizar,
mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar
- mesmo sem querer -
alterando algo, ameaçando rebanhos,
carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do
irremediavelmente igual,
a inveja do comum, o ódio do mediano.

O verdadeiro diferente
sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo,
já no primário, onde os demais, de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos,
por omissão, se unem para transformar
o que é peculiaridade e potencial
em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em:
"Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em: "Você não está vendo como todo
mundo faz?"
O diferente carrega desde cedo apelidos
e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona
enquanto todos em torno,
agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco;
chora onde outros xingam;
estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo
onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que
só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol,
porque gosta mais de jogar do que de ganhar.

Ele aprendeu a superar riso,
deboche, escárnio,
e consciência dolorosa de
que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso,
bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos,
joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha,
de malícia ou de baba.

Aí estão, doendo e doendo,
mas procurando ser,
conseguindo ser,
sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes
de os sentir e entender.
Nossas moradas estão
tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

sábado, 6 de outubro de 2007

Diferenças

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Eis a única semelhança entre todos os seres humanos: somos todos diferentes!


Sei que a frase é um clichê, mas isso não a torna menos importante ou uma frase a ser desconsiderada. Realmente precisamos aprender o significado desta frase, para que possamos respeitar todas as pessoas.
Imagine-se em um lugar plano, onde para qualquer lado que você olhe somente enxergue o infinito. Agradará sua visão? Agora imagine-se em um lugar com muitas montanhas, penhascos, picos, vales, planícies. Agradará sua visão?

Creio que a maioria das pessoas preferirá o segundo lugar, onde há diversidade de elementos, do que o primeiro, onde é tudo sempre igual. E da segunda visão, há algo mais bonito do que outro? Há algo melhor do que outro? Não, não há. Claro que cada pessoa tem gostos, e pode gostar mais de um elemento do que outro, no entanto isso não torna o elemento que gosta mais bonito, ou melhor. Nem torna o outro mais feio ou pior. Simplesmente nos agrada mais. E assim como uma pessoa pode gostar mais do vale, outra pode gostar mais das montanhas.
Estas belezas estão aí, disponíveis para nossa apreciação.
E qual a particularidade mais bonita, melhor? Não há isso, todas são bonitas, cada qual na sua finalidade. Particularidades não servem para serem alvo do comparação ou julgamento, servem somente para serem contempladas e admiradas.

Por que utilizei este exemplo geográfico? Para que possamos fazer uma analogia com as pessoas e a sociedade. Assim como a natureza, os serem humanos são sempre diferentes. Falando do aspecto externo tem os altos, os baixos, os gordos, os magros, os carecas, os barrigudos, os narigudos, os sem-bunda, as sem-peitos, enfim, classificações não nos faltam. No aspecto interno tem os inteligentes, os burros, os chatos, os legais, os teimosos, os bonzinhos, os complacentes. Classificações também não nos faltam. São tantas que nem precisamos de DNA para comprovar nossa condição de únicos.
E como que nós, membros de uma sociedade agimos com isso? Agimos muito mal. Tentamos promover a todo e qualquer custo a 'terraplanagem' das pessoas, deixando tudo igual. Ficamos apontando para as pessoas e ressaltando as suas características, mas não de um modo positivo e construtivo, mas sim de um modo negativo, ridicularizando muitas vezes. Nós somos treinados para não tolerarmos diferenças, preferimos que todos fiquem no mesmo molde. Todos precisam ser inteligentes iguais, com pesos iguais, com estaturas iguais, tudo igual.

Chega!!!!!

Precisamos mudar esta mentalidade de 'terraplanagem', de tentativa de normalização, de enquadramento à um padrão que ninguém sabe quem criou, mas que aceitamos com tamanha facilidade que é preocupante.

Passemos a olhar as outras pessoas com as belezas de suas particularidades, de suas singularidades, das suas características que as tornam ÚNICAS.
Passemos a ensinar nossas crianças que rir ou debochar de outra criança não é o certo. Sei que é típico das crianças, mas é dever dos adultos olharem isso, educarem, para que quando estas forem adultas já estejam com estes valores enraizados.
Passemos a olhar para nós mesmos e nos maravilharmos com nossas características.

Viva a DifERençA!!!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Realidade virtual

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"Entrei apressado e com muita fome no restaurante.
Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Tio, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.
Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:
- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.
Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender.
Tem tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual, tio?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito...virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?
Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!"

Esta é uma pequena estória, mas a mensagem é real. Ficamos tão maravilhados com a possibilidade do mundo atual, deste mundo virtual, onde a distância de apenas alguns cliques conseguimos conversar com pessoas de qualquer canto do mundo, conseguimos ver cidades do mundo inteiro em segundos, localizar pessoas.
É este mesmo mundo que faz com que vizinhos fiquem cada vez mais distantes, filhos fiquem mais distantes dos pais e de seus amigos de 'carne e osso', que as pessoas tornem-se menos sensíveis aos problemas de seus semelhantes. Como disse um amigo meu, o MSN aproxima os distantes e afasta os próximos.

O mundo virtual está aí, e dificilmente deixará de existir, porém ele não é o problema. O problema é como nós o encaramos, lidamos com ele. Podemos sim pegar o melhor deste novo mundo, mas sem abandonar o real, o mundo onde estão as pessoas.

A decisão é somente nossa!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Pais maus

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O texto abaixo eu recebi, no entanto não sei o autor. Caso alguém saiba o autor peço para que me passa a referência para que eu possa buscar, e assim dar o devido crédito.

Pais maus

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:

- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu os amei o suficiente para fazerem pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: ‘Nós roubamos isto ontem e queremos pagar’
- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu os amei o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu os amei o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).

Estas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:

“Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo... As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tinhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
Insistiam que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nossos pais insistiam sempre conosco para que lhes disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!
Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.
Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos ao voltar).
Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência.
- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos 'PAIS MAUS', como eles foram.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ PAIS MAUS SUFICIENTES!

Quem dera tivéssemos no mundo não somente pais maus, mas professores maus, chefes maus, amigos maus, políticos maus, profissionais maus. Talvez não estivéssemos tão mal assim!!!!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Desconto: bom?

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Quem é que não fica feliz com um desconto, quando se vai comprar algum produto? É praticamente uma cultura neste país pedirmos desconto, pechincharmos, enfim, conseguirmos alguma forma de ter o preço diminuído. Mas conseguirmos o desconto é algo bom? Devemos nos alegrar com isso?

Hoje fui fechar uma conta em um banco no qual era correntista, e quando estava conversando com a pessoa responsável (por telefone), após eu informar o motivo do cancelamento a pessoa me falou que o banco poderia me isentar de tarifas por seis meses, e se isso não me interessava. Disse que não, então ele me falou que poderia me isentar por até 1 ano.
No meu caso de nada adiantou, pois eu fecharia a conta em qualquer hipótese. Mas me questiono sobre o seguinte ponto: se o banco pode dar esta isenção de tarifas, por que não fez antes? E se podia dar 1 ano, por que me ofereceu seis meses? Por que foi necessário que eu tomasse a atitude de pedir o encerramento de uma conta para que ele me propusesse algo? Mas Carlos, claro que o banco precisa cobrar tarifas, pois prestam serviços como outras empresas. Sei disso, mas e se ao invés de isentar quem quer cancelar eles simplesmente cobrassem taxas mais justas, menos abusivas, deixando todas as pessoas felizes por todo o tempo em que forem correntistas, e não somente quando quisessem sair do banco.
A leitura que eu faço da atitude do banco é que ele me enganou e me esfolou enquanto pôde, e quando quero acabar com a brincadeira ele muda e fica bonzinho, até esfriarem as coisas para voltar a cobrar as taxas.

Com cartão de crédito acontece coisa semelhante. Quando se quer desconto ou isenção do pagamento da anuidade basta pedir para cancelar, que aí sim eles podem lhe dar desconto. Quem aqui não conhece alguém que faz isso com as operadoras de cartões de crédito? (Se não nós mesmos).

Não estou aqui dizendo que tal atitude é certa ou não, somente questionando a 'mensagem' que estas empresas nos passam. Elas querem o maior lucro possível, e quando nós tentamos deixar de ser burros eles mudam o discurso e nos 'ajudam'. Mas claro que mesmo cobrando tarifas menores eles nunca perdem. Somente tornam mais justo.

Voltando aos descontos conseguidos nas lojas. É uma boa? Se for pensar somente no lado financeiro talvez a resposta seja sim, no entanto se a loja pode dar desconto, e quando me ofereceu o produto o preço era outro, significa que ela tentou levar de mim mais dinheiro do que era o justo, e que se eu não fosse 'esperto' os 'espertos' seriam eles, conseguindo mais dinheiro do que o justo. Será que temos que viver num mundo onde tudo é um jogo, e o menos esperto perde? Qual o ganho disso?

Atualmente quando uma loja me dá desconto ou cobre a oferta de um concorrente eu fico decepcionado, pois sei que ela tentou me enganar, me fazer de tonto, ganhar dinheiro em cima da minha 'burrice' ou passividade. Por que precisa-se negociar? Por que não se pode cobrar o justo? Por que não podemos ser mais transparentes e verdadeiros?