Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

domingo, 12 de outubro de 2008

Pergunte, mas pergunte direito!

Sei que tenho um Q de lusitano, mas antes que entendam este lusitano do modo pejorativo, explicarei.

Em Portugal (pelo que sei), não há interpretação do que se pergunta, eles entendem literalmente e assim respondem. Não tem essa de entender o que a pessoa quis dizer, e então responder o que ela quer saber. Lá a resposta é mais racional, ou seja, se quer uma informação, faça a pergunta correta, caso contrário ficará sem a informação desejada.

Para elucidar, lembro-me de uma entrevista da Mara Manzan no Jô Soares, contando as aventuras dela lá em Portugal. Ela disse que num sábado foi a uma farmácia e perguntou a um funcionário se a farmácia fecharia no domingo. E funcionário respondeu que não. Pois bem, ela foi embora e no domingo foi até a farmácia, e para surpresa dela ela estava fechada. Ficou muito brava da vida, e na segunda voltou para ‘tomar satisfação’ com o funcionário. Então chegou lá e reclamou, dizendo que a farmácia estava sim fechada no domingo. Eis que o funcionário respondeu: “Você perguntou se nós fecharíamos a farmácia no domingo, e nós não fechamos, pois nem a abrimos”.
Certamente para nossa cultura isso é impensável, mas analisem. O funcionário respondeu corretamente a pergunta, a pergunta é que não foi correta. O que ela queria saber é se a farmácia estaria aberta no domingo, e não se ela fecharia no domingo.

E por que esse exemplo? É que hoje me deparei com uma pergunta que não tenho idéia da validade da resposta que é dada. É uma pergunta de um questionário sobre saúde. Abaixo reporto a pergunta:

“Eu sou tão saudável quanto qualquer pessoa que conheço”
[ ] Definitivamente verdadeiro
[ ] A maioria das vezes verdadeiro
[ ] Não sei
[ ] A maioria das vezes falso
[ ] Definitivamente falso

Bom, vou aos meus questionamentos. Primeiramente acho engraçado os termos “definitivamente verdadeiro” e “definitivamente falso”. Por acaso existe “mais ou menos verdadeiro”?.

Agora me atento a pergunta. O tão ... quanto representa igualdade, e para uma resposta onde a pergunta é sobre uma igualdade, certamente a resposta é binária, ou seja, sim ou não. Não existe outra alternativa, portanto as opções intermediárias não podem ser marcadas. E para piorar, a comparação é com qualquer pessoa que conheço. E certamente as pessoas são diferentes, cada pessoa tem seu nível de saúde, diferente dos outros. Conseqüentemente a única resposta possível é “Definitivamente falso”.

E mesmo quando marco esta opção, há o problema de interpretação. Se eu não sou tão saudável quanto todas as outras pessoas, eu posso ser mais saudável do que todas as outras, ou então menos saudável. Numa comparação, ou se é igual, maior ou menor, sempre.

Pergunto então qual a informação que será retirada desta pergunta. Só há uma possibilidade de resposta, e esta ainda pode ser interpretada dubiamente.

Talvez muitos nem se atentem a isso, ou então passem por cima, mas o problema é essa pergunta que não tem valor nenhum, e pessoas podem interpretar segundo seus conceitos, distorcendo o que o entrevistado realmente é.

Precisamos ficar atentos a estas questões, e aos que fazem questionários, atenção para não gerarem perguntas sem alternativas, ou então com chance de interpretação. 

Vejam também:

5 comentários:

Arthurius Maximus disse...

Essa é uma daquelas coisas completamente absurdas que vemos em entrevistas ou concursos. Perguntas mal formuladas e com respostas completamente ambíguas que ficam ao gosto de que as analisa. Mais do que problema cultural; acho que é um problema intelectual de quem prepara as questões.

Acredito que essas pessoas achem que todos devam ser telepatas.

Matthew Salbego disse...

Perguntas que envolvam interpretação são sempre um problema.Aconteceu em um concurso público de cair numa questão um texto, e em seguida a perguna:
"o que você entendeu do texto?"
O candidato respondeu:
"eu não entendi nada".
A questão foi dada por errada. Ele entrou na justiça e ganhou a causa, alegando que a pergunta não era sobre do que se tratava o texto, mas sim o que o leitor tinha entendido, sendo assim, não tem como dar certo ou errado, porque é uma resposta pessoal. Concordo plenamente, porque o que eu penso pode ser certo para mim, mas não será necessarimanete para você. Agora, essa da farmácia foi genial...=]

abraçO!

Meus Detalhes disse...

Adorei esse post.... eu Sharleninha Manzaro, tenho que aprender a fazer as perguntas certas rsrs.... nem sempre transmitimos o que está em nossa mente, distocendo assim totalmente a pergunta, tendo como resultado algo totalmente diferente do que gostariamos de escutar. Seria como um filtro da mente até a boca :).


Beijos!

GUILHERME PIÃO disse...

É um problema por aqui responder corretamente, se fizermos isto vão nos chamar de "Saraiva" o Intolerância Zero....
Abraços

Carlos disse...

Eu, como um homem de exatas costumo ser bem preciso nas minhas perguntas... algumas pessoas que tem muita dificuldade em se expressar, e pior, em compreender as outras pessoas.