Rio 2016

Enfim teremos uma olimpíada em nosso país. O maior evento esportivo mundial ocorrerá em nosso solo. Não teremos o problema com o fuso horário, nem a necessidade de nos deslocarmos milhares de quilômetros para poder apreciar este fantástico evento.

Mas agora vem a questão: “É bom ou ruim ter uma olimpíada aqui?”

Já vi alguns comentários na internet, com amigos, e vários são contra. O principal argumento é que o país tem muita coisa antes para ver, pessoas com fome, corrupção, violência, falta de saneamento, de educação de qualidade, enfim, a quantidade de itens a serem citados é imensa, e com toda a razão. Vejo também comentários dizendo que isso fará com que muito dinheiro seja desviado nas propinas da vida, que poucas pessoas ganharão muito dinheiro com isso, também com razão.

Mas fico pensando. Se somente estes forem os argumentos para fazer com que uma olimpíada não ocorra em um país, qual país do mundo poderia sediar uma olimpíada? Sinceramente eu desconheço um país onde não tenha violência, pobreza, fome, desrespeito humano. Claro que cada uma tem um nível, mas vejamos a China. Como é a condição de trabalho das pessoas? O que acontece com muitas meninas recém nascidas? Mas a China é uma exceção, dirão. Então vamos a Londres, cidade sede da próxima olimpíada. Como terei segurança em um país onde a polícia acha que alguém é suspeito e vai lá e mata? Está aí o caso do Jean Charles para afirmar isso. E a violência dos Hooligans? E olha que nunca fui lá, não conheço a realidade do local. Será que lá não tem mendigo, pobres, crimes?

Claro que não, o que de certa forma invalida este argumento. Também desconheço um país onde todos os envolvidos na construção da infraestrutura necessária sejam honestos e não tenham a tentação de levar um pouco mais.

Sei que a olimpíada por si só não será capaz de mudar um país (melhorar a infraestrutura certamente sim), no entanto tento ver este evento de outro modo. Creio que é comum dos humanos ter momento na vida em que estão chateados, se achando pior que os outros, feios. E quando estão com outras pessoas, escutam sempre que os outros são melhores, os outros sabem fazer, os outros são mais educados, e muitas vezes isso acaba fazendo com que, de fato, as pessoas passem a adquirir tais posturas, mesmo que não as tenha. Fazem isso “por maioria de votos”, afinal, se todos dizem isso, quem sou eu para questionar? Porém se nós começarmos a fazer algumas mudanças primeiramente na parte externa, mudamos o cabelo, as roupas, o estilo, tratamos a pele, os dentes, imediatamente começamos a nos sentir pessoas melhores, a nos tratar assim, e consequentemente ter estes hábitos. Claro que somente mudar o externo, porém sem mudar o interno não resolverá nada, ficará somente na superfície, não atingindo o ponto certo para promover uma mudança efetiva. Mas será que todas as mudanças não começam superficialmente, para ir penetrando até chegar ao ponto certo?

Será que nós, os brasileiros, não teremos uma excelente oportunidade (somando a copa do mundo de 2014) de vermos uma nação comprometida com algo? Pessoas trabalhando para uma finalidade, com um objetivo? Querendo fazer o melhor, sendo tratadas pelos outros como capazes? Acabando com essa mania de nos acharmos inferior aos demais?

Imaginem as pessoas que terão a oportunidade de presenciar isso, terão a chance de vivenciar uma grande mudança, fruto de um objetivo comum, de um esforço nacional, de um comprometimento, e ver que nós, os brasileiros, somos capazes, não ficamos devendo nada aos outros, temos tanta capacidade como todos os outros. E depois de perceber isso, os benefícios que isso pode trazer, comecem a reproduzir esta atitude em sua vida, nas das suas famílias, da sua comunidade.

E que os brasileiros mais conscientes fiscalizem as obras, os orçamentos, os políticos envolvidos. Que ao invés de criticarem os super faturamentos, fiquem atentos e trabalhem para impedir isso, ou ao menos denunciem.

Que usemos este evento para restagar a confiança em nós mesmos, na nossa capacidade. Que isso possa nos ensinar o que é objetivo, comprometimento, trabalho e resultado.

Rio 2016, seja bem vindo!

E a matéria-prima é a mesma…

Vejam estes dois conjuntos de fotos:

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E agora vejam estas outras:

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Uma sequência de fotos é da Irlanda, outra da cidade onde moro. Proponho o desafio de descobrirem qual é qual. Vamos lá, tenho certeza que conseguirão adivinhar.

Pois bem, acertou quem disse que a primeira sequência é da Irlanda, e a outra é de onde moro.

Nas fotos da Irlanda reparo parques muito bem cuidados, gramado aparado, grades, e não reparo lixo. Nem nas ruas eu vejo lixo. A segunda foto é de um tipo de calçadão, e reparei na limpeza do local. Posso até exagerar dizendo que está impecável.

Já as fotos da minha cidade são de ruas próximas de onde moro (ou a rua onde moro), que é uma rua de grande movimentação pois é um bairro residencial de alto tráfego de veículos. E tem também as fotos de um parque da cidade – o mais conhecido – e a sujeira está em todo lugar.

E quando vejo toda esta diferença entre lá e aqui, fico intrigado pois tanto lá quanto cá vivem pessoas, seres humanos, que tem problemas, virtudes, vícios, coragem, receios, são felizes e tristes, e quando vão ao banheiro é tudo igual. Ou seja, se a matéria-prima é a mesma, fico pensando em como maltratamos esta matéria-prima aqui em nosso país, pois a partir do mesmo componentes conseguimos fazer coisa muito pior, e eles coisas fantásticas.

Devemos ser péssimos artesões humanos, pois não conseguimos aqui gerar pessoas conscientes, educadas, que pensem além do próprio umbigo, que entendam que as coisas só estão boas quando estão boas para todo mundo. Não conseguimos ensinar que Lei de Gerson não deve ser o nosso evangelho, que fazer um gato, roubar algo de onde trabalha, ocultar informação para se dar bem, ser desonesto quando ninguém estiver vendo não são virtudes, algo digno de honra.

E nada disso que estou falando tem a ver com a idade do nosso país, afinal, a Austrália é bem mais nova que nós e certamente é muito diferente de nós. A Nova Zelândia também, e lá eles contratam profissionais para gerenciar as cidades, tal como se fosse uma empresa, e estes se esforçam para economizar dinheiro público. Pode?

Publiquei um texto em meu blog que fala desta tal matéria-prima. Fiquem a vontade para ler.

Quando penso nesse aspecto, me vem a mente o carvão e o carbono. Ambos possuem como matéria prima o carbono, no entanto somente a forma como eles são organizados é que produzem a diferença. Nem preciso dizer qual é a mais quista, afinal, nunca vi uma mulher querer um anel de carvão.

Esta “não” é uma obra de ficção

Em toda novela, sempre aparece um texto, similar ao abaixo:

Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais terá sido mera coincidência.

Na novela Caminho das Índias havia uma família onde os pais incentivavam o filho a bater, zoar os outros, tirar uma onda. A cada absurdo que o filho fazia os pais falavam “boa filhão”. E o adolescente adorava, afinal, é o sonho de qualquer filho ser aprovado pelos pais.

Este foi um assunto muito interessante tratado lá, na obra de ficção. Porém infelizmente a ficção era somente a obra, e não o que era retratado nela. Hoje pela manhã ligo o jornal e vejo uma briga de adolescentes, onde a mãe de uma delas incentiva a filha a brigar. Vejam o vídeo abaixo, e a reportagem aqui.

No vídeo, a menina que fica por baixo quando está ocorrendo a briga é a de camiseta branca com mangas azuis. Pelo video também percebemos que a garota que “puxou” briga foi a mesma. E no depoimento da mãe, ela diz que “…mas acho que qualquer mãe, qualquer pai, visse a filha no chão, por baixo…”. Bom, pelas imagens a menina que estava por baixo era a mesma que começou a briga.

Depois a mãe fala que se o filho apanhar na rua, depois apanharia em casa. Fantástico o pensamento, fico altamente crente que nossa sociedade evoluirá, que alcançará um nível mais elevado, onde o respeito seja a palavra de ordem, onde a agressão seja somente páginas de livros de história. clap* clap* clap* clap* clap* para esta cidadã exemplar.

Certamente estou sendo muito irônico. Será que a pessoa que gerou a menina tem uma leve idéia do que é educação? Do que é respeito? Do que é civilidade? Do que é respeito às divergências? Do que é diálogo? E como responsabilizar a menina, se dentro de casa ela aprende isso? Se a mãe incentiva a briga, proíbe os outros de apartarem. E ainda diz “mete o pé que nem eu te ensinei”. Belíssimo ensinamento. Agora, qualquer coisa que contrarie a filha, basta ir lá, meter o pé e saber que tem o pai e a mãe acobertando e incentivando.

E pensar que a mãe trabalha em uma escola. Que ensinamentos ela ensina aos estudantes?

Pois é, esta é a nossa realidade. Estas são as pessoas com as quais convivemos, com as quais nosso país é feito. Pessoas que não se empenham em aprender, em compreender, em respeitar, em dialogar. Pessoas que creem que estão acima do bem e do mal, que a lei que deve ser seguida não é a do amor, mas sim a da selva. E depois a culpa de tudo é somente dos politicos…

Quem dera a nossa realidade pudesse ter o desfecho da novela, com o adolescente punido, sendo obrigado a fazer trabalhos comunitários, e gostando de fazer isso, vendo que pode ser feliz ajudando aos demais.

Homem x Mulher

Vamos lá, responda rapidamente.

Quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?

Quem é mais honesto, o homem ou a mulher?

Quem é mais empreendedor, o homem ou a mulher?

Quem é mais qualquer-adjetivo-da-língua-portuguesa? O homem ou a mulher?

Não sei quais foram as suas respostas, porém sei que estas perguntas são feitas a todo tempo, em todos os lugares. Em qualquer conversa sempre vem a tona o assunto de quem é mais em determinado assunto. E em nome desse “poder” acirram-se disputas, proferem-se palavras desagradáveis, rebaixam-se pessoas, desqualificam-se, enfim, usam todos os artifícios para provar que o grupo de seu interesse seja o melhor.

E fazem isso como se todos os homens fossem iguais, e todas as mulheres fossem iguais, e imutáveis durante a vida, e portanto, passíveis de comparação. E comparam para ver quem é o melhor, para ver quem leva vantagem.

Se reparar, em vários programas de TV sempre são feitas estas perguntas, ou então equipes são criadas separando os homens e as mulheres em uma disputa. E as pessoas parecem acreditar que o vencedor de uma simples gincana prova a superioridade do seu grupo perante o outro.

Fico imaginando que tipo de ganho tais disputam geram? Alguém fica melhor? A sociedade fica melhor? A humanidade fica melhor?

Sou do tipo que prefere usar o que de melhor cada pessoa tem, e procurar construir algo melhor com a força de todos. Darei um exemplo.

Há uma frase de conhecimento popular que diz que uma mulher compra uma coisa de R$ 2,00 por R$ 1,00, mas que não precisa, enquanto que o homem compra uma coisa de R$ 1,00 por R$ 2,00, porém que precisa, e querer comparar qual destas atitudes é a melhor pra mim é puro desperdício de tempo. Acho muito mais interessante um casal, onde o homem ajudará na decisão de só comprar o que precisa, e a mulher ajudará a economizar. Nesta união, todos ganharão. E não falo somente na economia gerada, mas também na cumplicidade, no companheirismo, na cooperação, no respeito a forma do outro ser humano ser.

Se as pessoas, ao invés de quererem esconder suas deficiências (deficiências estas que todos os seres humanos possuem), super valorizarem suas qualidades e fazerem o oposto com os demais, optassem por ajudarem aos outros com suas qualidades, e receber ajuda das qualidades dos outros, certamente teríamos um mundo com menos disputas, menos egoísmo, mais cooperativismo, mais solidariedade, enfim, mais humanidade.

Ah, quanto a resposta das perguntas, só posso dizer que não tenho a menor intenção de achar uma resposta.

Reputação e Caráter

As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.
A verdade em que você acredita determina seu caráter.

A reputação é o que acham que você é.
O caráter é o que você realmente é...

A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.
O caráter é o que você tem quando vai embora...

A reputação é feita em um momento.
O caráter é construído em uma vida inteira...

A reputação torna você rico ou pobre.
O caráter torna você feliz ou infeliz...

A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura.
O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus...


Recebi este texto por email, desconheço o autor.

Globo x Record

Comecou uma nova “guerra” entre estas duas emissoras de televisão. O ministério público fez uma denúncia contra Edir Macedo, a Globo veiculou e a Record entrou na briga na defesa.

Hoje pela madrugada acabei vendo parte do programa “Fala que eu te escuto”, que foi utilizado para ‘defender’ a Record e atacar a Globo. Prestei atenção aos comentários, as defesas feitas e vê-se claramente como é puramente passional, no mínimo. Obviamente não posso dizer que é manipulado, ou que são atores contratados, no entanto dá-se fortamente tal impressão.

O ‘pastor’ perguntava aos ouvintes qual a resposta que eles tinham para dar para a Rede Globo. E a resposta era que eles não mais veriam aquela emissora, que lá só tem degradação da família, só ensina coisa ruim. (Até onde eu sei o que a Rede Record faz é copiar tudo o que a Globo faz. Jornal Nacional x Jornal da Record, novelas x novelas, Big Brother x A Fazenda, Esporte Espetacular x Esporte Fantástico, Fantástico x Domingo Espetacular, a briga pelo direito de transmissão do futebol, olimpíadas….).

E os ‘depoimentos’ eram sempre o mesmo, acusando a Globo e defendendo a Record.

O ‘pastor’ até disse que mesmo que fosse verdade o que se está falando, e que a igreja estivesse roubando, como é bom este ladrão, afinal, quantas pessoas eles estão ajudando. Pára tudo, será que eu ouvi bem? Quer dizer que os fins justificam os meios? E que tipo de argumentação é esta? O fato de fazer bem a alguns faz com que eles passem a estar certos?

Utilizarei alguns exemplos para questionar tal argumento.

Imagine um testemunho ‘aleatório’ do namorado da neta do presidente do Senado Federal. Ele começa dizendo que o Senado é maravilhoso, é muito bom para as pessoas, pois antes de lá ele estava desempregado, com dívidas, sem um futuro, e que agora graças a um membro do Senado tem um bom emprego, já não tem dívidas, já tem uma boa casa, comprou empresas e é uma pessoa feliz e rica, e que viaja pro exterior frequentemente. De tudo o que escrevi, creio que o que somente não ocorreu foi o testemunho. E assim como ele, muitos outros apadrinhados dos senadores muitas outras pessoas também pode dar tal testemunho. E será que isso torna o Senado uma instituição séria e respeitável? Será que o fato de fazer bem a alguns (e pelas recentes descobertas tem muita gente) dá o direito de fazerem o que fazem?

E o tráfico de drogas, certamente muitas pessoas vivem no luxo, na riqueza, conseguiram pagar todas as suas dívidas e agora vivem em mansões, carros importados, viajam pro exterior. Muitas pessoas podem dar este testemunho, porém isso é bom?

Quero deixar claro que não estou comparando uma coisa a outra, mas somente dizendo que o argumento utilizado não possui valor algum. Alguém ser beneficiado por uma instituição não a torna santa ou perfeita, tampouco comprometida com o respeito, honestidade, integridade, valores.

Esta cruzada da Record contra a Globo parece-me um pouco com o que ocorreu com a Alemanha na década de 30. A Alemanha estava com uma grande crise financeira, inflação galopante. As pessoas não viam salvação até aparecer um messias que poderia tirar a Alemanha daquela situação. O messias as pessoas, resgatou a economia, tornou a indústria novamente ativa, diminuiu a inflação. Mas precisou encontrar um culpado para justificar a situação pela qual se encontrava o país, e a escolha foram os judeus.

Sabemos de quem estamos falando, e hoje certamente as pessoas dirão que ele foi uma maluco, que não estava com Deus no coração, que o que ele fez não tem comparação com o que está ocorrendo hoje. Mas se alguém que estava naquela situação, na miséria, sem comida, sem futuro, e que teve a vida modificada, ficou melhor, ganhou dinheiro, pôde cuidar da sua família se eles questionariam algo a respeito das posturas do líder. Sinceramente eu duvido. Tanto que quando ele disse que a culpa era dos judeos a população acreditou, afinal, as pessoas querem saber quem é o culpado pelas suas desgraças, limitações, seu destino (pena que não olham para si mesmas). Tanto acreditaram que promoveram o holocausto.

Hoje, mais de 60 anos passados, fica fácil de perceber que aquela postura não foi benéfica, ainda mais que não estamos envolvidos, mas e naquela época? E na nossa época atual, as pessoas que estão envolvidas com este embate, será que também não ficam passionais como os alemães da época? Afinal, alguém os tirou da depressão, das drogas, das dívidas, propiciaram a eles uma vida repleta de felicidade, dinheiro, posses, empresas (tudo isso é dito nos ‘testemunhos’ veiculados).

O que quero com este exemplo é mostrar que a passionalidade não permite que as pessoas vejam o que está ocorrendo com elas. Passionalidade é algo desprovido de razão.

Nos depoimentos vi as pessoas dizendo que depois que entraram para a Universal descobriram a verdade. Pergunto: que verdade? Verdade é um termo relativo, não existe verdade absoluta. Cada qual tem a sua verdade. Será então que quem não está na igreja vive na mentira? Será a vida de todos os outros cidadãos uma mentira, e somente dos membros uma verdade? A maior mentira já contada é aquela em que alguém se diz o dono / conhecedor da verdade.

Em outro depoimento uma mulher falou que a vida dela estava destruída em função da Rede Globo. Como assim? Como que uma emissora de TV pode destruir a vida de alguém? E se pode, por que não destruiu a minha? Afinal, eu vejo a Globo (e a Record, Bandeirantes, Rede TV, SBT, ….)

Eu vejo a postura de dizer que não mais verá a Globo como uma postura de criança mimada, que quando alguém diz algo que não gosta, faz birra, diz que não brinca mais e vai embora. Deus não prega o amor? Não diz que somos todos irmãos? Ou os irmãos são somente os da igreja, os outros não? Ou o amor é somente entre os da igreja, os aos outros cabe a indiferença?

Um outro depoimento que vi, uma moça disse que a família dela estava com dívidas de R$ 700 mil, e que depois que entrou pra igreja, a dívida, que era somente para uma pessoa, foi paga em poucos meses com o pai fazendo serviços ao credor. Fico tentanto, em vão, imaginar que serviços são estes que propiciam em poucos meses a quitação de uma dívida de R$ 700 mil. Infelizmente minha limitação impede-me de chegar a qualquer reposta.

O que quero neste texto não é defender uma ou outra emissora, até porque não ganho nada fazendo isso. Somente quero aproveitar o momento para propor uma reflexão às pessoas, dizer que determinados argumentos não possuem qualquer valor, não comprovam nada, não isentam ninguém. É sempre necessário olhar para os fatos, sem passionalidade, e tomar sempre as próprias decisões. Nós não vivemos sem decisões, porém quando abrimos mão de tomá-las alguém vem e toma pela gente, e acabamos vivendo a vida dita por outras pessoas. Quando não refletimos sobre as coisas, alguém reflete por nós.

Somente nós somos responsáveis por nossa vida, por nossos sucessos e fracassos, erros e acertos, coisas boas e coisas ruins. Ficar querendo arrumar bodes expiatórios e salvadores somente nos aprisiona, nos torna dependentes, espectadores da vida.

Devemos sempre buscar ser livres, sermos nós mesmos. E eu creio que as instituições religiosas deveriam ter por premissa este fundamento, o de libertar a mente das pessoas, de torná-las livres e reponsáveis por sua vida. Receio que algumas venham se esquecendo disso.

Pensem com suas próprias mentes, todo o tempo.

Advogado do diabo

Neste mês ganhou grande repercussão a morte de uma adolescente de 15 anos que ganhou dos pais uma viagem para a Disney. Ela passou mal lá, foi medicada, voltou a passear, e na viagem de volta passou muito mal e morreu em vôo.

E como todo acontecimento trágico, são feitas inúmeras reportagens, colhem-se depoimentos, apresentam conclusões e muitas vezes geram-se culpados. Ontem no Fantástico mostrou uma reportagem sobre o assunto, mostrando que ela estava mal, que não deveria ser autorizada a sua volta, que uma instrutora pediu para que as garotas se maquiassem e colocassem óculos escuros para evitar qualquer problema.

E em função destas informações parece que há pessoas que ‘mataram’ a menina, negligenciaram a saúde, ignoraram os riscos. Parecem ser pessoas extremamente más.

E é nesse ponto que farei o papel de advogado do diabo. Colocarei a descrição do termo, colhida no Wikipedia.

Antigamente, durante o processo de canonização pela Igreja Católica havia um Promotor da Fé (Latim Promotor Fidei), e um Advogado do Diabo (Latim advocatus diaboli), papéis desempenhados por advogados nomeados pela própria Igreja. O primeiro apresentava argumentos em favor da canonização o segundo fazia o contrário, ou seja, argumentava contra a canonização do candidato; era seu dever olhar cepticamente o processo, procurando lacunas nas provas de forma a poder dizer, por exemplo, que os milagres supostamente feitos eram falsos, etc.

O ofício de Advogado do Diabo foi estabelecido em 1587 e foi abolido pelo Papa João Paulo II em 1983. Isto causou uma subida dramática no número de indivíduos canonizados: cerca de 500 canonizados e mais de 1300 beatificados a partir desta data, enquanto apenas houvera 98 canonizações no período que vai de 1900 a 1983. Isto sugere que os Advogados do Diabo, de facto, reduziam o número de canonizações. Alguns pensam que terá sido um cargo útil para assegurar que tais procedimentos não ocorressem sem causa merecida, e que a santidade não era reconhecida com muita facilidade.

Hoje em dia o termo tem vindo a designar uma pessoa que discute a favor de um ponto de vista no qual não acredita, mas que o faz simplesmente para apresentar um argumento. Este processo pode vir a ser utilizado para testar a qualidade do argumento e identificar erros na sua estrutura.

A parte que destaquei é simplesmente para dizer que o motivo pelo qual faço é somente para analisar sobre outra óptica, e não porque creio que inocência ou culpa de alguém, ou que não me importo com a perda para a família.

Pela reportagem as quatro meninas passaram mal em um dia e foram avaliadas, porém uma ainda não estava 100%. Vamos supor, caso a agência de viagens a obrigasse a ficar internada (ou no hotel descansando), fazendo-a perder os passeios com os quais sempre sonhou e seus pais se esforçaram para conseguir o dinheiro necessário, e nada tivesse ocorrido com ela. Será que os pais não estariam criticando a agência pela rigidez no tratamento, não iriam pedir ressarcimento por proibirem sua filha de realizar o sonho da vida dela?

Falaram na reportagem também que uma pessoa com suspeita de pneumonia não poderia viajar. Se a agência de viagens segurasse a menina lá, a deixando internada pelo tempo que for necessário (não sei como funcionaria o seguro de saúde das viagens, se cobre somente no período da viagem ou mais que isso), e como perderia a passagem de volta, teria que pagar uma nova. Será que os pais não criticariam a rigidez, deixando a filha deles sem a companhia dos pais, em um país distante, e ainda mais tendo que pagar outra passagem?

As meninas também falaram que alguém da agência pediu para elas se maquiarem para se parecessem saudáveis e não correrem o risco de serem reclusas. Imagino que pessoas que ficaram alguns dias em extensos programas, longas caminhadas, filas, passeios, poucas horas de sono certamente estarão cansadas, possivelmente com ar até meio abatido. E se a agência não fala isso, e somente por um pouco de cansaço a menina ficasse lá, retida, enquanto toda a excursão retornava? Como se sentiriam os pais? Será que aprovariam tal medida, retendo uma pessoa simplesmente por ela estar cansada? Imaginem o tamanho do transtorno que isso provocará.

Como disse, não estou defendendo nenhum lado, somente fazendo perguntas. Sei que muitos acharão minhas perguntas descabidas, no entanto isso é normal, ainda mais quando envolve morte. E também e normal quando se está no calor do momento ou envolvido.

Talvez deste acontecimento surjam novas determinações para evitarem tal caso. Então será obrigatório um teste médico completo antes de viajar, um outro teste antes de retornar, ao menor sinal de mal estar deverá ficar fora dos passeios, aos cuidados de outros instrutores para que possam garantir que a pessoa nada faça. O que ocorrerá é um aumento dos custos, aumento da vigilância, diminuição da liberdade das pessoas.

É sempre preciso pensar nesta liberdade. Quanto mais quiserem fechar as possibilidades, por menor que sejam, menos liberdade teremos, mais controlados, mais satisfações teremos que dar, mais relatórios a serem preenchidos, mais burocracia, mais processos.

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