Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

segunda-feira, 31 de março de 2008

Farra com nosso dinheiro

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É impressionante a facilidade com a qual se toma decisões com o dinheiro dos outros, como é fácil investir em reformas, móveis, conforto. Eis um pouco do que nossos ilustres representantes fazem com o NOSSO dinheiro.
A reportagem completa pode ser vista no site Contas Abertas, pelo link http://contasabertas.uol.com.br/noticias/auto=2189.htm.

"A Câmara gastou R$ 9 milhões com reparos e conservação dos 432 imóveis funcionais em 2007. Entre as despesas estão a compra de sofás, fogões, geladeiras, camas, persianas, espelhos, além de assinatura de TV a cabo e gastos com tratamento de piscinas..."
Isso gera um valor de reforma e reparo de R$ 20.833,33 por apartamento. Tem muitas pessoas que ficariam felizes da vida se tivessem uma casinha que custasse isso.

"...a Câmara também oferece aos deputados, por exemplo, fornecimento de gás liquefeito (R$ 154,2 mil pagos pelos serviços em 2007). Despesas como a compra de refrigeradores duplex frost free e de lavadoras de roupa somaram R$ 174,3 mil. Já assinaturas de TV a cabo para as residências oficiais custaram, no ano passado, R$ 1,7 mil aos cofres públicos..."
Alguém por acaso tem estes benefícios onde trabalha? Deve ser uma delícia ter TV a cabo paga pelo empregador.

"De acordo com o “Regulamento Interno para Blocos de Apartamentos pertencentes à Câmara dos Deputados”, cabe a quem ocupa responsabilizar-se apenas pelas despesas de consumo de luz, gás e telefone que superam a cota normal."
Bom, para quem deve comer em restaurantes chiques, ficar somente três dias por semana acho que isso é meio inócuo.

"...os deputados também deixaram de pagar mais uma despesa comum para qualquer cidadão: o condomínio do prédio...a Mesa Diretora suspendeu a cobrança da taxa de ocupação “devido à precariedade dos apartamentos”..."
Adoraria (e o resto da população deste país também) morar em um lugar tão precário quanto aquele, onde somente uma reforma estrutural custará a bagatela de R$ 307 mil.

"...o fim do pagamento de auxílio-moradia. São gastos R$ 10,6 milhões por ano com os 295 deputados que recebem o benefício atualmente...."
Uma conta simples chega ao valor de R$ 35.932,00 ao ano, ou seja, quase R$ 3.000,00 por mês. Troco meu salário por essa ajuda de custo.

No artigo tem bem mais detalhes a respeito desse desrespeito conosco. E estes valores são somente o de moradia. Eles ainda tem auxílio paletó, auxílio telefone, verba para viagens de avião, verbas de gabinete e certamente dezenas de outras verbas, que convenhamos, são extremamente necessárias e é o mínimo que eles precisam para poder exercer o seu trabalho. Há o sabido caso do cartão corporativo utilizado para comprar tapioca, certamente uma necessidade para a soberania deste país.

Será que uma pessoa com tantos privilégios, vivendo em um mundo completamente fantasioso e distante de qualquer realidade, ainda mais da mais pobre, conseguirá perceber as reais necessidades dessa população? Conseguirá se preocupar com a aposentadoria dos cidadãos se eles se aposentam somente com 2 mandatos (8 anos)? Conseguirão se preocupar com moradias, transporte público, alimentação se eles possuem tudo isso facilmente? Duvideodó.

E quando eu ainda converso com pessoas e digo que não voto para não corroborar com tais atos, ainda escuto que eu não quero o bem deste país, que deste jeito eu não estou sendo cidadão, que perco o direito de criticar.

Bom, eu,
entre escolher ser morto de um modo ou de outro, eu não escolho. Isso é falta de opção. Escolho sim é pela cidadania, pelo respeito, por uma forma diferente de termos nossos representantes, por uma forma de termos profissionais lá no governo também, como em qualquer outra função do mundo. E continuarei a escolher por estes valores....

domingo, 30 de março de 2008

Da série "Das coisas que não entendo"

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Moro em um condomínio, e frequentemente tem as assembléias para discussão dos assuntos de interesses comuns, definição de prioridades, orçamentos, essas coisas.
E em toda carta de convocação é informado que a assembléia começará as 19h com maioria dos presentes, ou então as 19h30 com qualquer número de presentes.
Pergunto: "Que horas vocês acham que começa qualquer assembléia?".

Acertou quem disse que todas começam as 19h30.

E é isso que não entendo, o porquê desse aviso. Se qualquer assunto pode ser definido por qualquer número de presentes, então por que exigir a maioria absoluta? É só começar as 19h, independente de quantas pessoas.

Por favor, alguém que saiba o motivo disso por favor me explique. Somente espero ser um motivo racional, pois sei que os motivos legais estão à anos-luz de qualquer bom senso ou racionalidade.

sábado, 29 de março de 2008

CPMF

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Esforcei-me para não escrever sobre esse assunto, no entanto não consegui.No final do ano passado a CPMF foi extinta (até quanto sabe-se lá), e isso gerou um monte de reportagens a respeito.
Quero aqui expor um pouco das minhas idéias. Primeiro não entendo porque a sigla era CPMF e não IPMF. A troca do ‘C’ pelo ‘I’ é que ‘C’ era de contribuição enquanto que o ‘I’ proposto por mim seria Imposto, afinal, se nos fosse perguntado se queríamos contribuir creio que a maior parte não quereria. O ‘P’ certamente é de permanente.

Vi alguns discursos de políticos defendendo ou não a permanência deste imposto, e vi as várias propostas que fizeram. Vi um político defendendo o imposto, pois o dinheiro ajudava a saúde do país, e sem este imposto quem iria ser prejudicado seriam os pobres deste país, pois a saúde ficaria precária. Hahahahahahahahahahahaha. Desculpem-me por isso, mas a saúde ficaria? É isso mesmo? Em que país aquele ‘ilustre’ cidadão vive? Nossa saúde pública está um caos. Por acaso vocês conhecem alguém com condições de pagar um plano de saúde particular que opte pelo serviço público, por este ser melhor? É uma demagogia que enoja.

E também vi o governo mudando as propostas até propor que 100% do valor arrecadado por este imposto seria destinado a saúde. ‘Péra aí!!!!’. Se não me engano, quando este imposto foi criado o único destino era esse. E agora o governo propõe isso novamente, para que a contribuição pudesse ser mantida. E quem me garante que depois de aprovada este dinheiro não seria redividido novamente. Quem já fez isso uma vez, sabe a forma de fazer. E depois de aprovada o resto é tudo com eles, nós não teríamos nenhuma possibilidade de exigir tal cumprimento.

A CPMF é um imposto de caracteriza bitributação, pois eu pago imposto para pagar imposto, sem contar que podemos perder dinheiro somente por fazer transferência de dinheiro para outra pessoa.
Mas veja Carlos, o governo consegue saber a movimentação da pessoa e comparando com os dados do imposto de renda tentar detectar se há alguma fraude ou não. Não sei como as leis regem esta área, se o governo pode usar esta informação ou não contra um cidadão. No entanto isso já teria um problema, pois se eu transferir meu dinheiro para uma pessoa eu pagaria o imposto. Depois se essa pessoa devolvesse o dinheiro para mim, e quando eu fizesse uso real do dinheiro pagaria novamente, ou seja, pelo imposto recolhido o governo pode achar que eu ganho o dobro do salário. Voltando a legalidade ou não da ação, se for legal, porque o governo não pega dos bancos então todo o valor das transações feitas, e não somente o do imposto. Se for legal, tanto faz pegar o valor do imposto ou o valor total. Uma simples matemática é o suficiente para descobrir o valor movimentado.

E o governo criar novas formas para cobrir o ‘buraco’ deixado pela CPMF. Pena que eles esquecem que o valor de impostos pagos neste país é um dos maiores do mundo em termos percentuais, pena que se esquecem também que eliminando gastos excessivos, gastos em cargos de confiança, gastos com cartão corporativo, colocando seus salários em valores compatíveis com este país, tirando auxílio-isso, auxílio-aquilo,diminuindo burocracia, implementando gestões eficientes nos governos, combatendo-se corrupção, eliminando as regalias o valor economizado será tão grande que o valor que eles perderão com a extinção da CPMF será plenamente compensado, quiçá sobrará mais dinheiro ainda.

Pena que eles não pensem assim, ou melhor, não pensem.

Poupatempo

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Recentemente precisei renovar a minha carteira de motorista, visto que o prazo de cinco anos estava por terminar. E na obtenção desta renovação vivenciei algumas situações as quais quero comentar aqui.
Na cidade onde resido existe o Poupatempo, que segundo o site deles é “O Governo do Estado de São Paulo, para facilitar o acesso do cidadão às informações e serviços públicos, implantou em 1996 o Programa Poupatempo, que reúne, em um único local, um amplo leque de órgãos e empresas prestadoras de serviços de natureza pública, prestando atendimento sem discriminação ou privilégios.”. Aqui em minha cidade o Poupatempo foi apoiado por empresários da região, onde a cada transação efetuada um percentual é repassado aos mesmos, o que torna o atendimento mais parecido com o de uma empresa privada do que uma empresa pública.

Pois bem, fui lá e realmente é tudo muito rápido, têm pessoas que nos dão a instrução dos passos que precisamos fazer, e no meu caso, os exames, a documentação foi feita muito rapidamente. Em duas horas é possível sair de lá com a nova carteira de habilitação.

Vejo-me obrigado a concordar que o nome do programa realmente ocorre, mas vou um pouco mais além. Com relação a este programa, faço duas perguntas:
  1. Como foi possível poupar o tempo?
  2. Se é possível fazer tudo rapidamente, poupando o tempo dos cidadãos, por que ainda existem os ‘perdetempo’?
Com relação à primeira pergunta, o que vejo é que a economia de tempo é devida a proximidade de tudo o que precisamos fazer para qualquer coisa. Se precisamos pagar uma taxa, fazermos um exame, solicitarmos um documento, tudo fica dentro de uma mesma estrutura, deste modo evita que o cidadão precise se locomover para vários pontos da cidade, enfrentar incompatibilidades de horário entre os serviços complementares. Isso realmente poupa o tempo. Mas isso não é evolução, é somente automatização. O que quero dizer com isso? O governo ainda continua com toda a burocracia, toda a ‘papelada’ (mesmo que em meios eletrônicos), várias etapas. Somente passamos a executar toda a burocracia de um modo mais rápido. O processo foi automatizado, porém não foi evoluído. Não se pensou em uma forma melhor de se fazerem as coisas.

E com relação à segunda pergunta, talvez meu comentário anterior explique um pouco. Para ‘poupar’ o tempo é necessário colocar tudo em um único lugar, o que exige um custo muito alto de manutenção, e em cidades de porte pequeno isso fica inviável financeiramente. Agora, se o processo fosse modificado, se a informática, a rede, os recursos atuais fossem bem empregados provavelmente se poderia criar uma nova forma de prestação de serviço aos cidadãos, minimizando as burocracias, e conseqüentemente o tempo despendido.

Mas há quem diga que nesse país a burocracia não acaba pois ela dá dinheiro. Quem dera estas pessoas estivessem erradas....

sábado, 22 de março de 2008

Fumo

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Vivemos em um tempo em que o glamour do cigarro está indo por água abaixo. Há campanhas e políticas governamentais para diminuir a quantidade de fumantes. Eu sou uma das pessoas que apoio muito estas políticas, por mim cigarro - e bebidas - nem deveriam existir pois são meros objetos de desvio, fuga da realidade, já que são drogas.

Neste país morrem 200 mil pessoas por ano em doenças ocasionadas pelo cigarro. É muita gente, mas as que morrem digamos que são os menores problemas para o estado, pois não gera muitas despesas ao estado, no entanto as doentes é que custam, e muito, ao estado. É muito dinheiro público gasto com pessoas que não tem pressa para morrer - pessoas que fumam, quando escutam que o cigarro mata lentamente normalmente dizem: "Eu não estou com pressa para morrer.", dinheiro este que poderia ser aplicado para as pessoas vítimas de doenças as quais elas não optaram por tê-las, ou então melhorar os equipamentos, solidificar campanhas educacionais de saúde, etc.

E quando vejo as propostas de leis que estão circulando por aí escuto e leio de fumantes o quanto eles estão sendo perseguidos, que lhes estão tirando o direito deles de fumar. E nesse ponto não há como concordar com eles. Se lhes fossem tirar o direito deles de fumar, haveria uma proibição (lei) contra o fumo, tanto comercialização quanto utilização, o que não há tampouco tem propostas para isso. O que está sendo feito é uma forma de minimizar o impacto que estas pessoas provocam na vida dos outros, que assim como eles fizeram uma opção, porém a de não fumar.

O direito de um termina onde começa o do outro, e se em um ambiente público existem pessoas que não fumam, nem querem ser prejudicadas pelo cigarro, há de se respeitar o direito dessas pessoas, o direito dela de manter-se saudável, de não se intoxicar e prejudicar o seu corpo. Sou plenamente a favor do direito de uma pessoa fumar, no entanto a única pessoa que pode ser afetada por esta decisão é ela. Quando a ação dela atinge outras pessoas esse direito não mais existe. Vivemos em uma sociedade e o respeito e bom senso é uma das necessidades para que ela exista.

Tem propostas do governo em elevar os valores dos impostos. Li em um artigo (http://leticialocoelho.blogspot.com/2008/02/masi-uma-discusso-imbecil.html) que teve vários comentários, e o que li muito é que o aumento de impostos servirá para aumentar o valor para a corrupção. Não discordo do sentimento das pessoas que escrevem isso, afinal isso ainda é grande neste país, mas isso distorce o motivo real do aumento de impostos. Não é para financiar a corrupção nem deixar o governo mais rico, mas sim para utilizar o valor no tratamento destas pessoas quando as doenças decorrentes aparecerem. Vejo mais como um plano de saúde específico para as pessoas que fumam, assim elas mesmas financiariam os seus gastos médicos do futuro. O que considero justo, afinal, por que eu, um não fumante, devo pagar impostos para um fumante se tratar?

Alguns defenderam a opção do fumante, com a qual eu concordo, mas o que não se pode esquecer é que toda ação tem um custo, uma conseqüência, e a conseqüência disso é ele mesmo pagar os tratamentos que serão necessários devido à sua opção. Ou ele deve pagar mediante aumento nos impostos nos cigarros ou então pagar todos os gastos médicos, isentando planos de saúde e a saúde pública de custear esta opção.

Mas talvez isso eles não queiram, achariam isso uma discriminação. É normal das pessoas quererem somente o lado 'bom' das coisas, as responsabilidades atreladas à elas não.

E aproveito para propor outra idéia. Que tal as empresas tabagistas serem obrigadas a pagar pelos tratamentos de saúde que acometerem os fumantes passivos? Os fumantes ativos teriam que arcar com sua própria saúde, mas os passivos, que são vítimas de muitos fumantes, deveriam ser ressarcidos pela indústria, que é co-responsável pela saúde das pessoas.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Receita para ter um infarto feliz

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- "Vivemos num mundo globalizado, então precisamos fazer isso".
- "Agora concorro com gente de todo lugar".
- "Se eu não fizer isso, alguém fará".
- "Eu quero crescer profissionalmente, então tenho que entrar no jogo e fazer isso".

Estas são algumas das frases muito comumente ditas hoje, e provavelmente quem diz isso não consegue ver o amanhã, as consequências dos seus atos. Desejo então um feliz infarto e que aproveite bem os breves momentos de sua vida.

"Quando li estes conselhos pela primeira vez, não pude deixar de pensar o que a vida moderna tenta nos impor diariamente. Leia e leve a sério! Pois a vida é uma só, e depende de como você a leva.
  1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
  2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder, também aos domingos.
  3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
  4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem, menos para seus filhos que pedem atenção e para sua esposa que precisa de carinho e proteção.
  5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
  6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes, sempre com muita comida gordurosa, bebida e cigarro.
  7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
  8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se de que você é de ferro.
  9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
  10. Se sentir que está perdendo o ritmo e o fôlego, tome logo estimulantes e energéticos. Eles vão te deixar tinindo.
  11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
  12. E, por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração e meditação diante de Deus. Isto é para crédulos e tolos.
    Repita para si mesmo: eu sou a minha própria religião.
    "

quarta-feira, 19 de março de 2008

Talento em excesso

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As múltiplas habilidades da mulher que copiava

Há 30 anos, talvez um pouquinho mais, o Santos Futebol Clube tinha aquele timaço acima de qualquer suspeita, seu currículo de conquistas já era tão extenso que nem caberia nesta página. Apesar disso, o apetite da equipe por vitórias continuava o mesmo, e lá estava o Santos na reta final para vencer mais um campeonato. Então, numa daquelas partidas contra um time sem expressão, em que o Santos sempre se empanturrava de fazer gols, a máquina emperra. O tempo vai passando, passando, e o placar teima em não sair do zero.
Aquele pontinho perdido poderia ser desastroso, e Lula, o técnico do Santos, ia ficando cada vez mais aflito. Até que, faltando 15 minutos para o fim do jogo, ele cansa de esperar que seus craques resolvam a situação por conta própria e decide tomar uma providência gerencial. Olha para o banco de reservas e chama o atacante Pitico.
- Pitico, vem cá. É o seguinte. O Pelé ficou muito isolado ali na frente. Vai lá e encosta nele, para a gente ter mais opção de ataque.
- Falou, seu Lula.
- Além disso, nosso meio-de-campo está no maior bagaço. Você volta um pouquinho quando a gente estiver com a bola, para ajudar na armação.
- Certinho, seu Lula.
- Só mais uma coisa. O ponta-esquerda deles já matou o Carlos Alberto de tanto correr. Quando eles saírem jogando, você cai ali pela direita e fecha o espaço. Alguma dúvida?
- Só uma, seu Lula. Se o senhor acha que eu sou mesmo capaz de fazer tudo isso, por que é que eu ganho só três salários mínimos por mês?

Eu me lembrei dessa história na semana passada, quando vi um anúncio de emprego. A vaga era de gestor de atendimento interno, nome que agora se dá à seção de serviços gerais. E a empresa contratante exigia que os eventuais interessados possuíssem -- sem contar a formação superior -- liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e, não bastasse tudo isso, ainda fossem hands on. Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possuía mesmo essa variada gama de habilidades, o salário era um assombro: 800 reais. Ou seja, um pitico.

Não que esse fosse algum exemplo absolutamente fora da realidade. Pelo contrário, ele é quase o paradigma dos anúncios de emprego atuais. A abundância de candidatos está permitindo que as empresas levantem, cada vez mais, a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da superqualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico... Vamos supor que, após uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, gerente da contabilidade.

- Fabiana, eu quero três cópias deste relatório.
- In a hurry!
- Saúde.
- Não, isso quer dizer "bem rapidinho". É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português?
- E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?
- O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática.
- Não, não. Cópias normais mesmo.
- Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das cópias que tiramos.
- Fabiana, desse jeito não vai dar!
- E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.
- Como assim?
- É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E considero isso um desperdício do meu potencial energético.
- Olha, neste momento, eu só preciso das três có...
- Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro...
- Futuro? Que futuro?
- É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada.
- Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada!
- Sei. Mas o senhor é hands on?
- Hã?
- Hands on. Mão na massa.
- Claro que sou!
- Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.

Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções. Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas. E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas.
Alguém ponderará -- com justa razão -- que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente superqualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado que chegasse de repente confundiria nossa salinha do café com o auditório da Fundação Alfred Nobel.
Até que um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas. E, no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha noções de informática e possuía energia e criatividade. Sem mencionar que estava fazendo pós-graduação. Só que não sabia nem abrir o capô.
Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava "nóis vai" e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida. Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz, uma espécie de pitico contemporâneo. O que é capaz de resolver, mas não de impressionar.