Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Matamos milhares de Steve Jobs diariamente

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Esta semana o mundo perdeu uma pessoa de nome Steve Jobs, e como é comum para os recém mortos, ele era uma pessoa maravilhosa, sempre fazia coisas maravilhosas e coisas do gênero.

Não sei o quanto é verdade ou não o que falaram sobre ele, tampouco se as verdades ditas foram exageradas ou não, no entanto sei que ele de fato conseguiu modificar este planeta.

Vi em uma reportagem que ele, nos inúmeros anos que ficou a frente da Apple, nunca realizou uma pesquisa de mercado para ver o que fazer, e isso me chamou muito a atenção.

E o argumento dele na verdade era uma frase dita por Henry Ford. Henry disse: “Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido.

Modo muito interessante de se pensar. Não significa que sempre estará certo, como podemos perceber através de alguns fracassos na história profissional do Steve Jobs, mas significa que pode sim fazer a diferença, e de um modo muito mais intenso e arrebatador do que qualquer ação proveniente de uma pesquisa de campo.

Mas se você trabalha em uma empresa, e sugere fazer algo sem um estudo de campo, baseado na sua percepção de mundo, nos seus conhecimentos, sua habilidade, suas análises e suposição tenho certeza que um percentual muito grande de empresas nem bola dará para você, falarão que não é assim que se faz, que quem é você para dizer o que deve ser feito, se existem métodos “eficazes” de se descobrir isso.

Ou será que estou errado neste pensamento?

Imaginem o mundo atual sem a brilhante mente do Steve Jobs? Como estaríamos? Será que no mesmo ponto? Possivelmente não, pois se estivéssemos no mesmo ponto, as pessoas não diriam tão entusiasticamente que ele mudou o mundo. E o que precisaria acontecer para que tudo o que ele criou não fosse criado? Somente que as pessoas ao seu redor dissessem que ele estava errado, que não era assim que se criava um produto, que pesquisa de campo era necessário e mais um monte de coisas que nos “ensinam” nos cursos caros e que nos dão um grande status e “respeito” onde quer que trabalhemos.

Agora quantos que não possuem a mesma capacidade de persistência, ou de auto-confiança, ou então a mesma capacidade financeira do Jobs são tolhidos diariamente de suas ideias, suas propostas, seus planos de um mundo melhor, somente por não seguirem o que a sociedade chamou de “certo”, de procedimentos necessários para se conseguir alguma coisa.

Quando se faz algo do modo como nos ensinam, somente se é possível ir até onde se foi, nunca ninguém mudou o mundo fazendo as mesmas coisas que todos fazem. Vejam a história, analisem as grandes personalidades.

Se sairmos do ambiente empresarial e formos para o escolar, também podemos imaginar que milhares de mentes são mortas diariamente, pois não “pensam” como “se deve” pensar, não se faz do modo que se deve fazer, não escrevem do modo como se deve escrever. As escolas optam por matar os “Steve Jobs” existentes dentro de cada um para que todos sejam reprodutores dos padrões existentes. Qualquer pessoa “fora da curva” é ridicularizada, tratada como complicada, difícil, como arrogante.

E o mais engraçado de tudo isso é o paradoxo das pessoas. As mesmas pessoas que “matam” o potencial de milhares de pessoas são as mesmas a valorizar os que saíram da curva, porém com o dinheiro e a fama conquistados passaram de complicados, arrogantes, temperamentais para geniais, pessoas a frente do seu tempo.

Acho que se as pessoas pararem de se esforçar para moldar os demais poderemos em breve ter um mundo melhor, pois esta “preguiça” permitirá que as pessoas explorem todo o potencial que possuem, criem, experimentem, errem, acertem e sejam seres humanos melhores, pois terão realizado algo, ao invés de somente se permitirem serem levados pela manada.

sábado, 5 de setembro de 2009

Homem x Mulher

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Vamos lá, responda rapidamente.

Quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?

Quem é mais honesto, o homem ou a mulher?

Quem é mais empreendedor, o homem ou a mulher?

Quem é mais qualquer-adjetivo-da-língua-portuguesa? O homem ou a mulher?

Não sei quais foram as suas respostas, porém sei que estas perguntas são feitas a todo tempo, em todos os lugares. Em qualquer conversa sempre vem a tona o assunto de quem é mais em determinado assunto. E em nome desse “poder” acirram-se disputas, proferem-se palavras desagradáveis, rebaixam-se pessoas, desqualificam-se, enfim, usam todos os artifícios para provar que o grupo de seu interesse seja o melhor.

E fazem isso como se todos os homens fossem iguais, e todas as mulheres fossem iguais, e imutáveis durante a vida, e portanto, passíveis de comparação. E comparam para ver quem é o melhor, para ver quem leva vantagem.

Se reparar, em vários programas de TV sempre são feitas estas perguntas, ou então equipes são criadas separando os homens e as mulheres em uma disputa. E as pessoas parecem acreditar que o vencedor de uma simples gincana prova a superioridade do seu grupo perante o outro.

Fico imaginando que tipo de ganho tais disputam geram? Alguém fica melhor? A sociedade fica melhor? A humanidade fica melhor?

Sou do tipo que prefere usar o que de melhor cada pessoa tem, e procurar construir algo melhor com a força de todos. Darei um exemplo.

Há uma frase de conhecimento popular que diz que uma mulher compra uma coisa de R$ 2,00 por R$ 1,00, mas que não precisa, enquanto que o homem compra uma coisa de R$ 1,00 por R$ 2,00, porém que precisa, e querer comparar qual destas atitudes é a melhor pra mim é puro desperdício de tempo. Acho muito mais interessante um casal, onde o homem ajudará na decisão de só comprar o que precisa, e a mulher ajudará a economizar. Nesta união, todos ganharão. E não falo somente na economia gerada, mas também na cumplicidade, no companheirismo, na cooperação, no respeito a forma do outro ser humano ser.

Se as pessoas, ao invés de quererem esconder suas deficiências (deficiências estas que todos os seres humanos possuem), super valorizarem suas qualidades e fazerem o oposto com os demais, optassem por ajudarem aos outros com suas qualidades, e receber ajuda das qualidades dos outros, certamente teríamos um mundo com menos disputas, menos egoísmo, mais cooperativismo, mais solidariedade, enfim, mais humanidade.

Ah, quanto a resposta das perguntas, só posso dizer que não tenho a menor intenção de achar uma resposta.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A História das Coisas

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Fantástico vídeo, que mostra com clareza como o atual sistema econômico nosso é ruim, e onde ele já nos levou e onde poderá nos levar.

 

O esquema citado no vídeo foi criado após a segunda guerra mundial.
Espero que não necessitemos ter uma terceira, movida pelas mazelas deste esquema, para mudarmos e resgatarmos a felicidade, num 'simples' jantar com nossos 'simples' pais em nossas 'simples' casas, saboreando nossa 'simples' comida.
Que voltemos à nossa vida 'simples'!!!!!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Tecnologia contra nós

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É de conhecimento popular que a tecnologia veio para nos ajudar, melhorar, facilitar nossas vidas. E grandes empenhos são feitos por vários setores em busca disso. Só que, no entanto ainda podemos encontrar exemplos onde a tecnologia é muito mal aplicada, e sua implantação não foi bem estudada.

Costumeiramente vou a uma padaria – cuja qualidade dos produtos é muito boa – e lá há um bom tempo todos os produtos possuem código de barras, tanto os já pronto quanto os feitos – ou pegos – na hora (pães, frios, salgados...), e era somente ir até o caixa que através da leitura óptica destes códigos apurava-se o valor a ser pago. E funcionava bem deste modo. Porém de um tempo para cá resolverem implantar cartões onde registram tudo, para que no caixa a pessoa somente passe este cartão. Saliento que a idéia é boa, afinal, se passaria somente um código de barras e não todos. Porém eles se esqueceram de alguns detalhes.
Primeiramente que tem muitos produtos que já estão à disposição das pessoas, que podem pegar o produto e irem diretamente para o caixa. E nesse caso o caixa passa o código de barras de cada produto, ou seja, a forma ‘antiga’ não foi eliminada, apenas criou-se outra.
E para piorar, para os produtos onde é necessário o serviço dos funcionários, para cada produto continua sendo gerado o código de barras – a máquina que pesa emite e etiqueta ainda – e então o funcionário precisa perguntar a nós se já temos ou não uma ficha, caso não tenhamos eles pegam uma e vão até um terminal onde precisam passar no leitor o código do produto e informar o número da ficha que eles pegaram. Isso pode demorar um pouco quando tem muita gente pedindo, sem contar que exige um treinamento dos funcionários para trabalhar com o terminal – alguns possuem dificuldade.
Em duas oportunidades eu já esperei mais de 1 minuto simplesmente para que eles registrassem minha compra no cartão, tempo mais que o suficiente para eu ter pagado minha conta.
Este é um exemplo de como não se pensa no processo como um todo, mas sim somente no final. Se formos analisar pela óptica do caixa, certamente o tempo diminuirá, pois ao invés de passar vários códigos ele passará somente um. No entanto no processo completo isso acarretará em uma leitura a mais, pois todos os produtos continuam a ser lidos para registro no cartão, e depois o cartão é lido no final. O tempo no caixa pode ter diminuído, mas o tempo do processo aumentou.
Isso me lembrou de um fato já ocorrido neste país burocrata. Aqui temos que levar uma infinidade de papéis para conseguirmos algo. Pois bem, em uma época foi criado um ministério da desburocratização, de onde veio uma idéia fan-tás-ti-ca. A partir daquele dia não seria mais necessário levar todos aqueles papéis, seria necessário somente um. No entanto este um precisaria ter o status de todos os outros papéis separados. Pois é, algumas ‘soluções’ continuam a nos atormentar.

Será que a tecnologia veio a nos ajudar nesse caso? E em quantos outros casos a tecnologia não nos ajuda? É preciso sempre analisar o todo para ver se a tecnologia será ou não proveitosa. Visões parciais podem ajudar determinados setores de uma empresa, mas e os consumidores?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Quero que a mentalidade pública vá para a privada

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Quem aqui neste país não teve que utilizar algum serviço público e não se sentiu muito mal atendido, ou ficou irritado com demoras ou burocracias? Creio que ninguém. E toda vez que preciso utilizar sei que terei que levar comigo uma tremenda dose de paciência, o que muitas vezes não é o suficiente.
Já escrevi um pouco sobre a burrocracia que existe lá dentro, mas fiz isso como um usuário dos serviços, porém um dia eu já estive do lado de dentro, trabalhando em uma empresa pública, e posso dizer que possivelmente estamos fadados ao mal atendimento por muito, muito tempo. Enquanto nossos governantes não resolverem tomar atitudes efetivas este mal continuará nos acometendo.
Relatarei um pouco das coisas que vivenciei, não foram coisas contadas por terceiros ou lidas em algum site.

Até então eu sempre havia trabalhado em iniciativa privada, onde a busca é sempre por melhor produtividade, menor desperdício, o que é muito bom. E na iniciativa pública isso não passa nem de longe perto da cabeça de quem trabalha lá. Melhorar? Para que? Ganho para exercer determinada função, e farei isso, do meu modo e no meu tempo. E se atrasar algo? Não tem problema, ninguém mais pode fazer isso, somente nós. Eles - os usuários - que aguardem.

Só sei que após uma semana de vida nova estava certo que eu pediria a conta, pois aquilo para mim era um martírio. Mas nada que alguns dias de reflexão não me fizessem mudar de idéia, não por acreditar que aquilo mudaria, mas para eu ver melhor esta outra realidade, qualquer mudança é sempre complicada.
Bom, lá dentro a tecnologia estava muito avançada para a década de 70, adequada para a década de 80 e para as próximas décadas deixo o adjetivo por conta de vocês. E a mentalidade das pessoas, tanto funcionários de menor nível quanto funcionários de nível mais elevado era mais atrasada ainda, e o pior, já tão adestrada pelo 'sistema' que muitos nem pensavam mais.
Treinamento, ambientação, essas coisas nem foram cogitadas, em compensação papel para aderir ao sindicato isso sim passou. O serviço era muito fora da minha função, e certamente tive dificuldades para aprender, mas creio que para o tempo que eu estava lá estava fazendo o meu serviço direito. Mas o que é engraçado é que tinham pessoas lá fazendo a mesma função há mais de 10 anos (sem brincadeira, a função não mudou nada) e sabiam menos que eu. Alguém consegue imaginar isso? E por que não eram mandados embora então? Aí entra funcionalismo público, demitir alguém é algo que papai do céu não gosta, é pecadinho, não pode, coisa feia. Então não demitem, e deixam a pessoa lá, que não faz seu serviço, lá, quietinha, e ficam feliz se ele fica no canto dele sem encher o saco dos outros. Tipo um figurante em novela. Está lá só para compor a paisagem.
Todos sabiam quem eram essas pessoas que nada faziam, e nada faziam contra essas pessoas. Estabilidade não tem que ser garantida por lei, mas pela competência da própria pessoa. Isso a estimula a ser melhor, a se desenvolver, a progredir. Saber que a lei impede que ela seja mandada embora cria o que vocês sabem.
O meu serviço não tinha como ser acumulado, dependia do que acontecia no dia anterior. E se nós já fizéssemos o serviço rapidamente não tinha mais o que ser feito, pois o próximo serviço dependia do término do dia atual. Tinha dias em que em 1 hora era possível terminar tudo, e não tinha mais o que fazer, não tinha mesmo. E sabem o que eu escutei de pessoas que estavam lá há um certo tempo quando me viram acabando o serviço nesse tempo?
- "Não faça isso, se não eles verão que você não tem mais serviço e lhe darão mais. Se você sabe que acabará rapidamente então faça devagar, enrole, divida o serviço pelas 6 horas."
Nem preciso dizer que isso era a morte para mim. Para mim não tinha problema nenhum em fazer outras coisas, no entanto muitas vezes não tinha serviço mesmo, para ninguém (não entendo quando se fala que falta gente no serviço público), mas mesmo assim tinha que enrolar. Via pessoas colocando revistas entre os papéis para ler, dando a impressão de estarem trabalhando. Mas isso não é nem o pior. Os meus chefes sabiam disso, e quando chegavam perto das pessoas que faziam isso só comentavam "cuidado para não dar bandeira", ou seja, fazer pode, desde que engane as pessoas. Era um faça-me de idiota mesmo. E um dia, após terminar meu serviço fui perguntar aos meus chefes se podia utilizar o resto do tempo para estudar inglês. Quase fui morto. Onde já se viu? Não pode fazer isso. (Ficar lendo revista de fofocas e catálogos de venda entre os papéis pode.....). Quem mandou eu tentar ser honesto.
Ah, uma vez fui chamado à sala da diretora, e o que achei legal lá é que a mesa dele era mais alta, e a cadeira onde nós sentávamos era bem baixa, numa clara demonstração de poder, ela lá em cima e a gente lá em baixo. Interessante isso.
Como eu informei anteriormente a tecnologia lá era assombrosa (no pior sentido do termo), e editores modernos, com recursos complicadíssimos como CTRL+C e CTRL+V eram coisas inexistentes. Mouse então....., nem em sonho. Pois bem, todos os meses precisávamos gerar um relatório contendo alguns valores, e nesse 'excepcional' editor nem paginação tinha, precisávamos ficar reescrevendo tudo. Eu perdia umas 2 horas nesta atividade. Porém um dia eu fui numa máquina mais nova (386, alguém se lembra?) e utilizei o Excel para fazer isso, e sempre que precisássemos alterar algo gastaria no máximo 2 minutos, pois era só remover e acrescentar o que foi modificado que a paginação e o cálculo eram feitos automaticamente. Imprimi e levei para o meu chefe, e levei uma fumada. Não era assim que tinha que ser feito, o padrão era do outro formato, eles não aceitariam isso pois estava no formato diferente. Eu tinha que voltar a fazer do outro formato. Saliento que não mudei a ordem das informações, nem inseri ou removi nada, somente a impressão seria diferente pois seria feita por um programa gráfico.
Eis o preço da ousadia em um serviço público. Virei rebelde lá dentro, queria botar abaixo tudo o que se tinha lá.

Afinal, se algo que demorava 2 horas pudesse ser feito em 2 minutos, será que seria necessário todo aquele mundo de gente? E por falar em mundo de gente, o serviço que desempenhava era o mesmo todo santo dia, o que mudavam eram os relatórios que precisávamos imprimir (por favor não me perguntem porque eu não abria várias janelas no meu computador), disputar com umas 60 pessoas os papéis eu um única impressora, e fazer a mesma coisa, somente com novos números. E o que fazia era relatar os erros que ocorreram no sistema, e providenciar a correção. É aí que não entendo. O que nós fazíamos era repetitivo, e sistemas já detectavam isso, pois podiam imprimir estes erros. E tudo que é repetitivo é possível de ser programado em um sistema, então por que não melhorar o sistema e eliminar estes erros?
Simples e racional né? Sim, para a mentalidade privada, não para a pública. Eu imagino que no meu setor, onde tinham 20 pessoas aproximadamente, com mudanças no sistema seriam necessárias no máximo 2, ou seja, 10%. E o resto? Eu iriam fazer cafezinho ou teriam que ser despedidas. Eis o problema. Despedir funcionários públicos? Nunca. Não creio que nenhum político seja louco a este ponto, afinal, se ele fizer isso, mesmo trazendo benefícios para o população (menores gastos, maior agilidade, presteza dos servicos...) isso poderia ser mortal para sua candidatura. É melhor deixar do jeito que está. E não evoluindo o sistema é melhor, assim fica mais 'fácil' justificar a presença das pessoas. Sem contar o sindicato, que ao invés de defender o interesse do país defende o interesse da manutenção de benefícios e regalias, a manutenção dos empregados ineficientes, a manutenção desta mentalidade, a manutenção da burocracia. Concordo sim com a existência de sindicatos, mas que defendam os interesses certos, justos.
Teve outra situação que ocorreu lá. Tinham algumas pessoas que usavam a máquina fotocopiadora para fins particulares, e os líderes sabiam disso. Mas como não podiam fazer nada, afinal, não se pode demitir, resolveram dificultar a vida de todos. Para qualquer cópia a ser feita era necessário preencher um papel, informar quantas cópias seriam tiradas, o motivo e levar para a diretora assinar. Somente depois disso era possível tirar cópias. Tentem imaginar o custo de uma cópia....

Consegui sobreviver pouco tempo lá dentro. Saí e perdi benefícios, 'estabilidade' e outras coisas mais, no entanto ganhei a possibilidade de pensar no meu trabalho, de propor melhorias, de me desenvolver, de não me atrofiar tampouco colaborar com aquela mentalidade.

E é por isso, pelo que vivi e pelo que sei de outras pessoas que trabalham em setores públicos, que quero que a mentalidade pública vá para a privada. Se forem necessárias algumas descargas, que sejam dadas.

ps. Se algo no setor público funciona é devido a funcionários que apesar de tudo o que age contra eles arregaçam a manga e fazem o que tem que ser feito, do melhor modo possível, em prol da população. A estes meus parabéns por se dedicarem ao povo, aos seus clientes, e não à sua estabilidade e segurança dos seus empregos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Burrocracia

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Este é um termo que muitos de nós já acostumamos a falar para retratar a nossa forma das coisas ‘acontecerem’ neste país. É um termo muito apropriado.

Recentemente me deparei com uma destas situações. Por causa do meu novo serviço precisei fazer o exame admissional, onde um médico deve analisar a situação do funcionário para verificar se o mesmo encontra-se apto para o serviço, se não apresenta nenhum problema. E a análise que foi feita é algo fantástico. Ele me perguntou se eu estava tomando medicamento – o que é plenamente possível de mentira – e também aferiu minha pressão. E acabou. Peguei o meu papel que comprovava que eu havia passado por exames, inclusive ergonométricos.
Devo estar agradecido por ter encontrado um médico tão bom que em poucos segundos foi capaz de zelar pela minha integridade.
Ironia a parte esse é um retrato do nosso país. Todos sabem que neste país este é somente um dos inúmeros exemplos que nos acometem diariamente. E com relação a este exame médico há uma (in)inteligência no processo, pois o que se avalia não é a pessoa, mas sim o profissional que entra e sai de uma empresa, independente de ser o mesmo. Explicarei melhor. Se eu estou mudando de emprego, preciso fazer o demissional para a empresa onde estou e o admissional para a empresa para onde irei, são dois exames, dois pagamentos, sendo que ambos podem ser feitos no mesmo dia e avaliarão a mesma pessoa. Então por que 2 exames? Minha pergunta é somente no aspecto racional, não faço essa pergunta no aspecto financeiro.
No aspecto citado acima se vê que existe uma burrice na aplicação, e também um desrespeito ao cidadão ao não se verificar a sua saúde, e preocupar-se somente em pagar para receber um papel para ficar tudo dentro da lei, independente da veracidade ou não das informações. E aí me pergunto se o médico poderia agir diferente, pois por R$ 10,00 cobrado fazer um exame tal qual como manda a lei seria prejuízo certo para ele. Aí caímos naquela de que o sistema assim exige que seja feito. Nós criamos coisas para nos proteger, e criamos mecanismos para nos livrar dela, e o pior, de modo não ético, e é tudo aceito normalmente. Duvido que qualquer pessoa que tenha passado por esta mesma experiência não tenha percebido o quão ‘para inglês ver’ é este procedimento.
Não estou dizendo que não se deva ter preocupação com a saúde do funcionário, se avaliar se houve algum problema com ele, no entanto isso deveria ser verdadeiro, e não da forma atual.
E este é somente um dos exemplos da nossa forma de gerenciar as coisas. Posso citar um outro que ocorreu em um processo onde eu não tinha um comprovante se um determinado pagamento ocorreu na data prevista ou se havia ocorrido no dia seguinte. A pessoa me falou que se o pagamento não houvesse sido feito no dia correto eu poderia requerer uma multa. Disse a ele que mesmo que tivesse ocorrido em outro dia não usaria deste direito. Sem chance, foi obrigado a providenciar o comprovante com a data do pagamento, marcar outro dia, perder mais algumas horas para ele ver que o pagamento havia sido feito fora do prazo. Ele registrou isso, e tudo continuou como eu havia falado anteriormente, pois não iria fazer nada. E a resposta dele é que ele precisa fazer isso, está no procedimento. E é aí que não consigo entender. Se eu, a pessoa interessada, abri mão, não poderiam ignorar o documento ou então escrever que eu abria mão, independente do deposito no dia certo? Qual o ganho em fazer uma pessoa perder horas de serviço, de deslocamento e tudo mais para nada acontecer?
E o pior de tudo é que isso é algo tão enraizado em muitos de nós que acreditamos piamente que é assim que as coisas funcionam. E é uma postura dessa que torna o sistema cada vez mais solidificado. Neste país até se criou um Ministério da desburocratização, no governo Figueiredo. Possivelmente para se solicitar alguma melhoria era necessário preencher alguns papéis.

E o que nós, cidadãos regidos por leis podemos fazer para acabar com isso? Imediata e diretamente não vejo nada, mas se passarmos a nos indignarmos e em nossas empresas, escolas, associações fizermos as coisas de modo mais eficiente e desburocratizado contribuiremos para formarmos pessoas com uma visão diferente da imperante, e dessas pessoas, as que chegarem até algum posto onde seja possível mudar as leis e o sistema, quem sabe as coisas comecem a mudar? Fazer a nossa parte pode não resolver este problema imediatamente, no entanto é a forma de se modificar algo.