Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

sábado, 29 de novembro de 2008

Miséria

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Esta semana aconteceu um grande desastre natural no estado de Santa Catarina. Chuvas muito acima do normal, e concentradas em poucos dias devastaram muitas cidades, mataram muitas pessoas e dificultaram a vida de muitas pessoas por um longo tempo, até tudo se recuperar.

Vejo algumas imagens do local e realmente é desolador. Muita lama, destruição, pessoas sem nada, precisando dos outros para sobreviverem, literalmente. As pessoas ficaram, do dia para a noite, em estado de miséria. Certamente não consigo ter certeza do sentimento que é perder tudo, ficar na miséria, mas imagino que deva ser algo muito grande. Tento me imaginar nesta situação. Deve ser extremamente doloroso saber que um dia tenho tudo, casa, carro, móveis, um lar, um emprego, comida, e no outro não tenho mais nada disso, e menos ainda possibilidades de recuperar isso, afinal, muitas empresas foram fechadas e destruídas também.

Bom, não preciso repetir isso pois é só ir na TV ou internet que verão isso. Aproveito para desejar que a situação deles melhore a cada dia, que a solidariedade deste povo não seja desviada e chegue a quem realmente necessita, e que aprendamos com esta lição.

O título deste artigo é miséria, mas não é a miséria que citei acima, a financeira, provocada pela inundação. Esta é até fácil de sanar. Com as ajudas que estão indo as pessoas retomarão suas vidas, reconstruirão seus lares. A miséria a qual quero falar é a humana, de valores. Fico furioso e com vontade de socar estarrecido com as pessoas que aproveitam tal desgraça para promover saques. O que é isso? Ou melhor, o que são eles? Humanos certamente não são, indiscutivelmente. Aproveitam-se da desgraça para benefício próprio, para promoverem crimes, roubos. Não sei nem como qualificar aqueles seres bípedes. Acho que até poderíamos ter os humanos e os desumanos, que seria outro gênero (ou espécie, classe... não decorei isso em biologia). Assim não precisaríamos tratá-los da mesma forma que os humanos, afinal, não seriam.

Parecem urubus, que se aproveitam da desgraça alheia. E olha que os urubus fazem isso para se alimentarem, somente. Não para obter bens e vantagens.

Que sociedade é essa que cria aqueles seres? Ou será que eles brotam com as fortes chuvas? Geração espotânea? Claro que não, eles existem, estão em todos os lugares – infelizmente – mas somente estão a espera de grandes desgraças, de situação de caos e de impossibilidade mínima de gerenciamento e organização social para agirem e exporem sua verdadeira identidade, seus “valores”.

Posso até imaginar pessoas falando que estes ‘seres’ foram pessoas que não tiveram chance na vida, que sempre ficaram a margem da sociedade consumista, que eram ignorados. Sei disso, e é aí que entra outra miséria. A miséria das pessoas que podem ajudar aos que menos condições possuem a se tornarem pessoas melhores, mesmo com poucos bens. Tem muita gente que para ter muitos bens passam por cima e humilham outros, e depois reclamam quando estes se revoltam e fazem atrocidades, como se eles não possuíssem nenhuma influência (responsabilidade não) sobre os atos.

Enfim, são inúmeras as misérias. A financeira não me preocupa, pois essa é fácil. O que é difícil é a miséria dos humanos, dos valores. Gente com pouco e que se aproveita da desgraça para fazer as coisas erradas e gente com muito, com condições, e que mesmo assim fazem questão de pisar sobre os outros.



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Não nos contaram...

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Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem. 

Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito. 

Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente. 

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. 

Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada. 

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. 

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. 

Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. 

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada 'dois em um', duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. 

Não nos contaram que isso tem nome: anulação.

Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. 

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. 

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. 

Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. 

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. 

Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar alternativas. 

Ah, nem contaram que ninguém vai contar. 

Cada um vai ter que descobrir sozinho. 

E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém. 

Martha Medeiros

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

8 ou 80? Por que não 44?

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Essa expressão certamente já foi ouvida por você, e provavelmente dita por você. Essa expressão expressa o extremismo, as decisões tomadas nas posições mais extremas de uma situação.

E como dizem “ou 8 ou 80”, as pessoas levam a sério isso, ou seja, se só lhes é dada uma dentre estas duas opções, o que eles ‘podem’ fazer é escolher uma das duas. Não existem outras possibilidades. E isso faz com que em situações do cotidiano decisões e ações sejam feitas com base nestes extremos, que certamente não correspondem a melhor solução.

E com o passar dos anos a gente toma ciência da vida, dos movimentos de ida e vinda de modas, tendências, comportamentos. Parece uma montanha russa, sempre com altos e baixos. No entanto a montanha russa tem por objetivo gerar adrenalina, mas e a vida?
Hoje vivemos numa sociedade sem valores, com crianças fazendo o que querem com os pais. Têm crianças que xingam, chutam, batem, roubam os próprios pais, e alguns, quando adolescente, matam. Não existe mais respeito, são super seres acima do bem e do mal. Nas escolas é só gritaria, xingamento, agressões aos ‘colegas’, professores, destruição do patrimônio, enfim, uma infinidade de atrocidades. E a pior de todas é quando o pai é chamado. Ele fica bravo com a escola por ter chamado a atenção do filho.

Mas nem sempre foi assim. Meu pai dizia que na época de escola dele era bem diferente. Não se imaginava crianças desrespeitando professores. Se os pais eram chamados quem levava dura era o filho, e não o professor ou escola. Ele até me falou que no pátio havia uma linha no chão, e os meninos e meninas tinham que ficar separados, cada qual de um lado da linha.

E isso na geração anterior a minha, bem perto.

E essa mudança vejo como esse ‘8 ou 80’. Houve uma época em que quase tudo era proibido, não se podia fazer nada. Aí então o que a sociedade faz? Muda tudo, libera tudo, pode tudo, o tempo todo. Foi de um extremo a outro. Não tenho conhecimento de vida para dizer que um extremo era melhor do que o outro, e nem tem sentido comparar extremos. Se formos avaliar a questão dos valores, respeito, certamente no passado era melhor, mas se formos levar em consideração a capacidade de criticar, se expressar, inovar, hoje é melhor. Mas não daria para termos uma solução 44? Nem tanto bloqueio nem tanta liberdade? Será que deste modo não conseguiríamos ensinar responsabilidade, valores, e ainda assim incentivar a expressão, criatividade, inovação? Eu sou da turma dos que crê que sim.

Mas analisando esta questão e outras, receio que daqui a pouco, quando a nossa situação atual ficar mais insustentável ainda, mudará tudo de novo. Passarão a punir esta falta de respeito e voltaremos a situação anterior, até que esta se torne insustentável e mude tudo de novo.... Eita sociedade montanha russa, que gosta de fortes emoções......

Este foi somente um item, mas fazemos isso com tudo.

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ps. Agora um tom mais pessoal. Sei que algumas pessoas que me conhecem podem achar paradoxal este meu texto, afinal, estou defendendo o 44, e aos olhos de muitos sou 8 ou 80. Sei que passo essa mensagem às pessoas, mas faço isso com minhas palavras, opiniões, tentando não fazer com ações. Quando surge algum assunto, e eu preciso me posicionar, normalmente tendo ao 8 ou 80, pois expresso-me de modo categórico. E certamente isso faz com que as pessoas achem que eu aja assim, o que não é verdade. Eu normalmente procuro agir no 44, exceto casos onde não é possível, mas ao falar opto por falar do modo 8 ou 80 para que eu não passe aos outros uma postura em cima do muro, não seja uma pessoa que deixa os outros na dúvida sobre qual é a minha crença. Quando me expresso do meu jeito a idéia é mostrar que num caso de necessidade extremada a minha tendência é 8 ou 80. E faço isso pois considero horrível uma pessoa que ao defender uma idéia defende a 44, e em função disso deixa os outros na dúvida sobre qual é a sua postura.

sábado, 22 de novembro de 2008

É justo?

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Acabei de ver uma reportagem na TV sobre uma lei aprovada na cidade de Vila Velha/ES. A lei garante as pessoas que fizeram cirurgia de redução do estômago paguem meia nos restaurantes a La carte. O argumento de quem propôs a lei foi que não é justo quem comerá menos pagar o valor total. A princípio até parece coerente, mas vejo inúmeros problemas com este tipo de lei.

Quase que nem preciso dizer que o que começará a ter de documentos falsificados alegando que a pessoa fez cirurgia para pagar metade do valor será grande, infelizmente. Outra coisa, o dono do restaurante obrigou a pessoa a ir lá e comprar o produto deles (que no caso é a refeição)? Ou a pessoa foi lá de livre e espontânea vontade? E se foi por vontade, ela estava ciente do produto que estava sendo oferecido lá, e caso discorde disso poderá ir em restaurantes por quilo, onde ela realmente pagará somente o que consumir. E as pessoas que naturalmente comem pouco, por que precisam pagar o valor inteiro? Se o motivo é comer menos, então isso deve ser para todo mundo, não é? Ou é somente para os que pagaram a cirurgia?

Agora vou inverter. Vou concordar com isso, afinal, se a pessoa come pouco, deve pagar menos. Perfeito. Como o justo é pagar pelo que come, então os gordos que forem a restaurantes deverão pagar o dobro, certo? Afinal, comem bem mais do que as pessoas normais. Ah não, isso é preconceito contra os gordos, é crime e dá cadeia. Pois é, se isso não pode, por que o inverso pode?

O argumento de um dono de restaurante foi muito válido. Ele alertou sobre o perigo de se ter essa lei. Amanhã surgirá outro ‘gênio’ e alegará que os portadores de diabetes terão direito a 20% de desconto pois não poderão comer a sobremesa, que os portadores de outra doença poderão ter desconto por não poderem comer gordura, e por aí vai. Imaginem quantas possibilidades teremos?

As pessoas são responsáveis por suas vidas e suas escolhas, e se ela quiser adquirir um produto terá que adquirir tal qual como ele está sendo ofertado, caso contrário ficará uma zona este mundo. Imagino desdobramentos deste pensamento. Uma pessoa que perdeu uma perna, ao comprar um sapato deverá pagar somente a metade, afinal, para que pagar pelos dois? E um surdo que vai ao cinema ver um filme legendado, também deveria pagar menos, afinal, não está aproveitando o som. E uma pessoa sem filhos, ao comprar o carro, deveria ter 50% de desconto, afinal, não precisa dos 4 assentos. E uma pessoa que mora só, poderá ir no mercado e pedir somente metade dos ovos, afinal, não usará todos.

É uma total viagem essa lei, sem o menor nexo. E tem até outro fator econômico. Se o restaurante vende o prato a um determinado preço, este preço foi feito levando-se em consideração o custo para produção. No entanto o custo para produzir metade da comida (caso a pessoa com redução de estômago coma somente 50%) não é metade, pois há muitos custos fixos que não mudam, como o gás / energia para produzir, tempo do funcionário, etc, que isso não é diminuído pela metade.

O problema não está na pessoa comer menos a partir de agora, mas ela se adequar a nova realidade, e aos produtos que estão de acordo com esta realidade. Nem todos os produtos são destinados a todas as pessoas, cada pessoa deve saber das suas características e decidir pelos produtos que estão de acordo. Eu mesmo não costumo ir a restaurantes a La carte justamente porque como pouco, e para mim não faz sentido eu adquirir este produto, e opto por restaurantes self service por estar mais de acordo com o meu perfil. Tirar esta responsabilidade das pessoas é uma tremenda irresponsabilidade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O que nos torna únicos?

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Hoje no serviço surgiu uma discussão (Exame verbal de um assunto por meio de análise dos fatores positivos e negativos) sobre uma questão de um sistema, e estes fatores me levaram a pensar na questão que dá nome a este artigo. O que nos torna únicos?

É sabido que todos são diferentes, mesmo com a sociedade fazendo de tudo para sermos iguais, pensarmos iguais, agirmos iguais. Não há no mundo duas pessoas iguais, nem mesmo gêmeos ou pessoas criadas exatamente da mesma forma.

Retomo a pergunta: O que nos torna únicos?

O nome não é, pois alguns nomes existem em duplicidade, e mesmo que todos fossem únicos, caso o nome mudasse, deixaríamos de sermos nós? É comum as mulheres mudarem de nome ao casar, ou retirar alguns nomes. Se fosse o nome, assim que uma pessoa mudasse de nome deixaríamos de reconhecê-la, e isso não é verdade.

Então é o aspecto visual dela. Ah é? E se a pessoa cortar ou deixar o cabelo crescer, emagrecer, engordar, colocar lente de contato, se bronzear, perder um membro, deixaremos de reconhecê-la? Sem contar que mudamos muito ao longo de nossa vida, de bebês a velhinhos, e em toda essa existência sempre somos reconhecidos.

Podemos usar os recursos criados para o gerenciamento humano. É sabido que não existem 2 pessoas com o mesmo RG neste país (exceto falcatruas). Pronto, resolvido o problema? E as pessoas que não possuem RG, não podem ser únicos então? E as pessoas que mudam de RG, como os sob proteção judicial ou então quando as mulheres se casam, que pelo fato de adquirirem o sobrenome do marido precisam refazer os documentos e mudar a numeração (fiquei pasmo ao tomar ciência disso hoje)? Deixamos de reconhecê-las?

Tem a arcada dentária, a impressão digital, que certamente são únicos. Sei disso, e a polícia também, tanto que é um método utilizado para identificar as pessoas. Mas e se a pessoa perder um dente, ou tiver um corte no dedo, deixará de ser única?

Tem o DNA também, que este sim é único e imutável. Sei disso, mas com a clonagem, podemos ter mais de uma pessoa exatamente com o mesmo DNA, mas mesmo assim não serão a mesma pessoa.

Certamente existem inúmeras características que poderia questionar aqui neste artigo, mas minha idéia é pensar sobre esta unicidade, esta individualidade, não no sentido egoísta, mas sim no das características que definem uma pessoa. Os seres humanos possuem uma infinidade de características, as quais todas podem mudar, e mesmo assim continuaremos a reconhecer a pessoa.

Posso mudar meu cabelo, mudar meu tom de voz, minha fala, o idioma que falo, meu nome, meus documentos, os dentes e mesmo assim quem me conhece me reconhecerá. E se o mesmo ocorrer com vocês, certamente reconhecerão vocês também.
Não sei se consigo expressar para vocês a grandeza do que nos torna únicos. Deve ser algo tão imenso, valioso que supera as infinitas outras características. Não sei se isso seria alma, que numa definição do dicionário é “Conjunto das faculdades psíquicas, intelectuais e morais que caracterizam e personificam um ser humano”, pois nesta definição alma seria um conjunto, e caso eu mude um elemento do conjunto, conseqüentemente mudaria a alma.

Falo de uma coisa imutável, única, exclusiva, e tão bela que dentre bilhões de pessoas neste mundo podem ainda assim nos tornar diferentes. Pode ser difícil de passar a idéia, ou de ter uma palavra para expressar isso, mas é tão fácil reconhecermos isso, afinal, quantas pessoas que conhecemos que mudam diariamente e mesmo assim a reconhecemos?

E então, o que nos torna únicos?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Autenticidade

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 (au.ten.ti.ci.da.de) 

sf.
  1  Qualidade ou caráter do que é autêntico, do que não é falso, forjado, nem sofreu adulteração (autenticidade da gravação/mensagem/foto); FIDEDIGNIDADE; VERACIDADE 

Pois bem, por esta breve definição vê-se que isso é algo muito bom, afinal, convivermos com pessoas autênticas é muito bom, é sempre bom saber o que ela pensa, o que acha das coisas, da gente. Viver na insegurança é que não dá.

É isso mesmo?

Será que gostamos de conviver com pessoas autênticas? Parece o sonho, mas infelizmente vejo as pessoas criticando os autênticos, como se fossem pecadores de séculos atrás, ou bruxas da época da inquisição.

Creio que todos nasçam autênticos, e creio nisso pela análise que faço das crianças. Quantas vezes as criancas "nos deixam" em saias justas por falarem o que pensam, ou somente repetiram o que falamos, mas somos covardes de fazê-lo na frente da pessoa? Aí, quando a criança fala algo, os adultos riem, se divertem, dizem que isso é coisa e criança e deixa pra lá, como se o que ela falasse não devesse ser levado em consideração, afinal, é só uma criança. Essa autenticidade da criança é até bonitinha. Um exemplo disso é a Maysa, que é extremamente autêntica, e é uma lindinha de garota segundo várias pessoasl.

Tem um outro exemplo de pessoa autêntica, mas esse é muito questionado. É o goleiro Marcos, do Palmeiras. É muito comum após partidas ele falar o que percebeu do jogo, o que pensa. Já vi declarações dele dizendo que o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Mas o incrível é que quando ele disse isso o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Ele simplesmente relatou o que ocorreu, e assim como ele, todos que acompanharam o jogo também perceberam isso. Mas aí ele diz isso e pronto, dá-lhe imprensa em cima, comentários, brigas com o treinador, etc. É isso que não entendo, se a autenticidade é boa, porque quando aparece uma pessoa com coragem de dizê-la atiram-lhe pedras? Será que autenticidade vem com prazo de validade? Chegou a fase adulta ela deve sumir? Deve-se viver no jogo das aparências, das mentiras, das ações placebo que nada ajudam ninguém a crescer? Afinal, somente posso me desenvolver se descubro (ou sou alertado) sobre meus defeitos, minhas fraquezas. Caso contrário, na melhor das hipóteses ficarei no mesmo lugar.

Então aparecem as pessoas que usam o chavão "roupa suja se lava em casa". Concordo com isso, mas o problema é o que as pessoas consideram roupa suja. Nunca ouvi o Marcos falar que Fulano está sem vontade, ou que Sicrano é incompetente para aquela função, ou que o treinador é fraco. O que ele fala é do resultado, e não da personalidade de cada um. Ele fala que o time estava sonolento, o time estava sem vontade, a defesa esteve ruim. Ele não culpa um ou outro. 

E se a autenticidade é tão ruim assim, por que ele é ídolo não só da equipe que ele defende, como de torcedores dos outros times? Talvez seja porque as pessoas ainda valorizem a autenticidade, preferem saber o que terão das pessoas, ao invés de viver no mundo "maravilhoso" da imagem. O único problema é que muitas não tem a coragem de serem o que tanto valorizam, o que tanto faria o mundo melhor.

Afinal, é melhor eu saber logo no começo que tenho um defeito, e corrigi-lo rapidamente para evitar repetir durante o resto de minha vida, do que viver cercado de pessoas que no 'grande' desejo de não magoar, deixam-me com defeitos que certamente magoarão muito mais pessoas ao longo de minha vida.

Viva a autenticidade, mas com responsabilidade. Ser autêntico é dizer sim o que crê, o que pensa, mas há formas e formas de se dizer isso. Há as formas construtivas, que mesmo que a pessoa não goste de imediato, saberá entender e tirar proveito, e as formas depreciativas, que expõe a outra ao ridículo, constrangimento.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Transformação

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Virou moda neste país quadros nos programas de TV que fazem transformação nas pessoas, na grande maioria mulheres. Cada um tem um motivo, no entanto o intuito de todos é fazer o velho e conhecido “antes e depois”. Pegam mulheres nas ruas e perguntam se elas estão insatisfeitas com seu visual, e se elas querem uma transformação (acho difícil achar uma que não queira), então a mulher é submetida a uma séria de operações para embonecamento. Vai ao dentista, clareia dentes, corta e colore o cabelo, muda o penteado, faz lifting, peeling, massagens, depilação, e mais um monte de infinidades. Claro que também vão a lojas e compram belas roupas para combinar com todo o novo resto.

E então ela é exibida no programa, completamente repaginada, pronta para uma sessão de fotos de qualquer produto de beleza. A família fica em prantos, o marido fica bobo, os filhos não reconhecem a mãe, os vizinhos ficam maravilhados. Então exibe a foto dela antes e depois, e ela se emociona......

Até aqui um mar de rosas, mas será que é bom isso? Todas as pessoas certamente adorariam estar sempre bem, bem vestidas, arrumadas, cuidadas. Se não fazem isso, é tão somente por falta de condições, de tempo e principalmente financeira. E isso faz com que muitas pessoas se sintam mal, menos importantes ou bonitas que as outras, mexendo inclusive com a auto-estima.

E o que o programa faz? Pega uma pessoa com baixa auto-estima e muda completamente sua aparência. E depois? Depois que o programa acaba, e a pessoa volta para a sua realidade, desprovida de chances de manter o corte e cor do cabelo, do tratamento facial, dentário, das roupas caras. Como fica a auto-estima dessa pessoa, que não tinha condições, passou a ser algo que sozinha não tem condições de ser, e depois volta ao velho mundo? Como ficará sua auto-estima?

sábado, 8 de novembro de 2008

Pra inglês ver

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Essa é mais umas das expressões que possuímos Vejam a origem da expressão:

“Não deve ter existido apenas uma origem para o surgimento dessa expressão, diz John Schimitz, professor de Lingüística Aplicada da Unicamp. Mas, segundo a maioria dos especialistas, a fonte mais provável data de 1831, quando o Governo Regencial do Brasil, atendendo as pressões da Inglaterra, promulgou, naquele ano, uma lei proibindo o tráfico negreiro declarando assim livres os escravos que chegassem aqui e punindo severamente os importadores. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida, teria começado a circular na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, o comentário de que o ministro Feijó fizera uma lei só para inglês ver.”
Fonte: Super

Apesar de o termo ter sido criado há muito tempo, ele ainda é muito atual. Parece-me que neste país isso é uma lei. O que se tem de coisas que ‘funcionam’ desse jeito é uma enormidade.

Vou pegar o carro para citar alguns exemplos. Em todos os carros existem extintores, que recentemente tiveram que ser modificados para um tipo mais poderoso (o caro é mero detalhe). Agora, qual o motivo do extintor? Por acaso alguém que está em um carro, e o mesmo começa a pegar fogo, vai lembrar de pegar o extintor – que seguramente ninguém nunca se preocupou em ensinar a utiliza-lo – embaixo do banco do motorista, analisar em que tipo de material está pegando fogo, abrir o extintor, mantê-lo na posição vertical, apontar para o fogo e apertar? Ou o pessoal vai sair correndo mesmo, tirando o mínimo necessário? Bom, eu certamente sairei o máximo possível longe do carro.

Ah, mas tem gente que sabe manusear um extintor e analisar o risco do fogo. Ah é? Quantos? 50%, 80%, ou meia dúzia? Parece-me que é esforço demais para pouco uso.

E lembram também quando foi obrigatório ter um kit de primeiros socorros nos carros? Todo mundo teve que comprar para não serem multados. Tinha tesoura sem ponta, gaze, esparadrapo e mais um montão de coisas. Pergunto: quem chegou a utilizar? E mais, quem sabia utilizar? Acho que assim como eu, a maioria dos motoristas não tem a menor capacidade de utilizar o kit, sob risco de prejudicar ainda mais a saúde de um acidentado. Ao menos é isso que escuto quando profissionais de atendimentos médicos são entrevistados. E se era tão bom assim, por que terminou? Se isso ajudava, por que terminou?

Agora tem uma nova lei exigindo mais tempo de aula para uma pessoa passar a dirigir. Por quê? Será que 4 horas a mais (e alguns reais a mais para alguns) realmente farão a diferença? Agora tem aula sobre responsabilidade e bebida. Ensinam nessas aulas que não se pode beber e dirigir. Agora estou em paz. Certamente com alguns reais a mais pago pelo futuro motorista ele se conscientizará e jamais beberá e sairá dirigindo, assim como ele também passará a dirigir dentro dos limites e defensivamente. É preciso um pouco de ironia para tentar mostrar o quão inócuo é esta lei. Não serve para nada, não muda nada (exceto o repositório do dinheiro). Quem bebe vai continuar bebendo, quem corre vai continuar correndo, quem pensa só em si continuará a pensar só em si. Não e um curso de 4h que mudará.

Mas aí ao menos ‘os beleza’ vão dizer que fizeram a parte dele, afinal, fizeram algo para diminuir os acidentes. Que pena que as idéias deles são idéias placebo.

(Aqui vale um parênteses. Os que não bebem, por que têm que fazer aula sobre o risco de bebida e direção?)

Aos que já viajaram de avião sabem que antes de todo vôo tem aquele blábláblá de segurança, dizendo que em caso de acidente máscaras cairão, primeiro tem que fazer isso, depois aquilo, etc. A primeira vez a gente até escuta, depois a gente quer mais é que o avião decole. Ninguém presta atenção no que as moças falam. E se ocorrer um acidente, quantas pessoas saberão utilizar e seguir os procedimentos? Se eu estivesse em um avião com problemas, a última coisa que lembraria na vida é de todas as instruções das moças. Mas Carlos, isso é importante, pois pode salvar vidas. Eu sei, mas e se ao invés de falaram, antes da pessoa embarcar pela primeira vez num vôo, tivesse um curso, no solo, sobre como proceder, com exercícios e tudo mais? Assim teríamos pessoas aptas (ao menos bem mais do que do método tradicional) e no vôo não seríamos obrigados a escutar aquele blábláblá. (idéia lida no livro “Você está louco”, de Ricardo Semler).

Pois é, temos inúmeras outras situações iguais a essas, com ações placebo. Não consigo entender o porque delas continuarem a existir. Se não servem para nada de útil, proveitoso, que favoreça o crescimento das pessoas, por que tê-las?

Mas enquanto alunos fazerem que prestam atenção, professores fazerem de conta que ensinam, o governo fazer de conta que paga bem, e a sociedade fazer de conta que é civilizada continuaremos gerando muitas visões ao ingleses.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Nivelar por baixo

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Recebi de minha mãe um texto muito bom. É de Luciano Pires (http://www.lucianopires.com.br/). O texto que recebi é BÊ COM A BEABÁ , e uma frase que fez com que minha identificação com o texto dele fosse total é “Nunca me conformei com esse nivelamento por baixo”. Eu digo exatamente a mesma coisa, não consigo concordar com o nivelamento por baixo. Antes de continuarem meu texto sugiro que leiam o dele.

Bom, agora que leram também devem entender porque não gosto de marketing, muito menos o político.

E após ler este texto, me lembrei de algumas coisas que tem a ver com este assunto. Eu fiz 1 ano de matemática na UNESP, ano no qual fiz grandes amigos e aprendi muitos porquês de tudo o que eu fazia (sugiro que você, leitor, sempre procuro saber o porquê das coisas, certamente ela parecerá mais simples e de melhor assimilação). E uma das matérias era Cálculo, o terror para muitos dos alunos. Pois bem, o meu professor tinha uma forma de atuar. Ele explicava a matéria, e depois mandava ver nos exercícios do livro, era uma relação grande para fazermos. Mas ao invés de cada um por si, ele montava grupos de 4 pessoas. A primeira formação foi por convivência, mas a partir da primeira prova ele começou a montar os grupos, utilizando a seguinte forma. Ele pegava a pessoa da maior nota e juntava com a da pior nota. O segundo melhor com o segundo pior, e assim sucessivamente. O objetivo certamente era permitir que um que tinha maior conhecimento ajudasse os demais, o qual é muito bom. Mas a parte boa disso parava aqui para mim. Além disso, os alunos não poderiam ir para o próximo exercício enquanto todos não tivessem terminado e compreendido. Era aí que o bicho pegava pra mim. Em matemática, sempre fui bem. O meu nível era superior aos demais naquela disciplina, e eu seguia o meu ritmo, até porque não consigo ver como parar raciocínio no meio e prosseguir depois. O processo de raciocínio não permite tal parada. É um pensamento atrás do outro, criação de relação entre as coisas. E também tem a questão que algumas pessoas do grupo realmente não entendiam aquilo, não era (para alguns ainda somente) a praia deles, e não conseguiriam nadar tranquilamente. E quando o professor brigava comigo eu sempre ficava bravo, afinal, ele estava exigindo que minha capacidade fosse diminuída, se igualasse a mais baixa capacidade. E isso eu não aceitava, tanto que independente do que ele falava eu continuava a fazer os exercícios. Porém quero deixar muito claro que sempre que alguém pedia ajuda, ou precisava de reforço de conceitos, eu parava o que estava fazendo e ajudava, sem dar a resposta, mas sim tentando fazer a pessoa pensar e chegar na resposta, para aprender a fazer.

Mesmo que a intenção dele fosse boa, que era o de ajudar, o que acabava acontecendo é o nivelamento por baixo.

E esse nivelamento por baixo acaba por estimular as pessoas a nunca se esforçarem para ser melhor, para se desenvolverem, afinal, se quem está melhor que eu terá que diminuir o nível, por que eu haveria de melhorar?

E tem outra coisa que me incomoda sempre. Programas de TV também incentivam a burrice. Vamos pegar um exemplo. Tem o programa Roda a Roda (ex Roletrando) onde as pessoas precisam dizer letras que podem conter nas palavras ocultas, e cada letra acertada dá um prêmio e facilita no processo de descoberta da palavra. É aí que vejo o problema. A maior dificuldade está em descobrir com poucas letras já descobertas, pois aí a pessoa tem mais trabalho. Mas quanto menos letra, menor o prêmio. Então, para que a pessoa ganhe mais precisa ter mais letras descobertas. Agora, se uma pessoa é inteligente e rapidamente descobre, ganha menos dinheiro, porém se a pessoa for menos inteligente e demorar mais para descobrir, ganha mais dinheiro. Isso não é um incentivo a ser ignorante? Afinal, se a pessoa souber com 1 letra só, que benefício terá? Nesse caso acho que ao invés do valor ir somando, poderia ser diminuído de um valor inicial, ou seja, para cada letra descoberta – o que facilita o trabalho – o valor será retirado. Deste modo estar-se-ia incentivando a pessoa a ser melhor, e não pior.

Certamente poderia escrever vários outros casos, mas creio que estes já sejam o suficiente para mostrar que com esta postura estaremos fadados a sermos sempre assim, não sairmos do lugar, não aprendermos coisas novas.

domingo, 2 de novembro de 2008

Voto de pobreza

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Voto de pobreza é uma das coisas que alguns religiosos fazem, para poderem se dedicar à sua crença. Este voto de pobreza prega o desprendimento das coisas materiais. E no mundo capitalista (altamente selvagem) de hoje não há mais espaço para isso, afinal, como diria titio Sam, “time is money”.

Sei que se for perguntar para as pessoas sobre o que acham de fazer um voto de pobreza, visando à felicidade, escutarei muitas respostas dizendo que isso é ridículo, coisa de idiota, e provavelmente algumas ofensas não publicáveis neste espaço. Provavelmente ninguém toparia fazer o voto de pobreza. Mas será que as pessoas já não optaram por fazer voto de pobreza? Eu tenho a certeza que muitos optaram, e fizeram vários votos.

Como Carlos, pode explicar?
Certamente.
O voto de pobreza ao qual me referi inicialmente é a pobreza monetária, que propicia bens materiais, consumo. Até então somente me referi a este, e é este o tipo que as pessoas não fariam. Mas podemos ter outros tipos de votos de pobreza. Temos o voto de pobreza de valores, de empatia, de integridade, de respeito, de amor, de solidariedade. E estes, infelizmente muitas pessoas abrem mão com uma velocidade espantosa, tudo em nome de status, poder, jogo de aparências, parecer ser, parecer ter, enfim, essas bobagens criadas sabe-se lá Deus por quem e aceitas por muitas pessoas com uma passividade estarrecedora. Provavelmente as pessoas que dizem que é ridículo o voto de pobreza monetário são as mesmas que fazem todos estes outros votos de pobreza que citei, somente para ter dinheiro a mais no final do mês e se ‘enquadrarem’ no nosso ‘inteligentíssimo’ esquema social atual.

Ficam com dinheiro, cada vez mais, no entanto passam por cima de subordinados, de colegas de trabalho. Vivem em torno do seu umbigo, crêem que tudo gira em torno das suas necessidades, vivem dizendo que suas empresas são socialmente responsáveis, porém maltratam os funcionários e fazem publicidade sobre as ações sociais. Gastam boa parte do dinheiro que ganham para manter a aparência de importante, de poder, de ser a ‘última bolacha do pacote’. E o resto do dinheiro gastam nos tratamentos contra drogas dos filhos, que por algum motivo altamente desconhecido se envolveu com drogas, mesmo com as centenas de presentes caros que tiveram a vida toda. Ou então gastam com advogados, para provar que os tiros e socos que o filhinho querido deu foi uma brincadeira, que não era de verdade e que ele é uma pessoa adorável.

Será realmente que quem faz o voto de pobreza monetária é o ridículo da história? Creio que não. Mas antes que creiam que proponho o voto de pobreza monetária, deixo claro que não proponho isso. Somente escrevi para propor uma reflexão sobre quais votos de pobreza são mais importantes de serem feitos, e quais nós optamos por fazer em nossas vidas.

O dinheiro tem sua importância em nossa sociedade, ele é a forma mais fácil de trocarmos as coisas. Troco meu esforço e trabalho por ele, ele por itens que me facilitam e dão conforto à minha vida. Caso contrário, precisaríamos voltar à época do escambo, onde as negociações eram mais difíceis. O dinheiro ajudou a equalizar isso. Mas é preciso que entendamos que o dinheiro é um facilitador, e ponto final. Nada além disso. Ele não é gerador de felicidade, de autoridade, de respeito.