Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 
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sábado, 23 de julho de 2011

Tontumidores

3 comentários até o momento. Que tal deixar o seu?

Não, não errei a palavra. Tampouco utilizei uma existente. Resolvi criar uma palavra para poder expressar como a indústria nos trata e como nós também nos deixamos ser.

A indústria está pouco se lixando para nós, os consumidores, ela não quer saber se o produto que ela produz faz mal para as pessoas, para a sociedade, para o meio ambiente, ela só quer que você compre, compre, compre, cada vez mais, cada vez mais sem necessidade, somente para enriquecer o país e a economia o bolso de meia dúzia de pessoas.

Se a pessoa faz dívida, entra no vermelho, se isso gera brigas nos casais ou com os filhos não tem a menor importância.

Mas a indústria é esperta, ao contrário de muitos de nós, e sabe o que ela quer, e por isso mesmo trata de esconder isso. Pensam em estratégias e mais estratégias, usam de psicologia e de forte apelo emocional para poder continuar vendendo seus produtos, e ainda de um modo que nós, os consumidores, acreditemos que realmente precisamos daquele produto, que nossa vida sem aquele produto perde o sentido, que nossa vida será melhor, mais próspera após a aquisição daquele produto. Sabem que estamos com uma sociedade muito, mas muito doente mesmo, onde as pessoas muitas vezes desconhecem a felicidade, e vendem esta “felicidade” em lindas embalagens, cheia de atrativos, palavras lindas, pessoas sorrindo, e ainda em 10 parcelinhas sem juros.

<ironia>Olha só que maravilha, felicidade embalada e disponibiliza em 10x sem juros, é a solução do planeta!!!!</ironia>

Não sei se já viram, ou vivenciaram, mas as propagandas de décadas atrás comparada com as de hoje mudaram drasticamente. Antigamente se enaltecia as qualidades do produto, suas vantagens, benefícios reais que os mesmos trariam caso fossem comprados, mas agora tudo isso não existe mais. Pouco importa agora o que produto faz, o que importa agora é a felicidade que ele proporcionará a você e sua família, o quanto o fará se sentir melhor, mais forte, mais bonito, mais desejado, mais invejado. O apelo é somente emocional, e como disse, nesta sociedade doente, há muitos compradores de emoção. E compram mesmo.

Antigamente o sabão em pó servia para deixar as roupas limpas, hoje não. Atualmente o sabão em pó proporciona uma vida feliz a criança, que somente agora pode brincar sem se preocupar com a roupa, ela brinca, se diverte, se devenvolve, e e mãe põe na máquina e sem esforço a roupa estará mais branca do que quando comprada, então cria-se a família feliz.

<ironia>Ainda bem que inventaram este sabão em pó, fico imaginando como devia ser infeliz a família antiga, as crianças não podiam brincar, aprender, se desenvolver e as mães mesmo que lavassem as roupas jamais retornariam ao branco original.</ironia>

É engraçado ver também como para coisas opostas dizem a mesma coisa, e as pessoas não reparam.

Vamos falar da Coca-cola. Há vários anos o tamanho máximo vendido era de 1l. Depois veio a PET e passou a ser vendida em embalagens e 2l. Então vem a propaganda e diz: “Mais economia para você e sua família”.

Posso até imaginar que sim, pois uma boa parte do custo de um refrigerante é a embalagem.

Aí entra a “onda verde” e voltam a fazer embalagens retornáveis. A Coca-cola lança uma retornável de 1,5l, vai na televisão e a propaganda e diz: “Mais economia para você e sua família”.

Calma aí, como é que pode a diminuição também ser mais economia? Mais economia somente pode ser uma das duas variações, ou o acréscimo do conteúdo ou então o decréscimo. As duas não. Certamente a empresa mentiu para nós, ou na primeira ou na segunda mudança.

Mas como a palavra “economia” soa bem nos ouvidos, as pessoas ouvem e compram felizes por estarem fazendo “economia”.

Continuando na “onda verde” agora uma marca de papel higiênico coloca os rolos dobrados, para minimizar o impacto ambiental, já que a embalagem fica menor, menos gasto, e também ao transportar é possível colocar mais em um mesmo volume. Mas se isso realmente é tão bom, por que a empresa não fez isso antes? Antes o meio ambiente que se dane? Não, é que antes as pessoas não comprariam rolos amassados, pois demonstraria um relaxo com o produto, e agora não, não é relaxo, é preocupação sócio-ambiental. E o produto é o mesmo.

SAIBAM que a indústria está pouco se fudendo preocupando com você, como você é, se seu salário permite que se compre o produto dela, se você fará dívidas, se sua família será mais feliz, se você ficará mais importante. O que ela quer é vender, e só. Se para isso o planeta vai explodir, ou se você trabalhará até perder a saúde para adquirir estes itens, ou se destruirá o amor existente em você e sua família não fará NENHUMA diferença para eles.

As técnicas de venda se sofisticarão cada vez mais, novos métodos serão criados para fazerem você acreditar que sua vida será melhor com os novos produtos. Se não conseguirem mais atingir você, tentarão atingir pessoas próximas a você para que elas o consigam atingir.

SEJA e ESTEJA uma pessoa consciente. Compre o que for NECESSÁRIO, e não o que deseja. O necessário não pode ser mudado pela indústria, o desejo sim.

Entenda que NUNCA algum produto o deixará feliz, NUNCA um produto dará sentido a tua vida, NUNCA um produto resolverá os problemas que tanto nos atormentam. Se isso fosse verdade, o mundo não teria tantos problemas, já que o mundo possui muitas vendas hoje.

Cheque especial, limites altos nos cartões de crédito, parcelamentos não são vantagens, nem propiciam a vocês poderem mais, muito pelo contrário. Tudo isso somente faz com que possam menos, cada vez menos, e se sintam cada vez pior e alimente a NECESSIDADE adquirir mais novíssimos produtos SALVADORES DA SUA ALMA.

Não sejamos tontumidores.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

E a nossa educação....

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Acabei de ver na TV (09/02/2009) um pronunciamento do Excelentíssimo Sr. Dr. Ministro da Educação falando a respeito da nossa educação, os investimentos feitos e de um índice que mede a “qualidade” do ensino no país. Na primeira medição o índice foi de 3.8 (2005), depois foi para 4.2 (2007) e este ano haverá outra avaliação, pelo que me recordo de nome Prova Brasil.

E no discurso ele pediu para os professores prepararam os alunos para esta prova. Isso mesmo, preparar os alunos para a prova.

Isso é pura manipulação de números, da mais deslavada possível. Ao invés de investirem na educação, nas condições para que o aluno possa aprender e o professor lecionar, investir na educação para que se construa o cidadão, ciente do seu papel, crítico para poder ter suas próprias opiniões e optar por algo melhor no futuro, o Excelentíssimo Sr. Dr. Ministro da Educação pede que os professores preparem o aluno para a prova, inclusive mostrando que há um material de apoio com os itens que cairão e tudo mais. Ou seja, está pegando o que de errado tem nos cursinhos, que é treinar pessoas para passarem em avaliações e colocando na educação pública. O foco agora descaradamente é gerar bons números para os ‘estrangeiros’ verem como é bom a nossa educação e então investir neste país.

Oh, e agora, quem poderá nos ajudar?

Acabei de ver que o governo aplicou uma prova nos professores, para avaliar o nível deles, e de 214 mil 3 mil tiraram zero, isso mesmo erraram todas as perguntas das matérias que lecionavam. E nada acontecerá com estes 'professores', inclusive o sindicato entrou com uma ação para impedir que estes sejam punidos, pois crer que uma prova não pode ser suficiente para tal ação. Vejam o comentário do Gilberto Dimenstein.

Deixo alguns vídeos, um do Jornal da Record, de uma série especial sobre educação,


Outro de um comentário do Alexandre Garcia, no jornal Bom Dia Brasil.


E por último um sobre o poder da leitura.



ps 1. Utilizei o termo Excelentíssimo Sr. Dr. Ministro da Educação pois pessoas de 'nível' adoram ser chamadas de todos os adjetivos adquiridos por eles. Talvez achem que isso os torna melhores, sei lá.
ps 2. Meus parabéns para a mãe do aluno que utilizou os recursos legais para fazer com que o filho não se forme sem aprender nada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Como ter um negócio de sucesso

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Quem é que nunca sonhou em ter o próprio negócio, sem chefes, e com chance de ganhar um bom dinheiro? Imagina, algo seu, com a tua cara, teu formato, onde será livre para modificar de acordo com a tua crença e instinto, onde não terá chefes chatos, que pegam no pé. Imagino que um bom percentual das pessoas sonham com isso.

Mas transformar este sonho em realidade não é algo fácil neste país. A burocracia imperante aqui inibe os impulsivos. É tanto documento para pegar, taxas que qualquer pessoa que não tenha vocação de super-herói para por aqui. E olha que nem estou lembrando do trabalho que dá no caso de querer fechar o próprio negócio. Esse sim leva muitos anos e custa muito, mas muito caro mesmo.

Mas você, herói, lutou bravamente e venceu sem ímpeto e as burocracias e enfim conseguiu montar um negócio. Parabéns! Mas este é somente o começo. Ok, você tem o negócio, mas como ter sucesso com ele? Como fazer ele prosperar, ou na atual conjuntura, sobreviver?

Preparem-se, darei a receita para o sucesso. E ‘de grátis’. Juro que não é charlatanismo.

Quem ter um negócio de sucesso? Simplesmente “respeite o cliente”.

É, é isso mesmo, respeitar o cliente, nada mais. Não tem que investir fortuna em marketing, comprar móveis caros para impressionar os clientes, nem exigir roupas impecáveis dos funcionários, nem disponibilizar cafezinho, água e pequenos mimos aos clientes. Basta respeitar.

É uma regra tão poderosa que independe de crise econômica, de setor da economia e qualquer outro fator. E talvez por ser tão simples é que as pessoas não creem, ou talvez por isso não ser vendido nos ‘emibieis’ da vida, afinal, este conselhos nossos pais e avós dão de graça, e o deles tem que ser muito bem pagos.

Quando eu digo respeito não me refiro a cordialidade, dando o sorriso amarelo-Wal Mart, ou servindo cafezinho conforme aprendido em cartilha. Respeito é algo muito diferente. Respeito não é sempre dizer sim ao cliente (o cliente tem sempre razão – blahhhhh), mas sim fazer com que o relacionamento com ele seja feito de forma respeitosa, com valores, princípios, e ciente que ele é quem pode financiar teu sonho.

Aos que quiserem, darei alguns maus exemplos de ocorridos comigo, para mostrar como o desrespeito pode afetar e muito um negócio, como uma bola de neve.

Recentemente comecei a ver alguns orçamentos para a minha casa, e então foi necessário marcar um horário para que a pessoa viesse até minha casa fazer o seu trabalho. E o que ocorreu mais de uma vez? A pessoa não veio no horário. Infelizmente isso não é novidade. E quando falo de respeito, caso não desse para chegar no horário, que ligasse antes, avisando. Pois assim evitaria deu ter que sair do serviço, perder horas de trabalho, me deslocar. Mas nem isso se dão ao trabalho. Depois dizem que a crise está brava.....

Há um tempo atrás precisei tirar umas fotocópias, fui até a empresa com as folhas marcadas para serem tiradas. Perguntei quando estaria pronto, e me falaram que às 13h. Pois bem, cheguei no horário e só para ser atendido levei mais de 15 minutos (será que custava parar para ver se era algo mais rápido?). Quando fui atendido obtive a resposta que não, que ainda não haviam tirado. Era para eu voltar mais tarde. Voltei para o serviço e depois voltei no horário combinado e bingo, ainda estavam tirando. Como estava no meio do caminho continuei lá. Ao terminar a moça perguntou se eu queria que organizasse as folhas (caramba, o serviço delas é somente esse, será que organizar é um ‘plus a mais’?, ou será que tem um tipo de cliente que adora folhas aleatórias?), como já estava perdendo muito tempo disse que não. Voltando ao meu serviço tive que organizar a bagunça delas e minha surpresa é que tiraram errado. Certamente elas começaram tirando do começo para o fim, pararam para atender alguém e depois continuaram do fim para o começo, ou seja, duplicaram páginas e deixaram de tirar de outras, além de terem esquecido de tirar de uma parte. E lá vou eu, hiper feliz, solicitar que acertem a bagunça. Depois dizem que a crise está brava.....

Vou eu então me aventurar em uma lanchonete, e solicito um lanche. Quando cheguei estava bem vazio, sem tumulto. Pois bem, fiquei lá e espero, espero, espero, espero, etc. Quando já estava muito fulo da vida perguntei se demoraria muito e imaginem a resposta, claro que não, estava vindo. E enquanto isso via pessoas chegando, pedindo, comendo e pagando, e eu lá. Depois de muito tempo chegou, mas certamente o gosto já estava péssimo. E quando fui pagar, questionei o motivo da demora, e o que ouvi foi que demorava mesmo, que eles não tinham as coisas prontas, para que ficasse tudo fresco. Acho que eles foram plantar o boi, regar, esperar crescer para poder cortar e pegar a carne. Depois dizem que a crise está brava.....

E finalmente o caso do Wal Mart. Fui lá decidido a comprar um DVD player. Somente gostaria de conversar com o vendedor para ter uma idéia melhor dos recursos disponíveis, pontos bons, pontos ruins. Pedi para um funcionário, mas ele estava ocupado e disse que voltaria. Fiquei esperando. O tempo passa, passa, passa..... Quando ele passou novamente o chamei, mas ele ainda estava ocupado. O tempo passou, passou, passou e eu desisti. Fiquei quase 1h esperando e nada de alguém me atender. E olha que eu estava com o dinheiro, era só decidir qual e pagar. Fui embora e comprei em outro lugar. Depois dizem que a crise está brava.....

Tenho certeza que vocês possuem exemplos similares aos meus. Será que é tão difícil respeitar a pessoa? E depois, quando entrarem em falência, dirão que a culpa é da crise, do mercado, da competitividade, da falta de preparo, do bispo....

sábado, 8 de novembro de 2008

Pra inglês ver

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Essa é mais umas das expressões que possuímos Vejam a origem da expressão:

“Não deve ter existido apenas uma origem para o surgimento dessa expressão, diz John Schimitz, professor de Lingüística Aplicada da Unicamp. Mas, segundo a maioria dos especialistas, a fonte mais provável data de 1831, quando o Governo Regencial do Brasil, atendendo as pressões da Inglaterra, promulgou, naquele ano, uma lei proibindo o tráfico negreiro declarando assim livres os escravos que chegassem aqui e punindo severamente os importadores. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida, teria começado a circular na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, o comentário de que o ministro Feijó fizera uma lei só para inglês ver.”
Fonte: Super

Apesar de o termo ter sido criado há muito tempo, ele ainda é muito atual. Parece-me que neste país isso é uma lei. O que se tem de coisas que ‘funcionam’ desse jeito é uma enormidade.

Vou pegar o carro para citar alguns exemplos. Em todos os carros existem extintores, que recentemente tiveram que ser modificados para um tipo mais poderoso (o caro é mero detalhe). Agora, qual o motivo do extintor? Por acaso alguém que está em um carro, e o mesmo começa a pegar fogo, vai lembrar de pegar o extintor – que seguramente ninguém nunca se preocupou em ensinar a utiliza-lo – embaixo do banco do motorista, analisar em que tipo de material está pegando fogo, abrir o extintor, mantê-lo na posição vertical, apontar para o fogo e apertar? Ou o pessoal vai sair correndo mesmo, tirando o mínimo necessário? Bom, eu certamente sairei o máximo possível longe do carro.

Ah, mas tem gente que sabe manusear um extintor e analisar o risco do fogo. Ah é? Quantos? 50%, 80%, ou meia dúzia? Parece-me que é esforço demais para pouco uso.

E lembram também quando foi obrigatório ter um kit de primeiros socorros nos carros? Todo mundo teve que comprar para não serem multados. Tinha tesoura sem ponta, gaze, esparadrapo e mais um montão de coisas. Pergunto: quem chegou a utilizar? E mais, quem sabia utilizar? Acho que assim como eu, a maioria dos motoristas não tem a menor capacidade de utilizar o kit, sob risco de prejudicar ainda mais a saúde de um acidentado. Ao menos é isso que escuto quando profissionais de atendimentos médicos são entrevistados. E se era tão bom assim, por que terminou? Se isso ajudava, por que terminou?

Agora tem uma nova lei exigindo mais tempo de aula para uma pessoa passar a dirigir. Por quê? Será que 4 horas a mais (e alguns reais a mais para alguns) realmente farão a diferença? Agora tem aula sobre responsabilidade e bebida. Ensinam nessas aulas que não se pode beber e dirigir. Agora estou em paz. Certamente com alguns reais a mais pago pelo futuro motorista ele se conscientizará e jamais beberá e sairá dirigindo, assim como ele também passará a dirigir dentro dos limites e defensivamente. É preciso um pouco de ironia para tentar mostrar o quão inócuo é esta lei. Não serve para nada, não muda nada (exceto o repositório do dinheiro). Quem bebe vai continuar bebendo, quem corre vai continuar correndo, quem pensa só em si continuará a pensar só em si. Não e um curso de 4h que mudará.

Mas aí ao menos ‘os beleza’ vão dizer que fizeram a parte dele, afinal, fizeram algo para diminuir os acidentes. Que pena que as idéias deles são idéias placebo.

(Aqui vale um parênteses. Os que não bebem, por que têm que fazer aula sobre o risco de bebida e direção?)

Aos que já viajaram de avião sabem que antes de todo vôo tem aquele blábláblá de segurança, dizendo que em caso de acidente máscaras cairão, primeiro tem que fazer isso, depois aquilo, etc. A primeira vez a gente até escuta, depois a gente quer mais é que o avião decole. Ninguém presta atenção no que as moças falam. E se ocorrer um acidente, quantas pessoas saberão utilizar e seguir os procedimentos? Se eu estivesse em um avião com problemas, a última coisa que lembraria na vida é de todas as instruções das moças. Mas Carlos, isso é importante, pois pode salvar vidas. Eu sei, mas e se ao invés de falaram, antes da pessoa embarcar pela primeira vez num vôo, tivesse um curso, no solo, sobre como proceder, com exercícios e tudo mais? Assim teríamos pessoas aptas (ao menos bem mais do que do método tradicional) e no vôo não seríamos obrigados a escutar aquele blábláblá. (idéia lida no livro “Você está louco”, de Ricardo Semler).

Pois é, temos inúmeras outras situações iguais a essas, com ações placebo. Não consigo entender o porque delas continuarem a existir. Se não servem para nada de útil, proveitoso, que favoreça o crescimento das pessoas, por que tê-las?

Mas enquanto alunos fazerem que prestam atenção, professores fazerem de conta que ensinam, o governo fazer de conta que paga bem, e a sociedade fazer de conta que é civilizada continuaremos gerando muitas visões ao ingleses.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sistema eleitoral

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Chegamos a mais uma eleição, presenciamos mais alguns meses de propaganda política, quase tive uma overdose de Lavínia Vlasak.

E neste período muito de fala de política, da eleição, dos candidatos, de cidadania, e principalmente as conversas onde se diz em quem vai votar, o motivo, essas coisas. Acho isso interessante, não sou da turma dos que acham que política não se discute, muito pelo contrário, para mim se discute e muito, pois somente através das discussões (leiam troca de argumentos, e não troca de insultos ou ofensas), das visões de outras pessoas e que podemos nos aprimorar, nos desenvolver.

E nesse momento, quando estamos conversando sobre em quem votar, no motivo, quando perguntado digo que anularei meu voto. Isso mesmo, votarei em nulo, não quero ninguém lá. Já até consigo ouvir vocês expressando a indignação. “Como assim anular? Tem que exercer sua cidadania.”, “Votar é algo muito importante, e é somente assim que mudaremos as coisas.”, “Se anular porque não quer um candidato ruim, corre o risco do pior entrar no poder.”, “Depois não pode reclamar.” e mais um monte de frases, as quais já conheço de cor e salteado.

Quero então lhes dizer o motivo pelo qual faço isso, quais são os fatores que me levam a tomar esta decisão, e espero que após isso entendam que o que faço não é por rebeldia sem causa, ou então “porque se há algum sistema, eu sou contra”, ou somente para incitar discussões. Faço mediante argumentos. Eis os argumentos:

  1. No sistema atual, o que existe são produtos, os quais tomam banho de loja (marketing político), dizem somente as palavrinhas apropriadas, nos momentos apropriados.
    Todos dizem a mesma coisa, independente de posição partidária, visão de mundo, objetivos, idade, credo. É sempre preciso investir na segurança, na construção de casas, na saúde, contratar e melhorar os salários dos servidores, investir no transporte público, e principalmente, investir muito na educação, pois a educação é a base de tudo. Pura ‘prosopopéia flácida para acalentar bovinos’. Claro que isso tem que ser trabalhado, ontem, hoje e amanhã. Sempre!!!!!! Qualquer um sabe disso, então dizer algo que todos sabem para mim é perder tempo e chamar a todos de idiotas. E quando todos dizem a mesma coisa, nada foi dito.
    Engraçado que nunca vi um defender questões importantes, que realmente podem mudar a sociedade ou então questões delicadas e que dividem a opinião pública. Nunca vejo um candidato defendendo severas punições contra corrupção, eliminação dos cargos de confiança, mudar a forma de administrar para o modelo privado, fim dos benefícios sem propósito, fim de foro privilegiado, diminuição dos salários (que estão fora da realidade brasileira), definição da carga horária de acordo com a CLT. Ou então nunca vejo um candidato dizendo o que acha a respeito de assuntos que sabidamente dividem opiniões. Claro, se ele expressar essa opinião, então metade não vai votar, então nunca são verdadeiros.
  2. No sistema atual, os custos de campanha são altíssimos. Os candidatos precisam investir em propagandas, contratar pessoas para ficarem divulgando o nome nas esquinas (alguns ganham R$ 200 por semana). Fora os gastos com santinhos, carros de som, gastos com deslocamentos. Não falo aqui dos candidatos que entram somente para participar, mas sim dos que realmente querem entrar na mamata política. Os que entram pra valer gastam muito dinheiro. Fiquei sabendo aqui na minha cidade, por uma pessoa que uma vez participou de uma campanha, que estes vereadores ‘profissionais’ chegam a gastar R$ 200 mil. Isso para vereador, e se for para prefeito? E deputado estadual, federal, governador, senador, presidente? Imaginam o custo?
    Pois bem, o custo para se eleger é altíssimo, e minha pergunta é: quem paga o preço? Claro que há muitas pessoas que financiam a campanha, investem pesado. E eu, como uma pessoa incrédula, duvido que quem invista faça por ideologia, por crer que a pessoa fará um bem para a sociedade. Os que investem querem o dinheiro de volta, independente do meio. Então, num singelo pensamento matemático fico pensando “Como o candidato conseguirá devolver o dinheiro para os investidores, se os ganhos que ele terá não será o suficiente para isso?”. Será que o candidato é um ser tão fervoroso por fazer o bem a população que se candidata, mesmo sabendo que perderá muito dinheiro? Creio que não. Então, pergunto: “Como se resolverá essa questão?”. Bom, no mínimo deverá ter favorecimentos, informações privilegiadas, definição de obras públicas para alguém, ou então algum ato legal, porém amoral, como construção ou mudança de lei que vise favorecer algum investidor.
  3. No sistema atual, os partidos geram politicagem. Os partidos políticos não possuem nenhuma função, a não ser a de exigir acordos para votações, beneficiamentos, distribuição de cargos. Se partido político fosse algo sério, não teria mudança de partido, nem alianças, e muito menos alianças diferentes para cada cidade. Não entendo como filosofias diferentes podem estar lado a lado em uma cidade e serem adversárias na cidade ao lado. Se não for por puro interesse escuso, não entendo o motivo. E com os partidos, os interesses passam a ser literalmente partidários, passam a defender o seu partido, dinheiro para o mesmo, status, poder. E o povão fica a ver navios.
Resumindo, se o que tem são produtos para que eu os ‘compre’, se gastam muito mais dinheiro na campanha do que ganharão, e se os partidos não servem para nada de bom para o povo, qual o motivo que tenho para votar em alguém?

Votar em alguém para mim soa como uma afirmação de que tudo isso que existe hoje está bom, que concordo e quero que tal sistema permaneça. E não é isso que penso.

Aí então vêm pessoas dizendo que mesmo anulando o voto (coisa que o governo não informa ao eleitor como fazer, assim como também quase que demonizam tal atitude) políticos (muitas vezes maus) continuarão a serem eleitos, que o voto nulo não pode anular uma eleição. A estes respondo que sei que votos nulos não anulam uma eleição, e que mesmo que somente haja um voto, com todos os outros nulos, tal pessoa será eleita. Podemos não mudar, de imediato, o resultado, mas podemos com isso dar um sinal claro aos governantes que há algo errado. Uma pessoa com um voto pode ser eleita prefeita, mas ela estará bem lá? Quem confiará nela? Apoio de quem ela terá? Quem confia nela? Se a quantidade de nulos for grande, haverá uma mensagem de que algo muito, mas muito errado está acontecendo, e mesmo que não mude na próxima eleição, a sociedade começará a ver que algo está errado e precisa ser modificado.

Como o voto nulo é muito mal falado, é tratado como falta de cidadania e comprometimento, muitas pessoas que estão desgostosas com o esquema atual, com os candidatos, com a politicagem que assola este país acaba votando no que consideram ‘menos pior’. Imaginem se estas pessoas permanecessem firmes nos seus propósitos de não votar, vocês acham que somente teria 3% ou 4% de nulos? Conheço muitas pessoas que dizem que não tinha ninguém bom em quem votar, mas acabaram decidindo de última hora. Segundo a visão que nos é passada ela é uma cidadã, afinal, votou. Mas votou por votar, pegou qualquer um. E isso é mais importante e valoroso do que anular por convicção e por desejo real de melhora?

Tá certo, falei que não concordo com o sistema eleitoral atual, os problemas que vejo nele, mas criticar é muito fácil. Pois bem, para dificultar um pouco meu texto aproveito para apresentar minha idéia de um sistema eleitoral diferenciado.

Minha idéia é ter um sistema que não permita politicagem, não gere gastos, não deixe ninguém de rabo preso, não crie produtos a serem comprados.

Na minha proposta cada pessoa votará somente em uma pessoa, nada mais. E como será isso? A cidade deverá ser dividida em regiões pequenas, com uma quantidade máxima de pessoas. Digamos que cinco mil. E nesta região qualquer pessoa poderá se candidatar para representá-la, para lutar por melhorias. A única restrição é que deve morar a pelo menos 10 anos na região, o que faria com que conhecesse muito bem as pessoas, as dificuldades e as necessidades da região.

Não existiria partido, afinal, como a pessoa provavelmente será alguém conhecido da região nada disso será necessário, não haverá gastos pois com pouco deslocamento poderá fazer a campanha dela. E de nada adiantaria ela fazer campanha em outros lugares, pois somente as pessoas daquela região é que poderão votar nela.

E por ser uma pessoa do convívio daquelas pessoas, não terá como ter marketing político, afinal, as pessoas já conhecem o passado, os atos do candidato. Maquiagem e marketing de nada adiantarão.
As pessoas então votariam em qualquer uma das pessoas que se candidatarem, e o candidato com mais votos é eleito representante, responsável por aquela região. Esta pessoa será a responsável por gerenciar as pessoas. E como esta pessoa já é conhecida da região, convive lá, certamente cobranças serão bem mais fáceis de serem feitas, afinal, se nada estiver sendo feito, basta andar algumas quadras e bater na casa do representante. A cobrança fica mais fácil e direta.

Ah, mas o cara pode ser eleito, e como ganhará dinheiro poderá mudar do lugar. Eu sei, mas isso é outra barreira. O representante deverá necessariamente continuar morando na região onde foi eleito, e caso mude de região (de casa na mesma região tudo bem) automaticamente perderá o cargo, e o segundo colocado será empossado representante da região. Isso é para exigir que o representante realmente represente as pessoas, e não tenha por objetivo pegar os votos das pessoas e depois virar as costas.

Bom, mas até agora só temos representante para regiões de no máximo 5 mil, mas muitas cidades possuem mais do que isso de habitantes. Certamente, então estas regiões deverão ser agrupadas para eleger um representante para esta região maior. Então os candidatos eleitos e que estão neste novo agrupamento deverão conversar entre si e definirem uma pessoa para representar a região maior. E assim que elegerem uma pessoa, a região que elegeu esta pessoa perderá o representante direto, então o segundo colocado na eleição passaria a representá-los, afinal, muitas pessoas também confiaram seus votos nele.

Estes agrupamentos maiores poderiam ser de 20 regiões menores, muito mais que isso ficaria complicado gerenciar. E para que ter estes agrupamentos? Muitas obras envolvem bairros, interligam regiões, então é necessário que alguém tenha uma visão maior, e se preocupe com questões que extrapolem a região inicial. Seriam criados quantos agrupamentos forem necessários, e se a quantidade destes agrupamentos superar 20, outro agrupamento deverá ser criado, de modo recursivo até que seja eleito um representante para a cidade.

Poucas pessoas votaram diretamente neste representante, no entanto os que votaram o fizeram por conhecer o passado dele, suas ações, seus valores, seu trabalho. Ou seja, mesmo muitas pessoas não o conhecendo (reforço que mesmo no esquema atual não conhecemos a pessoa, somente uma imagem) ele poderá ser acessado muito rapidamente por aqueles moradores da região onde ele reside. Para este representante também não será permitido que ele mude de região.

Eleito o prefeito, estes se reuniriam e decidiriam entre si os representantes para as regiões do estado, que por sua vez decidiriam o representante do estado e por sua vez escolheriam o representante para o país.

O governador e presidente deixariam a sua região, afinal eles possuem preocupações que exige que eles estejam em muitos lugares, há um esquema de segurança, logística e tudo mais.
Com esta idéia, evitaríamos os gastos com campanha, os rabos preso, os partidos políticos – as pessoas votariam no caráter das pessoas, as jogadas por interesse. Cada pessoa somente votaria em uma única pessoa, e esta moraria perto durante todo o mandato, facilitando o acesso da população.

Ah, claro, o voto seria facultativo, assim somente votaria quem realmente tem interesse, quem quer algo melhor para sua vida, evitando os votos daqueles que somente votam por ser uma obrigação.


Delírio tudo isso que falei? Para muitos é bem provável. Mas para mim, delírio é achar que o esquema atual é bom. E então, o que acham da proposta?

sábado, 23 de agosto de 2008

Manipulação

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Tento imaginar o que leva pessoas a tentarem manipular os outros, a fazerem pensar coisas diferentes da realidade, a criar falsas esperanças nos outros. Doença? Se não é, certamente alguém vai inventar uma síndrome, dar o seu nome e então teremos criado um álibi para muitas pessoas. No entanto não creio nisso. Creio sim em atos pensados, e pensados por pessoas que não fizeram o melhor possível, e mesmo assim querem passar esta imagem aos outros.

E por que comecei falando isso? Nesta semana fui visitar uma amiga minha em seu novo apartamento (e a cada dia que passa as coisas ficam menores, acho que daqui alguns anos moraremos em casas de 10m2). O apartamento é legal, no entanto o que a construtora fez é que não achei legal. Ao ver a planta mobiliada do prédio reparei que no desenho, na sala, tinha uma mesa de 6 lugares (encostada na parede), mais dois sofás (de três e dois lugares) mais a televisão. Engraçado é que na sala real não cabe isso em hipótese nenhuma, sobrando o espaço desenhado na planta. E para caber tudo aquilo os móveis precisariam ser de casa de boneca, para crianças. Ah, mas abaixo da planta tinha a estupenda frase “sem escala”. Que brincadeira de mal gosto é essa? O cara faz o desenho todo da casa, e coloca os móveis sem escala e tudo certo? Por que alguém quer fazer isso? Atualmente é fácil fazer estes desenhos com os softwares que se tem no mercado, então por que não colocar o tamanho real, passando ao interessado a possibilidade real que ele terá? Ah, mas isso não vende, afinal, quem quer comprar uma sala onde não cabem as coisas? É melhor iludir e colocar a frase para me isentar de problemas legais.

Lamento, mas isso para mim é manipulação, sem contar que é uma comprovação de que o que eles fizeram não é bom o suficiente, então precisam de maquiagem para tornar melhor.

Este é um exemplo, porém tem o outro (vejam reportagem completa). A Rede Record está em ‘guerra’ com a Rede Globo, e o IBOPE é algo importante para ver quem está ‘ganhando’ esta guerra. Até aí sem problemas, são empresas comerciais, dependem do IBOPE para aumentar faturamento. Disputar mercado com outras empresas é o dever de qualquer uma. No entanto há um tempo atrás um programa da Record mostrou 2 gráficos comparando o IBOPE deles com o da Globo. Vejam:


No primeiro há uma comparação entre o jornal das duas emissoras, e podemos ver que a diferença estética é mínima, no entanto percentualmente fica em 35%. Tal gráfico somente pode ser verdadeiro caso o valor mínimo esteja bem inferior ao zero.

Já no segundo gráfico a diferença estética é muito grande, praticamente o dobro, sendo que percentualmente fica em 5%.Tal gráfico somente pode ser verdadeiro caso o valor mínimo esteja bem superior ao zero, na verdade próximo do 13.

Não tenho como negar que os gráficos podem ser verdadeiros, mas por que mudar tão bruscamente a escala? Por que utilizar dois pesos e duas medidas? Não tem escala certa ou escala errada, eles poderiam adotar qualquer escala, nem precisariam pegar a escala começando do zero. No entanto utilizar duas escalas completamente diferentes, para que os números deles sejam beneficiados é uma manipulação da informação, pois informação gráfica é muito mais rapidamente absorvida pelas pessoas, e com o pouco tempo de exibição desta imagem pouco poderíamos fazer para perceber tal manipulação.

Mas não vou apedrejar toda e qualquer forma de manipulação. Como tudo nessa vida, manipulação também é bom. Imagine um pai, que quer fazer o filho descobrir o valor de uma conquista, de um esforço, ou então adquirir um conhecimento novo. Ele pode criar todo um cenário, uma história e manipular (o termo politicamente correto seria guiar) o filho até que o filho descobrisse tudo, o que além de proporcionar conhecimento lhe proporcionaria autoconfiança. E isso pode ser feito com funcionários também, proporcionando que eles descubram as coisas, somente com nossa ajuda.

Ou seja, não há problema nenhum em manipular os outros. O problema está no motivo pelo qual fazemos isso. Manipular para conseguirmos vantagens é bem diferente de manipular para proporcionarmos crescimento aos outros.
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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Doping

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Às vésperas de uma nova olimpíada o mundo todo fica na expectativa de presenciar o maior evento esportivo do planeta, os atletas representando seus países, esforçando-se ao máximo, felizes por darem a seu país o máximo de si.

Pois é, tirando a parte referente a brevidade do início de mais uma olimpíada, creio que o resto faz mais sentido nas antigas olimpíadas, onde as pessoas iam realmente por prazer, para representar seu país, por um ideal, por se esforçar e conseguir se superar.

Infelizmente as olimpíadas se 'profissionalizaram', e o espaço para estas pessoas minimizaram. Agora quem vai para as olimpíadas são garotos e garotas propagandas de grandes marcas, que vestem dos pés a cabeça os atuais atletas. Tudo o que eles usam, onde vão, o que falam, tudo é devidamente estudado por um 'patrocinador'. Pena que estes 'patrocinadores' mataram o espírito olímpico, onde o mais importante é competir.
Imagina se uma empresa vai querer somente que o seu atleta compita, ou então que saia na foto atrás do vencedor. Que prejuízo para a marca!!!!

E certamente os 'patrocinados' sabem muito bem disso, sabe que eles deixaram de ser esportistas a partir do momento em que ficaram 'profissionais', e que agora, além de se esforçarem para superar suas marcas precisam superar os anseios e desejos do 'patrocinador'. E é aí que alguns, não somente motivados por isso, cedem ao uso de meios não honestos, e começam a fazer uso de drogas para melhorarem seus desempenhos, darem milésimos de segundos, um pouco mais de força, de atenção, enfim, qualquer vantagem que possa fazer a diferença entre um 'vencedor' ou 'perdedor' (Esses termos eu coloquei entre aspas pois eles representam somente a posição final do atleta, e não a postura dele para obter esta posição).

Nem preciso falar o quanto esta atitude é errada. E felizmente o COI proíbe isso, punindo os infratores (mesmo que algumas vezes até com um certo exagero).

Mas tem um outro doping que é permitido, e que a cada competição está ficando cada vez mais evidente, e não vejo nada sendo feito para coibir. Até onde eu sei, a competição é centrada no desempenho do atleta, no potencial que ele possui e consegue desempenhar, no resultado do esforço dele. E somente dele. Mas isso já deixou de ser realidade. Agora o atleta não está sozinho, ele está com outros acessórios que podem fazer a mesma diferença do doping químico. E este doping está na tecnologia, que desenvolve produtos para aumentarem o desempenho do atleta. O maior exemplo disso são as roupas que vestem quase que por inteiro os nadadores.

São roupas que foram desenvolvidas analisando o tubarão, na forma do seu corpo para permitir melhor deslocamento da água, de modo a minimizar o atrito, e conseqüentemente aumentando a velocidade do atleta. Mas o que é que deve ser avaliado? É o potencial do atleta ou o potencial da tecnologia do 'patrocinador' do atleta?

Na reportagem um treinador fala deste doping, e o classifica como doping psicológico (ri muito nessa hora). Segundo ele, os atletas ao usarem tal vestimenta se sentem super-heróis, e então eles acabam melhorando o tempo. Acho engraçado isso, inventaram a roupa placebo. Poupem-me!!!!!
Só não entendo como empresas investem milhões em estudos e desenvolvimento para fazerem uma roupa placebo, que somente mexa no psicológico do atleta. É claro que a roupa afeta o desempenho, proporciona mais do que o atleta sozinho consegue obter, senão não investiriam estes milhões.

É uma pena que o COI parece não se importar com isso (ou sabem muito bem quem 'manda' atualmente nas olimpíadas) e deixam isso acontecer com a maior naturalidade. Para mim o que deve ser avaliado é o potencial do atleta, do seu esforço, da sua capacidade. E não a capacidade dele em arrumar 'patrocínios'.

Não sou contra tecnologia ou evolução, porém sou contra desigualdade. Permitir que somente alguns usem tal doping fere o direito da igualdade. Se o traje fosse oferecido a todos os atletas, e mesmo assim alguns não quisessem utilizar, sem problemas, seria decisão deles. Mas não dar a chance de melhorarem suas performances fere qualquer espírito olímpico, que para mim foi enterrado lá com os gregos, há muitos e muitos anos.

Deixo este vídeo, que considero um excepcional exemplo de vitória, não por ter chego em primeiro lugar, mas sim por ter superado a si mesma. É o final da maratona feminina de Los Angeles, 1984, em que a suíça Gabriele Andersen cruza a linha de chegada extenuada, porém extremamente vitoriosa.






sexta-feira, 13 de junho de 2008

Da série "Das coisas que não entendo"

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Creio que vivemos em um mundo que tem verdadeira adoração pelo número 9. Basta olhar os preços de qualquer coisa. É raro um produto que não contenha o número 9.

É um tal de R$ 0,99, R$ 1,99, R$ 99,90, R$ 9.999,90. Parece que se não tiver esse número o preço não é preço. E isso me intriga. É claro que sei o motivo de colocarem um monte de noves nos valores. É para ‘iludir’ os consumidores a pensarem que estão pagando menos do que realmente estão pagando, é uma ‘ilusão monetária’, digamos assim.


R$ 1,00 é bem mais caro do que R$ 0,99, e R$ 1,00 eu não topo pagar, mas R$ 0,99 eu topo, e o troco eu não faço questão. Comprar uma televisão por R$ 1.000,00 nem pensar, olha só, milão, uma pila, muito caro, não compro, mas por novecentos e alguma coisa (onde alguma coisa = R$ 99,99) eu topo, claro, afinal, não pagarei milão.

Já tentei entender isso, mas juro que não consegui. Será que é por que as pessoas adoram pensar que estão levando vantagem, mesmo que seja de um centavo e que ela acabe por desprezar depois? Ou será que é por que as pessoas adoram fazer contas com números mais complicados, então ao invés de dividir um número inteiro preferem dividir um número fracionado? Até na hora de divulgar o valor gasta-se mais tempo, mais saliva (mil reais x novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos).

Bom, já que este povo adora estes valores, que tal facilitarmos a vida de todos? Ao invés de notas no valor de R$ 1,00, R$ 2,00, R$ 10,00, que raramente servem para pagar o preço exato de um produto, não seria muito mais interessante termos notas de R$ 0,99, R$ 1,99, R$ 9,99? Seria muito prático.

domingo, 1 de junho de 2008

Me engana que eu gosto

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Infelizmente a cada dia que passa vejo mais situações onde pode ser aplicado o título deste artigo. Parece-me que este povo adora ser enganado, ou melhor, adora se auto-enganar.

E a cada dia vejo mais situações que me ratificam tal visão. Citarei algumas:

1. Está sendo veiculada na TV uma propaganda da Telefônica, onde você paga uma taxa mensal de R$ 22,90 e fala ‘de graça’ aos finais de semana.
Vamos ver se eu entendi. A propaganda me fala que posso falar ‘de graça’ nos finais de semana, mas para falar ‘de graça’ preciso pagar uma taxa de R$ 22,90 por mês? É um novo conceito do termo ‘de graça’? Ou é uma tentativa de iludir os futuros clientes que eles estão sendo espertos adquirindo este produto para falar ‘de graça’?
Imagino outras ‘promoções’ que podem ser feitas também, seguindo esta mesma linha:

a. Em um restaurante. ‘Promoção: pague R$ 30,00 e não pague a sobremesa’

b. Em uma boate. ‘Promoção: entrada franca, saída R$ 10,00’

2. Em uma planilha foi solicitado que seja exibida a variação entre as vendas de um mês com o mesmo mês do ano anterior, para que a pessoa possa ver como está a situação atual. E ao invés de exibir a variação foi solicitado que o valor a ser exibido seja o percentual com relação ao valor anterior. Abaixo mostrarei a tabela:

Jan

Fev

Mar

2007

100

120

140

2008

120

110

135

Índice 1

120%

91,67%

96,43%

Índice 2

20%

-8,33

-3,57%

E entre os dois índices, o preferido foi o primeiro, pois não tinha valor negativo, o que poderia deixar quem lesse a informação triste. Quer dizer que se eu colocar somente os valores positivos significa que a venda aumentou? Ou que o resultado é melhor? E será que quem ler o índice de fevereiro não vai perceber que está abaixo do valor do ano anterior, e que houve uma retração? A leitura que faço é que tentaram me enganar somente mostrando números ‘bons’ quando na verdade existem números não satisfatórios.

3. Nas vendas de produtos, é comum darem descontos (já escrevi o que acho sobre os descontos no artigo Desconto: bom?), e me deparei com uma situação que ratifica meu pensamento. Em um determinado tipo de produto o desconto chegava a 90%, isso mesmo, 90%. Perguntei se mesmo com um desconto desse valor a empresa ainda ganhava dinheiro, e escutei que na verdade o produto nunca era vendido pelo preço de tabela. O preço somente era definido lá em cima para dar um grande desconto, pois os compradores não comprariam caso o desconto não fosse generoso.
Será que quem compra desconhece matemática? Se vender um produto que custa R$ 10,00, com 0% de desconto, ou se vender o mesmo produto que custa R$ 10,00, com 90% de desconto o resultado financeiro é o mesmo. A diferença que tem é que o segundo vendedor tem a chance de ser esperto, dando descontos menores e ganhando mais do que o justo, enquanto que o primeiro não possui intenção nenhuma de ser esperto. E o comprador prefere a segunda opção, pois aí o ‘esperto’ foi ele.
Se for assim, então eu me tornarei um vendedor e colocarei como preço de tabela do produto R$ 1.000,00, assim poderei dar um desconto de 99%, que certamente deixará o comprador muito mais feliz.

Estas foram algumas situações que presenciei, mas tenho a certeza que muitas outras existem. E vejo algumas pessoas preferindo acreditar que estão sendo espertas, que estão levando vantagem. Um pouco de conhecimento matemático e lógico não faria mal nenhum.

sábado, 24 de maio de 2008

Descobriram a divisão

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A divisão, esta simpática operação matemática, porém altamente incompreendida e temida por muitos está voltando à tona recentemente, e isso graças aos publicitários e empresários. Já repararam que as propagandas passaram a anunciar seus produtos com os valores diário? Já não falam o valor total faz muuuuuuuito tempo, e agora estão deixando de falar o valor mensal. Somente informam o valor diário.

É que assim o produto “““““fica””””” (bem entre aspas mesmo) mais barato, afinal, precisamos só de R$ 1,00 por dia, e o que é R$ 1,00 por dia? É nada, é insignificante, portanto tenho plenas condições de comprar o produto. O fato de ter que economizar R$ 1,00 por dia, por mais de 1000 dias isso não é importante, não precisa nem ser falado. Bobagem.

E nos mercados e restaurantes também esta moda está pegando. Antes eu ia a restaurantes e via o preço por quilo. E agora, como os preços estão altos colocam o preço de 100g, assim nós não nos assustamos com o preço (pura psicologia barata), afinal, R$ 2,09 a cada 100g é bem ‘diferente’ de R$ 20,90 (leiam vinte e um reais).

E por que fazem isso? Será que é por que tem vergonha do preço que praticam, e por isso querem mostrá-lo de uma forma mais simpática?

Claro que exigir uma lei que obrigue todos os produtos a serem anunciados pelo valor da mesma unidade de tempo (mês), ou então pela mesma unidade de massa (kg) poderia acabar com isso, mas seria esforço demais para pouco ganho, mais gerenciamento, gastos. O melhor será nós, consumidores também mostrarmos conhecimentos matemáticos, e de uma operação até mais simples que a divisão: a multiplicação.

Se anunciarem o valor diário de um produto, basta multiplicarmos por 30 e então termos uma melhor noção do preço do produto (multiplicar pelo número de parcelas ajudará muito também). E no caso dos alimentos, se o valor estiver a cada 100g basta multiplicar por 10 (eita operação simples essa) e então saberemos o preço do quilograma, e conseqüentemente facilitaremos a comparação com o preço de outros produtos, também vendido a quilo.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Marketing Multi Nível

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Há um tempo atrás fui apresentado a um novo termo: "Marketing Multi Nível". Até então nunca tinha ouvido falar no termo.

Recebi o convite para ter uma palestra sobre uma oportunidade de negócio, e aceitei. Ao começar a apresentação senti-me como uma daquelas pessoas que ficam nos auditórios das empresas que ficam horas a fio falando das maravilhas dos produtos, e de como aquilo mudará a sua vida (creio que alguns até crêem que darão um novo significado às nossas vidas). Era uma apresentação que falava quase nada do produto (ou serviço) em si, mas sim de como ele poderia modificar a minha vida, de como eu resolveria os meus problemas. Isso até começarem os 'testemunhos', onde pessoas diziam que não acreditavam naquilo antes, que eram discrentes e que resolveram apostar. E como isso mudou a vida deles. Pessoas com problemas financeiros e dívidas rapidamente quitaram as suas dívidas, andam de carrão, tem apartamentos. É de deixar qualquer um realmente impressionado.

Então eles começaram a mostrar como o negócio crescia, mostraram fotos de uma pessoa no começo do serviço, na sala de sua casa, e depois a sala ficando pequena, então foi necessário alugar salões, até chegar a eventos com centenas de pessoas em hotéis. Realmente algo que não se podia perder.

Falaram então de como funciona este marketing. O produto a ser vendido era um serviço de ligação pela internet (VOIP), e para cada venda um percentual era destinado a pessoa. E esta pessoa podia indicar outras para também venderem o produto, e receberia um valor por cada novo integrante, bem como um percentual sobre as vendas que esta pessoa fizesse. E cada um destes indicados podia fazer o mesmo, e um percentual de tudo era repassado para o primeiro nível. Isso funcionaria até no terceiro nível.

Quando vi isso de imediato pensei "mas isso é pirâmide", e quando indaguei uma das pessoas escutei que não era pirâmide, mas sim "marketing multi nivel". Nome bonito. Pesquisei na internet e vi as 'diferenças' entre os dois. Basicamente o marketing de rede tem um produto ou serviço vinculado, e não pode cobrar taxas para novos integrantes. É algo que já existe há um bom tempo (+ 40 anos nos EUA), tem leis e regulamentos.

Certo, a pirâmide cobra taxas e não oferece nada, e é ilegal, enquanto que este marketing multi nível é legal e oferece serviços. Mas isso não muda a característica de pirâmide, já que uma pessoa indica outras, que por sua vez indicam outras. Bom, eu aprendi que tal estrutura é pirâmide. E a possibilidade dos ganhos altos só funciona para quem pega a onda no começo, pois tem um bom campo para trabalhar, os que forem entrando posteriormente já terão menos área onde trabalhar, e menos pessoas para indicar. Não é um sistema que permita que muitas pessoas ganhem o valor divulgado nos anúncios. Afinal, o mercado é limitado, o número de pessoas que podem ser indicadas também, bem como a quantidade de pessoas interessadas em comprar o servico. Tudo isso é finito, e num esquema exponencial destes isso exaure-se rapidamente. Somente poucos ganharão muito dinheiro, e por pouco tempo.

Indaguei as pessoas da palestra sobre isso, e também falei que com a popularização da tecnologia o preço cairia muito, e se a empresa quisesse continuar a sobreviver ela deveria diminuir o valor, o que certamente diminuiria os ganhos dos integrantes, e perguntei também se caso a empresa viesse a fechar, como que ficariam as pessoas para as quais elas venderam o serviço. Ouvi a seguinte resposta de um dos divulgadores:
"Mas até lá eu já vou ter ganho o meu dinheiro".

Fiquei comovidíssimo com a preocupação desta pessoa com o produto, com a empresa e principalmente com os clientes.

É preciso ficarmos atentos à estas ofertas milagrosas. Creio que se fossem tão boas assim, e para tanta gente, não haveria necessidade de ocultarem endereços, emails e telefones nos sites que oferecem isso, assim como também seria muito fácil para o governo acabar com a pobreza e desemprego deste país, era só as pessoas fazerem isso, já que não requer experiência, tempo integral, capacidade, conhecimento, deslocamente até o serviço. É um verdadeiro Eldorado.

É preciso distinguir o que realmente é Marketing Multi Nível do que é Pirâmide com roupagem moderna. São os termos novos para velhos conceitos.

São os nossos novos desafios desta era...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Propagandas

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O que é insuperável? Segundo o dicionário é "que não pode superar, ultrapassar. que não se pode vencer, invencível". Pois bem, por que esta definição? Creio que muitos se lembram de um slogan de um produto, onde era dito que o produto era insuperável. E o que aconteceu com esta empresa? Parou de trabalhar na evolução do produto? Afinal, segundo ela mesma o produto atingira um estado de perfeição, tornando-se insuperável.
Não, a empresa não parou, e evoluiu o produto (espero que sim). E o que fazer com aquele slogan? Simples, muda-se. Agora o produto não é mais insuperável, ele é necessário porque se sujar faz bem.

Mas Carlos, aonde você quer chegar? Eu quero chegar nas propagandas que vemos diariamente nas várias mídias. Citando primeiramente esta, e analisando os dois slogans criados. Se antes era insuperável, e com o tempo foi feito um produto melhor, logo chego a conclusão de que a empresa mentiu na criação do primeiro slogan. Agora, se o produto não podia ser melhorado, por que a empresa continuou investindo no produto?
Minha simples racionalidade não consegue compreender isso, a não ser que a empresa somente diga isso com o único objetivo de vender, e não de ser verdadeira com a real qualidade de seu produto ou o objetivo dele. Talvez não esteja mentindo, mas talvez omitindo ou ludibriando o consumidor.

É impressionante o quanto as propagandas tentam iludir, passar a idéia de que seus produtos são a salvação de nossas vidas, a solução de todos os nossos problemas, mesmo os que não temos ainda. Antigamente as propagandas eram focadas mais na qualidade dos produtos, o que eles podiam fazer e como. Com o tempo isso mudou, agora o objetivo dos produtos não é mais cumprir a sua função, mas sim nos tornarem mais felizes. Como se algo material pudesse realmente fazer isso.

Hoje tem até estudos que buscam 'inputar' em nós o desejo por um produto, de modo que não seja o nosso consciente que aja, desta forma nos deixando desprotegidos do arbítrio pelo desejo ou não de um produto.

Onde chegaremos? Que empresas são essas que atualmente usam qualquer artifício para vender, deixando a qualidade em um plano inferior ao da imagem?

Que empresas são essas que utilizarão desse novo estudo para gravar em nós os desejos pelos seus produtos? São empresas responsáveis? Construidoras de um futuro melhor para todos?

Não sou contrário à divulgação dos produtos, até porque as empresas necessitam que seus produtos sejam comprador para poder se manter, manter os empregos, a economia funcionando, gerando impostos para redistribuição por parte do governo, enfim, muitas coisas. Mas isso lhes dá o direito de agirem como agem?

Alguns exemplos de propagandas e técnicas que tentam enganar o consumidor.
1. Colocam sempre o preço da parcela, com letras garrafais, e como por lei precisam colocar o preço total, colocam num tamanho de letra que talvez nem o Hubble consiga ver, sem contar que num tempo mínimo. (Ah, a taxa de juros também é detalhe....)
2. Dizem que é a menor prestação do mercado como se isso fosse algo bom para o consumidor. Ora, para ter menores valores de prestação basta um divisor maior. Isso não é mérito da empresa (Ah, claro, quanto mais prestações, mais juros, mais dinheiro sem produto vendido, ...)
3. Fazem estardalhaço dizendo que a entrada diminuiu em 50% (Ah, eles se esquecem de dizer que esta redução, no final, é de 1% do preço do produto)
4. Cobrimos qualquer oferta (Engraçado, se eles podem fazer um preço mais baixo a ponto de ganhar de qualquer empresa do planeta, por que já não o fazem? Querem ganhar injustamente sobre nós?)
5. O preço em 12x é o mesmo à vista (Fico maravilhado como as empresas são boas!!! Ela se sacrifica, se dispondo a ficar sem um dinheiro dela por até 11 meses somente para agradar os consumidores. Por isso que ela não pode dar desconto à vista.)

E infelizmente temos um povo crédulo demais. Vejam na reportagem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sede é tudo

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Muita gente deve ter lembrado desta frase, que fez parte do slogan de um refrigerante, onde o começo do slogan era "Imagem não é nada...". Este é o motivo do título deste artigo, as imagens.
Na descrição do nome do meu blog, falo que atualmente muitas pessoas tem preocupações em parecer ter ou parecer ser algo. Vivemos numa era da imagem. O importante é parecer inteligente, parecer confiável, parecer bem de vida, parecer feliz. E para isso as pessoas criam imagens de si, com características que atendem ao que elas querem expressar, mas estão em desacordo com o que são.

Não precisamos ir muito longe para perceber isso. Que tipo de profissionais as empresas contratam? As que estão bem vestidas, que falam bonito, que se portam como a boa etiqueta pede ou as que são competentes no que fazem, possuem iniciativa, são honestas? Ah Carlos, mas a empresa busca pessoas com todas estas características. Sem dúvida, mas e se tivermos duas pessoas, uma em cada extremo? Qual será contratada? A que passa aos fornecedores ou clientes uma imagem boa ou a que é boa, porém com uma imagem não padrão? A aparência é mais importante que o conteúdo.
Certamente todas as pessoas criam uma expectativa sobre outras quando possuem um primeiro encontro, o que justifica uma preocupação com a imagem. Mas se o conteúdo for diferente da imagem, a decepção da pessoa será tão grande que dificilmente você terá algum relacionamento de sucesso e verdadeiro com ela.

O problema está onde as pessoas normalmente preferem investir seus recursos. Normalmente investem mais na imagem, deixando o conteúdo em segundo plano. E levam a vida assim, passando imagens boas até que as pessoas descubram o que há por debaixo da imagem. Então procuram outras pessoas para continuar usando a mesma imagem. Não há preocupação real de ser uma pessoa melhor, afinal, quem quiser 'subir' na vida precisa parecer, ter imagem, fazer uso de marketing. Ser honesto, verdadeiro, dedicado, eficiente são características de derrotados, que não 'sobem' na vida.
Coloquei o termo 'subir' entre apóstrofo pois este termo é extremamente relativo.

Digo as pessoas que não gosto nem um pouco de imagem, e que me preocupo muito com meu reflexo, pois o reflexo somente externa o que sou, deixando de lado qualquer impressão errada que posso passar aos outros.

Mas Carlos, se não usar o recurso da imagem terei menos chances do que os outros nas empresas, não terei as mesmas oportunidades, os mesmos contatos, o mesmo salário. Provavelmente está certo, mas quem constrói vidas sobre isso, sobre uma imagem, pode perder tudo rapidamente, e possivelmente nunca confiará nem será digna de confiança. Talvez fique a vida inteira sentindo que lhe falta algo, sem saber o que. Enquanto que os que se preocuparam com seu reflexo a vida toda pode não ter todos os bens, influência, status como os outros, mas poderão a vida toda sentir que estão fazendo a diferença na vida dos outros, e possivelmente escutarão coisas como "em você eu confio", o que nos contenta imensamente.

Será que o refrigerante não estava certo?