Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Reciclagem: orgulho do Brasil. Será?

Estamos em uma época onde reciclagem deixou de ser um termo de ecologistas chatos de plantão, de anti-capitalistas que querem que o sistema caia, e passou a fazer parte de nossa vida, ensina-se nas escolas, incentiva-se nas empresas. A reciclagem é necessária pois não dá para gerir um planeta do modo como estávamos fazendo (e ainda continuamos em boa parte). É preciso entender que vivemos em um planeta finito, com matérias-prima finitas, e se não houver reciclagem um dia tudo parará. Mas não é só isso, a reciclagem ajuda a diminuir o lixo gerado, propicia economia visto que é mais barato reciclar do que gerar um produto do zero, enfim, existem vários argumentos que demonstram como a reciclagem é importante.

E quase tudo já pode ser reciclado, papéis, vidros, metal, pneus, produtos eletrônicos, e a cada dia surge um novo uso para velhos produtos, novas técnicas de reciclagem, o que é muito bom. E nosso país é referência na reciclagem, principalmente no que diz respeito a reciclagem do alumínio. Já li que se recicla quase 97% do alumínio, o que torna este país um exemplo mundial.

Mas será que este número é bom? Será que devemos nos orgulhar de reciclarmos 97% do alumínio?

Não há como negar os benefícios financeiros que isso gera, a diminuição do lixo. Mas mesmo com tudo isso, ainda sim é bom? Para mim não, não é nada bom. E o motivo não tem a ver com o percentual alcançado, nem com a economia gerada, ou a renda obtida. O motivo pelo qual não comemoro tal índice é a forma como obtemos este índice. Somente reciclamos tudo isso por causa da miséria, da falta de oportunidade, da necessidade de pessoas menos afortunadas, que para sobreviverem catam milhares de latinhas e as carregam em suas carroças, sob sol ou chuva, e em meio aos carros. De domingo a domingo. Ou será que são as pessoas que possuem consciência ambiental e lutam para terem lugar onde depositar suas latas? Será que se as pessoas que hoje necessitam catar latas tivessem um pouco mais de dinheiro, outro emprego o nosso tão comemorado índice permaneceria?

Comemorar este índice é ficar feliz com a miséria que este país gera, é ficar feliz com a falta de consciência das pessoas, é dar aval a expressão que diz que os fins justificam os meios.
Comemorar esta “conquista” é o mesmo que comemorar o ingresso dos menos capacitados na universidade, através de cotas, é o mesmo que comemorar o aumento do poder aquisitivo da população, mediante bolsas incentivadoras de vagabundagem.

Vamos analisar os fatos além do básico, do visível. A imagem pode ser linda, mas o que se esconde por trás dela pode não ser.

3 comentários:

Raquel El-Bachá disse...

Isso que vc disse não deixa de ser verdade. Esses catadores precisam coletar material em grande quantidade para obter um dinheirinho que valha a pena. O que eles recebem é muito pouco. Quem lucra com o trabalho deles são as empresas de reciclagem e os donos de empresas de sucata que revendem para empresas maiores, como siderúricas. Outro problema é que muitos desses catadores roubam material como fios telefônicos (a Oi - Telemar que o diga!)para ganhar mais. Eu sei um pouco sobre isso porque o pai de meu ex-namorado é dono de uma empresa de sucata.
Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações para vc!
Beijos.

Armando Maynard disse...

O que poderia ser feito muito mais, eram ASSOCIAÇÕES e COOPERATIVAS para aglutinar esses catadores, que juntos e organizados passariam a ter mais poder de negociação, fazendo com que conseguissem melhores condições de trabalho, gozando assim de direitos trabalhistas e com sua profissão reconhecida.Um abraço, Armando - fetichedecinefilo.blogspot.com(recomentarios.blogspot.com)

Anderson Emídio disse...

Bela postagem meu amigo.
Infelizmente nossa liderança está associada a miséria como bem mencionou.
Lembro-me das garrafas pet que outrora enchiam os rios e lagos das cidades.Quando começaram a pagar por elas,simplesmente desapareceram destes locais.
Isto reforça oque você disse,não aconteceu por conciência ecológica,foi uma válvula de escape que move esta grande "indústria" chamada miséria.
Denomino indústria devido aos grandes interesses que estão por trás de toda miséria em nosso país.

Forte Abraço