Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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sábado, 6 de junho de 2009

Me engana que eu gosto

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Moro em condomínio, e pude presenciar uma “mudança muito interessante”.

Antigamente era permitido a cobrança de 20% de multa, caso o pagamento fosse feito após a data de vencimento. E quem pagasse até o vencimento, ou fosse fiel ao pagamento, não obtinha nenhum desconto. Depois veio uma lei que limitou ao máximo de 2% o valor da multa. E o que aconteceu? Criou-se o desconto fidelidade.

Na verdade o que houve foi o acréscimo da multa no valor do próprio condomínio, mas quem pagar até o vencimento terá direito ao desconto fidelidade, que a única coisa que faz é somente retornar o valor ao anterior, da época da multa de 20%.

Não há nada de desconto nisso, somente o não acréscimo. Se a pessoa deixar de pagar no prazo, ele perderá o “desconto” e também terá a multa de 2%, e o valor final é exatamente igual ao valor antigo com a multa de 20%. Incrível isso, não?

Será que era para ficarmos felizes com o desconto fidelidade? Certamente quem fez isso sabe muito bem matemática, e criou uma forma de ter a multa de 20% ainda, mas e as pessoas que fizeram a lei? Será que não possuem o menor conhecimento matemático? Será que não poderiam escrever na lei “O valor a ser pago, após o vencimento, não poderá sofrer variação maior que 2%”? Deste modo, não vinculariam 2% a palavra multa mas sim a variação, que contempla tanto desconto quanto juros.

Bom, mas vivemos em um país de aparências, onde fingem que se preocupam, nós fingimos que acreditamos, fingimos que está bom e continuamos fingindo…

domingo, 1 de junho de 2008

Me engana que eu gosto

6 comentários até o momento. Que tal deixar o seu?

Infelizmente a cada dia que passa vejo mais situações onde pode ser aplicado o título deste artigo. Parece-me que este povo adora ser enganado, ou melhor, adora se auto-enganar.

E a cada dia vejo mais situações que me ratificam tal visão. Citarei algumas:

1. Está sendo veiculada na TV uma propaganda da Telefônica, onde você paga uma taxa mensal de R$ 22,90 e fala ‘de graça’ aos finais de semana.
Vamos ver se eu entendi. A propaganda me fala que posso falar ‘de graça’ nos finais de semana, mas para falar ‘de graça’ preciso pagar uma taxa de R$ 22,90 por mês? É um novo conceito do termo ‘de graça’? Ou é uma tentativa de iludir os futuros clientes que eles estão sendo espertos adquirindo este produto para falar ‘de graça’?
Imagino outras ‘promoções’ que podem ser feitas também, seguindo esta mesma linha:

a. Em um restaurante. ‘Promoção: pague R$ 30,00 e não pague a sobremesa’

b. Em uma boate. ‘Promoção: entrada franca, saída R$ 10,00’

2. Em uma planilha foi solicitado que seja exibida a variação entre as vendas de um mês com o mesmo mês do ano anterior, para que a pessoa possa ver como está a situação atual. E ao invés de exibir a variação foi solicitado que o valor a ser exibido seja o percentual com relação ao valor anterior. Abaixo mostrarei a tabela:

Jan

Fev

Mar

2007

100

120

140

2008

120

110

135

Índice 1

120%

91,67%

96,43%

Índice 2

20%

-8,33

-3,57%

E entre os dois índices, o preferido foi o primeiro, pois não tinha valor negativo, o que poderia deixar quem lesse a informação triste. Quer dizer que se eu colocar somente os valores positivos significa que a venda aumentou? Ou que o resultado é melhor? E será que quem ler o índice de fevereiro não vai perceber que está abaixo do valor do ano anterior, e que houve uma retração? A leitura que faço é que tentaram me enganar somente mostrando números ‘bons’ quando na verdade existem números não satisfatórios.

3. Nas vendas de produtos, é comum darem descontos (já escrevi o que acho sobre os descontos no artigo Desconto: bom?), e me deparei com uma situação que ratifica meu pensamento. Em um determinado tipo de produto o desconto chegava a 90%, isso mesmo, 90%. Perguntei se mesmo com um desconto desse valor a empresa ainda ganhava dinheiro, e escutei que na verdade o produto nunca era vendido pelo preço de tabela. O preço somente era definido lá em cima para dar um grande desconto, pois os compradores não comprariam caso o desconto não fosse generoso.
Será que quem compra desconhece matemática? Se vender um produto que custa R$ 10,00, com 0% de desconto, ou se vender o mesmo produto que custa R$ 10,00, com 90% de desconto o resultado financeiro é o mesmo. A diferença que tem é que o segundo vendedor tem a chance de ser esperto, dando descontos menores e ganhando mais do que o justo, enquanto que o primeiro não possui intenção nenhuma de ser esperto. E o comprador prefere a segunda opção, pois aí o ‘esperto’ foi ele.
Se for assim, então eu me tornarei um vendedor e colocarei como preço de tabela do produto R$ 1.000,00, assim poderei dar um desconto de 99%, que certamente deixará o comprador muito mais feliz.

Estas foram algumas situações que presenciei, mas tenho a certeza que muitas outras existem. E vejo algumas pessoas preferindo acreditar que estão sendo espertas, que estão levando vantagem. Um pouco de conhecimento matemático e lógico não faria mal nenhum.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A prazo: até a vista!

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Você já comprou alguma coisa à prazo? Pagou em suaves prestações a perder de vista? Eu também já utilizei isso, mas proponho a seguinte reflexão. Você precisava usar o recurso do prazo para adquirir o que queria?

Fiz esta pergunta por que as pessoas neste país acreditam que somente conseguem comprar alguma coisa se parcelarem em módicas prestações, a perder de vista. Nunca ninguém tem dinheiro para pagar comprar qualquer coisa à vista.
Se acharem que estou exagerando basta olharem as propagandas de TV, onde um produto, que custa, por exemplo, R$ 40,00 é parcelado em 10 (isso mesmo, DEZ!!!!!!) vezes de R$ 5,00. Claro que os juros estão embutidos neste caso. Então pergunto: Tem algum fundamento pagar mensalmente R$ 5,00? Só o custo que a pessoa terá para ir mensalmente até a loja pagar deve ser o mesmo valor que ele pagará. Resumindo, um produto que custava R$ 40,00, que em uma conversa poderia até ser pago mais barato em uma compra a vista sairá em torno de R$ 100,00, ou seja, R$ 60,00 a mais do que o preço original. Uma tremenda falta de juízo.
Mas e se a pessoa não tem o valor inteiro, ela precisa parcelar, certo? Não, não vejo isso como correto. O que bem aprendi em minha vida é que precisamos economizar nosso dinheiro (economizar não significa não gastar, mas sim gastar racionalmente), tanto para situações inesperadas que possam nos acometer quanto para comprar algo que não temos dinheiro no momento. Mas eu quero comprar agora, não quero esperar 10 meses para ter o produto. Ah bom, mas aí o problema é outro, não é o dinheiro, mas sim a falta de paciência.
Tudo bem Carlos, mas e quando ocorre uma emergência e precisamos comprar algo, e não temos dinheiro a vista, como fazer? Aí sim eu acho que o parcelamento se adéqua, porém se a pessoa já tem feito a lição de casa economizando anteriormente, existirá uma boa possibilidade que a pessoa tenha o dinheiro para pagar estas eventualidades.
Não estou aqui dizendo que o parcelamento não deveria existir, somente propondo uma reflexão se a forma como o utilizamos é a mais adequada. É muito comum ouvir das pessoas que parcelam que elas não tem dinheiro a vista, por isso parcelam. Não serei redundante, e por isso farei outro raciocínio. A pessoa compra cinco produtos, cada qual pagando R$ 50,00 por mês – total de R$ 250,00. E no dia que compra as cinco coisas já sai da loja com todos. Então pagando R$ 250,00 ela conseguiu ter todos os produtos. Porém nos quatro próximos meses, mesmo sem comprar nada ela também terá que pagar R$ 250,00, impedindo-a de comprar qualquer outra coisa neste período, já que o orçamento dela chegou ao limite. E se ao invés de comprar tudo e parcelar ela comprar um item por mês, ao final dos cinco meses ela também não terá as mesmas coisas? Terá, mas do outro modo ela já saiu com tudo no mesmo dia. Eu sei, e isso não é impaciência? Ela parcelou não porque não tinha R$ 250,00 por mês para comprar cada produto, mas sim para tê-los de imediato. E olha que nesse caso eu não coloquei juros, que sempre tem. E mesmo que as lojas digam que não tem, dificilmente uma loja se sujeitaria a perder uma venda por recusar dar algum desconto (ou isenção dos juros) para alguém que queira pagar a vista.

Considero a possibilidade de parcelar uma exceção, e não uma regra. Resumirei os motivos para isso:
  1. Parcelar (tomar crédito) faz com que paguemos juros, que é uma forma de concentrar renda e empobrecer o país, pois os juros ficarão restritos a poucos, e como o dinheiro não estará sendo gasto com produção, não se gerará mais empregos, mais impostos, distribuição de renda.
  2. Gera uma mentalidade de dependência, fazendo as pessoas acreditarem que a única forma de conseguirem comprar algo é se sujeitar a isso.
  3. Empobrece as pessoas, tirando dinheiro da economia e aumentando a pobreza.
  4. Gera um trabalho maior de gerenciamento, pois todo mês será necessário ficar atento aos pagamentos pendentes, saldo em banco.
  5. Cria maior risco de calote, pois ninguém pode prever o futuro (perda de emprego) e pode deixar de pagar. Isso faz com que as financeiras cobrem juros maiores para compensar os devedores.
  6. Teu nome pode ir para o SPC, o que pode dificultar a vida de quem tem dinheiro mais contado.
  7. Tira das pessoas a noção de empenho, de esforço para conseguir algo. Fica ‘fácil’, e conseqüentemente sem valor para a pessoa, somente valor financeiro.
  8. Faz as pessoas gastarem dinheiro em coisas que não precisam, pois podem pagar o valor mensal. Não vejo necessidade de alguém com orçamento restrito comprar um celular de R$ 500,00 somente porque R$ 50,00 a pessoa pode pagar por mês.
  9. Ao parcelar é necessário fazer cadastro nas lojas, e deste modo eles conseguem muitos dados nossos, os gostos, freqüência de compra, valor de compra, e com isso eles podem nos abordar para tentar venderem mais coisas.
Para bens maiores, muito caros, necessários ou muito úteis considero muito a possibilidade de parcelar, pois parcelar uma casa, mesmo com juros, é melhor do que pagar aluguel (dinheiro perdido) e tentar juntar o dinheiro no mesmo período. Porém é preciso ter muito cuidado, analisar o quanto um parcelamento é necessário, o quanto é vaidade, o quanto é imediatismo, impaciência.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Desconto: bom?

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Quem é que não fica feliz com um desconto, quando se vai comprar algum produto? É praticamente uma cultura neste país pedirmos desconto, pechincharmos, enfim, conseguirmos alguma forma de ter o preço diminuído. Mas conseguirmos o desconto é algo bom? Devemos nos alegrar com isso?

Hoje fui fechar uma conta em um banco no qual era correntista, e quando estava conversando com a pessoa responsável (por telefone), após eu informar o motivo do cancelamento a pessoa me falou que o banco poderia me isentar de tarifas por seis meses, e se isso não me interessava. Disse que não, então ele me falou que poderia me isentar por até 1 ano.
No meu caso de nada adiantou, pois eu fecharia a conta em qualquer hipótese. Mas me questiono sobre o seguinte ponto: se o banco pode dar esta isenção de tarifas, por que não fez antes? E se podia dar 1 ano, por que me ofereceu seis meses? Por que foi necessário que eu tomasse a atitude de pedir o encerramento de uma conta para que ele me propusesse algo? Mas Carlos, claro que o banco precisa cobrar tarifas, pois prestam serviços como outras empresas. Sei disso, mas e se ao invés de isentar quem quer cancelar eles simplesmente cobrassem taxas mais justas, menos abusivas, deixando todas as pessoas felizes por todo o tempo em que forem correntistas, e não somente quando quisessem sair do banco.
A leitura que eu faço da atitude do banco é que ele me enganou e me esfolou enquanto pôde, e quando quero acabar com a brincadeira ele muda e fica bonzinho, até esfriarem as coisas para voltar a cobrar as taxas.

Com cartão de crédito acontece coisa semelhante. Quando se quer desconto ou isenção do pagamento da anuidade basta pedir para cancelar, que aí sim eles podem lhe dar desconto. Quem aqui não conhece alguém que faz isso com as operadoras de cartões de crédito? (Se não nós mesmos).

Não estou aqui dizendo que tal atitude é certa ou não, somente questionando a 'mensagem' que estas empresas nos passam. Elas querem o maior lucro possível, e quando nós tentamos deixar de ser burros eles mudam o discurso e nos 'ajudam'. Mas claro que mesmo cobrando tarifas menores eles nunca perdem. Somente tornam mais justo.

Voltando aos descontos conseguidos nas lojas. É uma boa? Se for pensar somente no lado financeiro talvez a resposta seja sim, no entanto se a loja pode dar desconto, e quando me ofereceu o produto o preço era outro, significa que ela tentou levar de mim mais dinheiro do que era o justo, e que se eu não fosse 'esperto' os 'espertos' seriam eles, conseguindo mais dinheiro do que o justo. Será que temos que viver num mundo onde tudo é um jogo, e o menos esperto perde? Qual o ganho disso?

Atualmente quando uma loja me dá desconto ou cobre a oferta de um concorrente eu fico decepcionado, pois sei que ela tentou me enganar, me fazer de tonto, ganhar dinheiro em cima da minha 'burrice' ou passividade. Por que precisa-se negociar? Por que não se pode cobrar o justo? Por que não podemos ser mais transparentes e verdadeiros?