Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

sábado, 31 de maio de 2008

Educação fazendo a diferença

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É chover no molhado dizer que o que faz a diferença na vida das pessoas e conseqüentemente da sociedade é a educação. Somente através da educação é que conseguiremos deixar de ser um país cheio de injustiças e desrespeitos e passaremos a ser um país melhor, mais honesto, íntegro, justo.

E hoje pude presenciar uma prova do valor da educação, não somente instrução, mas educação no sentido mais amplo. Este foi o segundo ano que foi exibido o quadro ‘Soletrando’, do programa Caldeirão do Huck, e o vencedor foi um garoto de 14 anos, o Éder. Com a conquista do primeiro lugar ele levou o prêmio do quadro, que o ajudará a custear os estudos, e provavelmente os estudos da família também.

Mas o que ele conquistou foi muito mais do que isso. Tenho a certeza que ele conquistou a admiração de muitas pessoas neste país, não pelo fato de ter sido o vencedor, mas sim por ele SER um vencedor. E por que ele é um vencedor?

Vejamos a história dele e da família. Ele mora no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres deste país. A escola fica muito distante da casa dele, e ele só começou a freqüentá-la aos 8 anos. Repetiu a primeira série devido a sua vergonha em falar com o professor. Em sua casa moram 6 pessoas, seu pai está desempregado e vive de bicos. Juntando com o valor que recebem do bolsa família contam com R$ 200,00 mensais para o seu sustento. Isso mesmo, R$ 200,00 por mês. E apesar de tudo isso é uma pessoa que se esforça na escola (que tenho a certeza estar longe das escolas que cobram fortunas e possuem alunos que não mal sabem escrever o nome), uma pessoa que possui valores.


Eis uma lindíssima prova de que não é o dinheiro que determina a qualidade do ensino, tampouco o dinheiro que forma cidadãos. Educar não depende de altos valores monetários, mas sim de valores, de princípios, o que o jovem Éder e sua família fizeram e fazem com mestria.


Meus parabéns a esta família, e meu muito obrigado por propiciar a nós, telespectadores, esse grande exemplo.
E para as pessoas que crêem que a televisão exerce grande influência sobre as pessoas, que se deixem influenciar por este exemplo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Honestidade

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Eis uma palavra que anda meio démodé neste país. Até o significado está sendo modificado. Ao invés de honesto ser uma pessoa que procede de acordo com as normas (legais, morais etc.) aceitas na sociedade, atualmente honesto é muito mais visto como idiota, bobo, tolo, careta.
E não tiro os motivos que levam as pessoas a dizerem isso, basta ver os nossos exemplos, principalmente os de algumas pessoas não residentes fixos de uma cidade de coordenadas 15° 48′ 0″ S, 47° 54′ 0″ W.
Ser honesto passou de virtude a defeito.

E você é honesto? Eu sou honesto? Quando? Quando alguém está vendo, ou quando ninguém pode presenciar a desonestidade? É honesto quando o que pode ganhar é pouco? E quando for muito?

Já escrevi logo no começo das minhas postagens um artigo questionando se temos moral o suficiente para criticar nossos políticos (Podemos criticar nossos políticos?), e depois um outro artigo, não de minha autoria, sobre o mesmo assunto (Precisa-se de matéria prima para construir um país).

E ontem vi um novo quadro do programa CQC (http://www.band.com.br/cqc) - o qual recomendo aos que gostam de humor inteligente - para testar a honestidade do brasileiro, em pequenos atos e quando a princípio ninguém pode descobrir.

Obviamente não tem valor científico, tampouco estatístico, porém vale a pena uma reflexão nossa para ver com que pessoas abordadas na reportagem nós nos identificaríamos.




segunda-feira, 26 de maio de 2008

Arrogância

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Um calouro muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo a ele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

- “Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

- “Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ....”.

Numa pausa para tomar outro gole de cerveja, o senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:


- “Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos jovens... por isso nós as inventamos.”

- “E você, um arrogante dos dias de hoje, o que você está fazendo para a próxima geração?”



Esta é uma obra de ficção, um texto para nos proporcionar uma bela reflexão sobre nossas atitudes. Parece tão natural acharmos que o que cremos, o que sabemos, o que vemos é melhor do que os outros crêem, sabem, vêem que em muitos momentos temos atitudes como a do jovem, achando-nos melhores que os outros.
Esquecemo-nos que o que ocorre é somente uma diferente visão do mundo, um outro lado, outros valores.
Isso não significa que devamos ficar quietos e evitar expor nossa visão para não sermos arrogantes ou prepotentes. O problema não é o fato de expor visões diferentes, mas sim a forma de expor. É possível expor algo totalmente oposto à opinião do outro, porém de uma forma que o outro o ouça com total respeito, independente de concordar ou não.

É fácil agir assim? Certamente não, mas o exercício diário desta consciência certamente nos afastará da carupuça da estória acima.

domingo, 25 de maio de 2008

Flagrante de irresponsabilidade

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Outro dia deparei-me com esta notícia (Mãe ensina adolescente de 14 anos a dirigir...). Infelizmente não fico abismado com o fato de um (ir)responsável por uma criança ou adolescente querer ensinar o filho a dirigir carro antes da idade mínima, mas este caso é um pouco atípico.
Primeiramente porque a mãe levou o adolescente a uma das principais rodovias do país, com muito movimento e altas velocidades. Em segundo lugar pois levava junto seus outros filhos menores.
Mas o mais incrível é o argumento que ela utilizou. Transcrevo: "Ela teria afirmado ainda que estava habilitada a ensinar o filho porque tinha CNH (Carteira Nacional de Habilitação)."

(pausa para respirar)

Em que mundo esta ilustre cidadã vive? Será que ela não sabe que a carteira de habilitação é algo pessoal, e que para ser instrutor de direção é necessário bem mais do que isso? E que, mesmo se ela tivesse tal autorização, ela jamais poderia fazer isso com um menor de idade?

A minha preocupação não é com relação ao ato em si, que foi descoberto e felizmente não gerou conseqüências físicas em ninguém, mas sim no que esta mãe ensinará aos filhos. Que valores ela passará para eles, que demonstração de respeito aos outros, à vida, de obediência às leis? Ela conseguirá formar cidadãos ou formará mais brasileiros espertos, adeptos da lei de Gerson?

sábado, 24 de maio de 2008

Descobriram a divisão

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A divisão, esta simpática operação matemática, porém altamente incompreendida e temida por muitos está voltando à tona recentemente, e isso graças aos publicitários e empresários. Já repararam que as propagandas passaram a anunciar seus produtos com os valores diário? Já não falam o valor total faz muuuuuuuito tempo, e agora estão deixando de falar o valor mensal. Somente informam o valor diário.

É que assim o produto “““““fica””””” (bem entre aspas mesmo) mais barato, afinal, precisamos só de R$ 1,00 por dia, e o que é R$ 1,00 por dia? É nada, é insignificante, portanto tenho plenas condições de comprar o produto. O fato de ter que economizar R$ 1,00 por dia, por mais de 1000 dias isso não é importante, não precisa nem ser falado. Bobagem.

E nos mercados e restaurantes também esta moda está pegando. Antes eu ia a restaurantes e via o preço por quilo. E agora, como os preços estão altos colocam o preço de 100g, assim nós não nos assustamos com o preço (pura psicologia barata), afinal, R$ 2,09 a cada 100g é bem ‘diferente’ de R$ 20,90 (leiam vinte e um reais).

E por que fazem isso? Será que é por que tem vergonha do preço que praticam, e por isso querem mostrá-lo de uma forma mais simpática?

Claro que exigir uma lei que obrigue todos os produtos a serem anunciados pelo valor da mesma unidade de tempo (mês), ou então pela mesma unidade de massa (kg) poderia acabar com isso, mas seria esforço demais para pouco ganho, mais gerenciamento, gastos. O melhor será nós, consumidores também mostrarmos conhecimentos matemáticos, e de uma operação até mais simples que a divisão: a multiplicação.

Se anunciarem o valor diário de um produto, basta multiplicarmos por 30 e então termos uma melhor noção do preço do produto (multiplicar pelo número de parcelas ajudará muito também). E no caso dos alimentos, se o valor estiver a cada 100g basta multiplicar por 10 (eita operação simples essa) e então saberemos o preço do quilograma, e conseqüentemente facilitaremos a comparação com o preço de outros produtos, também vendido a quilo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Amor e Lealdade

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Seu filho e sua filha de 12 anos mostram enorme interesse em assistir ao filme baseado em um livro que eles estão lendo na escola. Você descobre que o lançamento será daqui a quatro sábados e promete que vai levá-los já na pré-estréia. Será uma tarde muito especial, só vocês. Você ganhou pontos como pai, fez um golaço e tanto. Melhor ainda, agora eles serão os primeiros a contar para os colegas de escola como o filme se desenrola, serão o centro da roda e heróis por um dia, graças a você. E eles começam a sonhar com o grande dia. Três semanas se passam e na quinta-feira anterior à pré-estréia seus colegas de trabalho o convidam para um jogo de futebol seguido de churrasco. Seu chefe vai estar lá, jogando com a turma. Um amigo se prontifica a buscá-lo às 10 horas do sábado. Você aceita sem pestanejar. Ser convidado para jogar com o chefe é muito importante para a sua carreira, que por sinal não anda muito bem. Seria uma boa oportunidade para fazer média. Você nem se lembrou do compromisso anterior com os filhos.

No sábado, às 10 horas em ponto, seu amigo está à porta, quando seu filho, absolutamente estarrecido, lhe pergunta: "Pai, você esqueceu o nosso filme?".

O que você faz numa situação dessas?

1. Você diz que não irá ao futebol. Pede mil desculpas ao amigo, diz que não poderá jogar conforme o prometido, pede que ele explique o ocorrido ao seu chefe, e fim de papo.

2. Você pede mil desculpas aos seus filhos, explica a situação, diz que o chefe vai estar lá, que você os levará no sábado que vem, com direito a pipoca em dobro. E tudo se resolverá a contento, sem prejuízo de ninguém.

Qual das duas opções você escolhe? Se respondeu que é a primeira, lamento dizer que você está mentindo. Todo mundo escolhe a segunda opção. Afinal, é sua carreira que poderia estar em jogo. Você bem que podia se tornar mais amigo da turma do trabalho, você está inseguro. Aliás, quem não está?

O que quero discutir aqui é a razão por trás da sua escolha, o raciocínio que determinou a decisão de postergar o cinema com os filhos. Você fez essa opção porque no fundo sabe que seus filhos o amam. E, porque o amam, eles entenderão. Sem dúvida, eles ficarão desapontados, mas não para sempre. Afinal, você conseguiu conciliar a agenda de cada um, só vai demorar mais um pouquinho.

Porém, com esse tipo de raciocínio, você acaba colocando as pessoas que o amam para trás. Justamente as pessoas que nos amam é que acabamos decepcionando, vítimas dos nossos erros do dia-a-dia. Que recompensa é essa que dispensamos àqueles que nos amam e que nos são leais? Por quanto tempo eles continuarão nos amando diante de atitudes assim?

Eu não tenho a menor dúvida de que você escolheu jogar futebol porque sabe muito bem que seu chefe não o ama. Muito pelo contrário, ele não está nem aí para você. Ele pode substituí-lo na hora que quiser, sem um pingo de remorso. Você aceitou jogar com os colegas para que eles gostem um pouco mais de você. E com os seus filhos, que já o adoram, você aproveitou para negociar. Eles não vão dizer nada, vão entender, mas sentirão calados uma punhalada nas costas. A lógica diz que deveríamos ser leais com as pessoas que nos amam, mas na prática fazemos justamente o contrário.

Se acha que ninguém o ama ou que não é amado o suficiente, talvez isso ocorra porque você não tem sido leal com as pessoas a quem ama. Achar que elas serão sempre compreensivas e razoáveis é seguramente o caminho para o desastre. Seus filhos acreditarão em você na próxima vez que lhes fizer uma promessa? Eles aprenderão o significado da palavra lealdade?

Seu chefe vai esquecê-lo totalmente um mês depois de você se aposentar, bem como os seus colegas de trabalho. Os únicos que jamais vão esquecê-lo são seus filhos, pela sua lealdade ou pelas pequenas decepções e infidelidades cometidas por você ao longo da vida.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 2053, ano 41, nº 12, 26 de março de 2008, página 22

terça-feira, 20 de maio de 2008

Você está louco: pagamentos

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Eu costumo brincar que sou muito burro, pois existem tantas coisas nesse nosso mundo que eu realmente não consigo compreender o porquê é assim. Vejo ações sendo tomadas há tempos, situações continuadamente ruins e nenhuma proposta para resolver, somente condicionamentos e posturas como a da ‘Síndrome de Chicó’.

E uma das que me chamam a atenção é o período em que são feitos os pagamentos dos salários aos funcionários. Sei que existem variações, mas na maioria os pagamentos são feitos até o dia 10. Um percentual grande das pessoas recebem seus salários até o primeiro terço do mês. E o que acontece? Uma correria nas empresas no final do mês, filas imensas nos bancos e lotéricas para sacarem, depositarem, pagarem contas, comércio entupido de pessoas, lojas abarrotadas no primeiro final de semana após pagamento.

Conseqüentemente chateação das pessoas que perdem muito tempo, má qualidade do atendimento por não ser possível dar um atendimento digno, reclamações. E isso todo santo mês. Será que ninguém se incomoda com isso?

E nos outros 2/3 do mês? Aí as filas diminuem, os consumidores rareiam-se, os vendedores ficam parados na porta esperando alguém entrar, e então eles ‘disputam’ o cliente em busca de comissão. Os bancos ficam calminhos. Não soa esquisito? Se as empresas forem contratar pessoas o suficiente para dar um bom atendimento para o pico de atendimento, muitos ficarão sem muita atividade no resto do mês, e a despesa será alta. E certamente as empresas não farão isso, até por questão de sobrevivência, então acabarão contratando o número de pessoas o suficiente para o período mais comum, que é o período referente aos 2/3, ou seja, com menos movimento.

E como eu disse no começo, isso é algo que não entendo. E quero ir além de não entender. Quero propor algo para mudar isso. E o que proponho é que os pagamentos sejam feitos sempre na data de aniversário da pessoa (tratamentos especiais para dias acima do dia 28), e como as pessoas nascem aleatoriamente não corremos o risco de ter acúmulo de pagamentos, compras, filas em um determinado período. Distribuindo os pagamentos de modo aleatório, porém de fácil compreensão para as pessoas, será possível ter uma constante das necessidades de utilização dos serviços, comércio, etc. Teríamos uma quantidade muito parecida todos os dias do mês, o que proporcionaria menos filas, chateações, um melhor atendimento, um gerenciamento mais eficiente das pessoas.

Ah, mas e o gerenciamento e fechamento dos meses, isso é complicado de se fazer. Eu sei. Mas se já se desenvolveram softwares que usem o dia 1 (ou último dia de cada mês) como base para os cálculos, é muito simples ajustar o software para que ele utilize o dia do nascimento de cada pessoa para o cálculo. O computador, garanto, nem perceberá tal mudança.


Utopia? Delírio? Fruto de pensamento de desocupado? Talvez.
Melhoria? Equacionamento? Racionalidade? Talvez.


ps. O nome do artigo foi motivado pelo livro "Você está louco!", de Ricardo Semler, onde ele relata algumas sugestões incomuns.