Sobre este blog

Este nome é facilmente interpretado como 'Mundo Idiota', o que não deixa de ser, visto que atualmente vivemos em um mundo do TER e pior, do PARECER TER / SER, enquanto o que devemos valorizar é o SER. Mas o nome tem outro motivo. Uma pessoa que defende sua pátria é chamado de patriota, numa analogia a pessoa que defende o mundo seria o MUNDIOTA.
 

segunda-feira, 28 de abril de 2008

100ª publicação

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Cheguei a minha centésima publicação. Foi pouco mais de sete meses. Muitos artigos escritos, alguns com textos de outras pessoas, porém com conteúdo muito bom e de acordo com meus pensamentos. Alguns um pouco mais elaborados, com vídeo e áudio, o resto, somente com palavras.

Aonde vai chegar meu blog, aonde eu chegarei com ele, não tenho a menor idéia. Se será mais um blog publicado, porém sem atualização, ou se terei fôlego e persistência o suficiente para mais 100 artigos, também são coisas que não sei.

O que sei é que foi muito bom poder compartilhar com vocês, amigos, um pouco do meu pensamento. Foi muito legal poder levar um pouco de reflexão a vocês. Não tenho por intuito fazê-los pensar do mesmo modo que eu. Meu intuito é levar um texto que os façam refletir sobre as coisas, e a partir das suas reflexões – baseadas em sua história, crenças, valores – tomarem as suas próprias decisões. Se estarão de acordo com a minha ou não, não importa. O que importa, para mim, é que sejam as SUAS decisões.

E vi também que o exercício de escrever é algo muito válido. Obriga-nos a pensarmos no que escrever, em como escrever e passar a mensagem de forma clara, objetiva. Acabamos também ficando mais atentos às notícias, ler mais de um lado da mesma notícia. Conhecemos novas palavras, ou passamos a conhecer o significado de muitas palavras que utilizamos.

Deixo aqui novamente meu agradecimento aos incentivadores dessa minha aventura, meus agradecimentos a todos que entrarem em meu blog, utilizarem seu tempo para ler o que escrevi, aos que além de ler, fizeram questão de deixar comentários. Sei o quanto meus textos são longos para o padrão dos blogs, e o quanto ele não é atrativo como os cheio de fotos e vídeos, e mesmo assim vocês lêem meus artigos. Isso é muito gratificante.

Muito obrigado, e vamos aos próximos 100.

domingo, 27 de abril de 2008

Intolerância

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Este meu artigo tem por finalidade pregar a intolerância. Sim, a intolerância!!!
E antes que atirem pedras em mim quero explicar melhor esta 'pregação' à que me proponho.

Todos nós temos intolerâncias a alguma coisa, ou em algum momento, mas o que me chama a atenção é o objeto da intolerância nossa. Creio que nossa sociedade inverteu os alvos da intolerância, e o resultado desta ação estamos vendo em nosso mundo.
As pessoas estão intolerantes quanto às etnias, gostos, opiniões, modos de vida, time do coração, sexualidade, nacionalidade. Uma pessoa torcer para um time diferente do outro 'dá' o direito dela ser maltratada ou agredida, ou então uma pessoa acreditar em outra religião, ou uma pessoa ter uma sexualidade diferente da sua, ou então uma pessoa ser de uma etnia diferente. Muitas pessoas são altamente intolerantes à isso, e 'graças' a tecnologia - o mau uso dela - essa intolerância é cada vez mais inflamada e divulgada anonimamente, que é a única forma dos covardes fazerem isso.

Mas então explique. Depois de tudo o que você falou você ainda pregará a intolerância?

Sim. Mas não ao que falei acima. Como disse há uma inversão dos objetos de intolerância. A intolerância em si não é boa ou ruim - como tudo nessa vida, o que pode ser ruim é o uso que damos a ela. E a intolerância a que me refiro é a intolerância contra os espertos, os que furam a fila, os que aceitam propina, os que usam do seu status para obter vantagens, os que cometem os delitos 'normais' de nossa sociedade, os que optam pelo poder ao invés da autoridade, os que passam horas na frente da casa onde ocorreu um crime, pedindo justiça, mas em suas próprias casas maltratam seus filhos.

E quando digo em ser intolerante não prego a execração destas pessoas, mas sim das atitudes que elas estão tomando. E lutarmos, no mínimo, para não fazermos o mesmo que elas, e tentarmos educar estas pessoas, pois creio que muitas delas fazem o que citei pois não foram devidamente educadas (educação é diferente de instrução), e certamente mudarão a sua postura quando o certo lhes for mostrado.

Certamente não é algo fácil, rápido ou barato a curto prazo. No entanto os benefícios que poderemos obter serão imensos, e perenes.

sábado, 26 de abril de 2008

Ridículo

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Nesta semana, numa conversa com um amigo, ele comentou sobre algo que fazia na infância. Ele ia até o aeroporto ver os aviões pousarem e decolarem. E disse o quanto isso era ridículo.

Comecei a pensar onde está o ridículo da situação. Uma criança, desenvolvendo-se, vendo grandes pedaços de metal, muito pesados, saindo do chão, lá no céu, imponente, é algo ridículo? Apreciar um grande avanço tecnológico do ser humano, a conseqüência de um trabalho de muitas pessoas, de muitas gerações é ridículo? Deixar a imaginação rolar solta, se deliciar e ser feliz simplesmente apreciando algo é ser ridículo? Não consigo considerar algo ridículo isso.


Mas sei que aos olhos dos adultos, seres ‘civilizados e mais evoluídos’ do que as crianças, isso é rapidamente taxado de ridículo, mas não por ser ridículo, mas sim para encobrirmos nossa deficiência de ver a beleza nas coisas, de contemplar o que nos cerca. Perdemos esta capacidade, e ao invés de assumirmos isso preferimos ‘jogar pedra’ em quem ainda possui tal capacidade, taxando de ridículo, de bobo, tolo. É um barato mecanismo de ‘proteção’, o qual prefiro classificar como um ópio para nossa insensibilidade.

Mas voltando ao termo ridículo que nós, adultos usamos para classificar aquele ato de criança, fazemos coisas muito, mas muito mais ridículas. Somente não as classificamos assim, afinal, somos adultos e não fazemos coisas ridículas.

Os adultos usam terno e gravata em muitos empregos, ficam com calor, suam bicas, é desconfortável. Mas estão lá, todo dia do mesmo modo. E qual o motivo disso? Por acaso eles ficam mais inteligentes, mais produtivos, pessoas melhores com esta fantasia? Em caso negativo, por que usar? E se fosse legal, por que as pessoas que usam terno ou estas roupas ‘elegantes’ e altamente desconfortantes, quando chegam em casa, a primeira coisa que fazem é tirar e colocar short e camiseta?


Isso não é ridículo?


Tem as mulheres também, que usam aqueles sapatos de bico fino, ‘chiquetééééééééééérrimos’, e quando chegam em casa o tiram imediatamente e dizem “não via a hora de chegar em casa e tirar aquele sapato”.


Isso não é ridículo?


Ou então analisemos um relacionamento. No começo, quando estão se conhecendo, fingem ser algo que não são, que são mais educados do que realmente são, mais inteligentes, mais compreensivos, mais apresentáveis, mais amorosos. Após se conquistarem então deixam cair a fantasia, e como resultado acontecem as cobranças, o descontentamento por não ser mais como era, por não ser mais gentil, amoroso, educado. Mas aí ambos já estão com algo ‘estável’, e continuam junto, junto com as infinitas brigas ou descontentamentos.


Isso não é ridículo?


Isso me parece muito, mas muito mais ridículo do que a criança apreciando os aviões, no entanto fazemos muitas coisas como as que citei. Só coloquei três exemplos, mas tenho a certeza que vocês conseguirão detectar muitos outros que fazem. E fazemos isso de um modo tão robotizado que muitas vezes nem percebemos nossas atitudes.


Mas Carlos, você não entende como ‘funciona’ a vida? Não vê que é assim que as coisas são? Vejo o que acontece, mas não a vejo com o verbo ‘ser’, mas sim com o verbo ‘estar’. Elas estão assim, e somente porque nós assim queremos e nos esforçamos para mantê-las deste modo.


Quem sabe um dia nós voltemos a ser ridículos como as crianças, que podem ir a um restaurante, ao meio dia, fantasiada de cowboy, com chapéu e tudo, e não demonstrar nem um pouco de vergonha. Ela simplesmente estava feliz.


quinta-feira, 24 de abril de 2008

Rio - ECO 92

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Recebi este vídeo com o discurso de uma menina canadense na ECO'92, que ocorreu no Rio de Janeiro.
Abaixo seguem o vídeo e o texto. A imagem não é das melhores, porém a mensagem passada é fantástica.



“Olá, eu sou Severn Suzuki

Represento aqui na ECO, a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir.

Vanessa Sultie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu. Foi através de muito empenho e dedicação que conseguimos o dinheiro necessário para virmos de tão longe, para dizer a vocês adultos que, têm que mudar o seu modo de agir.

Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo, estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores.

Estou aqui para falar em nome das gerações que estão pôr vir.

Eu estou aqui para defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos.

Estou aqui para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o Planeta, porque já não têm mais aonde ir.

Não podemos mais permanecer ignorados.

Eu tenho medo de tomar sol, pôr causa dos buracos na camada de ozônio.

Eu tenho medo de respirar este Ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando.

Eu costumava pescar em Vancouver, com meu pai, até que recentemente pescamos um peixe com câncer...e agora temos o conhecimento que animais e plantas estão sendo destruídos e extintos dia após dia...

Eu sempre sonhei em ver grandes manadas de animais selvagens, selvas e florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas e hoje eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso...

Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade???

Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e mesmo assim continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções.

Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções, mas quero que saibam, que vocês também não tem...

Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio...

Vocês não sabem como salvar os peixes das águas poluídas...

Vocês não podem ressuscitar os animais extintos...

E vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram
e onde hoje é um deserto...

SE VOCÊS NÃO PODEM RECUPERAR NADA DISSO, POR FAVOR PAREM DE DESTRUIR!!!

Aqui vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos, mas na verdade vocês são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios e todos também são filhos...

Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas (1.992) e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade.

Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atingem a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Eu estou com raiva, eu não estou cega, e eu não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto.

No meu país geramos tanto desperdício, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora e nós, países do norte, não compartilhamos com os que precisam, mesmo quando temos mais que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las.

No Canadá temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.

Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou:

"Eu gostaria de ser rica, e se fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho...".

Se uma criança de rua que não tem nada, ainda deseja compartilhar, pôr que nós, que temos tudo, somos ainda tão mesquinhos???

Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio, eu poderia ser uma criança faminta da Somália ou uma vítima da guerra no Oriente Médio ou ainda uma mendiga na Índia...

Sou apenas uma criança mas ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso que a Terra seria.

Na escola, desde o jardim da infância, vocês nos ensinaram a sermos bem comportados. Vocês nos ensinaram a não brigar com as outras crianças, resolver as coisas da melhor maneira, respeitar os outros, arrumar nossas bagunças, não maltratar outras criaturas, dividir e não sermos mesquinhos...

ENTÃO POR QUE VOCÊS FAZEM JUSTAMENTE O QUE NOS ENSINARAM A NÃO FAZER???

Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências e para quem vocês estão fazendo isso.

Nos vejam como seus próprios filhos, vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer.

Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes "Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo...", mas não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades ???

Meu pai sempre diz :

"Você é aquilo que faz, não o que você diz".

Bem, o que vocês fazem, nos faz chorar à noite...

Vocês adultos dizem que nos amam...

Eu desafio vocês, pôr favor façam com que suas ações reflitam as suas palavras...

Obrigada.”

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Marketing Multi Nível

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Há um tempo atrás fui apresentado a um novo termo: "Marketing Multi Nível". Até então nunca tinha ouvido falar no termo.

Recebi o convite para ter uma palestra sobre uma oportunidade de negócio, e aceitei. Ao começar a apresentação senti-me como uma daquelas pessoas que ficam nos auditórios das empresas que ficam horas a fio falando das maravilhas dos produtos, e de como aquilo mudará a sua vida (creio que alguns até crêem que darão um novo significado às nossas vidas). Era uma apresentação que falava quase nada do produto (ou serviço) em si, mas sim de como ele poderia modificar a minha vida, de como eu resolveria os meus problemas. Isso até começarem os 'testemunhos', onde pessoas diziam que não acreditavam naquilo antes, que eram discrentes e que resolveram apostar. E como isso mudou a vida deles. Pessoas com problemas financeiros e dívidas rapidamente quitaram as suas dívidas, andam de carrão, tem apartamentos. É de deixar qualquer um realmente impressionado.

Então eles começaram a mostrar como o negócio crescia, mostraram fotos de uma pessoa no começo do serviço, na sala de sua casa, e depois a sala ficando pequena, então foi necessário alugar salões, até chegar a eventos com centenas de pessoas em hotéis. Realmente algo que não se podia perder.

Falaram então de como funciona este marketing. O produto a ser vendido era um serviço de ligação pela internet (VOIP), e para cada venda um percentual era destinado a pessoa. E esta pessoa podia indicar outras para também venderem o produto, e receberia um valor por cada novo integrante, bem como um percentual sobre as vendas que esta pessoa fizesse. E cada um destes indicados podia fazer o mesmo, e um percentual de tudo era repassado para o primeiro nível. Isso funcionaria até no terceiro nível.

Quando vi isso de imediato pensei "mas isso é pirâmide", e quando indaguei uma das pessoas escutei que não era pirâmide, mas sim "marketing multi nivel". Nome bonito. Pesquisei na internet e vi as 'diferenças' entre os dois. Basicamente o marketing de rede tem um produto ou serviço vinculado, e não pode cobrar taxas para novos integrantes. É algo que já existe há um bom tempo (+ 40 anos nos EUA), tem leis e regulamentos.

Certo, a pirâmide cobra taxas e não oferece nada, e é ilegal, enquanto que este marketing multi nível é legal e oferece serviços. Mas isso não muda a característica de pirâmide, já que uma pessoa indica outras, que por sua vez indicam outras. Bom, eu aprendi que tal estrutura é pirâmide. E a possibilidade dos ganhos altos só funciona para quem pega a onda no começo, pois tem um bom campo para trabalhar, os que forem entrando posteriormente já terão menos área onde trabalhar, e menos pessoas para indicar. Não é um sistema que permita que muitas pessoas ganhem o valor divulgado nos anúncios. Afinal, o mercado é limitado, o número de pessoas que podem ser indicadas também, bem como a quantidade de pessoas interessadas em comprar o servico. Tudo isso é finito, e num esquema exponencial destes isso exaure-se rapidamente. Somente poucos ganharão muito dinheiro, e por pouco tempo.

Indaguei as pessoas da palestra sobre isso, e também falei que com a popularização da tecnologia o preço cairia muito, e se a empresa quisesse continuar a sobreviver ela deveria diminuir o valor, o que certamente diminuiria os ganhos dos integrantes, e perguntei também se caso a empresa viesse a fechar, como que ficariam as pessoas para as quais elas venderam o serviço. Ouvi a seguinte resposta de um dos divulgadores:
"Mas até lá eu já vou ter ganho o meu dinheiro".

Fiquei comovidíssimo com a preocupação desta pessoa com o produto, com a empresa e principalmente com os clientes.

É preciso ficarmos atentos à estas ofertas milagrosas. Creio que se fossem tão boas assim, e para tanta gente, não haveria necessidade de ocultarem endereços, emails e telefones nos sites que oferecem isso, assim como também seria muito fácil para o governo acabar com a pobreza e desemprego deste país, era só as pessoas fazerem isso, já que não requer experiência, tempo integral, capacidade, conhecimento, deslocamente até o serviço. É um verdadeiro Eldorado.

É preciso distinguir o que realmente é Marketing Multi Nível do que é Pirâmide com roupagem moderna. São os termos novos para velhos conceitos.

São os nossos novos desafios desta era...

domingo, 20 de abril de 2008

Sou uma pessoa comum

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E por isso mesmo um assassino em potencial. E não digo isso em função do meu perfil, ou das minhas atitudes. Digo isso pensando no que ‘descobririam’ de mim caso ocorresse algum assassinato perto de onde eu moro ou onde trabalho. Explicarei melhor.

Vendo os recentes fatos deste país fico estarrecido como criam relações entre fatos comuns com perfis de assassinos, de psicopatas, de pessoas mentirosas. A imprensa fuça a vida inteira da pessoa, e qualquer coisa ocorrida com esta pessoa, independente do contexto ou da época é usada contra ela, e é uma ‘prova irrefutável’ do potencial maligno da pessoa.

Vejo as pessoas usando diferença de minutos entre dois depoimentos como prova de que estão escondendo algo. Se me perguntarem ontem as horas que jantei não saberei precisar, e se perguntarem para quem jantou comigo tenho plena convicção que três horários distintos serão ditos. Pronto, já virei mentiroso.

Vamos supor que numa época na minha vida eu passei por uma fase meio depressiva e por recomendação médica tomei alguns medicamentos. Mas isso já passou, e agora eu estou bem. Isso não interessa mais, o fato de ter tomado algum remédio (ou ter procurado ajuda psicológica) já é um determinador do meu potencial de assassino.

E tem o pior, que é quando nós falamos coisas, ou em momentos de chateação, raiva, ou então em tom de gozação. Quem já não disse para alguém “eu te odeio”, ou “não quero mais ver a tua cara”, ou “preferia que você não existisse”? Há várias possibilidades de frases, porém todas com o mesmo sentido. E se algum dia você disse isso, certamente será um potencial assassino, pois quando um assassinato ocorrer próximo a você, alguém certamente dirá “o fulano disse que odiava o sicrano”, mesmo que isso tenha sido dito em uma peça teatral.

É preciso cuidado ao julgar, e mais cuidado ainda em determinar a personalidade de alguém. Vejo os fatos que estão ocorrendo e a facilidade com a qual traçam o perfil das pessoas, com a qual ligam coisas comuns a perfis de assassinos.

Bom, a mim só me resta rezar para que nada ocorra perto de mim, pois certamente eu serei um potencial assassino. E se ocorrer perto de você, ficará preocupado?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Caso Isabella

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Creio que não haja ninguém neste país que não saiba sobre o que ficou conhecido como 'Caso Isabella'. Há duas semanas somente isso aparece na mídia, em todos os canais, em todos os jornais, em todos os horários. Você escuta informações 'inéditas' iguais a cada 5 minutos.

Não falarei aqui sobre o ocorrido, o que levou alguém a cometer algo contra àquela menina. O que quero entender é por que esse alvoroço todo, por que essa mobilização em torno do caso. Por que pessoas saem de casa e ficam paradas, por horas e horas, na frente da delegacia, ou então na casa dos parentes, obrigando-os a uma prisão domiciliar forçada.

Direi algo que tenho a certeza que muitas pessoas pensarão "Nossa Carlos, como você é frio!!!", ou então "Nossa Carlos, você não tem sentimento?", no entanto não há como não dizer.

"Morreu somente uma pessoa". E depois desta muitas outras mortes já ocorreram, e infelizmente tenho a certeza de que algumas destas outras mortes foram em situações cruéis também, talvez piores do que o caso dela.

Não estou dizendo que o ocorrido com a menina não me sensibiliza, ou que encaro como normal e não me preocupo com o que ocorreu. No entanto parece-me que a sociedade brasileira toda esqueceu de todo o resto, a mídia também. A única coisa que ocorreu neste país nestas duas últimas semanas ocorreu em torno daquela família.

Mas Carlos, você precisa entender que o que fizeram com a menina foi uma crueldade. Que risco ela representava para alguém? Para mim, nenhum. Assim como milhares de crianças que morrem de desnutrição, de sede, de fome. E muitas dessas morrem por causa da ganância de meia dúzia de pessoas, que para ficarem 'ricas' passam por cima de valores, ética, respeito, humanidade, pessoas. Tirando o pouco de muitas. Ou então algumas pessoas, políticas, que roubam, desviam verbas, participam de mensalão, aceitam propinas. Quem é mais cruel? A pessoa que matou a menina - a fazendo sofrer por alguns minutos - ou esta outra que mata muitas crianças - fazendo-as sofrer diariamente, por muito e muito tempo - em doses homeopáticas que nos anuvia os sentimentos?

Damos mais importância a algo pontual, mesmo que pequeno, e nos esquecemos do grande, do perene. Acostumamo-nos tanto ao que ocorre diariamente que aplicamos um filtro sobre isso, de tal modo que não nos afete, não nos cause comoção.

Investir nossos esforços para promoção da justiça para um único caso, e nada fazermos para os casos 'comuns', porém não menos dramáticos, não ajuda este país a ser um país melhor. Lutar para que haja justiça neste caso, e fazermos pequenos delitos no dia a dia, usarmos a esperteza para nos darmos melhor é algo inócuo, além de incoerente.

Deixo meus sentimentos à família da menina e uma proposta de reflexão.