Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

domingo, 5 de outubro de 2008

Aprendiz de viver

Texto recebido por email, autor desconhecido.

Já vai para 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples.

É regra. Então, nos processos globais, nós brasileiros, americanos, australianos, asiáticos ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem “n” reuniões, ponderações. E trabalham num esquema bem mais “slow down”. O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:

1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários.

Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. Vou contar para vocês um breve relato só para dar noção.

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

“Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio
e você deixa o carro lá no final.” Ele me respondeu simples assim: “É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?”

Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos.

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site é muito interessante. Veja-o!). O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, “curtindo” seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida em que o americano endeusificou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da “pressa” e da “loucura” gerada pela globalização, pelo apelo à “quantidade do ter” em contraposição à qualidade de vida ou à “qualidade do ser”.

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%.

Essa chamada “slow atitude” está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do “Fast” (rápido) e do “Do it now” (faça já). Portanto, essa “atitude sem-pressa” não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais “qualidade” e “produtividade” com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos “stress”.
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do “local”, presente e concreto em contraposição ao “global” - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé.
Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais “leve” e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Gostaria de que você pensasse um pouco sobre isso...

Será que os velhos ditados “Devagar se vai ao longe” ou ainda “A pressa é inimiga da perfeição” não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?

Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de “qualidade sem pressa” até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da “qualidade do ser”?

No filme “Perfume de Mulher”, há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde:

- “Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos.”
- “Mas em um momento se vive uma vida” - responde ele, conduzindo-a num passo de tango.
E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.

Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”...

Parabéns por ter lido até o final!

Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem “perder” o seu tempo neste mundo globalizado.

Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família. De ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas...
Poderá ser tarde demais!

7 comentários:

Jhennifer Cavassola disse...

Hum que chic! Suiça, Volvo? rss Tenho um amigo que passou uns 6 meses ai, hoje ele está na Alemanha. Ele amou os tempos que passou ai, disse que é outro mundo, em questão de tudo. Ele é homossexual e viu os valores dele, nada de preconceitos, trabalhou na area que gosta, amo a experiencia.
Ele me disse qie se deixar uma máquina em uma praça, no outro dia vc volta e ta lá a maquina fotografica.
Acho que atitude! Eu estava vendo uma reportagem da google, os profissionais de lá, como é o ambiente de trabalho da google, pow quem não queria, é uma empresa que valoriza cada funcionário e por isso cresce a cada dia mais. Hoje a google faz parte da nossa vida, todos usam nem que seja um produto da google. E eles trabalham sem pressa, produz mais e com eficiência.
O filme que vc citou, tenho ele aqui, mas ainda não assisti.

É por isso que meu lema é: "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida."

beijos e uma linda semana!

Iza disse...

Me enxerguei nesta postagem poque trabalho sessenta horas por semana e ainda roubo tempo daqui e dali para estar na internet. Por isso acho que muitas coisas passam e não percebo.
Se pudesse reduzir meu tempo de trabalho, sem dúvida o faria com muito mais qualidade.
Acho que o problema dos brasileiros é que somos muito milhões e cada um tem uma forma diferente de pensar e não temos unidade em torno de um Bem comum.
Beijos!

Meus Detalhes disse...

Noite :);

Parabéns pelo post... e eu também ganhei os PARABÉNS :).... super legal "VOLVO"... até hj tenho uma carretinha guardada no meu quarto, filha de caminhoneiro dá nisso rsrs. Beijos E Fique com DEUS.

Matthew Salbego disse...

É verdade, quando fazemos as coisas com mais calma, ficam bem melhores. Não é atoa que a Europa é do jeito que é.. porque as pessoas sabem aproveitar bem seu tempo. Parabéns pelos 18 anos!=p

abraço!

Polêmica disse...

Excelente essa ideia do estilo "slow". Eu trabalhei numa empresa de telemarketing que adotava o estilo americano, tudo tinha que ser rápido, o tempo de lanche era de 15 minutos e tínhamos um tempo médio de 6 minutos para atender cada cliente e durante as horas de trabalho tínhamos direito a 5 minutos para beber uma água, tudo era cronometrado. Os clientes reclamavam demais porque brasileiro gosta de conversar e a gente não podia perder tempo batendo papo com eles, nós eramos ensinados até a trocar as palavras mais longas por palavras mais curtas. O resultado de tudo isso eram operadores stressados e clientes com raiva do atendimento.
Eu não entendo a pressa desses grandes homens de negócios, até parece que o mundo vai acabar se eles separarem 10 minutinhos de seu tempo para atividades mais saudáveis e relaxantes..vc tem razão, temos que dar mais atenção as frases do tipo “Devagar se vai ao longe” e “A pressa é inimiga da perfeição” em vez de darmos mais atenção a frase "tempo é dinheiro".

Essa do estacionamento foi uma baita lição de moral hein (rs)..

Beijus!

Cassius Vallim... disse...

Interessante seu depoimento, na minha empresa, não tem como trabalhar devagar rs... trabalho numa refinaria, numa grande petroleira brasileira rs... a produção é 24 horas e não daria para parar tudo pra continuar no outro dia rs... é complicado, mas só pra ter idéia, a minha unidade demora 4 dias para começar a operar rs... não é simplesmente desligar... Mas entendi a sua idéia e serve para muitas coisas, inclusive fora do ramo profissional...

Esse lance de estacionar longe eu já tinha ouvido alguma história sobre isso...

Valeu pela visita.
Abraço.

Arthurius Maximus disse...

Fantástico artigo! É uma pena que a autoria não esteja exposta. Sem dúvida um ponta pé em muitos que levam a "lei de Gerson" a sério por aqui. E uma lição de civilidade e de como a vida deve ser vivida.