Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sinceridício

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Vi o anúncio final do Big Brother, e achei interessante um termo utilizado pelo Bial: sincericídio, mistura de sinceridade com suicídio.

E por que ele utilizou este termo? Bom, é que o participante que foi eliminado disse verdades (segundo conceito dele, é claro) de um modo extremamente ríspido e deseducado. Dizia aos berros que isso, que aquilo, e que era verdade, de que por isso dizia.

A princípio já questiono a questão da verdade, já que ela é sempre relativa, e talvez seja impossível de obtê-la. O ato é um só, porém como cada pessoa vê, interpreta, reage é diferente. Como ouvi em uma música, ser o “dono da verdade” é a mentira mais contada. E mesmo considerando que realmente o que o participante disse fosse verdade, isso jamais daria o direito dele dizê-las de modo mal educado. Diplomacia, gentileza, educação, empatia são excelentes ferramentas para nos ajudarem a dizer a verdade sem ofender.

E aprendi na minha vida isso, com algumas pancadas, é verdade. Sempre enchi o peito para falar que a verdade era a verdade, portanto falava e ponto. Depois de muito tempo aprendi que tão importante quanto falar é o modo como falar.

Lembro-me do Carlos de anos atrás e o vejo dizendo a verdade, porém de uma forma que certamente não agradava nem um pouco as pessoas que ouviram, e aquele mesmo Carlos não entendendo porque as pessoas não gostavam, já que o que estava sendo dito era a verdade (a minha) e para o bem delas. Felizmente a gente cresce, e além da idade ganhamos maturidade, e aprendemos que as coisas não precisam ser a ferro e fogo, que pessoas são diferentes, que verdades são relativas e que educação permite grandes avanços.

Hoje continuo dizendo as minhas verdades, porém procuro fazê-las de um modo mais educado (ou polido, como gosto de dizer), para aumentar a chance da pessoa que está ouvindo realmente ouvir o que estou dizendo, ao invés de deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro, e neste caminho gerar uma grande raiva para com quem disse.

Sinceridade é algo que sempre deve ser buscado, deve ser um objetivo da vida de todos, pois somente assim poderemos ter uma sociedade clara, mais justa, mais humana, sem aparências, disposta a ver seus erros e lutar para saná-los, mas se não vier acompanhado de educação, cometeremos o sincericídio.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Autenticidade

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 (au.ten.ti.ci.da.de) 

sf.
  1  Qualidade ou caráter do que é autêntico, do que não é falso, forjado, nem sofreu adulteração (autenticidade da gravação/mensagem/foto); FIDEDIGNIDADE; VERACIDADE 

Pois bem, por esta breve definição vê-se que isso é algo muito bom, afinal, convivermos com pessoas autênticas é muito bom, é sempre bom saber o que ela pensa, o que acha das coisas, da gente. Viver na insegurança é que não dá.

É isso mesmo?

Será que gostamos de conviver com pessoas autênticas? Parece o sonho, mas infelizmente vejo as pessoas criticando os autênticos, como se fossem pecadores de séculos atrás, ou bruxas da época da inquisição.

Creio que todos nasçam autênticos, e creio nisso pela análise que faço das crianças. Quantas vezes as criancas "nos deixam" em saias justas por falarem o que pensam, ou somente repetiram o que falamos, mas somos covardes de fazê-lo na frente da pessoa? Aí, quando a criança fala algo, os adultos riem, se divertem, dizem que isso é coisa e criança e deixa pra lá, como se o que ela falasse não devesse ser levado em consideração, afinal, é só uma criança. Essa autenticidade da criança é até bonitinha. Um exemplo disso é a Maysa, que é extremamente autêntica, e é uma lindinha de garota segundo várias pessoasl.

Tem um outro exemplo de pessoa autêntica, mas esse é muito questionado. É o goleiro Marcos, do Palmeiras. É muito comum após partidas ele falar o que percebeu do jogo, o que pensa. Já vi declarações dele dizendo que o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Mas o incrível é que quando ele disse isso o time foi péssimo, a defesa não jogou nada, ou então o time estava sonolento, sem vontade de jogar. Ele simplesmente relatou o que ocorreu, e assim como ele, todos que acompanharam o jogo também perceberam isso. Mas aí ele diz isso e pronto, dá-lhe imprensa em cima, comentários, brigas com o treinador, etc. É isso que não entendo, se a autenticidade é boa, porque quando aparece uma pessoa com coragem de dizê-la atiram-lhe pedras? Será que autenticidade vem com prazo de validade? Chegou a fase adulta ela deve sumir? Deve-se viver no jogo das aparências, das mentiras, das ações placebo que nada ajudam ninguém a crescer? Afinal, somente posso me desenvolver se descubro (ou sou alertado) sobre meus defeitos, minhas fraquezas. Caso contrário, na melhor das hipóteses ficarei no mesmo lugar.

Então aparecem as pessoas que usam o chavão "roupa suja se lava em casa". Concordo com isso, mas o problema é o que as pessoas consideram roupa suja. Nunca ouvi o Marcos falar que Fulano está sem vontade, ou que Sicrano é incompetente para aquela função, ou que o treinador é fraco. O que ele fala é do resultado, e não da personalidade de cada um. Ele fala que o time estava sonolento, o time estava sem vontade, a defesa esteve ruim. Ele não culpa um ou outro. 

E se a autenticidade é tão ruim assim, por que ele é ídolo não só da equipe que ele defende, como de torcedores dos outros times? Talvez seja porque as pessoas ainda valorizem a autenticidade, preferem saber o que terão das pessoas, ao invés de viver no mundo "maravilhoso" da imagem. O único problema é que muitas não tem a coragem de serem o que tanto valorizam, o que tanto faria o mundo melhor.

Afinal, é melhor eu saber logo no começo que tenho um defeito, e corrigi-lo rapidamente para evitar repetir durante o resto de minha vida, do que viver cercado de pessoas que no 'grande' desejo de não magoar, deixam-me com defeitos que certamente magoarão muito mais pessoas ao longo de minha vida.

Viva a autenticidade, mas com responsabilidade. Ser autêntico é dizer sim o que crê, o que pensa, mas há formas e formas de se dizer isso. Há as formas construtivas, que mesmo que a pessoa não goste de imediato, saberá entender e tirar proveito, e as formas depreciativas, que expõe a outra ao ridículo, constrangimento.