Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A prazo: até a vista!

Você já comprou alguma coisa à prazo? Pagou em suaves prestações a perder de vista? Eu também já utilizei isso, mas proponho a seguinte reflexão. Você precisava usar o recurso do prazo para adquirir o que queria?

Fiz esta pergunta por que as pessoas neste país acreditam que somente conseguem comprar alguma coisa se parcelarem em módicas prestações, a perder de vista. Nunca ninguém tem dinheiro para pagar comprar qualquer coisa à vista.
Se acharem que estou exagerando basta olharem as propagandas de TV, onde um produto, que custa, por exemplo, R$ 40,00 é parcelado em 10 (isso mesmo, DEZ!!!!!!) vezes de R$ 5,00. Claro que os juros estão embutidos neste caso. Então pergunto: Tem algum fundamento pagar mensalmente R$ 5,00? Só o custo que a pessoa terá para ir mensalmente até a loja pagar deve ser o mesmo valor que ele pagará. Resumindo, um produto que custava R$ 40,00, que em uma conversa poderia até ser pago mais barato em uma compra a vista sairá em torno de R$ 100,00, ou seja, R$ 60,00 a mais do que o preço original. Uma tremenda falta de juízo.
Mas e se a pessoa não tem o valor inteiro, ela precisa parcelar, certo? Não, não vejo isso como correto. O que bem aprendi em minha vida é que precisamos economizar nosso dinheiro (economizar não significa não gastar, mas sim gastar racionalmente), tanto para situações inesperadas que possam nos acometer quanto para comprar algo que não temos dinheiro no momento. Mas eu quero comprar agora, não quero esperar 10 meses para ter o produto. Ah bom, mas aí o problema é outro, não é o dinheiro, mas sim a falta de paciência.
Tudo bem Carlos, mas e quando ocorre uma emergência e precisamos comprar algo, e não temos dinheiro a vista, como fazer? Aí sim eu acho que o parcelamento se adéqua, porém se a pessoa já tem feito a lição de casa economizando anteriormente, existirá uma boa possibilidade que a pessoa tenha o dinheiro para pagar estas eventualidades.
Não estou aqui dizendo que o parcelamento não deveria existir, somente propondo uma reflexão se a forma como o utilizamos é a mais adequada. É muito comum ouvir das pessoas que parcelam que elas não tem dinheiro a vista, por isso parcelam. Não serei redundante, e por isso farei outro raciocínio. A pessoa compra cinco produtos, cada qual pagando R$ 50,00 por mês – total de R$ 250,00. E no dia que compra as cinco coisas já sai da loja com todos. Então pagando R$ 250,00 ela conseguiu ter todos os produtos. Porém nos quatro próximos meses, mesmo sem comprar nada ela também terá que pagar R$ 250,00, impedindo-a de comprar qualquer outra coisa neste período, já que o orçamento dela chegou ao limite. E se ao invés de comprar tudo e parcelar ela comprar um item por mês, ao final dos cinco meses ela também não terá as mesmas coisas? Terá, mas do outro modo ela já saiu com tudo no mesmo dia. Eu sei, e isso não é impaciência? Ela parcelou não porque não tinha R$ 250,00 por mês para comprar cada produto, mas sim para tê-los de imediato. E olha que nesse caso eu não coloquei juros, que sempre tem. E mesmo que as lojas digam que não tem, dificilmente uma loja se sujeitaria a perder uma venda por recusar dar algum desconto (ou isenção dos juros) para alguém que queira pagar a vista.

Considero a possibilidade de parcelar uma exceção, e não uma regra. Resumirei os motivos para isso:
  1. Parcelar (tomar crédito) faz com que paguemos juros, que é uma forma de concentrar renda e empobrecer o país, pois os juros ficarão restritos a poucos, e como o dinheiro não estará sendo gasto com produção, não se gerará mais empregos, mais impostos, distribuição de renda.
  2. Gera uma mentalidade de dependência, fazendo as pessoas acreditarem que a única forma de conseguirem comprar algo é se sujeitar a isso.
  3. Empobrece as pessoas, tirando dinheiro da economia e aumentando a pobreza.
  4. Gera um trabalho maior de gerenciamento, pois todo mês será necessário ficar atento aos pagamentos pendentes, saldo em banco.
  5. Cria maior risco de calote, pois ninguém pode prever o futuro (perda de emprego) e pode deixar de pagar. Isso faz com que as financeiras cobrem juros maiores para compensar os devedores.
  6. Teu nome pode ir para o SPC, o que pode dificultar a vida de quem tem dinheiro mais contado.
  7. Tira das pessoas a noção de empenho, de esforço para conseguir algo. Fica ‘fácil’, e conseqüentemente sem valor para a pessoa, somente valor financeiro.
  8. Faz as pessoas gastarem dinheiro em coisas que não precisam, pois podem pagar o valor mensal. Não vejo necessidade de alguém com orçamento restrito comprar um celular de R$ 500,00 somente porque R$ 50,00 a pessoa pode pagar por mês.
  9. Ao parcelar é necessário fazer cadastro nas lojas, e deste modo eles conseguem muitos dados nossos, os gostos, freqüência de compra, valor de compra, e com isso eles podem nos abordar para tentar venderem mais coisas.
Para bens maiores, muito caros, necessários ou muito úteis considero muito a possibilidade de parcelar, pois parcelar uma casa, mesmo com juros, é melhor do que pagar aluguel (dinheiro perdido) e tentar juntar o dinheiro no mesmo período. Porém é preciso ter muito cuidado, analisar o quanto um parcelamento é necessário, o quanto é vaidade, o quanto é imediatismo, impaciência.

Um comentário:

Nelio Santos disse...

Sabe, na prática é como dito na própria biblia onde é chamado de contuda desenfreada (Gálatas 5:19); ou seja, a compulsão de compra, impaciencia, e outros aos quais somos acometidos e acostumados por este mesmo sistema de coisas.