Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Enervida

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- Menino, pára quieto!
- Menino, vê se sossega!
- Esse menino tem um pique louco!
- Quanta energia!

Estas são algumas frases utilizadas pelos pais sobre seus pimpolhos. Crianças que ficam o tempo todo pulando, correndo, gastando uma energia que aos nossos olhos parecem não ter fim. Quantas vezes pensamos "ai, quem me dera ter a energia dele".

Penso a respeito deste assunto, desta energia que as crianças tem e que invejamos. E creio que esta idéia que eles possuem mais não é bem verdade. Divagarei um pouco mais a respeito antes de prosseguir na análise.

Vejo também os velhos (uso o termo velho pois para mim o que importa não é o termo a que nos referimos, mas sim como os tratamos). Há velhos com uma energia incrível, de dar inveja em nós, e outros que não possuem energia nem para sair da cama. Como isso é possível?

Eu creio que assim como todo dia cada ser humano ganha sempre 24h, ele também ganha uma quantidade de energia. Essa quantidade de energia é igual para todo ser humano, independente de faixa etária. Chamarei esta energia que cada ser humano recebe de presente de "Enervida".

Vamos usar, para efeitos de compreensão, uma quantidade de 10.000 enervidas para cada ser humano diariamente.

Tudo o que fazemos utiliza energia, tudo o que pensamos também. E cada ação nossa, cada pensamento nosso consome um pouco desta energia. Cada pensamento nosso, bom ou ruim, consome energia. E esta energia consumida não é possível ser resgatada. Utilizou, é necessário esperar o próximo dia.

Se isso é verdade, então por que as crianças demonstram tanta energia enquanto que os adultos não? Simples, pelo fato das crianças não gastarem energia se preocupando com as coisas, se preocupando com o que os outros vão achar, se estão ridículo ou não. Simplesmente optam por viver, então usam 100% da energia neste intuito.

E nós, os adultos, aprendemos que devemos gastar nossa energia com inúmeras preocupações, com o salário, com as contas, com o marido / esposa, com os filhos, com os pais, com o emprego, com o futuro, com como os outros nos veem, em como se portar perante os outros, em como causar boas impressões. "Aprendemos" que existimos enquanto estamos preocupados, e por isso passamos sempre nos preocupando. E a cada preocupação é uma quantia destas 10.000 enervidas que se vão, em vão. Quanto mais preocupações temos, mais consumimos enervidas, e consequentemente menos sobra para viver, para nos divertir, para fazer o bem.

Isso pode ser entendido também sobre os velhos. Já repararam que os velhos cheios de pique, que fazem inúmeras coisas não são de reclamar? Sabem de suas limitações mentais e físicas, no entanto não gastam suas enervidas reclamando mas sim as aproveitando para fazer coisas que lhes dêem prazer, que proporcionem vida. Eis a diferença dos velhos que nunca tem energia. Normalmente estes reclamam da idade, do que perderam, do que não podem mais, ao invés de aproveitarem o que podem fazer. E nestas reclamações a única coisa que ocorre é que gastam todas as suas enervidas em algo destrutivo.

Isto é apenas uma teoria minha, no entanto para mim ela explica muito bem as "diferenças" entre as pessoas. As "diferenças" não existe na quantidade de energia disponibilizada, no entanto em como a utilizamos. É similar ao tempo (24h). Cada minuto perdido em uma ação não construtiva não pode ser recuperado. Pessoas que nunca tem tempo na verdade são pessoas que mais disperdiçam o tempo em coisas que não fazem bem, e pessoas que sempre tem um tempo para ajudar são aquelas que melhor administram o tempo, e evitam disperdiçá-lo.

Que passemos então a cuidas também das nossas enervidas, pensando nas melhores atitudes e comportamentos possíveis para utilizarmos esta energia, pois se mal utilizada ela estará perdida, para sempre.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Condicionamentos

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Fazemos muitas coisas na vida, e muitas delas são feita em "piloto automático". Esta automatização tem um motivo muito bom, o de nos poupar energia, afinal, como seria a nossa vida se a cada passo que formos dar tivéssemos que pensar em como fazer isso? E para digirir, se toda hora tivéssemos que pensar na marcha a colocar, em freiar, em olhar os outros carros?
O "piloto automático" nos poupa muita energia, nos permite gastar as nossas energias no que realmente é diferente e requer maior atenção.

O problema é quando este condicionamento nos impede de ver o que está ocorrendo, quando fazemos as coisas sempre do mesmo modo que nem nos damos ao trabalho de ver se está diferente do que estamos acostumados. E nestas horas podemos fazer coisas erradas.

Hoje ocorreu um fato que me fez comprovar que é altamente necessário sempre analisarmos se não estamos condicionados de tal modo que não conseguimos mais ver algo diferente.
Entrei em contato com uma empresa reportando um problema em um produto. Após algum tempo ficou acordado que receberíamos outro produto no lugar. Aguardei o prazo e não chegou, entrei em contato e viram que houve um problema e que a entrega seria feita em alguns dias. No novo tempo o produto chegou.
Entrei então em contato com eles informando que havia recebido o produto, e estava agradecendo. Eis que recebi de resposta um redirecionamento da pessoa pedindo para outra ver o que havia ocorrido, por eu não ter recebido o produto.

O que acho que houve é um efeito do condicionamento. Devem estar tão condicionados a somente receberem críticas e reclamações que quando recebem algum retorno positivo nem distinguem, e seguem seu trabalho.

Será que não estamos exagerando muito nos nossos condicionamentos? Será que não estamos perdendo muito de nossa vida com estes atos automáticos?

Acho interessante que frequentemente paremos para analisar nossos hábitos, suas consequências, repensar possibilidades, maneiras, posturas. Talvez este simples hábito de refletir possa fazer com que minimizemos estes condicionamentos, vejamos as coisas de outro modo, apreciemos o que está o tempo todo disponível para nós, mas não conseguimos ver.

domingo, 4 de julho de 2010

Brasil 1 x 2 Instabilidade Emocional

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Pois é, mais uma copa passou e ficamos nas quartas-de-final. Não que isso seja um problema (afinal, 31 seleções necessariamente precisam perder a copa), assim como também não vejo o Dunga ou Felipe Melo como os culpados pela derrota (afinal, se o Brasil ganhasse também não os veria como os responsáveis pela vitória).

Fiquei chateado, sem dúvida, porém fiquei pensando para que time o Brasil perder. Visualmente foi para um time de cor laranja, que tem tradição em copas (embora nunca tenham vencido uma) e bons jogadores, porém creio que não perdemos para eles. Perdemos para nós mesmos, nossa instabilidade emocional.

O futebol depende muito da habilidade nata de uma pessoa (não adianta eu ficar treinando dias a fio que não chegarei perto do Ronaldinho Gaúcho, por exemplo), de muito esforço, dedicação, treino, repetição. Isto dará a um profissional do futebol uma grande habilidade, grande capacidade de resolver os problemas que surgem durante uma partida. Porém tudo isto não basta, há outro componente muito importante e que neste jogo foi o que - em minha modesta opinião - causou a derrota do Brasil. O fator psicológico.

O Brasil, após tomar o primeiro gol, se desestabilizou totalmente. Disse totalmente pois o Brasil já estava desestabilizado, confundindo discordâncias com o juiz em gritos e gesticulações exacerbadas, xingamentos, entradas mais duras nos demais jogadores, sem nenhuma necessidade. Porém com o gol o Brasil perdeu todo o seu emocional. E aí não tem pessoa que consiga fazer alguma coisa.

Esta perda da estabilidade emocional ocorreu com nossa seleção masculina de futebol, e para nós, externos a situação, fica muito fácil ver isso. Mas e quanto a nós? E quando perdemos a estabilidade emocional, conseguimos ver que estamos sem ela? Conseguimos nos dar conta que estamos tomando várias atitudes erradas, ou no mínimo atitudes que gerarão consequências desnecessárias? Conseguimos parar para respirar para voltar a estabilidade?

Creio que seja muito difícil. Disse difícil não por ser algo quase impossível de ser alcançado, mas porque nossa cultura latina é de sangue quente, "aprendemos" deste modo, vemos todos agindo assim o tempo todo. Rapidinho vemos o sangue subindo e a pessoa explodindo. Então de certo modo aprendemos via osmose, basicamente "nascemos" deste modo.

É em função disso que disse ser difícil, a dificuldade está em aceitar que tudo o que aprendemos talvez não seja o melhor para uma vida mais saudável, equilibrada, estável. Talvez seja difícil jogar anos e anos de aprendizado no lixo, ou aceitar que por tanto anos aceitamos aprender algo (e aprendemos muito bem) e que estávamos errados. Admitir isso talvez seja a maior dificuldade. Como podemos ter, por tanto tempo, optado por algo que não ajuda? Como podemos ter sido tão "tolos"?

Posso dizer que não fomos tolos, pois o contexto onde estamos sem dúvida nos influencia, e quando somos pequenos não adquirimos ainda o discernimento o suficiente para saber se tal atitude é boa ou não, se possui consequências, quais consequência. Então vamos imitando. Tomem por base as crianças, que imitam tudo o que veem. O que é preciso quebrar é esta idéia que uma vez aprendido não podemos desaprender, ou reaprender. O ser humano é fantástico, e consegue o que ele quer e se predispor a fazer. Ao se predispor a tentar não perder a estabilidade emocional, certamente ele conseguirá. Não será rapidamente, assim como não foi rapidamente aprender o jeito "latino". Isso demandará treino, dedicação, empenho, do mesmo modo que os jogadores fazer as jogadas.

E ter estabilidade emocional não significa ser insensível, ser uma pessoa fria que não se importa com os demais. Para mim, ter estabilidade emocional significa reconhecer estes sentimentos, saber administra-los de modo que não lhe prejudique nem aos demais. Ter raiva é um sentimento normal do ser humano, no entanto é possível administrar este sentimento, saber que ele não ajudará a resolver o problema. E ao invés de usar a energia desta raiva contra outra pessoa, podemos utilizar a energia desta raiva como um impulso para superar a dificuldade, a adversidade.

Pensem se não é melhor agirem sempre emocionalmente estáveis. Quantos crimes passionais são cometidos? Quantas compras são feitas pela felicidade de um novo emprego? Quantas palavras são proferidas quando alguém nos ofende?

Quase todas as decisões tomadas sobre o efeito da emoção darão errado. Faremos mais ou menos do que deveríamos fazer. Diremos mais ou menos do que precisaríamos dizer.