Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Comoção crocodiliana

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Hoje este país está comovido com a tragédia que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. Um “maluco” entrou e saiu distribuindo balas a torto e a direta, matando mais de 10 crianças, e depois de ter sido baleado optou por se matar.

E então instalou-se a comoção nacional, todo mundo triste por crianças inocentes terem sido mortas. Vê-se populares indignados pelo ato cometido, inclusive nossa presidente Dilma também se emocionou e solicitou um minuto de silêncio em respeito as vítimas.

Concordo plenamente que a morte de pessoas sempre é chocante, ainda mais pessoas desamparadas, que não possuem chance nenhuma de defesa, que se deve respeitar estas pessoas e os parentes que certamente sofrem bem mais do que nós.

Para nós isso dura somente algumas horas, porém para os familiares essa dor certamente perdurará por muitos anos, provavelmente para sempre.

Porém não consigo concordar com esta comoção generalizada das pessoas e dos nossos políticos. Para mim isso é comoção de crocodilo, é falsa, feita somente para parecerem preocupados com as pessoas e solidários com o sofrimento da população não abastada como eles.

Matematicamente morreram somente 12 pessoas (até este momento), o que é um número pequeno perto das mortes que ocorrem diariamente no Brasil. 12 a mais ou 12 a menos sinceramente não faz diferença alguma para o país.

Não estou dando pouco valor a vida humana, porém questionando o motivo pelo qual nossos “representantes” se comovem com estas mortes, e não se comovem com as dezenas de pessoas que morrem diariamente por falta de atendimento médico, de falta de trabalho, atropeladas ou em acidentes de carro.

Se nossos queridos políticos, ao invés de se darem aumentos polpudos, verbas de gabinetes infinitas, auxílio-qualquer-merda-que-possa-se-inventar, desviar o dinheiro público para contas bancárias em paraísos fiscais, de exigirem comissões para fazer permitir que as pessoas façam as coisas investissem este dinheiro (que é muito) na saúde do povo, na educação, no treinamento profissional, em transporte público rápido e eficiente certamente milhares de pessoas inocentes deixariam de morrer por ano.

Estas pessoas, mesmo adultas, não tem a quem recorrer. Ou você acha que um pobre que está com um problema de saúde consegue ir em um hospital particular para ser atendido? Nossos políticos ao menor sinal de problema com a saúde vão de avião para o hospital e são submetidos a inúmeros exames, a um custo que deve dar para “atender” a centenas de pobres.

Não consigo entender como 12 mortes podem os comover, porém milhares de mortes, com requintes de crueldade em muitos casos – considero que deixar uma pessoa doente sem atendimento por meses a fio é tortura, nem os fazem erguer a sobrancelha para pensar. Estes, desprovidos de um fato condensador (pouco tempo) e potencializador (mídia) não merecem nada, são somente parte de estatística, destas que o governo, ano após ano, sempre dizem estar diminuindo.

Meus sentimentos à todos os familiares destas crianças, e a também a todos os familiares das famílias que diariamente são dilaceradas por nossos representantes, porém sabiamente de um modo espalhado e discreto, tornando-os invisíveis para a população, a mídia e inclusive eles mesmos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sociedade de papel

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Estamos cada vez mais construindo uma sociedade com papel, e como é de se imaginar, ficando cada vez mais frágil.

Se um carro for construído de papel, ou uma casa, poderá até ser visualmente interessante, chamar a atenção, no entanto em pouco tempo virá abaixo, qualquer intempérie “destruirá” tudo o que foi construído. E é assim que está sendo construída nossa sociedade.

Há um bom tempo o que é valorizado são os papéis (de celulose) que as pessoas adquirem ao longo da vida, e não o conhecimento, o raciocínio, o desejo de melhorar, a criticidade, a busca da melhoria contínua.

Basta entrarmos em qualquer sala de aula, de pós graduação, de faculdade, de cursos de extensão que vemos claramente aquelas pessoas que estão lá para pegar o papel. Muitas vezes somente vão até a sala para assinarem a lista de presença e depois somem, outras vezes pedem para seus “amigos” assinarem a lista, quando estão presencialmente na sala de aula estão ausentes de mente, ou então ficam atrapalhando a aula, mas certamente ao final do curso estarão lá com seu lindo papel em mãos, exibindo-os muitas vezes nas paredes de seus escritórios. E olha que alguns trabalhos de conclusão de curso são comprados.

Mas o pior não é isso, o pior é que a sociedade valoriza estes papéis. Se você for buscar emprego, será que aquele candidato que possui pós graduação, cursos de extensão e treinamentos terá menos chances do que outro candidato, que de fato sabe bem mais, porém nunca foi atrás dos papéis mas sim do conhecimento e competências?

Creio que a maioria vai olhar somente os papéis (isso não dá trabalho para analisar, um simples sistema de computador consegue analisar isso) e desprezar completamente a postura da pessoa, seu comprometimento, seus conhecimentos.

E o resultado disso, empresas mais frágeis, produtos mais frágeis, no entanto embalagens lindíssimas, propagandas fantásticas, afinal, foi isso que aprenderam, que podem ser do modo que forem, porém se usarem lindas embalagens, escrever nesta embalagem todos os “benefícios” que se obterá com este produto certamente as pessoas se encantarão e comprarão. Aí, quando descobrirem que o produto não era tudo o que estava na embalagem já será tarde, já se terá investido todo o tempo e dinheiro que possuíam, e aí é se “acostumar” com o que se adquiriu.

Como diria nosso ex-presidente “nunca na história deste país se teve tantas pessoas com diplomas”, mas posso dizer também que nunca na história deste país houve tão poucos profissionais, tão poucas pessoas valorosas, tão poucas pessoas compremetidas com o serviço, as pessoas e a sociedade.

Digo que pessoas sem instrução alguma e sem ferramentas construíram Machu Picchu, as pirâmides do Egito, e olha que isso foi há muito tempo, estão de pé até hoje e nos desafiam até hoje de como conseguiram. E hoje, nossa sociedade “evoluída” não consegue construir uma parede reta nas casas e apartamentos. Facilmente encontramos tudo torto, coisas que até leigo olhando percebe, mas nossos profissionais, com “papéis”, não conseguem fazer.

Mas a culpa não é das pessoas. É claro que elas compram a idéia, e poderiam não comprar, no entanto se compram a idéia é porque tem alguém vendendo isso, e são as empresas. São elas que optam pelos papéis, que dão mais chance a quem tem mais destes papéis, que muitas vezes criam recompensas financeiras pela quantidade de papéis, muitas pessoas nada verão de errado nisso, afinal, é “assim que é”.

Que nossa sociedade valorize o conhecimento, e não o papel.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Janeiro e os desastres eternos

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Pois é, chegou o mês de janeiro, e com ele os desastres que nos acometem a muito, muito tempo.

Como sempre muitas pessoas prejudicadas, perdendo tudo, e tendo que se acostumar com isso, achar que isso é parte da natureza, que o melhor que podem fazer é tentar sobreviver aos estragos provocados.

Pois é, é nestes meses de chuva que fica evidenciado um grande problema nosso, os políticos. Não estava falando da chuva, mas deles. Os desastres que ocorrem não tem a ver com a quantidade de chuva, mas sim com as omissões e interesses desta classe, que lembram da população somente nos meses antes da eleição, e depois se esquecem plenamente.

Chuva é um fenômeno natural, que sempre ocorreu e se Deus quiser sempre ocorrerá. Aqui na região sudeste já sabemos que nosso verão é com forte calor e pancadas de chuva.

Quem anda por São Paulo hoje vê os rios Pinheiros e Tietê (além dos inúmeros secundários) canalizados, “retinhos”, dentro de um caminho 100% delimitado. No entanto os rios não possuíam estes formatos atuais. Sei que o rio Pinheiros era estremamente sinuoso, parecendo cobra, havia uma área de várzea muito grande, para que quando as chuvas de antigamente ocorriam a água tivesse onde ficar. E aí veio o homem e falou “Rio, você está ocupando muito espaço, e isso não pode. Precisamos deste espaço para liberar construções, construir vias, assim a população vai ver tudo o que estamos fazendo por eles. Povo adora ver obras” e assim fizeram. Não se importaram se isso diminuiria a capacidade de vazão do rio, ou então a capacidade de retenção das águas das chuvas.

Ah, mas a culpa é dos lixos que ficam acumulado nas ruas e entope tudo. Sei que o lixo causa isso, e que é a população que joga. Mas quem é responsável por educar (e punir) a população? Não é dever do estado (consequentemente dos políticos) educar a população, falar dos males que estes atos de jogar lixo podem causar e dar condições para a população jogar o lixo em lugares corretos, bem como prover as cidades de um excelente sistema de coleta de lixo?

E as mortes que ocorrem nos morros, aí o prefeito não tem nada a ver. Ledo engano. As pessoas não podem morar em zonas de risco, devastando as matas dos morros, empilhando casas sem segurança nenhuma. Existem equipes que possuem como função percorrerem estas regiões e alertar os moradores, e é dever da prefeitura impedir estas construções, e retirar as pessoas destes pontos, restaurando a mata. Mas isso é ruim pra imagem do político, aparecer na capa dos jornais e nas manchetes da TV explusando moradores, mas é bem melhor para eles aparecerem tomando chuva, com os barracos destruídos atrás falando que darão dinheiro (que muitas vezes jamais aparece) para as pessoas reconstruírem sua vida, mostrando o quão bom são.

Obras de prevenção, demolição de casas em zona de risco, desapropriação de imóveis nas várzeas dos rios para restauração do que a natureza deu de graça, educação da população, coleta de lixo mais eficiente não dá voto, não aparece, e isso é algo que eles não querem.

Então parece que estamos fadados a eternamente sofrermos deste mal. Ao menos as emissoras de TV terão matéria farta para exibirem, apresentadores poderão gritar a vontade, e as lojas de móveis e eletrodomésticos terão mais clientes, comprando em suaves prestações o direito a um mínimo de dignidade, dignidade esta que é retirada pelos nossos representantes.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O que aprendi com meu gato

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Recentemente um companheiro de longa data partiu deste mundo, nos privando da sua companhia.

Este companheiro a que me refiro é, aos olhos de muitos, um mero gato, um animal irracional, que mia, pede comida, é ingrato e egoísta, mas aos meus olhos ele era bem mais que isso.

Concordo que era um animal, porém de irracional não tinha nada. Na verdade acho que o mais irracional era eu, que mais reclamava, pedia comida e era ingrato e egoísta era eu, e não ele.

Ao longo deste anos ele pôde me ensinar muito, mas muito mesmo. Foram inúmeros os ensinamentos que ele me pasou, e que puderam me tornar hoje uma pessoa melhor.

Aprendi com meu gato que produtos caros, de marca, que promovem status nada contribuiem para uma vida feliz e tranquila. Ele nunca teve nada disso, nunca utilizou os melhores produtos, nem saía na rua desfilando para os outros gatos, e nunca se aborreceu com isso, nem nunca reclamou de não ter nada além dele mesmo.

Aprendi que é possível ser feliz com rotina, sendo grato ao que se tem diariamente, mesmo que o que se tem seja sempre a mesma coisa.

Aprendi que quando se ama não é necessário aprisionar o amado, as portas e janelas podem ficar abertas e que mesmo assim se optará por continuar conosco, pelo simples fato de amar.

Aprendi que cada um tem suas manias, seus tiques, e é preciso aprender a respeitar e continuar amando mesmo assim.

Aprendi que cada pessoa pode querer ter seu momento de isolamento, de quietude, de solidão, e que isso não significa que deixou de nos amar, mas simplesmente é um direito da pessoa, e que quanto mais respeitado este direito mais amor gera.

Aprendi que se insultarmos as pessoas que amamos elas poderão até os ferir, instintivamente, e isso não quer dizer que deixou de nos amar.

Aprendi que amor não diminui com o distanciamento ou frequência, se algo diminui é paixão (= sofrimento), e não amor.

Aprendi que a inveja provoca alguns arranhões, antipatias (pois é, ele também tinha defeitos rs).

Aprendi que ser independente não significa não reconhecer os esforços dos outros, ou não amar ou não se preocupar com os outros, mas optar por se deliciar com sua própria presença.

Aprendi que se vive mais feliz se não se preocupa com os problemas dos outros (nunca vi meu gato resolver o problema de outro gato).

Foram muitas as coisas que aprendi, e olha que ele é o irracional da história.

Obrigado por todos estes ensinamentos, por todo este carinho e amor ao longo de todos estes anos (os arranhões eu dispenso rs).

Fique bem!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eu fui o primeiro…

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Foi esta frase que ouvi que me fez pensar um pouco em que planeta nós estamos, para onde estamos indo, o que estamos ensinando as pessoas, que postura estamos espalhando pelo mundo.

Fui ao mercado comprar algumas coisas, entre elas alguns refrigerantes. Como são pesados, peguei um carrinho, fiz minha compra com uma quantidade de itens que me permitia ir na fila do caixa rápido. Quando entrei na fila uma das funcionárias me disse:

- “Senhor, não pode entrar com este carrinho aqui”.

Recado dado, saí da fila, e como estava com uma sacola retornável coloquei os itens dentro dela e voltei para a fila, e quis o destino que eu tenha sido atendido pela mesma pessoa que me alertou. Conversando com ela perguntei porque não podia entrar, e ela disse que não cabia (na verdade cabia, já fui em mercados com bem menos espaço e que “cabia” o carrinho), além de que tinha uma placa informando a proibição.

Disse que não havia visto a placa, e foi quando ela me disse:

- “Você foi a primeira pessoa que não me xingou”. - E olha que nem em pensamento eu a xinguei.

Juro que não sei se devo ficar feliz ou triste. Ela simplesmente transmitiu um recado, uma norma do estabelecimento onde ela trabalha, e por que isso deve ser motivo para as pessoas xingarem uma funcionária? Será que tudo tem que ser do nosso modo, sempre? Será que tudo tem que funcionar de acordo com a nossa vontade?

Que sociedade é esta que estamos criando? Uma sociedade que não consegue nem entender uma simples orientação conseguirá construir algo grandioso, com valores, uma sociedade mais justa, mais educada, mais avançada?

Não creio que imaginar uma sociedade onde somente a vontade da pessoa seja o pilar. Isso irá gerar infinitos conflitos, já que cada pessoa tem sua própria vontade.

E o que é pior, onde fui não era um mercado “de vila”, onde seria possível aplicar a “desculpa” que são pessoas mais humildes, mais simples, que não tiveram instrução. É um lugar em uma área importante da cidade, com pessoas que certamente tiveram um nível de educação bem superior ao da maioria dos brasileiros.

Pois é, acho que está faltando ensinarem as pessoas algumas velhas palavrinhas mágicas, que nossos ídolos modernos (ex-bbb´s, mulheres frutas, peladões e peladonas, espertalhões) não costumam falar, como “por favor”, “obrigado” e “desculpe”.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ateu, graças a Deus

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Já ouvi esta frase, e achei ela propícia para dar título a este texto.

Li ontem que o apresentador Datena expressou alguns “pensamentos” em seu programa, que fez com que o Ministério Público Federal queira uma retratação.

Segue o link para verem mais a respeito do assunto.

Pelo conteúdo do link é possível ver algumas "afirmações” do apresentador, que responsabiliza os ateus pelos males do mundo, pelos crimes que ocorrem, dizendo que somente pessoas que não creem em Deus é que são capazes de cometer crimes.

Fico aqui tentando imaginar em qual realidade este apresentador vive. Se ele frequentou escola, se aprendeu sobre história da humanindade, se vê documentários ou lê livros. Porque se ele faz alguns destes itens certamente não pensaria deste modo. É só abrir os olhos e enxergar a realidade.

Será que ele nunca ficou sabendo que grandes genocídios foram feitos em nome de Deus (que pode ter outro nome dependendo da crença)? Quantas guerras-santas (quanta incoerência) foram feitas neste planeta, quanto sangue derramado, somente para impor aos outros a crença de um grupo. E o que acho engraçado é pelo que sei um dos ensinamentos da religião é o respeito ao próximo, mas tem um asterisco nisso. Respeito ao próximo sim, desde que ele creia na mesma coisa que eu, caso contrário ele é uma série ameaça a tudo o que eu acredito, e como ameaça, necessita ser destruído.

Infelizmente algumas das pessoas mais inflexíveis que conheci, que em nenhum momento se permitiram pensar em pensar de uma forma diferente, crer que podem existir outras formas de ver o mundo, a sociedade, os problemas foram pessoas ligadas a religião, certamente com muito Deus no coração.

Há uma brincadeira que diz que se você quer encontrar pessoas com Deus no coração é somente ir a um presídio. lá certamente se encontrará muitas pessoas que creem em Deus.

Se não me engano eu vi um caso onde uma pessoa recebia a sua “propina de cada dia” e orava, agradecendo. Esta certamente tem Deus no coração, tanto que até orava em agradecimento.

Então por que somente os ateus é que são os responsáveis pelos problemas do mundo?

Uma organização, uma crença, uma filosofia não faz uma pessoa boa ou má. Se fosse isso, seria muito fácil obrigar todo mundo a ser de uma organização, ou então obrigar todas as organizações a fazerem determinada atitude e certamente todas as pessoas seriam boas.

O que faz uma pessoa ser boa ou má (tirando fatores psiquiátricos que alteram o estado de consciência da pessoa) é a educação que ela tem, é a consciência que nela foi despertada a respeito das coisas, dos valores (não os que anunciam na TV em blocos de 30 segundos), das pessoas, da sociedade, de justiça, de ética. São os exemplos que esta pessoa recebeu, não somente os discursos.

Datena certamente prestou um desserviço à sociedade atacando um grupo com uma crença diferente da dele. Muitas pessoas que viram, e que ainda não tenham se desenvolvido o suficiente para analisar o que foi dito, filtrar e processar tudo acabarão crendo que ele está certo, e que precisam combater os ateus. É a indústria da intolerância e do desrespeito sendo alimentada, e neste caso, por uma pessoa que acredita em Deus.

Quem faz mais bem ao planeta? Os ateus ou os crentes? Sinceramente, não me importa, e isso não me preocupa nem um pouco. O que eu quero é que os ateus façam bem ao planeta, assim como os crentes. Quero que um entenda que o outro tem o direito de pensar de outra forma, independente se a forma da pessoa pensar tem fundo mais racional ou mais de fé, se há provas para acreditar ou provas para não acreditar. Isso não faz diferença.

Certamente em qualquer agrupamento haverão pesssoas boas e pessoas ruins, e o papel das boas é tentar levar as que estão fazendo o mal a sociedade um pouco de consciência, mesmo que isso faça com que a pessoa passe a acreditar em algo diferente do que nós mesmo acreditamos.

O todo é importante, é maior, e se as pessoas entrarem em guerra para ver quais delas é a certa, o planeta perde.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010, Tiririca, democracia, cidadania e pensamentos

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Ontem foi o “grande” dia da “democracia” neste país, onde as pessoas vão e elegem seus representantes.

Pra tudo o que ocorreu, somente demonstro minha admiração e respeito na apuração, que é extremamente rápida, neste caso um real bom exemplo para o mundo, para o resto infelizmente não há de que se gabar.

Primeiro que sempre questionei como em uma democracia o voto é uma obrigação, e não um direito. Será que tem algum interesse das pessoas que lá em Brasília se encontram  de obrigar pessoas sem a menor capacidade de votar a irem lá, e como estão, votarem em quem lhes dá uma migalha por mês para sobreviver? Acho que não né, acho que sou muito mau por pensar em tais absurdos. Deve ser obrigatório ainda porque como todos fazem questão de votar e exercer seu direito sagrado de cidadão o fato de ser ou não obrigatório não faz diferença, então não há porque mudar algo que ficará igual.

Por falar em cidadania, fico imaginando a qualidade dos nossos representantes, dada a cidadania e respeito demonstrados por nosso povo a quem quiser ver. Na hora da votação encontram-se pessoas que foram convocadas para trabalhar na eleição despreparadas (uma inclusive chegou bêbada e foi noticiada na TV), sem bom trato com os eleitores, e nas filas é que se vê realmente que povo somos. Lá é fácil ver pessoas pegando crianças no colo que nem sabem que quem é somente para utilizar de nossa qualidade mais latente, a esperteza, e passar na frente dos otários que estão lá esperando a sua vez de exercer a cidadania. Depois que votam, devolvem a criança e se sentem felizes, por terem dado um exemplo de cidadania. Ou então chegam pessoas idosas e passam na frente de todos (antes que alguns me crucifiquem peço que continuem a ler o resto da frase), no entanto não há uma urna especial para eles, ou então um intercalamento com as demais pessoas que estão nas filas, e se aparecem uns 4, 5 idosos, as demais pessoas ficam uns 20 a 30 minutos esperando, sem nada poder fazer. Respeitar o idoso sim é válido, mas desrespeitando aos demais? Quer dizer então que nossa democracia é parcial e respeita somente os idosos? O resto que se dane?

Ainda sobre a nossa cidadania, vamos ao local de votação e encontramos o quê? Um monte de lixo sobre montes de lixo, pois considero quem suja a cidade deste modo. Então fico pensando, como é possível que uma pessoa que quer lutar por algo melhor para a sociedade (pois este é o único objetivo deles, ninguém jamais falou que o objetivo é se enriquecer as custas do povo, o que certamente é uma imensa mentira) conscientemente suja a cidade? A pessoa quer uma sociedade melhor ou não? Fico meio confuso com este paradoxo. Outro dia estava em um lugar onde mal conseguia escutar meus pensamentos, de tão alto que estava o som. Era possível sentir o trepidar das coisas ao redor tamanho o volume. E de quem era todo este barulho? De um candidato a deputado. Fico pensando em como uma pessoa que quer fazer o melhor para uma sociedade deixa metade da cidade surda por causa disso. Será que estes acreditam que é com desrespeito que conquistam alguma coisa?

Mas não é só, ao andar de carro vemos muitas pessoas andando tranquilamente no meio da rua, e o carro que saia da trajetória delas porque do meio da rua elas não saem de modo algum. E também vejo muitos carros com problema de luz, pois fazem curvas sem a menor indicação. Talvez eles creiam que os demais motoristas consigam imaginar o que eles farão, então torna-se desnecessário avisar. E quando se chega no local de votação eis que rapidamente aparece aquelas pessoas tão amáveis e gentis, que se oferecem para tomar conta dos nossos carros. Fico lisonjeado de tanta gentileza. São tão gentis que nem incomodam aos policiais que ficam a poucos metros de distância. Convivem pacificamente!!!

E nosso Tiririca, primeirão!!! É isso aí Tiririca, meus parabéns!!!! E nesta frase não estou sendo irônico. Fiquei muito feliz por ele ter ficado em primeiro lugar, e ter levado junto com ele outras pessoas com poucos votos, e inclusive um mensaleiro. Repito, não estou sendo irônico com relação a isso não.

Primeiro falarei do Tiririca. Vi muita gente criticando a sua candidatura, já que ele não sabe para que serve um deputado federal. Que sua candidatura era uma afronta a democracia. Por que afronta? Somente por que ele não utilizava terno, falava as palavras que os marketeiros dizem e prometia que iria resolver os problemas da humanidade como todos fazem? Afronta para mim são aqueles @#$#&& que estão lá usando de influência, do seu cargo, que roubam e depois abrem mão do cargo para o crime dar em nada, daqueles que dão migalhas para o povo continuar votando nele para que continuem no poder enchendo seus bolsos (e mais ultimamente cuecas) de dinheiro. Isso sim é afronta a democracia, uma pessoa que vai lá e abertamente fala que não sabe para que serve, que quer ir lá para ajudar a sua família (do Tiririca) é alguém no mínimo honesto, que fala o que a maioria deveria falar, mas que não corresponde com a imagem de um messias, um salvador que nossa população tão culta, civilizada e democrática adora.

Li muito na internet que um voto no Tiririca seria ruim, que voto de protesto não serve pra nada. Como assim não serve? Já nos tiraram o voto nulo, pois ele não é mais considerado, então a única coisa que nos resta é votar em alguém que não é querido pelos homens de terninho, já que não podemos não votar, nem anular (pois tiraram seu efeito). As pessoas tem sim o direito de protestar, isso é democracia. Se pessoas tem o direito de votar em quem lhes dá migalhas porque outras pessoas não tem o direito de escolher um voto de protesto? Alguns me dirão que isso não resolve nada, que vai colocar gente despreparada lá, e de lambuja levar algumas pessoas ruins. Então pergunto, fazendo do modo convencional nunca chegou ninguém lá ruim? Consideram Sarney, Rosena Sarney, Genoíno, Collor, Zé Dirceu e muitos outros gente fina? Então qual é o problema de termos um Tiririca deputado federal? Ah, ele levou o Valdemar Costa Neto, e isso é ruim. Então pergunto, quem levou o Valdemar? O Tiririca ou a regra que os políticos eleitos por esta sociedade democrática e cidadã que jamais debocharam da democracia? Até onde eu sei isso foi uma regra criada por eles, que foram eleitos por nós. Então culpar o Tiririca é apontar a mira para o alvo errado. A mira deve ser apontada para a regra. Se uma regra existe, as pessoas podem fazer o que quiserem dentro dela. Se ela é injusta, não se deve brigar com quem usa as regras, mas sim com quem fez as regras. Ou você, leitor, caso estivesse em uma competição e um resultado de empate classificaria você e seu adversário, para uma fase mais tranquila, enquanto que a vitória de um lado colocaria o vencedor em uma fase mais complicada e o perdedor estaria fora, o que faria? Duvido que iria querer qualquer resultado diferente de empate. O público chiaria, claro, mas é a regra. E com quem o público deve se indispor? Com os organizadores, que criaram tal situação (leiam sobre o mundial de vôlei pois está acontecendo exatamente isso), e não com os atletas.

Mas nossa sociedade democrática e cidadã não gosta de brigar, de se indispor, adora o pensamento “tá ruim mais tá bão” e vai deixando as coisas pra lá, transferindo a sua culpa por votar em homens de terninho e fala bonita que lesam este país e transferindo para Tiriricas da vida, como se ele debochasse da democracia.

Debocha da democracia quem vota em qualquer um porque tem que votar (e olha que é muito fácil escutar este tipo de fala), quem opta pelo menos pior, pelo que vai roubar menos. Debocha da democracia quem aceita um jogo de cartas marcadas, onde somente quem tem muito dinheiro é que tem alguma chance. Debocha da democracia um presidente que usa seu alto índice de popularidade (nada a ver com os bolsas-esmolas distribuídos por aí) para apoiar sua candidata. Um presidente é de todos (o slogan do seu governo é um Brasil, um país de todos) então jamais no exercício de seu mandado poderia haver qualquer apoio. Como ex-presidente sem problemas, é um cidadão conhecido e que certamente pode manifestar apoio, mas enquanto presidente não, pois ele governa para todos.

Voltando ao Tiririca, ele dizia que não sabia para que serve um deputado federal, e por isso foi muito criticado. E eu pergunto, para que serve? Eu, que tenho uma formação acima da média deste país, não sei. E olha que eu via o horário político, mas o que eu escutava dos candidatos não me ajudou a compreender.

Eu vi candidatos a deputados estaduais dizendo que iriam trazer dinheiro. Via candidatos a deputados federais dizendo que iriam trazer dinheiro. Via candidatos a senador dizendo que iriam trazer dinheiro. Ora, se todo mundo só vai trazer dinheiro, por que cargos diferentes e tantos? E mais, por que ao invés de mandarmos pessoas lá para Brasília para trazer dinheiro para cá, não fazemos algo mais fácil, como deixar o dinheiro aqui mesmo, assim não precisaremos cuidar do envio e retorno do mesmo. Por que no caminho vai que aparecem alguns ladrões e desviam um pouco dele né? É melhor ficar por aqui mesmo. E olha que deste modo vai ficar muito mais dinheiro, porque aí não precisaremos colocar várias pessoas para ir lá pegar, ele já estará aqui.

E para finalizar, sobre o Tiririca (o grande ícone desta eleição aqui em SP) houve reclamações por ele ser supostamente analfabeto, e por isso não poderia ser candidato. E pergunto, mas qual o problema? Se analfabetos podem votar, por que não podem ser eleitos? Se o nosso ilustre presidente se vangloria de não gostar de ler, ignora completamente a concordância e assina o PDH sem ler, por que analfabetos não podem se eleger?

Ah, mas para fazer leis é preciso saber ler e escrever, certo? Sim, e é por isso que um deputado pode compor uma equipe de 5 a 25 pessoas para ajudá-lo. Se isso é perigoso, acho que muito menos perigoso um analfabeto legislando, pois a lei vai para aprovação de todos, do que 30 milhões de analfabetos e mais um monte de pessoas sem a menor capacidade de discernimento votarem em ladrões onde não haverá possibilidade de recusa futura. Isso é sem dúvida muito mais perigoso, e nossa sociedade aplaude o direito que os analfabetos tem de votar. Será que é por que há interesse nestes votos de pessoas sem escolaridade, que votam muito facilmente e sem questionar em quem lhes dá um simples prato de comida? Creio que não, seria muito baixo. Nossos candidatos de terno e fala polida não são capazes de fazer isso.