Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010, Tiririca, democracia, cidadania e pensamentos

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Ontem foi o “grande” dia da “democracia” neste país, onde as pessoas vão e elegem seus representantes.

Pra tudo o que ocorreu, somente demonstro minha admiração e respeito na apuração, que é extremamente rápida, neste caso um real bom exemplo para o mundo, para o resto infelizmente não há de que se gabar.

Primeiro que sempre questionei como em uma democracia o voto é uma obrigação, e não um direito. Será que tem algum interesse das pessoas que lá em Brasília se encontram  de obrigar pessoas sem a menor capacidade de votar a irem lá, e como estão, votarem em quem lhes dá uma migalha por mês para sobreviver? Acho que não né, acho que sou muito mau por pensar em tais absurdos. Deve ser obrigatório ainda porque como todos fazem questão de votar e exercer seu direito sagrado de cidadão o fato de ser ou não obrigatório não faz diferença, então não há porque mudar algo que ficará igual.

Por falar em cidadania, fico imaginando a qualidade dos nossos representantes, dada a cidadania e respeito demonstrados por nosso povo a quem quiser ver. Na hora da votação encontram-se pessoas que foram convocadas para trabalhar na eleição despreparadas (uma inclusive chegou bêbada e foi noticiada na TV), sem bom trato com os eleitores, e nas filas é que se vê realmente que povo somos. Lá é fácil ver pessoas pegando crianças no colo que nem sabem que quem é somente para utilizar de nossa qualidade mais latente, a esperteza, e passar na frente dos otários que estão lá esperando a sua vez de exercer a cidadania. Depois que votam, devolvem a criança e se sentem felizes, por terem dado um exemplo de cidadania. Ou então chegam pessoas idosas e passam na frente de todos (antes que alguns me crucifiquem peço que continuem a ler o resto da frase), no entanto não há uma urna especial para eles, ou então um intercalamento com as demais pessoas que estão nas filas, e se aparecem uns 4, 5 idosos, as demais pessoas ficam uns 20 a 30 minutos esperando, sem nada poder fazer. Respeitar o idoso sim é válido, mas desrespeitando aos demais? Quer dizer então que nossa democracia é parcial e respeita somente os idosos? O resto que se dane?

Ainda sobre a nossa cidadania, vamos ao local de votação e encontramos o quê? Um monte de lixo sobre montes de lixo, pois considero quem suja a cidade deste modo. Então fico pensando, como é possível que uma pessoa que quer lutar por algo melhor para a sociedade (pois este é o único objetivo deles, ninguém jamais falou que o objetivo é se enriquecer as custas do povo, o que certamente é uma imensa mentira) conscientemente suja a cidade? A pessoa quer uma sociedade melhor ou não? Fico meio confuso com este paradoxo. Outro dia estava em um lugar onde mal conseguia escutar meus pensamentos, de tão alto que estava o som. Era possível sentir o trepidar das coisas ao redor tamanho o volume. E de quem era todo este barulho? De um candidato a deputado. Fico pensando em como uma pessoa que quer fazer o melhor para uma sociedade deixa metade da cidade surda por causa disso. Será que estes acreditam que é com desrespeito que conquistam alguma coisa?

Mas não é só, ao andar de carro vemos muitas pessoas andando tranquilamente no meio da rua, e o carro que saia da trajetória delas porque do meio da rua elas não saem de modo algum. E também vejo muitos carros com problema de luz, pois fazem curvas sem a menor indicação. Talvez eles creiam que os demais motoristas consigam imaginar o que eles farão, então torna-se desnecessário avisar. E quando se chega no local de votação eis que rapidamente aparece aquelas pessoas tão amáveis e gentis, que se oferecem para tomar conta dos nossos carros. Fico lisonjeado de tanta gentileza. São tão gentis que nem incomodam aos policiais que ficam a poucos metros de distância. Convivem pacificamente!!!

E nosso Tiririca, primeirão!!! É isso aí Tiririca, meus parabéns!!!! E nesta frase não estou sendo irônico. Fiquei muito feliz por ele ter ficado em primeiro lugar, e ter levado junto com ele outras pessoas com poucos votos, e inclusive um mensaleiro. Repito, não estou sendo irônico com relação a isso não.

Primeiro falarei do Tiririca. Vi muita gente criticando a sua candidatura, já que ele não sabe para que serve um deputado federal. Que sua candidatura era uma afronta a democracia. Por que afronta? Somente por que ele não utilizava terno, falava as palavras que os marketeiros dizem e prometia que iria resolver os problemas da humanidade como todos fazem? Afronta para mim são aqueles @#$#&& que estão lá usando de influência, do seu cargo, que roubam e depois abrem mão do cargo para o crime dar em nada, daqueles que dão migalhas para o povo continuar votando nele para que continuem no poder enchendo seus bolsos (e mais ultimamente cuecas) de dinheiro. Isso sim é afronta a democracia, uma pessoa que vai lá e abertamente fala que não sabe para que serve, que quer ir lá para ajudar a sua família (do Tiririca) é alguém no mínimo honesto, que fala o que a maioria deveria falar, mas que não corresponde com a imagem de um messias, um salvador que nossa população tão culta, civilizada e democrática adora.

Li muito na internet que um voto no Tiririca seria ruim, que voto de protesto não serve pra nada. Como assim não serve? Já nos tiraram o voto nulo, pois ele não é mais considerado, então a única coisa que nos resta é votar em alguém que não é querido pelos homens de terninho, já que não podemos não votar, nem anular (pois tiraram seu efeito). As pessoas tem sim o direito de protestar, isso é democracia. Se pessoas tem o direito de votar em quem lhes dá migalhas porque outras pessoas não tem o direito de escolher um voto de protesto? Alguns me dirão que isso não resolve nada, que vai colocar gente despreparada lá, e de lambuja levar algumas pessoas ruins. Então pergunto, fazendo do modo convencional nunca chegou ninguém lá ruim? Consideram Sarney, Rosena Sarney, Genoíno, Collor, Zé Dirceu e muitos outros gente fina? Então qual é o problema de termos um Tiririca deputado federal? Ah, ele levou o Valdemar Costa Neto, e isso é ruim. Então pergunto, quem levou o Valdemar? O Tiririca ou a regra que os políticos eleitos por esta sociedade democrática e cidadã que jamais debocharam da democracia? Até onde eu sei isso foi uma regra criada por eles, que foram eleitos por nós. Então culpar o Tiririca é apontar a mira para o alvo errado. A mira deve ser apontada para a regra. Se uma regra existe, as pessoas podem fazer o que quiserem dentro dela. Se ela é injusta, não se deve brigar com quem usa as regras, mas sim com quem fez as regras. Ou você, leitor, caso estivesse em uma competição e um resultado de empate classificaria você e seu adversário, para uma fase mais tranquila, enquanto que a vitória de um lado colocaria o vencedor em uma fase mais complicada e o perdedor estaria fora, o que faria? Duvido que iria querer qualquer resultado diferente de empate. O público chiaria, claro, mas é a regra. E com quem o público deve se indispor? Com os organizadores, que criaram tal situação (leiam sobre o mundial de vôlei pois está acontecendo exatamente isso), e não com os atletas.

Mas nossa sociedade democrática e cidadã não gosta de brigar, de se indispor, adora o pensamento “tá ruim mais tá bão” e vai deixando as coisas pra lá, transferindo a sua culpa por votar em homens de terninho e fala bonita que lesam este país e transferindo para Tiriricas da vida, como se ele debochasse da democracia.

Debocha da democracia quem vota em qualquer um porque tem que votar (e olha que é muito fácil escutar este tipo de fala), quem opta pelo menos pior, pelo que vai roubar menos. Debocha da democracia quem aceita um jogo de cartas marcadas, onde somente quem tem muito dinheiro é que tem alguma chance. Debocha da democracia um presidente que usa seu alto índice de popularidade (nada a ver com os bolsas-esmolas distribuídos por aí) para apoiar sua candidata. Um presidente é de todos (o slogan do seu governo é um Brasil, um país de todos) então jamais no exercício de seu mandado poderia haver qualquer apoio. Como ex-presidente sem problemas, é um cidadão conhecido e que certamente pode manifestar apoio, mas enquanto presidente não, pois ele governa para todos.

Voltando ao Tiririca, ele dizia que não sabia para que serve um deputado federal, e por isso foi muito criticado. E eu pergunto, para que serve? Eu, que tenho uma formação acima da média deste país, não sei. E olha que eu via o horário político, mas o que eu escutava dos candidatos não me ajudou a compreender.

Eu vi candidatos a deputados estaduais dizendo que iriam trazer dinheiro. Via candidatos a deputados federais dizendo que iriam trazer dinheiro. Via candidatos a senador dizendo que iriam trazer dinheiro. Ora, se todo mundo só vai trazer dinheiro, por que cargos diferentes e tantos? E mais, por que ao invés de mandarmos pessoas lá para Brasília para trazer dinheiro para cá, não fazemos algo mais fácil, como deixar o dinheiro aqui mesmo, assim não precisaremos cuidar do envio e retorno do mesmo. Por que no caminho vai que aparecem alguns ladrões e desviam um pouco dele né? É melhor ficar por aqui mesmo. E olha que deste modo vai ficar muito mais dinheiro, porque aí não precisaremos colocar várias pessoas para ir lá pegar, ele já estará aqui.

E para finalizar, sobre o Tiririca (o grande ícone desta eleição aqui em SP) houve reclamações por ele ser supostamente analfabeto, e por isso não poderia ser candidato. E pergunto, mas qual o problema? Se analfabetos podem votar, por que não podem ser eleitos? Se o nosso ilustre presidente se vangloria de não gostar de ler, ignora completamente a concordância e assina o PDH sem ler, por que analfabetos não podem se eleger?

Ah, mas para fazer leis é preciso saber ler e escrever, certo? Sim, e é por isso que um deputado pode compor uma equipe de 5 a 25 pessoas para ajudá-lo. Se isso é perigoso, acho que muito menos perigoso um analfabeto legislando, pois a lei vai para aprovação de todos, do que 30 milhões de analfabetos e mais um monte de pessoas sem a menor capacidade de discernimento votarem em ladrões onde não haverá possibilidade de recusa futura. Isso é sem dúvida muito mais perigoso, e nossa sociedade aplaude o direito que os analfabetos tem de votar. Será que é por que há interesse nestes votos de pessoas sem escolaridade, que votam muito facilmente e sem questionar em quem lhes dá um simples prato de comida? Creio que não, seria muito baixo. Nossos candidatos de terno e fala polida não são capazes de fazer isso.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fidelização ou escravização?

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Nesta sociedade globalizada a loja da esquina não mais concorre somente com a loja da outra esquina, mas sim com lojas do mundo todo. E com o e-commerce fica muito maior a concorrência e a facilidade de se trocar o fornecedor. Basta um pouco de pesquisa e consegue-se achar o mesmo produto ou similar em qualquer canto do planeta, e comprar.

E o que fazer com esta tamanha concorrência? Bom, eu creio que uma excelente saída seria a humanização do atendimento, do comprometimento em atender o cliente do melhor modo possível. Já vi vários casos de pessoas sendo leais a empresas mesmo pagando mais caro simplesmente por ela os atender de maneira especial, única. E uma vez conquistado um cliente deste modo, será difícil de perdê-lo.

Mas pelo visto muitas empresas pensam diferente disso. Preferem manter os clientes através de contratos onde eles perdem sempre, ou são obrigados a muitas coisas. Preferem “fidelizar” como alguns donos de terra “fidelizam” seus empregados. Imputam-lhe tais condições que o amarra para sempre, ou então torna tão incômodo o processo de mudança que ele “opta” por ser fiel a empresa.

E por que estou dizendo tudo isso? Creio que algo que descobri tenha a ver com esta “inteligente” maneira de fidelização.

Eu não possuo cartão de crédito, tampouco qualquer indício de vontade de vir a possuir um. No entanto nossa sociedade está querendo que somente utilizemos esta forma de compra. E para piorar, agora toda loja tem o seu cartão para oferecer descontos especiais. Vejo isso como uma forma de cobrar mais caro de quem não quer ser fiel a loja, e não de beneficiar quem sempre compra lá, afinal todas as lojas possuem este cartão, ou seja, a fidelização continua não ocorrendo, mas o acúmulo de cartões das lojas……

Bom, recentemente tentei adquirir um produto em um site, e ao comprar escolhi boleto bancário. Foi negado informando que não era válido para o cupom de desconto concedito. Tentei em um cartão de crédito, e a mesma negativa. Depois me atentei que tinha que ser com o cartão da própria loja.

Eu tinha um cartão deles, então fiz a compra. Depois fui descobrir que o limite não dava.

Bom, depois recebi outro código promocional do mesmo produto, e fui comprar, porém desta vez utilizei um cartão de um amigo. Antes me certifiquei do limite disponível, e era o suficiente para comprar. Fui às compras. Pouco depois recebi um retorno que a compra não foi aprovada. Meu amigo ligou para a administradora do cartão e depois de um tempo descobriu que o cartão tinha dois limites, um do cartão (para compra em qualquer lugar) e outro para compras no site. E que a primeira tentativa era feita no limite do cartão, e como era insuficiente foi recusado, mas que em 72h era reapresentado no outro limite.

Nem preciso dizer que não havia o menor nexo nesta teoria, então liguei para o ombudsman da empresa, e descobri o verdadeiro motivo, porém antes disso escutei que como escolhi para pagar a vista, a operadora do cartão usaria o limite do cartão, e não da loja. O limite da loja somente seria utilizado para compras parceladas. A pessoa me informou que isso estaria no email promocional. Analisei o motivo e lá estava dizendo que o desconto era para itens de informática, com o cartão da loja, para ser pago em até 15x, ou seja, exatamente o que eu fiz (1x está contido em 15x).

Eis que finalmente descobri o motivo. Não era a quantidade de vezes que escolhi, mas é que o limite do cartão da loja somente era disponibilizado caso eu utilizasse o limite do cartão. Ou seja, preciso comprar algo fora da loja para poder comprar algo na loja.

Fico pensando, o que a administradora de cartão ganha com isso? Ela já ganha com a anuidade, e mesmo que a pessoa não use ela já ganha dinheiro. Será que esta postura ajuda a fidelizar ou motivar o cliente a continuar usando seus serviços? A única coisa que ocorreu foi que a loja perdeu a venda de um produto, eu fiquei sem meu produto e continuo com a mesma opinião a respeito dos cartões de crédito, que eles devem continuar muito longe da minha vida.

Gostaria de compreender por que as empresas fazem isso com os consumidores. Creio que talvez seja porque muitas pessoas nem se dêem conta disto, acham tudo normal, que faz parte, que tem que ser deste modo mesmo, e se acomodam.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Direitos e Deveres

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A primeira recordação que tenho a respeito de direitos e deveres é de uma aula de história, quando o professor nos passou uma relação dos direitos e deveres dos colonos das capitanias hereditárias.

Deste então passei a compreender tais conceitos. Direi com minhas palavras o que penso a respeito de cada um destes conceitos:

Direitos: o que eu posso fazer, desde que decida por isso. O exercício ou não do direito não pode ser definido por outra pessoa.

Deveres: o que eu devo fazer, sem a possibilidade de abrir mão. Não pode ser transferido para terceiros.

Após a segunda guerra mundial foi criado a Declaração Universal dos Direitos Humanos, visando a construção de um mundo melhor, onde as pessoas tenham condições de desenvolverem seu potencial, sua cidadania, e consequentemente construírem um planeta melhor.

E ouso de perguntar se isso foi bom. Certamente muitas pessoas já começarão a preparar os argumentos para me dizer que esta minha ousadia não tem nexo, que onde já se viu questionar algo como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Questiono pelo seguinte motivo. Existe a Declaração Universal dos Deveres Humanos? Pesquisando rapidamente no Google não achei nada. Estanho não é? Como pode haver um documento dos direitos e não tem nenhum dos deveres? Estes dois conceitos, para mim, sempre andam juntos. A existência somente de um provoca um desequilíbrio.

Vamos pensar um pouco. Você tem um filho, e passa para ele somente os seus deveres, sem direitos nenhum. Ele somente precisa cumprir seus deveres (que certamente possui o objetivo de torná-lo uma pessoa melhor), nada mais. Será que ele será uma boa pessoa? Será uma pessoa feliz? Será uma pessoa consciente?

E em um relacionamento. Imaginem o cônjuge tendo somente deveres. Tem que limpar a casa, levar o lixo pra fora, dar atenção ao parceiro, e mais um montão de coisas. Será este um cônjuge feliz?

Pelo que percebem, ter somente direitos não é nada agradável, mesmo que o objetivo seja o melhor possível. E ter somente direitos, também não é igualmente perigoso?

A partir da declaração os seres humanos passaram a ter inúmeros direitos (de forma oficial), que visa dar uma melhor condição de vida a ele, mas quais deveres ele tem? Nenhum? Então ele pode fazer o que quiser que mesmo assim continuará tendo todos os direitos? Afinal, ele não descumpriu nada.

Pensem nas reportagens que veem sobre o direitos humanos dos assassinos e estupradores. Sempre tem gente defendendo o direito deles, mas nunca vi ninguém cobrando os deveres. Será que é por que não existem?

Se a existência somente de deveres pode gerar pessoas revoltadas, a existência somente de direitos gera pessoas sem o menor senso de respeito, humanidade, comunidade. Passamos a gerar pessoas que creem que o próprio umbigo é o centro do universo, e todos precisam satisfazer sempre seus direitos.

Nunca vi ninguém cobrando das pessoas o respeito ao próximo, o não levar vantagem, a transparência, a bondade. Mas gente exigindo direito isso tem ao monte.

Vejo o governo dando um monte de dinheiro a vagabundos sobre o nome de bolsa-família, bolsa-gás, bolsa-transporte, bolsa-cultura, porém não vejo o governo exigindo que para isso a pessoa trabalhe em obras para as cidades, ou entidades assistenciais. Tais pessoas somente sabem exigir seus direitos.

Então volto ao questionamento. Será que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi boa? Será que a ação não ficou meio capenga?

sábado, 5 de setembro de 2009

Homem x Mulher

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Vamos lá, responda rapidamente.

Quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?

Quem é mais honesto, o homem ou a mulher?

Quem é mais empreendedor, o homem ou a mulher?

Quem é mais qualquer-adjetivo-da-língua-portuguesa? O homem ou a mulher?

Não sei quais foram as suas respostas, porém sei que estas perguntas são feitas a todo tempo, em todos os lugares. Em qualquer conversa sempre vem a tona o assunto de quem é mais em determinado assunto. E em nome desse “poder” acirram-se disputas, proferem-se palavras desagradáveis, rebaixam-se pessoas, desqualificam-se, enfim, usam todos os artifícios para provar que o grupo de seu interesse seja o melhor.

E fazem isso como se todos os homens fossem iguais, e todas as mulheres fossem iguais, e imutáveis durante a vida, e portanto, passíveis de comparação. E comparam para ver quem é o melhor, para ver quem leva vantagem.

Se reparar, em vários programas de TV sempre são feitas estas perguntas, ou então equipes são criadas separando os homens e as mulheres em uma disputa. E as pessoas parecem acreditar que o vencedor de uma simples gincana prova a superioridade do seu grupo perante o outro.

Fico imaginando que tipo de ganho tais disputam geram? Alguém fica melhor? A sociedade fica melhor? A humanidade fica melhor?

Sou do tipo que prefere usar o que de melhor cada pessoa tem, e procurar construir algo melhor com a força de todos. Darei um exemplo.

Há uma frase de conhecimento popular que diz que uma mulher compra uma coisa de R$ 2,00 por R$ 1,00, mas que não precisa, enquanto que o homem compra uma coisa de R$ 1,00 por R$ 2,00, porém que precisa, e querer comparar qual destas atitudes é a melhor pra mim é puro desperdício de tempo. Acho muito mais interessante um casal, onde o homem ajudará na decisão de só comprar o que precisa, e a mulher ajudará a economizar. Nesta união, todos ganharão. E não falo somente na economia gerada, mas também na cumplicidade, no companheirismo, na cooperação, no respeito a forma do outro ser humano ser.

Se as pessoas, ao invés de quererem esconder suas deficiências (deficiências estas que todos os seres humanos possuem), super valorizarem suas qualidades e fazerem o oposto com os demais, optassem por ajudarem aos outros com suas qualidades, e receber ajuda das qualidades dos outros, certamente teríamos um mundo com menos disputas, menos egoísmo, mais cooperativismo, mais solidariedade, enfim, mais humanidade.

Ah, quanto a resposta das perguntas, só posso dizer que não tenho a menor intenção de achar uma resposta.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sociedade pendular

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Não sei se uma imagem vale mais que 1000 palavras, nem me preocupo em contar para verificar tal vericidade, no entanto que algumas coisas podem ser muito sintetizadas e tornarem-se límpidas através das imagens, isso sim.

Vejam esta imagem.

 Educação 1969 x 2009

Não sou da primeira época, mas mesmo na minha época ainda vigorava (ao menos na minha escola / cidade) a primeira postura, onde o aluno ficava envergonhado em tirar notas baixas, e cobrava-se dele o baixo resultado, e não da professora. E agora, se o aluno tira nota baixa, a culpa responsabilidade é da professora, e não mais do aluno.

Mas convenhamos que as duas épocas são bem extremadas. Enquanto que na primeira sempre a culpa responsabilidade era sempre do aluno, na segunda passou a ser somente da professora.

Foi-se de um extremo a outro, um verdadeiro pêndulo de valores. O que estava na direita passou a ficar na esquerda, e vice-versa, e este movimento já me chamou a atenção. Vejo muitas situações onde os valores sofreram inversão, e fico pensando no motivo disso. Será que o ser humano gosta de radicalismo? Ou pode tudo ou nada pode? Ou será que isso ocorre pois é mais fácil de gerenciar, afinal, a análise fica bem binária, pois o caminho do meio é sempre mais difícil de ser gerenciado.

Em outra oportunidade conversei com um amigo a respeito deste pêndulo social, que uma hora pode tudo, outra pode nada, depois volta a poder tudo, e por aí vai. Ele quase que concordou plenamente, somente acrescentando uma observação que passei a compartilhar com ele.

A sociedade vive neste pêndulo, nesse vai e vem de valores, mas jamais retorna a um extremo já obtido. Sempre que se ‘retorna’ a um extremo, a sociedade fica um pouco distante daquele extremo. E assim sucessivamente. É como se registrássemos os limites de um pêndulo ao longo do tempo, sofrendo atrito. O pêndulo vai de um limite ao outro sempre, porém cada vez mais perto do equilíbrio, até que um dia chegará nele.

O atrito que faz o pêndulo diminuir os extremos é o ar, e na sociedade creio ser a análise do passado, ver os exageros da outra época e então fazer um pouco menos.

Não tenho idéia do tempo que este pêndulo já está se deslocando, nem quanto falta para que o atrito o deixe em equilíbrio. Só sei que o meu pêndulo tentarei sempre mantê-lo o mais próximo possível do centro, independente do pêndulo da sociedade onde estou inserido.

Imagino a evolução social representada neste gráfico:

MHSOnde o valor zero do eixo X seria o equilíbrio, e o eixo Y representa o tempo decorrido.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Projeto cidade limpa

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Há um programa aqui na minha região que visa recolher lixo das casas. A TV ajuda nesta campanha, e sempre anuncia em que região / bairros os caminhões passarão, para que a população já separe o lixo. Na semana seguinte, publica o resultado da campanha, informando os números referente a quantidade de lixo resgatado. E percebo que anunciam isso com felicidade, mostrando o quanto de lixo foi retirado das casas, e eu não consigo ver coisa boa nisso.

Eu vejo de um outro modo. Vejo que as pessoas continuam produzindo muito lixo, que as empresas continuam a produzir coisas que depois de sua curta vida (obsolescência programada) são jogadas fora, sem aproveitar nada. Vejo pessoas nada engajadas em diminuir o lixo, mas somente engajadas em amontoá-los para que de tempos em tempos um caminhão vá lá e recolha.

Então me pergunto: O que é melhor, sempre ter um caminhão para recolher o lixo ou não gerar lixo? Devo valorizar cada vez mais ‘arrecadação’ de lixo pelos caminhões ou cada vez menos?

Sempre critico que esta sociedade está preocupada com os efeitos, e não com as causas. Este tipo de ação (que tem sua finalidade e sucesso, certamente) somente trabalha no efeito – acúmulo de lixo – e não na causa, uma consciência ambiental maior, produtos mais duráveis, reaproveitáveis. Colocar o caminhão periodicamente nas ruas é um sinal claro para que as pessoas continuem a agir do modo atual, afinal, depois alguém vai lá ‘limpar’ a sua bagunça.

Fico imaginando tal situação em outros pontos da nossa vida.

  • Vou ao dentista e acho um montão de cáries, e ele conserta todas. Devo ficar feliz e continuar a comer doces para depois voltar e tratar as novas cáries? (mais dinheiro e tempo gastos)
  • Vou ao médico e acho um montão de doenças, e ele me cura de todas. Devo ficar feliz e continuar com a vida desregrada para depois voltar e tratar as novas doenças? (mais dinheiro e tempo gastos)
  • Os agentes de saúde vão até as residências e acham milhões de focos de dengue, e eliminam todos. Devo ficar feliz e continuar a deixar água parada para que depois eles voltem e eliminem os focos? (mais dinheiro e tempo gastos)
  • Os garis limpam todos os dias as ruas e praças que estão cheias de lixo. Devo ficar feliz e continuar a sujar as uas e praças para que os garis continuem tendo o que limpar? (mais dinheiro e tempo gastos)
  • Uma ação policial prende centenas de morotistas bêbados. Devo ficar feliz e esperar a nova ação policial para que novos motoristas bêbados sejam pegos? (mais dinheiro e tempo gastos)
  • Estes são somente alguns exemplos, mas na mesma linha. Não consigo ficar feliz vendo tratamento nos efeitos, jamais nas causas. Sou do tipo que prefere que as pessoas que forem ao dentista nunca achem uma cárie, que as pessoas que forem ao médico estejam sempre sadias, que as casas nunca tenham foco de dengue, que as ruas sempre estejam limpas, que pessoas nunca bebam e dirijam.

    Adoraria ouvir a notícia que fiscais de saúde visitaram milhares de casa e nenhum foco de dengue fosse encontrado, que uma ação policial contra bêbados nunca encontrasse nenhum. Isso sim para mim é sinônimo de sucesso. Estes sim são os maiores números, pois referem-se ao número de pessoas conscientes. O outro número (quantidade de lixo, de cáries, doenças, focos de dengue, lixo na rua, motoristas bêbados) para mim somente é sinal de uma sociedade doente.

    Mas se aqui só focarmos os efeitos, ficará difícil…

segunda-feira, 23 de março de 2009

Castas

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Nesta nova novela das 21h da Rede Globo fica evidente o sistema de castas existente na Índia.

Sistema de castas

Originalmente, as castas eram apenas quatro: os brâmanes (religiosos e nobres), os xátrias (guerreiros), os vaixás (camponeses, artesãos e comerciantes) e os sudras (escravos). A margem dessa estrutura social havia os párias, sem casta (categorizados abaixo dos escravos), considerados intocáveis, até pelos escravos, para não serem "amaldiçoados"; hoje chamados de haridchans, haryans ou "dalits". Com o passar do tempo, vem acontecendo centenas de subdivisões, que não param de se multiplicar.

 

A origem do sistema de castas é incerta.

Sua origem parece proveniente da divisão entre o imigrante ária, de pele clara, e os nativos (dasya), denominados escravos (dasas), que se distinguiam pela pele escura. Os árias são descendentes dos povos brancos de famílias indoeuropéias. As primeiras referências históricas sobre a existência de castas se encontram em um livro sagrado dos hindus, chamado Manu, possivelmente escrito entre 600 e 250 aC. Define-se casta como grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho, endógamo, pois ele só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo.

Esse sistema trata as pessoas de modo diferente, como se o fato dela ter nascido em uma determinada casta fosse o suficiente para definir o seu futuro.

Nesse sistema tem os intocáveis, que não podem ser tocados para que não amaldiçoem aos demais. Muitos de nós vemos isso como algo completamente sem nexo, para não dizer ridículo. Não conseguimos imaginar isso, uma pessoa sendo tratada de um modo tão cruel simplesmente por ela ter nascido segundo uma convenção criada pelos humanos que o antecederam.

Mas será que nós não aceitamos as castas? Será que não só aceitamos, mas como concordamos com elas? Eu creio que a resposta a estas perguntas é: sim, aceitamos, concordamos e até incentivamos a perpetuá-las.

Mas não me refiro ãs castas indianas, mas a outras, que podem não ser tão explícitas quanto as deles, mas certamente nos afetam. Há um tempo atrás um certo presidente viajou até um certo país, onde um certo jornalista atirou um certo sapato em sua direção. Resultado: o jornalista foi preso, 2 anos de xilindró. E sem acertar, ou seja, não provocou nenhum ferimento. E quando vi isso fiquei pensando. Se alguém tentasse atirar um sapato em mim (ou você) e não acertasse. Eu (ou você) ligaria para a polícia e informaria que alguém tentou atirar um sapato em mim (ou você), porém errou, e por causa disso o cara deveria ser preso. Somente consigo imaginar os policiais rindo e dizendo que tem coisas mais importantes para fazer na vida do que se preocupar com algo que nem ocorrer ocorreu.

Quantas vezes já vi casos de pessoas ameaçadas de morte, que procuram a polícia para pedir proteção, e eles alegam que nada podem fazer, pois não houve crime. Então a pessoa é morta, e aí a polícia investiga para tentar prender o assassino. Já viram isso alguma vez?

E é isso que não entendo, por que para a maioria dos cidadãos tal fato seria tratado até com deboche ou descaso e para outro cidadão (que garanto, também vai ao banheiro e produz adubo orgânico) é todo um tratamento diferenciado? Será que ele é de uma casta superior? A dos deuses personificados? E a constituição não fala que todos são iguais perante à Lei? Ou será que na constituição tem os famosos asteriscos, onde constam as perigosas exceções?

Mas temos mais castas aqui neste país. Um imensa e muito bem servida é a dos políticos. São alguns privilegiados que ingressam nesta casta, e passam a ter do bom e do melhor, tudo às custas dos escravos cidadãos que pagam impostos, os mais altos do mundo. Trabalham duro, dão 4 meses para eles, para que possam trabalhar somente 3 dias por semana, ganhar oficialmente muito dinheiro, ter ao menos 2 meses de férias, 14o e 15o salário, aposentadoria (integral!!!!!) somente com 8 anos de trabalho, sem contar que possuem apartamento muito bem decorados, auxílio terno, verba para o gabinete. E para que? Para defenderem os seus próprios interesses, como se perpetuarem nesta casta, para impedirem que outros ingressem, para convencerem o povo que esta casta é algo divino, que é necessário para que eles possam salvar os pobres cidadãos da desgraça que assola o país.

Até quando aceitaremos castas? Até quando seremos tão alienados a ponto de crer que castas é algo necessário ou então, como diria o “filósofo” Kléber Bambam, “faz parte” da vida.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Dois pesos, duas medidas

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Acabei de ouvir uma notícia na TV e fiquei intrigado. A assembléia legislativa de SP trocará a frota dos carros. Gastará nesta troca R$ 8 milhões, para comprar 165 carros novos, o que dá na média R$ 48.500,00 por carro. Não entendo muito de carro, mas sei que um carro por este preço não é um popular, simples. E pelo que vejo nas grandes empresas, que também possuem carros para uso dos seus funcionários os carros que compram não são nessa faixa, normalmente são os mais simples, pois o objetivo é facilitar o deslocamento do funcionário, somente isso.

E o motivo alegado é que a frota é antiga, que gasta muito combustível e que na verdade este dinheiro estaria sendo uma economia. Se for uma economia certamente será das melhores, afinal, estarão economizando R$ 8 milhões. Bom, mas vamos a alguns cálculos.

Se o carro deles atualmente faz 8km/l, e passar a fazer 10km/l (estou colocando menos do que os populares, que fazem mais, pois pelo preço do carro o motor deve ser melhor, deve ter ar condicionado e outras coisas que aumentam o consumo), isso significa que eles economizarão 25% do valor gasto com combustível.

O litro da gasolina está em R$ 2,50 (estou pegando o combustível mais caro de propósito). Supondo que na média eles andem 3000 km por mês (para vereador, com função local isso é muito). Pois bem, antes eles gastariam por mês 375l, o que daria de custo R$ 937,50. Com o novo carro eles gastariam R$ 750,00, ou seja, uma economia de R$ 187,50. Vamos ver num período de 5 anos, que imagino ser um tempo médio para a troca de carros na assembléia. Multiplicando R$ 187,50 por 60 chegamos ao total de R$ 11.250,00. Ou seja, em 5 anos, um carro andando sempre 3000km por mês gerará uma economia de pouco mais de R$ 11 mil, menos de 1/4 do preço do carro novo.

Pára tudo!!!! Quer dizer que gastando mais gera economia? Será que estou ficando maluco? Por contas simples que fiz, considerando um belo gasto mensal de quilometragem será necessário 20 anos de uso do carro para que o preço compense. E olha que ainda tenho dúvidas se o carro é o mais econômico. E eu coloquei a gasolina para calcular o preço pois a diferença em reais da economia seria maior, o que poderia justificar a mudança.

E se realmente estes carros gerarem economia para as pessoas, por que não fazem isso com os demais cidadãos? Afinal, se todos conseguirem minimizar custos poderiam utilizar o dinheiro excedente para outras coisas, como atender o pedido do nosso presidente e irmos às compras. Que fantástico isso, não é?

Ou gastar quase 50 mil com carro somente gera economia para os senhores engravatados e com um monte de auxílios? Será que o consumo dos mortais pagadores de imposto é diferente?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Transformação

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Virou moda neste país quadros nos programas de TV que fazem transformação nas pessoas, na grande maioria mulheres. Cada um tem um motivo, no entanto o intuito de todos é fazer o velho e conhecido “antes e depois”. Pegam mulheres nas ruas e perguntam se elas estão insatisfeitas com seu visual, e se elas querem uma transformação (acho difícil achar uma que não queira), então a mulher é submetida a uma séria de operações para embonecamento. Vai ao dentista, clareia dentes, corta e colore o cabelo, muda o penteado, faz lifting, peeling, massagens, depilação, e mais um monte de infinidades. Claro que também vão a lojas e compram belas roupas para combinar com todo o novo resto.

E então ela é exibida no programa, completamente repaginada, pronta para uma sessão de fotos de qualquer produto de beleza. A família fica em prantos, o marido fica bobo, os filhos não reconhecem a mãe, os vizinhos ficam maravilhados. Então exibe a foto dela antes e depois, e ela se emociona......

Até aqui um mar de rosas, mas será que é bom isso? Todas as pessoas certamente adorariam estar sempre bem, bem vestidas, arrumadas, cuidadas. Se não fazem isso, é tão somente por falta de condições, de tempo e principalmente financeira. E isso faz com que muitas pessoas se sintam mal, menos importantes ou bonitas que as outras, mexendo inclusive com a auto-estima.

E o que o programa faz? Pega uma pessoa com baixa auto-estima e muda completamente sua aparência. E depois? Depois que o programa acaba, e a pessoa volta para a sua realidade, desprovida de chances de manter o corte e cor do cabelo, do tratamento facial, dentário, das roupas caras. Como fica a auto-estima dessa pessoa, que não tinha condições, passou a ser algo que sozinha não tem condições de ser, e depois volta ao velho mundo? Como ficará sua auto-estima?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eita povinho que critica

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Mais uma tragédia aconteceu neste país. Lamento não o fato de ser uma tragédia, mas o fato de ser mais uma tragédia, assim como o fato de não ser a última, assim como o fato de não mudar nada a realidade deste país, para que outras não ocorram. Esta tragédia somente serviu para que as TVs aumentassem a audiência, e para que especialistas em diversas áreas façam comentários a respeito, mesmo tendo somente como ‘informação’ hipóteses a respeito.

Mas não é sobre violência, namoro adolescente, imaturidade, ciúmes, passionalidade ou mídia que quero falar. Quero falar sobre as críticas que estão sendo feitas. A imprensa tem questionado ferozmente os policiais que comandaram a operação.

Claro que se eu for analisar pelo desfecho o pensamento rápido seria que a operação foi um fracasso, mas fazer isso seria leviano e precipitado. Esquecem que se tratava de uma situação altamente de risco, onde qualquer atitude poderia provocar a morte das pessoas. Na TV, vejo pessoas criticando a demora da polícia em agir, criticando o fato da adolescente ter voltado a cena do crime, criticando o fato de atiradores de elite não terem atirado no rapaz nas inúmeras oportunidade que tiveram, criticando o fato dos policiais que invadiram usarem armas não letais.
Será que esse povo não tem o que fazer?
Vamos refletir sobre cada um dos questionamentos que fiz.

1. “os policiais demoraram demais”
Sim, foram 100 horas de seqüestro. Mas e se a polícia tivesse invadido e o desfecho também fosse trágico? Será que estes seres desocupados não criticariam a ação da polícia, que não deram o tempo necessário para que o seqüestrador cansasse e tudo acabasse pacificamente?

2. “a volta da adolescente”
Pelo que ouvi do comandante, a mãe da adolescente havia concordado com a possibilidade dela conversar, sem voltar ao apartamento, e foi isso o acordado. E isso foi feito, porém parece que ela resolveu voltar. Depois ouvi a mãe dizendo que não havia autorizado nada. Mas independente da autorização, e se nessa volta ela conseguisse convencer o seqüestrador a terminar, teria sido um golpe de mestre da polícia?

3. “atiradores de elite não terem agido”
Pelo que li e vi, durante o seqüestro houve ao menos 5 possibilidades de atiradores de elite terem matado o seqüestrador. Agora, com a tragédia já ocorrida, o pessoal acha que deveriam ter feito isso. Mas se essa atitude fosse tomada, contra um jovem de 22 anos, que nunca havia tido passagem pela polícia, e que tinha seqüestrado por motivo passional, não haveria críticas?

4. “armas não letais”
Imagina, invadirem um cativeiro com armas não letais, que perigo!!! Onde já se viu isso? Mas e se a polícia tivesse invadido com armas letais e na troca de tiros algum tiro disparado pela polícia atingisse algum refém, não haveria críticas?

Não posso afirmar quais seriam as críticas, mas posso afirmar que viriam. Então fico pensando, qual o papel da imprensa? É divulgar informações ou ficar falando abobrinha para preencher a grade de programação e aumentar seu IBOPE?

Se não tem nada de útil a falar, que calem a boca então. Ainda mais quando as críticas não são construtivas, mas sim somente para encher lingüiça.

Ah, mas deu errado, veja só o que ocorreu. Então que tal, ao invés de criticar, sem ter o menor conhecimento das dificuldades, estas pessoas não mudarem de profissão, e darem a cara a tapa para decidir como agir em situações como essa?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Recessão: oba!!!!!!

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É só ler qualquer jornal, ver qualquer canal de TV que ouvimos notícias sobre a economia, recessão mundial, desemprego, alta dos juros, aumento do valor do dólar e similares.
É um tal de bolsa de valores despencando no mundo todo, bilhões, trilhões de dólares evaporando.

E o engraçado é que eu vejo minha conta bancária, o meu dinheiro está lá. Vejo também minha carteira, e meu dinheiro está lá, vejo embaixo do colchão, e meu dinheiro está lá. Ufa!!!!!! Devo ser um cara de muita sorte, afinal, são trilhões que sumiram, e felizmente nenhum meu.

E o por que dessa ironia? Fui irônico para tentar dizer que não é possível dinheiro de verdade sumir. Se o dinheiro existe, ele continuará existindo. O que sumiu não foi dinheiro, mas sim possibilidade de dinheiro futuro, pura especulação. Alguém apostou que em x tempo haveria tanto dinheiro, então fez empréstimo da possibilidade, e isso foi ocorrendo em cascata. Até alguém chegar e dizer que a possibilidade não existe. Pronto, o maravilhoso castelo de cartas montado sobre a areia desmoronou. E um bando de ex-futuro-ricos ou ex-futuro-mais-podre-de-ricos-ainda ficam tristinhos, deprimidos, e então os poderosos do mundo se reúnem e dão as pessoas que emprestaram dinheiro de mentira dinheiro de verdade.

Acho que um dia eu vou querer ter um banco, afinal, posso fazer a besteira irresponsável que for em nome de lucros cada vez maiores, e se não der certo, alguém vem e me banca. Deve ser um negocião isso!!!!

Muitas pessoas estão perdendo dinheiro, os juros estão aumentando, o parcelamento está ficando mais caro. Engraçado, tudo isso ocorrendo e eu na mesma, continuo comprando a vista sem problema nenhum. Será que tem algo a ver com o fato que prefiro usar dinheiro que tenho, e não dinheiro de promessa?

Enquanto muitos ficam preocupados, eu sou do tipo que torço para que a recessão ocorra, que seja imensa, gigante, de arrebentar mesmo. Podem estar pensando "Carlos, mas quanta maldade no coração, como pode desejar mal para as pessoas?". Fiquem tranquilos, quando desejo isso estou desejando justamente o oposto. Explicarei.

Sei que havendo uma recessão muita coisa ruim ocorrerá, haverá muitas perdas, falências, desemprego. Mas antes dessa fase chegar, o que havia? Por acaso não havia gente perdendo, empresas entrando em falência e desemprego? Havia sim, no entanto era em doses homeopáticas, fazendo com que as pessoas não sentissem isso, e se sentissem, como era pouco elas absorviam, ou então aprendiam a encarar como normal isso, e portanto desnecessário preocupar-se com isso.

E nessa fase os bonitões da bala chita continuavam e encher seus bolsos com muito dinheiro, dinheiro esse muitas vezes fruto de especulação, e fazendo com que milhares de pessoas fiquem à margem da sociedade, sem as mínimas condições de vida. Mas estas pessoas, sofrendo pouco a cada dia, sem chance de se comunicar e sendo tratadas como poluição visual por nós nunca chamará a atenção da mídia, agora se for um engravatadinho com terno Armani e sapatos italianos, preocupado que não terá mais R$ 2 bilhões, mas 'somente' R$ 1 bilhão, então é digno de pena e matéria jornalística.

O sistema atual é um sistema que gera muita, mas muita miséria, o que gera uma sociedade altamente desequilibrada, onde os que tem cada vez mais precisam se isolar dos que não tem, construindo casas cheias de proteção. Isso é bom? Pois é essa a realidade que nossa economia atual gera.

E se torço para uma grande crise, é porque desejo que este sistema mude, mas as pessoas só se despertam para a necessidade de mudanças sérias quando grandes desgraças acontecem, enquanto elas ocorrerem cotidianamente e em pequenas doses parece um ópio, nos entorpecendo e fazendo-nos perder a noção da realidade.

É só ver um pouco a história da humanidade, povos, depois de grandes desgraças, se uniram e fizeram algo melhor, diferente do esquema anterior que terminou por destruir tudo. Ou acham que o Japão, antes de segunda guerra mundial era potência?

Que os investimentos que estejam sendo feitos não resolva, pois se resolverem, será um aval para a perpetuação deste sistema, um aval para que quem empresta promessa continue emprestando, afinal, depois sempre virá alguém com dinheiro para evitar o mal maior, sendo que para mim, o mal maior é continuar um esquema ilusório onde poucos faturam muito, e muitos ficam a margem da condição humana.

Vejam também:
    - Comprometimento

domingo, 12 de outubro de 2008

Pergunte, mas pergunte direito!

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Sei que tenho um Q de lusitano, mas antes que entendam este lusitano do modo pejorativo, explicarei.

Em Portugal (pelo que sei), não há interpretação do que se pergunta, eles entendem literalmente e assim respondem. Não tem essa de entender o que a pessoa quis dizer, e então responder o que ela quer saber. Lá a resposta é mais racional, ou seja, se quer uma informação, faça a pergunta correta, caso contrário ficará sem a informação desejada.

Para elucidar, lembro-me de uma entrevista da Mara Manzan no Jô Soares, contando as aventuras dela lá em Portugal. Ela disse que num sábado foi a uma farmácia e perguntou a um funcionário se a farmácia fecharia no domingo. E funcionário respondeu que não. Pois bem, ela foi embora e no domingo foi até a farmácia, e para surpresa dela ela estava fechada. Ficou muito brava da vida, e na segunda voltou para ‘tomar satisfação’ com o funcionário. Então chegou lá e reclamou, dizendo que a farmácia estava sim fechada no domingo. Eis que o funcionário respondeu: “Você perguntou se nós fecharíamos a farmácia no domingo, e nós não fechamos, pois nem a abrimos”.
Certamente para nossa cultura isso é impensável, mas analisem. O funcionário respondeu corretamente a pergunta, a pergunta é que não foi correta. O que ela queria saber é se a farmácia estaria aberta no domingo, e não se ela fecharia no domingo.

E por que esse exemplo? É que hoje me deparei com uma pergunta que não tenho idéia da validade da resposta que é dada. É uma pergunta de um questionário sobre saúde. Abaixo reporto a pergunta:

“Eu sou tão saudável quanto qualquer pessoa que conheço”
[ ] Definitivamente verdadeiro
[ ] A maioria das vezes verdadeiro
[ ] Não sei
[ ] A maioria das vezes falso
[ ] Definitivamente falso

Bom, vou aos meus questionamentos. Primeiramente acho engraçado os termos “definitivamente verdadeiro” e “definitivamente falso”. Por acaso existe “mais ou menos verdadeiro”?.

Agora me atento a pergunta. O tão ... quanto representa igualdade, e para uma resposta onde a pergunta é sobre uma igualdade, certamente a resposta é binária, ou seja, sim ou não. Não existe outra alternativa, portanto as opções intermediárias não podem ser marcadas. E para piorar, a comparação é com qualquer pessoa que conheço. E certamente as pessoas são diferentes, cada pessoa tem seu nível de saúde, diferente dos outros. Conseqüentemente a única resposta possível é “Definitivamente falso”.

E mesmo quando marco esta opção, há o problema de interpretação. Se eu não sou tão saudável quanto todas as outras pessoas, eu posso ser mais saudável do que todas as outras, ou então menos saudável. Numa comparação, ou se é igual, maior ou menor, sempre.

Pergunto então qual a informação que será retirada desta pergunta. Só há uma possibilidade de resposta, e esta ainda pode ser interpretada dubiamente.

Talvez muitos nem se atentem a isso, ou então passem por cima, mas o problema é essa pergunta que não tem valor nenhum, e pessoas podem interpretar segundo seus conceitos, distorcendo o que o entrevistado realmente é.

Precisamos ficar atentos a estas questões, e aos que fazem questionários, atenção para não gerarem perguntas sem alternativas, ou então com chance de interpretação. 

Vejam também:

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

As Quatro Estações

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Aos que não sabem, as estações ocorrem em função da inclinação da Terra em relação ao Sol. E o nosso verão ou inverno não ocorrem em função da proximidade do Sol, como é muito comum de se pensar, mas sim em função do ângulo em que incide os raios solares na Terra.

Quanto mais próximo de 90 graus mais quente ficará esta região, e quanto mais inclinados os raios menos quente. É por isso que ao mesmo tempo temos verão em um hemisfério e inverno no outro. Se o que fosse determinante fosse a distância, os hemisférios norte e sul estariam na mesma estação o ano todo.

E uma coisa que há algum tempo me intriga é que a sensação que tenho (e é compartilhada por outras pessoas) é que as estações estão meio deslocadas, e por que digo isso? Tenho a sensação que o verão começa bem antes da data oficial, afinal, em novembro já está um calor muito grande. Assim também como em abril, maio já está frio, e o inverno ainda está meio distante. Cheguei a pensar que com o tempo as estações foram se deslocando, de modo semelhante com o que ocorreu no passado com os dias, onde a contagem de tempo era falha, e que por isso as estações estavam atrasadas.

Mas isso seria muito absurdo, com toda tecnologia e conhecimento de nossa sociedade, como seria possível tal acontecimento? E a curiosidade aumentando, até que fui atrás da informação. O início das estações é definido pelas datas dos solstícios e equinócios. Solstício é a data do ano em que ocorre o dia ou noite mais longa do ano, enquanto que equinócio é quando o dia e a noite duram exatamente o mesmo período.

Perfeito, conhecimento adquirido, dúvidas sanadas. Mas mesmo assim algo ainda me incomodava. Não conseguia compreender porque o inverno (que é a estação mais fria) não abrangia os dias mais frios, nem o verão os dias mais quentes.

O que vejo é que as estações utilizam datas erradas para definir seu começo. O solstício de verão – dia mais longo – deveria estabelecer o meio da estação, pois logo após essa data os dias começarão a ficar mais curtos, com inclinação menor dos raios solares. Ou seja, logo após o inicio da estação ela já perde força. O mesmo ocorre no inverno. Ela começa no dia mais curto, onde os raios incidem menos diretamente.

Não sei quem definiu esta regra, mas para mim faltou lógica. Se o inverno é a estação mais fria, e o verão a estação mais quente, isso deveria fazer com que os dias mais frios e os dias mais quentes fossem o que caracterizassem estas estações, conseqüentemente os dias de solstício deveriam ser os dias intermediários das estações, e não os iniciais.

Vocês também têm essa sensação de que as estações estão deslocadas?


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Maioridade penal

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Esta semana li uma crítica falando se neste país deveria ou não reduzir a maioridade penal. E a autora usou alguns argumentos os quais não entendo muito bem. Disse que somente um percentual pequeno de infrações é cometido por menores de 18 anos, e que tal ação não provocaria uma diminuição significativa nos índices de violência. É aí que eu questiono: o que uma coisa tem a ver com a outra? Quer dizer que como o índice é pouco então não é necessário prender? Onde essa pessoa aprendeu a argumentar? Se for assim, então também não devemos prender os adultos entre 34 e 36 anos, afinal, também é um pequeno percentual. Ou então não deveríamos prender os que possuem irmãos que começam com a mesma letra do próprio nome, pois este percentual também é pequeno.
Não delira Carlos, não é isso que ela está falando. É sim, ela (e certamente muitas pessoas também usam este argumento) justificou a não necessidade de prender menores de 18 anos por se tratar de um percentual pequeno. Ora, percentual eu posso ter para qualquer tipo de análise, como as que fiz acima. E isso não tem valor nenhum, é argumento inútil.
As pessoas são presas não porque tem entre 18 e 70 anos (não sei se essa é a idade limite superior), mas sim porque cometeram infrações, prejudicaram outras pessoas, prejuízos estes registrados em leis. Se o objetivo é esse, por que não aplicar também aos menores de 18 anos?
Aí vem uma cambada de ‘defensores dos fracos’ e diz que menor de 18 anos não sabe o que está fazendo. Faça-me o favor!!!! Não sabe? E por acaso estas pessoas crêem em fadas, que tocam a cabeça das pessoas quando completam 18 anos de vida extra-uterina com uma varinha de condão e então eles passam magicamente a saberem tudo o que estão fazendo? Passam a ser responsáveis plenamente por seus atos?
Piada tem hora. Toda pessoa, desde quando nasce, é responsável por seus atos. E deve ser tratada como tal. E assim como os maiores de 18 anos respondem por seus atos, mas podem ser absolvidos caso a justiça detecte a inocência dele, os outros também deveriam ser. Afinal, por que criar uma casta privilegiada, a qual a sociedade diz “filho, faça tudo de errado que quiser até os 18 anos, afinal, a lei permite”? Isso somente gera pessoas que aproveitam disso. Ou os próprios menores, ou então maiores que usam menores por saberem que nada acontece. Ou será que isso não ocorre neste país?
A escritora do artigo disse que deveríamos investir na educação da pessoa, para que ela não cometesse os crimes. Por isso não deveriam ir pra cadeia. Ora, e por que privilegiar somente os menores? Se a educação pode resolver, que faça isso para os maiores também. Ou eles não merecem oportunidade?
Seguindo a lógica da escritora, não deveríamos prender os menores, pois isso não diminuiria a violência. Partindo dessa premissa, então devemos destruir os presídios e acabar com as leis, pois mesmo com tudo isso os crimes continuam existindo. Então por que gastar dinheiro com legisladores, advogados, juízes? O crime continua existindo.
É preciso que fiquemos atentos aos argumentos utilizados. Defender ou não a manutenção da maioridade penal é um direito de todos, porém façam-no com argumentos válidos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Efeitos da sobriedade

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A tão falada "Lei seca", a qual já escrevi a respeito, continua sendo muito falada na mídia, e agora, após um pequeno período de vigência já se pode apurar alguns números. Os acidentes e vítimas diminuíram 40%, na média. É um número muito significativo, visto que somente foi trabalhado em um ponto, que é o de não beber alcoolizado. E mesmo ainda tendo motoristas bebendo e dirigindo, excedendo o limite de velocidade, dirigindo perigosamente, com carros em péssimas condições o índice de acidentes diminuiu este tanto, não vejo como podem ter pessoas contrárias a isso.

Vi um artigo (artigo completo) informando quem "ganha" e quem "perde" com esta lei. Coloquei entre aspas os termos pois este ganho refere-se somente ao aspecto financeiro. Não estão levando em consideração os ganhos para a sociedade, com a diminuição de acidentes, gastos com atendimento, menos inocentes mortos ou com seqüelas.

Vi que os bares e restaurantes estão perdendo dinheiro, bares na ordem de 40% e restaurantes na ordem de 20%, e que por causa disso entrarão no STF com uma ação de inconstitucionalidade. É aí que não entendo. O que é inconstitucional? Beber? Isso a lei não proíbe. Ela apenas proíbe beberem e sair dirigindo, o que é uma exposição da própria pessoa e de outros à riscos. Duvido que o motivo que eles alegam (vejam o artigo) seja realmente o motivo que os levaram a entrar no STF. E as empresas de Valet (aquele tipo de serviço onde se paga um absurdo para o cara deixar o teu carro na rua) também estão reclamando.
A argumentação é que com esta lei irá diminuir o faturamento destes setores, e conseqüentemente haverá demissões. E onde se viu uma lei promover o desemprego? Usam este subterfúgio para tentarem dizer que a lei é inconstitucional.

Vamos ver se eu entendi. Como o faturamento de um setor diminuirá então a lei é inconstitucional, e portanto deve ser revogada. Se milhares de pessoas (muitas inocentes) morrerem por causa disso, de famílias sofrerem por isso, se o custo da sociedade com tratamentos, custos, socorro aumentar, isso não importa, afinal, meia dúzia de pessoas estarão ganhando dinheiro com isso. Estou delirando? É isso que eles querem?

Bom, se for assim então não entendo porque o governo luta contra o tráfico, afinal, o tráfico dá muito dinheiro, emprega muitas pessoas. Se o tráfico acabar, certamente haverá milhares de novos desempregados. E então por que acabar com a corrupção, os falsificadores de documentos? Afinal, isso também movimenta muita grana, emprega muita gente. Se a questão é evitar desemprego e que algumas pessoas percam emprego, independente do custo social disso ser altíssimo, então vamos parar com essa besteira de querermos um país sério.

Eis um belo exemplo de egoísmo na argumentação. Para defender somente o seu, independente do quanto de estrago isso provoca, acionam a justiça. Quem sabe se essas pessoas estivessem imbuídas do espírito mundiota as coisas não seriam melhores.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Vias rápidas?

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Quando se estuda para tirar carta de motorista aprendemos que existem vários tipos de vias, cada qual com um limite máximo de velocidade. E uma das vias é a 'Via rápida', cujo limite de velocidade é maior do que as demais.

E o que é essa via rápida? É uma via com o intuito de fazer o transito fluir mais rapidamente, pois não têm paradas como os outros tipos de vias, cruzamentos em excesso, essas coisas. É como se fosse uma estrada. Então isso é bom, não é? Eu respondo sim e não.

E o sim ou não depende somente de um fator: a quantidade de carros. Se existem poucos carros no transito esse tipo de via é uma maravilha, pois conseguimos nos deslocar rapidamente de um lugar para outro, porém se existem muitos carros a via rápida torna-se 'via lenta e geradora de reféns'. Explico. O excesso de carros fará com que o trânsito rapidamente ocupe todas as pistas, e as entradas e saídas desta via se obstruem. E os caminhos alternativos tornam-se mais rápidos, pois é possível seguir mais de um caminho no caso de um estar com um trânsito maior, enquanto que nas vias rápidas você torna-se refém da pista, pois se quiser sair e ir para outras ruas com menos trânsito isso se torna quase impossível, pois a via foi construída de modo a minimizar esses cruzamentos. Então se você ficar preso numa via dessa, não terá muito o que fazer a não ser ficar esperando por muito e muito tempo até conseguir sair para as vias não rápidas.

Hoje me questiono se essas vias não deveriam sumir, deixando somente as ruas normais, com suas infinitas possibilidades de caminho, ao invés de um único. E digo isso analisando a minha cidade, que possui três grandes vias de acesso 'rápido', que somente são rápidos quando não se tem muitos carros, nos horários de maior movimento elas tornam-se lentas. Recentemente fiquei preso vários minutos (o que para essa cidade certamente é muito) em uma via rápida, vendo o sinal abrir e fechar e eu não conseguir ultrapassá-lo. E eu sabia que uma rua abaixo eu poderia seguir o meu caminho tranqüilamente, no entanto a via rápida não me possibilitava ir até esta rua. E eu, e várias outras pessoas, tivemos que ficar na via rápida, gastando tempo e gasolina.

Será esta a morte das vias rápidas?


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lei Seca

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Muito se tem falado da ‘Lei seca’ que passou a vigorar recentemente neste país. E esta nova lei proíbe – sob pena de multa e/ou prisão – que pessoas que tenham ingerido álcool dirijam. E aí já está um equívoco do nome da lei, que ela não proíbe que as pessoas bebam, mas sim que não dirijam após optarem por beber, e coloquei optar mesmo, pois ninguém bebe se não quiser.

Mas voltando a lei, vejo muitos comentários de pessoas criticando ou elogiando a lei. Vi argumentos de pessoas que bebem dizerem que isso ofende o direito delas de beberem ou não, e que isso é anticonstitucional, que o Estado não pode tirar o livre arbítrio delas. Concordo com a segunda parte, que o Estado não pode retirar nosso livre arbítrio, no entanto discordo quando dizem que o Estado não pode proibi-las de beber, já que a lei não aplica nenhuma restrição quanto à ingestão de bebidas alcoólicas. Tanto que se pode vender bebida nos mercados e bares normalmente.

Muitos comentários criticando esta lei são de pessoas que dizem que sabem qual é o seu limite, que não passam do limite, e agora nem isso poderão. Concordo que há pessoas e pessoas, há pessoas que sabem o limite para beber antes de perderem por total (parcialmente sempre se perde) seu auto-controle, e pessoas que não possuem essa capacidade, e bebem demais. No entanto, para os dois tipos de pessoas uma coisa é certa: todas perdem capacidade de atenção, de perigo, de distância, tornam-se mais corajosas, mais destemidas. Isso independente da quantidade de bebida consumida. A perda sempre ocorre. E se ocorre perda destas capacidades, tão fundamentais para dar o máximo de segurança possível ao motorista, qual a razão para permitir que eles dirijam, expondo-se à risco (o que eu até não me importo muito, pois isso é uma decisão pessoal, e se morrerem somente eles serão prejudicados) e o pior, exponham a vida de muitas outras pessoas ao mesmo risco, pessoas estas que nada tem a ver com a bebida alheia?

Parece-me que é este o ponto que está sendo esquecido na discussão. O carro é um meio de transporte sim, no entanto ele possui um poder destruidor muito grande, se mal utilizado. E o álcool utilizado fora do tanque de combustível é um potencializador deste poder. Eliminar este fator é uma atitude consciente, principalmente.

Não consigo imaginar como pessoas defendam o fim desta lei, sem terem uma postura egoísta. Creio que quem quer beber e dirigir depois não tenha a menor preocupação com o próximo. Se famílias forem destruídas por causa deles, tudo bem. Se eles morrerem, também.

Estes são os custos humanos, mas tem os custos financeiros também. Pessoas alcoolizadas provocam mais acidentes, o que gera uma necessidade de atendimento, deslocamento de ambulâncias, bombeiros, custos públicos com hospital, tratamentos psicológicos para as vítimas, tratamentos fisioterápicos, reconstrução de postes, viadutos, enfim, tudo que de material possa ser afetado ou necessário para restabelecimento dos estragos. Até o seguro fica mais caro para a faixa etária que bebe com maior afinco (mesmo para os obstêmios). E quem paga o custo disso? O bonitinho que pagou pela bebida, ou o resto da sociedade? Os que não dirigem após beber atualmente pagam pelos custos gerados de quem teve esta postura.

É preciso entender que as pessoas podem sim fazer o que quiserem da vida delas, mas delas. Se uma atitude dela puder afetar outras pessoas, ela já perde este direito. Vivemos em comunidade, temos vida em comum com muitas pessoas, o que eu faço ou deixo de fazer reflete nas outras pessoas. Atitudes inconseqüentes minhas afetam outras pessoas.

Defendo veementemente o direito das pessoas tomarem as suas próprias decisões, mas isso tem que estar de acordo com o comum. Tomar atitudes egoístas e se esconder atrás da legislação de que somos livres é uma atitude imatura.

E não se esqueçam que a lei, apesar do título de Lei Seca, não proíbe consumo de bebidas, somente tem foco em diminuir as possibilidades de acidentes.

Vi um texto do Gilberto Dimenstein que achei interessante. Leiam a matéria.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Você está louco: pagamentos

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Eu costumo brincar que sou muito burro, pois existem tantas coisas nesse nosso mundo que eu realmente não consigo compreender o porquê é assim. Vejo ações sendo tomadas há tempos, situações continuadamente ruins e nenhuma proposta para resolver, somente condicionamentos e posturas como a da ‘Síndrome de Chicó’.

E uma das que me chamam a atenção é o período em que são feitos os pagamentos dos salários aos funcionários. Sei que existem variações, mas na maioria os pagamentos são feitos até o dia 10. Um percentual grande das pessoas recebem seus salários até o primeiro terço do mês. E o que acontece? Uma correria nas empresas no final do mês, filas imensas nos bancos e lotéricas para sacarem, depositarem, pagarem contas, comércio entupido de pessoas, lojas abarrotadas no primeiro final de semana após pagamento.

Conseqüentemente chateação das pessoas que perdem muito tempo, má qualidade do atendimento por não ser possível dar um atendimento digno, reclamações. E isso todo santo mês. Será que ninguém se incomoda com isso?

E nos outros 2/3 do mês? Aí as filas diminuem, os consumidores rareiam-se, os vendedores ficam parados na porta esperando alguém entrar, e então eles ‘disputam’ o cliente em busca de comissão. Os bancos ficam calminhos. Não soa esquisito? Se as empresas forem contratar pessoas o suficiente para dar um bom atendimento para o pico de atendimento, muitos ficarão sem muita atividade no resto do mês, e a despesa será alta. E certamente as empresas não farão isso, até por questão de sobrevivência, então acabarão contratando o número de pessoas o suficiente para o período mais comum, que é o período referente aos 2/3, ou seja, com menos movimento.

E como eu disse no começo, isso é algo que não entendo. E quero ir além de não entender. Quero propor algo para mudar isso. E o que proponho é que os pagamentos sejam feitos sempre na data de aniversário da pessoa (tratamentos especiais para dias acima do dia 28), e como as pessoas nascem aleatoriamente não corremos o risco de ter acúmulo de pagamentos, compras, filas em um determinado período. Distribuindo os pagamentos de modo aleatório, porém de fácil compreensão para as pessoas, será possível ter uma constante das necessidades de utilização dos serviços, comércio, etc. Teríamos uma quantidade muito parecida todos os dias do mês, o que proporcionaria menos filas, chateações, um melhor atendimento, um gerenciamento mais eficiente das pessoas.

Ah, mas e o gerenciamento e fechamento dos meses, isso é complicado de se fazer. Eu sei. Mas se já se desenvolveram softwares que usem o dia 1 (ou último dia de cada mês) como base para os cálculos, é muito simples ajustar o software para que ele utilize o dia do nascimento de cada pessoa para o cálculo. O computador, garanto, nem perceberá tal mudança.


Utopia? Delírio? Fruto de pensamento de desocupado? Talvez.
Melhoria? Equacionamento? Racionalidade? Talvez.


ps. O nome do artigo foi motivado pelo livro "Você está louco!", de Ricardo Semler, onde ele relata algumas sugestões incomuns.

domingo, 18 de maio de 2008

Beleza interior

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Já escrevi que nossa sociedade é muito preocupada com imagens. E algumas situações cotidianas me chamam a atenção e reforçam essa minha percepção.

Eu gosto de usar roupas confortáveis, camisetas, jeans, tênis, vestes que não são classificadas como chiques, elegantes. No entanto, em alguns momentos, por ‘exigência’ social ou por vontade própria já fui trabalhar de terno, ou com vestes mais sociais (ditas elegantes), e nesses dias ouvi de pessoas o comentário “Carlos, como você está elegante hoje!”. Engraçado, eu continuo sendo o mesmo cara de ontem, com os mesmos defeitos e virtudes – provavelmente, o que mudou foi só a carcaça, e eu fiquei elegante? Por quê? A elegância estaria em mim se minha postura estivesse melhor, mais humana, verdadeira. Quando somente a carcaça muda o que está elegante é a roupa, algo que qualquer pessoa com o dinheiro suficiente compra. Se colocar a roupa no cabide, o cabide ficará elegante?

Tanto que nesses casos, quando ‘eu’ sou elogiado somente pela carcaça, digo “Minha roupa agradece”. Sei o quanto esta resposta soa mal educada, grosseira a quem estava querendo me fazer um elogio, mas digo isso não para ofender, mas sim para tentar provocar uma reflexão na pessoa para que ela perceba que ela somente está falando de algo externo, que pode ser comprado, e não de algo interno, com real valor.

O mesmo vale para o perfume. Basta usar e escutar “Como você está cheiroso”. Mas como assim? O cheiro não é meu. Tanto que se eu jogar o perfume no carro, ou no computador, ele também ficará cheiroso.

E já repararam como no inverno as pessoas ficam mais bonitas? Ao menos é o que muita gente diz. Mas por que as pessoas ficam mais bonitas? O inverno nada mais é do que um período da translação onde os raios solares incidem menos diretamente onde residimos. Eu digo que as pessoas ‘ficam’ mais bonitas somente porque elas se expõem menos. Usamos mais roupas – devido ao frio, naturalmente – e conseqüentemente deixamos menos partes do nosso corpo expostas. A conclusão que tiro é que quanto menos nos expomos, mais bonitos ficamos. Meio antagônico isso. Para eu ficar bonito preciso me esconder? Qual a lógica nisso?

Não quero propor a não utilização de roupas ‘elegantes’, nem de perfume, nem de roupas para nos protegermos do frio. Somente proponho uma reflexão sobre a beleza, a verdadeira, a interior, a humana.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Primeira impressão

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Quantas vezes nós não julgamos alguém, ou uma atitude após a primeira impressão? Fazemos isso com muita facilidade, depois de uma breve impressão já damos um parecer definitivo sobre a pessoa, o que ela é, como ela age. Muitas vezes nem damos chance para uma segunda impressão, ou nos damos ao trabalho de deixar que o tempo nos mostre como é a pessoa.

Mas como imagem é melhor do que mil palavras, deixo vocês com um vídeo que, apesar da temática adulta, certamente nos ajuda a entender o que uma primeira impressão pode provocar.




Fonte: http://charges.uol.com.br/bobagens_ver.php?bobagem_pk=1291