Infelizmente a cada dia que passa vejo mais situações onde pode ser aplicado o título deste artigo. Parece-me que este povo adora ser enganado, ou melhor, adora se auto-enganar.
E a cada dia vejo mais situações que me ratificam tal visão. Citarei algumas:
1. Está sendo veiculada na TV uma propaganda da Telefônica, onde você paga uma taxa mensal de R$ 22,90 e fala ‘de graça’ aos finais de semana.
Vamos ver se eu entendi. A propaganda me fala que posso falar ‘de graça’ nos finais de semana, mas para falar ‘de graça’ preciso pagar uma taxa de R$ 22,90 por mês? É um novo conceito do termo ‘de graça’? Ou é uma tentativa de iludir os futuros clientes que eles estão sendo espertos adquirindo este produto para falar ‘de graça’?
Imagino outras ‘promoções’ que podem ser feitas também, seguindo esta mesma linha:
a. Em um restaurante. ‘Promoção: pague R$ 30,00 e não pague a sobremesa’
b. Em uma boate. ‘Promoção: entrada franca, saída R$ 10,00’
2. Em uma planilha foi solicitado que seja exibida a variação entre as vendas de um mês com o mesmo mês do ano anterior, para que a pessoa possa ver como está a situação atual. E ao invés de exibir a variação foi solicitado que o valor a ser exibido seja o percentual com relação ao valor anterior. Abaixo mostrarei a tabela:
| | Jan | Fev | Mar |
| 2007 | 100 | 120 | 140 |
| 2008 | 120 | 110 | 135 |
| Índice 1 | 120% | 91,67% | 96,43% |
| Índice 2 | 20% | -8,33 | -3,57% |
E entre os dois índices, o preferido foi o primeiro, pois não tinha valor negativo, o que poderia deixar quem lesse a informação triste. Quer dizer que se eu colocar somente os valores positivos significa que a venda aumentou? Ou que o resultado é melhor? E será que quem ler o índice de fevereiro não vai perceber que está abaixo do valor do ano anterior, e que houve uma retração? A leitura que faço é que tentaram me enganar somente mostrando números ‘bons’ quando na verdade existem números não satisfatórios.
3. Nas vendas de produtos, é comum darem descontos (já escrevi o que acho sobre os descontos no artigo Desconto: bom?), e me deparei com uma situação que ratifica meu pensamento. Em um determinado tipo de produto o desconto chegava a 90%, isso mesmo, 90%. Perguntei se mesmo com um desconto desse valor a empresa ainda ganhava dinheiro, e escutei que na verdade o produto nunca era vendido pelo preço de tabela. O preço somente era definido lá em cima para dar um grande desconto, pois os compradores não comprariam caso o desconto não fosse generoso.
Será que quem compra desconhece matemática? Se vender um produto que custa R$ 10,00, com 0% de desconto, ou se vender o mesmo produto que custa R$ 10,00, com 90% de desconto o resultado financeiro é o mesmo. A diferença que tem é que o segundo vendedor tem a chance de ser esperto, dando descontos menores e ganhando mais do que o justo, enquanto que o primeiro não possui intenção nenhuma de ser esperto. E o comprador prefere a segunda opção, pois aí o ‘esperto’ foi ele.
Se for assim, então eu me tornarei um vendedor e colocarei como preço de tabela do produto R$ 1.000,00, assim poderei dar um desconto de 99%, que certamente deixará o comprador muito mais feliz.
Estas foram algumas situações que presenciei, mas tenho a certeza que muitas outras existem. E vejo algumas pessoas preferindo acreditar que estão sendo espertas, que estão levando vantagem. Um pouco de conhecimento matemático e lógico não faria mal nenhum.