Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Ateu, graças a Deus

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Já ouvi esta frase, e achei ela propícia para dar título a este texto.

Li ontem que o apresentador Datena expressou alguns “pensamentos” em seu programa, que fez com que o Ministério Público Federal queira uma retratação.

Segue o link para verem mais a respeito do assunto.

Pelo conteúdo do link é possível ver algumas "afirmações” do apresentador, que responsabiliza os ateus pelos males do mundo, pelos crimes que ocorrem, dizendo que somente pessoas que não creem em Deus é que são capazes de cometer crimes.

Fico aqui tentando imaginar em qual realidade este apresentador vive. Se ele frequentou escola, se aprendeu sobre história da humanindade, se vê documentários ou lê livros. Porque se ele faz alguns destes itens certamente não pensaria deste modo. É só abrir os olhos e enxergar a realidade.

Será que ele nunca ficou sabendo que grandes genocídios foram feitos em nome de Deus (que pode ter outro nome dependendo da crença)? Quantas guerras-santas (quanta incoerência) foram feitas neste planeta, quanto sangue derramado, somente para impor aos outros a crença de um grupo. E o que acho engraçado é pelo que sei um dos ensinamentos da religião é o respeito ao próximo, mas tem um asterisco nisso. Respeito ao próximo sim, desde que ele creia na mesma coisa que eu, caso contrário ele é uma série ameaça a tudo o que eu acredito, e como ameaça, necessita ser destruído.

Infelizmente algumas das pessoas mais inflexíveis que conheci, que em nenhum momento se permitiram pensar em pensar de uma forma diferente, crer que podem existir outras formas de ver o mundo, a sociedade, os problemas foram pessoas ligadas a religião, certamente com muito Deus no coração.

Há uma brincadeira que diz que se você quer encontrar pessoas com Deus no coração é somente ir a um presídio. lá certamente se encontrará muitas pessoas que creem em Deus.

Se não me engano eu vi um caso onde uma pessoa recebia a sua “propina de cada dia” e orava, agradecendo. Esta certamente tem Deus no coração, tanto que até orava em agradecimento.

Então por que somente os ateus é que são os responsáveis pelos problemas do mundo?

Uma organização, uma crença, uma filosofia não faz uma pessoa boa ou má. Se fosse isso, seria muito fácil obrigar todo mundo a ser de uma organização, ou então obrigar todas as organizações a fazerem determinada atitude e certamente todas as pessoas seriam boas.

O que faz uma pessoa ser boa ou má (tirando fatores psiquiátricos que alteram o estado de consciência da pessoa) é a educação que ela tem, é a consciência que nela foi despertada a respeito das coisas, dos valores (não os que anunciam na TV em blocos de 30 segundos), das pessoas, da sociedade, de justiça, de ética. São os exemplos que esta pessoa recebeu, não somente os discursos.

Datena certamente prestou um desserviço à sociedade atacando um grupo com uma crença diferente da dele. Muitas pessoas que viram, e que ainda não tenham se desenvolvido o suficiente para analisar o que foi dito, filtrar e processar tudo acabarão crendo que ele está certo, e que precisam combater os ateus. É a indústria da intolerância e do desrespeito sendo alimentada, e neste caso, por uma pessoa que acredita em Deus.

Quem faz mais bem ao planeta? Os ateus ou os crentes? Sinceramente, não me importa, e isso não me preocupa nem um pouco. O que eu quero é que os ateus façam bem ao planeta, assim como os crentes. Quero que um entenda que o outro tem o direito de pensar de outra forma, independente se a forma da pessoa pensar tem fundo mais racional ou mais de fé, se há provas para acreditar ou provas para não acreditar. Isso não faz diferença.

Certamente em qualquer agrupamento haverão pesssoas boas e pessoas ruins, e o papel das boas é tentar levar as que estão fazendo o mal a sociedade um pouco de consciência, mesmo que isso faça com que a pessoa passe a acreditar em algo diferente do que nós mesmo acreditamos.

O todo é importante, é maior, e se as pessoas entrarem em guerra para ver quais delas é a certa, o planeta perde.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Advogado do diabo

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Neste mês ganhou grande repercussão a morte de uma adolescente de 15 anos que ganhou dos pais uma viagem para a Disney. Ela passou mal lá, foi medicada, voltou a passear, e na viagem de volta passou muito mal e morreu em vôo.

E como todo acontecimento trágico, são feitas inúmeras reportagens, colhem-se depoimentos, apresentam conclusões e muitas vezes geram-se culpados. Ontem no Fantástico mostrou uma reportagem sobre o assunto, mostrando que ela estava mal, que não deveria ser autorizada a sua volta, que uma instrutora pediu para que as garotas se maquiassem e colocassem óculos escuros para evitar qualquer problema.

E em função destas informações parece que há pessoas que ‘mataram’ a menina, negligenciaram a saúde, ignoraram os riscos. Parecem ser pessoas extremamente más.

E é nesse ponto que farei o papel de advogado do diabo. Colocarei a descrição do termo, colhida no Wikipedia.

Antigamente, durante o processo de canonização pela Igreja Católica havia um Promotor da Fé (Latim Promotor Fidei), e um Advogado do Diabo (Latim advocatus diaboli), papéis desempenhados por advogados nomeados pela própria Igreja. O primeiro apresentava argumentos em favor da canonização o segundo fazia o contrário, ou seja, argumentava contra a canonização do candidato; era seu dever olhar cepticamente o processo, procurando lacunas nas provas de forma a poder dizer, por exemplo, que os milagres supostamente feitos eram falsos, etc.

O ofício de Advogado do Diabo foi estabelecido em 1587 e foi abolido pelo Papa João Paulo II em 1983. Isto causou uma subida dramática no número de indivíduos canonizados: cerca de 500 canonizados e mais de 1300 beatificados a partir desta data, enquanto apenas houvera 98 canonizações no período que vai de 1900 a 1983. Isto sugere que os Advogados do Diabo, de facto, reduziam o número de canonizações. Alguns pensam que terá sido um cargo útil para assegurar que tais procedimentos não ocorressem sem causa merecida, e que a santidade não era reconhecida com muita facilidade.

Hoje em dia o termo tem vindo a designar uma pessoa que discute a favor de um ponto de vista no qual não acredita, mas que o faz simplesmente para apresentar um argumento. Este processo pode vir a ser utilizado para testar a qualidade do argumento e identificar erros na sua estrutura.

A parte que destaquei é simplesmente para dizer que o motivo pelo qual faço é somente para analisar sobre outra óptica, e não porque creio que inocência ou culpa de alguém, ou que não me importo com a perda para a família.

Pela reportagem as quatro meninas passaram mal em um dia e foram avaliadas, porém uma ainda não estava 100%. Vamos supor, caso a agência de viagens a obrigasse a ficar internada (ou no hotel descansando), fazendo-a perder os passeios com os quais sempre sonhou e seus pais se esforçaram para conseguir o dinheiro necessário, e nada tivesse ocorrido com ela. Será que os pais não estariam criticando a agência pela rigidez no tratamento, não iriam pedir ressarcimento por proibirem sua filha de realizar o sonho da vida dela?

Falaram na reportagem também que uma pessoa com suspeita de pneumonia não poderia viajar. Se a agência de viagens segurasse a menina lá, a deixando internada pelo tempo que for necessário (não sei como funcionaria o seguro de saúde das viagens, se cobre somente no período da viagem ou mais que isso), e como perderia a passagem de volta, teria que pagar uma nova. Será que os pais não criticariam a rigidez, deixando a filha deles sem a companhia dos pais, em um país distante, e ainda mais tendo que pagar outra passagem?

As meninas também falaram que alguém da agência pediu para elas se maquiarem para se parecessem saudáveis e não correrem o risco de serem reclusas. Imagino que pessoas que ficaram alguns dias em extensos programas, longas caminhadas, filas, passeios, poucas horas de sono certamente estarão cansadas, possivelmente com ar até meio abatido. E se a agência não fala isso, e somente por um pouco de cansaço a menina ficasse lá, retida, enquanto toda a excursão retornava? Como se sentiriam os pais? Será que aprovariam tal medida, retendo uma pessoa simplesmente por ela estar cansada? Imaginem o tamanho do transtorno que isso provocará.

Como disse, não estou defendendo nenhum lado, somente fazendo perguntas. Sei que muitos acharão minhas perguntas descabidas, no entanto isso é normal, ainda mais quando envolve morte. E também e normal quando se está no calor do momento ou envolvido.

Talvez deste acontecimento surjam novas determinações para evitarem tal caso. Então será obrigatório um teste médico completo antes de viajar, um outro teste antes de retornar, ao menor sinal de mal estar deverá ficar fora dos passeios, aos cuidados de outros instrutores para que possam garantir que a pessoa nada faça. O que ocorrerá é um aumento dos custos, aumento da vigilância, diminuição da liberdade das pessoas.

É sempre preciso pensar nesta liberdade. Quanto mais quiserem fechar as possibilidades, por menor que sejam, menos liberdade teremos, mais controlados, mais satisfações teremos que dar, mais relatórios a serem preenchidos, mais burocracia, mais processos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Autenticidade

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 (au.ten.ti.ci.da.de) 

sf.
  1  Qualidade ou caráter do que é autêntico, do que não é falso, forjado, nem sofreu adulteração (autenticidade da gravação/mensagem/foto); FIDEDIGNIDADE; VERACIDADE 

Pois bem, por esta breve definição vê-se que isso é algo muito bom, afinal, convivermos com pessoas autênticas é muito bom, é sempre bom saber o que ela pensa, o que acha das coisas, da gente. Viver na insegurança é que não dá.

É isso mesmo?

Será que gostamos de conviver com pessoas autênticas? Parece o sonho, mas infelizmente vejo as pessoas criticando os autênticos, como se fossem pecadores de séculos atrás, ou bruxas da época da inquisição.

Creio que todos nasçam autênticos, e creio nisso pela análise que faço das crianças. Quantas vezes as criancas "nos deixam" em saias justas por falarem o que pensam, ou somente repetiram o que falamos, mas somos covardes de fazê-lo na frente da pessoa? Aí, quando a criança fala algo, os adultos riem, se divertem, dizem que isso é coisa e criança e deixa pra lá, como se o que ela falasse não devesse ser levado em consideração, afinal, é só uma criança. Essa autenticidade da criança é até bonitinha. Um exemplo disso é a Maysa, que é extremamente autêntica, e é uma lindinha de garota segundo várias pessoasl.

Tem um outro exemplo de pessoa autêntica, mas esse é muito questionado. É o goleiro Marcos, do Palmeiras. É muito comum após partidas ele falar o que percebeu do jogo, o que pensa. Já vi declarações dele dizendo que o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Mas o incrível é que quando ele disse isso o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Ele simplesmente relatou o que ocorreu, e assim como ele, todos que acompanharam o jogo também perceberam isso. Mas aí ele diz isso e pronto, dá-lhe imprensa em cima, comentários, brigas com o treinador, etc. É isso que não entendo, se a autenticidade é boa, porque quando aparece uma pessoa com coragem de dizê-la atiram-lhe pedras? Será que autenticidade vem com prazo de validade? Chegou a fase adulta ela deve sumir? Deve-se viver no jogo das aparências, das mentiras, das ações placebo que nada ajudam ninguém a crescer? Afinal, somente posso me desenvolver se descubro (ou sou alertado) sobre meus defeitos, minhas fraquezas. Caso contrário, na melhor das hipóteses ficarei no mesmo lugar.

Então aparecem as pessoas que usam o chavão "roupa suja se lava em casa". Concordo com isso, mas o problema é o que as pessoas consideram roupa suja. Nunca ouvi o Marcos falar que Fulano está sem vontade, ou que Sicrano é incompetente para aquela função, ou que o treinador é fraco. O que ele fala é do resultado, e não da personalidade de cada um. Ele fala que o time estava sonolento, o time estava sem vontade, a defesa esteve ruim. Ele não culpa um ou outro. 

E se a autenticidade é tão ruim assim, por que ele é ídolo não só da equipe que ele defende, como de torcedores dos outros times? Talvez seja porque as pessoas ainda valorizem a autenticidade, preferem saber o que terão das pessoas, ao invés de viver no mundo "maravilhoso" da imagem. O único problema é que muitas não tem a coragem de serem o que tanto valorizam, o que tanto faria o mundo melhor.

Afinal, é melhor eu saber logo no começo que tenho um defeito, e corrigi-lo rapidamente para evitar repetir durante o resto de minha vida, do que viver cercado de pessoas que no 'grande' desejo de não magoar, deixam-me com defeitos que certamente magoarão muito mais pessoas ao longo de minha vida.

Viva a autenticidade, mas com responsabilidade. Ser autêntico é dizer sim o que crê, o que pensa, mas há formas e formas de se dizer isso. Há as formas construtivas, que mesmo que a pessoa não goste de imediato, saberá entender e tirar proveito, e as formas depreciativas, que expõe a outra ao ridículo, constrangimento.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Liberdade de expressão

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Nestes dias um caso tem ganho grande repercussão na mídia. É sobre várias pessoas pertencentes à uma organização religiosa que entraram com processos contra uma jornalista e o jornal onde trabalha. Se vocês tem acompanhado os telejornais (acho que somente numa emissora isso virou notícia) sabem do que estou falando.

Vi algumas destas reportagens e fiquei preocupado com a situação. Os processos estavam baseados em algumas frases escritas, onde se usava o termo seita para designar. E muitos se sentiram ofendidos com isso. Alegaram que o termo era ofensivo. Vi no dicionário e não reparei nenhum sentido negativo na acepção da palavra. Transfiro os termos que achei.

sf.
1 Rel. Grupo de seguidores de uma crença (seita religiosa)
2 Fig. Rel. Conjunto de pessoas que professam a mesma doutrina religiosa
3 P.ext. Grupo de pessoas que seguem qualquer doutrina, princípio, sistema etc.
4 P.ext. Qualquer organização social cujos componentes defendam os mesmos princípios; PARTIDO; FACÇÃO
5 Doutrina de um mestre seguida por diversos discípulos
6 Soc. Grupo de indivíduos que se organiza voluntariamente e se fixa em lugar afastado do convívio social

[F.: Do lat. secta -ae.]

Ouvi depoimento de uma pessoa falando que no senso comum seita possuía um sentido negativo.

No artigo da jornalista ela disse que há a hipótese que tal coisa, e como essa tal coisa não é coisa boa, também se sentiram ofendidos. Creio que o significado de hipótese também deve ter sido esquecido.

Bom, fiz esta introdução toda para dizer que fico preocupado com a liberdade de expressão, que vejo sendo atacada por esta situação. Agora não se pode dizer nada que ofenda ninguém - creio que a ofensa está em quem aceita, e não em quem a profere, independente de intencionalidade ou não e isso é motivo para entrar na justiça lutar por uma grana alegando perdas morais. Acho isso uma imoralidade muito maior do que qualquer motivo que possa ter levado alguém a entrar na justiça.

Não sou favorável à ofensas gratuitas, ou com o objetivo de destruir a imagem de alguém, ainda mais quando o objetivo disso é tirar proveito do problema gerado ao outro. Mas emitir opiniões, obviamente sensatas e baseadas em análises considero um direito de qualquer cidadão. Hoje já estamos sendo cerceados no que diz respeito a nossa liberdade de estar nos lugares, pois o excesso de violência criou um sistema de toque de recolher. E agora além de ficarmos cada vez mais em nossas casas passaremos cada vez mais a pensar e dizer cada vez menos, afinal, qualquer um que se sentir ofendido com algo que dissermos poderá entrar na justiça e acabar conosco. Então por que nos arriscarmos?

Fico imaginando nosso breve futuro. Vejo alguém pulando de cabeça no chão e se machucando todo, digo que o que ele fez foi uma besteira e ele me processa por tê-lo chamado de besta, independente do que ele ter feito ter sido uma besteira. (Aqui vale um comentário que dizer que a atitude foi uma besteira não é o mesmo que o chamá-lo de besta, o comentário é puramente restrito ao ato, e não à pessoa)

Tenho visto também recentemente vários humoristas tomando processos por causa de imitações que fazem. Humor é para ser escrachado, exagerado mesmo. Não consigo conceber um humor politicamente correto.

Será que daqui a pouco os caricaturistas também passarão a ser alvo? Afinal, eles também emitem as opiniões deles, porém com imagens, e certamente nada contidas.

Que sociedade é esta que estamos criando? Onde pararemos?

Defendo sim a liberdade de expressão, porém condeno as ofensas com dolo.

Aos que
tiverem interesse em ler algo do que foi publicado, seguem alguns links:
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Juízes dão mais duas decisões a favor da Folha
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Juiz vê "assédio judicial" em ações de fiéis da Universal