Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

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Empresa séria (*1) procura profissionais competentes (*2) para oportunidade única (*3). Trabalhe em tempo parcial e obtenha ganhos acima de R$ 5.000,00 (*4).

*1 – por favor não procurem descobrir quem somos…
*2 – utilizamos este termo para poder atraí-lo, na verdade queremos qualquer um
*3 – não é única, sempre fazemos isso
*4 – somente se for dono do golpe da empresa, os demais ganharão no máximo uns trocados

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Fiz este pequeno texto para tentar mostrar como os asteriscos estão impregnados no nosso mundo. Não vejo nada mais sem este caracter.

Passei por uma empresa que faz cópias e tinha um lindo cartaz, “XEROX R$ 0,06*”, e o asterisco informada que era somente para acima de 100 cópias do mesmo exemplar, em uma letra bem pequena. Em compensação o preço estava com um preço bem destacado. Certamente 100 cópias do mesmo exemplar é algo muito raro, creio que deva chegar a no máximo 0,01% das ocasiões. Então por que colocam um preço que não corresponde a realidade?

Será que é para enganar as pessoas? Será que isso é pensado?

Vejo também as propagandas na TV. Assine tal provedor de internet e pague somente R$ 29,90*. Aí você vai decifrar o asterisco e percebe que é somente por 3 meses, depois o valor vai para R$ 100,00.

Então vai comprar um celular e escolhe um plano. Então vê que tem direito a 1000 minutos por mês. Vai ler o asterisco e percebe que é somente da mesma operadora, de 3 números selecionados, em ligações durante o horário das 0h a 6h.

Desestimulado, vai comprar uma TV, e no cartaz vê o preço R$ 19,99*. Vai procurar o asterisco e com um microscópio eletrônico percebe que este é o valor somente da primeira parcela, as demais parcelas são de R$ 99,99.

Chegamos a era do asterisco? A era onde tudo que nos é “dado” é retirado pelo asterisco? Não consigo mais ver nada sem a existência do asterisco.

Será que nunca mais teremos a verdade nas propagandas? Será que sempre precisaremos procurar pelas letrinhas miúdas?

Gostaria que nossos políticos, sempre preocupados conosco, fizessem uma lei onde impedissem este simpático asterisco. Ou no mínimo invertesse a situação. Obrigasse a sempre estar destacado o mais comum, a regra, e no asterisco, com letra minúscula, as exceções.

Deste modo, o simples folheto ficaria “XEROX R$ 0,10*”, com o asterisco informando que acima de 100 cópias do mesmo exemplar o valor seria R$ 0,06.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Políticos preocupados

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Acho tão injusto quando falam mal dos nossos políticos, que não fazem nada, que pensam somente no próprio umbigo, que ganham demais, trabalham de menos, que apresentam – quando apresentam – propostas ridículas ou insignificantes, que o maior trabalho deles é ficarem concedendo títulos de cidadão as pessoas que realmente são importantea para o país.

Vi recentemente que há uma proposta destes políticos preocupados com a população. Agora, para que a população dirija melhor, há um projeto para que um percentual das aulas de direção sejam feitos no período noturno, para melhor preparar os motoristas aos riscos que correrão. Que incrível né, realmente estão preocupados conosco, querem diminuir o número de acidentes, nos ajudar a dirigir melhor.

E o que dizer das pessoas que criticam tal projeto, alegando que isso não tem nexo, que isso não tornará o motorista melhor, mas somente tornará o processo mais caro ainda além de atrapalhar a vida de muitas pessoas, que estudam de noite? Essas pessoas que ficam perguntando o porquê nossos queridos políticos não pensaram em atribuir um percentual de aulas para o período da chuva, para o período do nascer e pôr do sol, para o período de neblina, nas grandes cidades, nas pequenas cidades, nos congestionamentos, nas vias esburacadas, na lama, na areia, o que devemos falar pra elas?

E o pior, estas pessoas não sossegam e não dão paz aos nossos políticos preocupados, e ficam perguntando o motivo pelo qual eles, para melhorarem também o nível dos nossos representantes, não exigem que os candidados saibam ler, escrever, compreender, ter discernimento, terem aula de ética, responsabilidade, ficha criminal limpa, não exigem formação superior na área de adminstração pública, pós graduação, essas coisas, que afinal, são imprescindíveis ao bom exercício da profissão.

Incrível, mas ainda tem pessoas que não conseguem reconhecer os méritos dos nossos políticos, suas grandes preocupações e contribuições reais para uma país melhor.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Carta do Zé do Sitio para o Luís da Cidade...

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Luis, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite.

De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.

To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pran fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.

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Depois não entendem porque eu não gosto de leis, do politicamente correto, de sindicato, essas coisas.

Lamento isso ser a mais pura verdade. E assim como ocorre no meio rural, podem ter certeza que há muitas dessas coisas que também ocorrem no meio urbano.

Este é o nosso Brasil. Um país de tolos todos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Antes x Depois

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Recebi este vídeo por email, e contra palavras não há argumentos. Ainda mais quando as palavras foram proferidas pela mesma pessoa. A única diferença é que a pessoa mudou de lado, de candidato para presidente. Acho engraçado que somente isso faça com que uma pessoa mude sua forma de ver as coisas.

Assistencialismo é uma das mais perversas formas de escravidão, que é aquela na qual o escravizado crê que está sendo ajudado, quando na verdade está sendo podado, limitado, atrofiado. Aos que tiverem interesse, escrevi sobre o assunto em outro artigo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Em nome da segurança

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Ontem me deparei com este texto: Restaurante de hotel proíbe palitos de dentes por 'ameaça à segurança'.

Abaixo transcrevo uma parte do texto:

Segundo reportagem do jornal britânico “Daily Mail”, o Macdonald Portal Golf and Spa baniu os palitos de madeira afirmando que os objetos seriam um ameaça à saúde dos clientes e à segurança do local.

Fico tentanto imaginar o risco que um palito de dente pode causar. Sei que com o palito uma pessoa má intencionada pode tentar furar o olho de outra, por exemplo, o que “poderia” justificar tal “proteção”. Mas e os talheres, não são riscos? Se formos calcular o potencial “ameaçador” dos objetos, apostaria minhas fichas nos talheres.

O mundo está ficando paranóico. Tudo é arriscado atualmente, tudo tem que ter proteção, inúmeras regras, prevenções, restrições, tudo para que possamos ter uma “vida” mais mais segura.

Lembrem das coisas que fazíamos quando crianças (para os que tem mais de 30 anos). Corríamos riscos um atrás do outro, subíamos em árvores, descíamos ladeiras em carrinhos de rolimã e como freio somente o tênis ou chinelo, jogávamos futebol descalço, andávamos de bicibleta sem proteção alguma, brincávamos o dia todo sem celular por perto, passávamos por cercas de arame farpado para pegar bolas que iam longe do gol, e no entanto não morremos. Somente ficamos mais fortes, aprendemos a superar os desafios, aprendemos o nosso limite, e o limite das coisas.

Mas estão acabando com isso. Agora temos que ter medo de tudo. Temos que ter medo de sair de casa, temos que ter medo dos brinquedos terem partes pequenas, dos brinquedos não serem aprovados pelo Inmetro, das crianças poderem se ralar ao cair da bibicleta, de cair de uma árvore.

“Em nome da segurança” estão nos matando em vida. Ao invés de nos proporcionarem uma vida feliz – e entendo como vida feliz aquela onde podemos fazer o que quisermos (isso não inclui desrespeito aos outros), assumindo os riscos, nos aventurando, tomando decisões, certas ou erradas – querem todos uns robozinhos, programados por normas e leis feitas para nos “protegerem” de tudo que de mal possa nos acontecer. Pena que eles somente enxerguem o mal como algo físico, pois a mim, o maior mal que pode existir não é um arranhão, uma perna quebrada, uns hematomas, mas sim a falta da liberdade, de iniciativa, de aprendizado.

Só que a “segurança” não enxerga isso. Espero que nós, então, enxerguemos isso, para acabarmos com esta onda paranóica que está nos acometendo, para gritarmos que queremos VIVER, com tua sua plenitude, suas possibilidades, suas riquezas, seus ensinamentos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Jesus nos dias atuais

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É inegável discordar da influência que Jesus exerce em nossa sociedade atual. Sua forma de viver, suas palavras, seus atos, sua bondade, sua compaixão estavam a frente do seu tempo – e talvez ainda esteja a frente.

Hoje muitas religiões – e infelizmente algumas franquias – citam suas palavras, suas ações, ensinamentos, conduta. E muitas pessoas o adoram, o amam, e repetem suas palavras, seus discursos. Pregam bondade, compaixão e tudo que de bom ele nos ensinou. E há de alguém que exponha alguma idéia contrária, com ou sem fatos. Falar que ele era uma pessoa como as outras, porém somente com uma postura de vida diferenciada é um insulto gravíssimo.

Mas aí me pergunto. Se hoje, aparecesse outra pessoa, igual a ele (no sentido da filosofia de vida, valores) e andasse pelas cidades propagando o amor, o respeito, o desprendimento, dizendo que Deus não está em templos ou fica feliz com generosas ofertas em dinheiro ou sacrifícios, que Deus está em toda a parte, que está dentro de nós, como seria tratada?

Será que as mesmas pessoas que hoje respeitam Jesus, seus ensinamentos respeitariam esta outra pessoa? Daria a ela o mesmo crédito, a mesma devoção? Dariam a esta pessoa o mesmo crédito? Ou a chamariam de louca, maluca?

Se esta pessoa chegasse até nós e dissesse que o materialismo de hoje está destruindo a sociedade, que nosso egoísmo de nada ajuda no caminho do bem, e que podemos agir diferente, mesmo com todos dizendo que é assim que as coisas são, escutaríamos o que ele está falando ou já o descartaríamos?

Será que as pessoas da época de Jesus o respeitavam tanto quanto as pessoas de hoje respeitam? Ou será que as pessoas daquele época fizeram com ele o mesmo que nós faríamos com uma pessoa de nossa época?

É nessas horas que me pergunto se o que as pessoas respeitam são os títulos, as honrarias, o destaque histórico ao invés de respeitarem o que as pessoas são de fato.

Será que não é hora de valorizarmos o que as pessoas são, e não o que as pessoas acham que são? Ou o status e posição social que ocupam? Será que a qualidade está no status, dinheiro?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Direitos e Deveres

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A primeira recordação que tenho a respeito de direitos e deveres é de uma aula de história, quando o professor nos passou uma relação dos direitos e deveres dos colonos das capitanias hereditárias.

Deste então passei a compreender tais conceitos. Direi com minhas palavras o que penso a respeito de cada um destes conceitos:

Direitos: o que eu posso fazer, desde que decida por isso. O exercício ou não do direito não pode ser definido por outra pessoa.

Deveres: o que eu devo fazer, sem a possibilidade de abrir mão. Não pode ser transferido para terceiros.

Após a segunda guerra mundial foi criado a Declaração Universal dos Direitos Humanos, visando a construção de um mundo melhor, onde as pessoas tenham condições de desenvolverem seu potencial, sua cidadania, e consequentemente construírem um planeta melhor.

E ouso de perguntar se isso foi bom. Certamente muitas pessoas já começarão a preparar os argumentos para me dizer que esta minha ousadia não tem nexo, que onde já se viu questionar algo como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Questiono pelo seguinte motivo. Existe a Declaração Universal dos Deveres Humanos? Pesquisando rapidamente no Google não achei nada. Estanho não é? Como pode haver um documento dos direitos e não tem nenhum dos deveres? Estes dois conceitos, para mim, sempre andam juntos. A existência somente de um provoca um desequilíbrio.

Vamos pensar um pouco. Você tem um filho, e passa para ele somente os seus deveres, sem direitos nenhum. Ele somente precisa cumprir seus deveres (que certamente possui o objetivo de torná-lo uma pessoa melhor), nada mais. Será que ele será uma boa pessoa? Será uma pessoa feliz? Será uma pessoa consciente?

E em um relacionamento. Imaginem o cônjuge tendo somente deveres. Tem que limpar a casa, levar o lixo pra fora, dar atenção ao parceiro, e mais um montão de coisas. Será este um cônjuge feliz?

Pelo que percebem, ter somente direitos não é nada agradável, mesmo que o objetivo seja o melhor possível. E ter somente direitos, também não é igualmente perigoso?

A partir da declaração os seres humanos passaram a ter inúmeros direitos (de forma oficial), que visa dar uma melhor condição de vida a ele, mas quais deveres ele tem? Nenhum? Então ele pode fazer o que quiser que mesmo assim continuará tendo todos os direitos? Afinal, ele não descumpriu nada.

Pensem nas reportagens que veem sobre o direitos humanos dos assassinos e estupradores. Sempre tem gente defendendo o direito deles, mas nunca vi ninguém cobrando os deveres. Será que é por que não existem?

Se a existência somente de deveres pode gerar pessoas revoltadas, a existência somente de direitos gera pessoas sem o menor senso de respeito, humanidade, comunidade. Passamos a gerar pessoas que creem que o próprio umbigo é o centro do universo, e todos precisam satisfazer sempre seus direitos.

Nunca vi ninguém cobrando das pessoas o respeito ao próximo, o não levar vantagem, a transparência, a bondade. Mas gente exigindo direito isso tem ao monte.

Vejo o governo dando um monte de dinheiro a vagabundos sobre o nome de bolsa-família, bolsa-gás, bolsa-transporte, bolsa-cultura, porém não vejo o governo exigindo que para isso a pessoa trabalhe em obras para as cidades, ou entidades assistenciais. Tais pessoas somente sabem exigir seus direitos.

Então volto ao questionamento. Será que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi boa? Será que a ação não ficou meio capenga?